17 de março de 21 Autor: Maria Eloisa Barbosa
Taylor Swift como uma cantora indie?

Once upon a time, a few mistakes ago: É 2012 e Taylor Swift é uma superstar da música country que está tentando ir para o pop mainstream. Sua primeira tacada foi o seu quarto álbum de estúdio, “Red” e o primeiro single é uma canção sarcástica electro-folk chamada “We Are Never Ever Getting Back Together”. Na música, Swift fala de um ex zoando suas pretensões musicais. “E você iria se esconder, e encontrar a paz com algum disco indie que é muito mais legal que o meu”.

Quase uma década depois, esse verso em particular pode causar uma suave confusão entre a geração mais nova. Primeiro de tudo, o que é um álbum indie? E por qual motivo Taylor sugeriria algo que fosse mais legal do que ela é? 

Mais do que qualquer outra popstar de seu grupo, Swift sempre prestou atenção nas conversas sobre ela (veja, por exemplo, o conceito do álbum Reputation de 2017, que é sobre isso). Aquele verso muito citável do Red foi, talvez, uma menção ao argumento que se espalhava na época, um sobre o maior capital cultural que era oferecido para as bandas de guitarra obscuras do que para os famosos artistas pop. Sutilmente e de forma eficaz, Swift conseguiu se colocar na posição de desfavorecida nessa batalha- não importando quantos discos platinum e prêmios do Grammy ela tenha acumulado no início de seus 20 anos. 

O que ninguém sabia lá em 2012 era que o modelo de um “álbum indie legal” estava prestes a ser jogado no lixo no início do século 21. Um ano depois do lançamento de “Red”, uma nova geração de artistas indie surgiu- Haim, Lorde, The 1975- que eram esteticamente muito mais próximas do pop de Swift do que de qualquer rock underground.  Um ano depois Swift lançou 1989, sua versão luxuosa de um álbum indie-pop, vendendo mais de 10 milhões de cópias mundialmente. E mesmo assim sua imagem de desfavorecida persistiu um pouco mais, principalmente depois da Pitchorck, a voz do cenário musical na virada do século, decidir fazer uma review do álbum cover do 1989 de Ryan Adams e não do original melhor sucedido. 

Hoje em dia, Taylor Swift não está mais sendo colocada contra grupos indie como o The National: ela está fazendo música com eles. A colaboração entre Swift e Aaron Dessner do The National em seus álbuns de 2020 “folklore” e “evermore” foi tão bem recebida (e tão profundamente analisada) que é fácil esquecer que, apenas nove anos atrás, tal parceria teria sobrecarregado nossas habilidades de reflexão crítica-musical. É possível que a guerra entre os chamados campos do poptimismo e do rockismo no jornalismo cultural, travada nas páginas do The New York Times e em todas as grandes publicações musicais dos anos 2010, tenha terminado não com um estrondo, mas com dois álbuns de “pop quarentena” discretos de liricamente profundos?

Ouvindo “cardigan”, uma faixa de destaque do “folklore”, você não consegue dizer onde termina Swift e começa o The National. Musicalmente, a mistura de cordas, batidas eletrônicas e piano solitário evoca fortemente os dois álbuns do The National mais recentes – provavelmente porque Dessner originalmente compôs a faixa para seu colega de banda Matt Berninger cantar (seu título provisório era “Maple”). As letras, por sua vez, são todas Swift, um híbrido familiar de recriminação e arrependimento, pintando uma imagem altamente visual de amantes entrando e saindo da cama enquanto se atrapalhavam com emoções carregadas: “E quando eu me sentia como um velho cardigã / Debaixo da cama de alguém / Você me colocou e disse que eu era a sua favorita”. Com suas palavras em contraste com aquela música temperamental, Swift é na verdade uma reminiscência de Berninger quando ele tinha 30 anos e documentava conexões bêbadas em roupas de mauricinho nos álbuns de meia-idade de sua banda.

A parceria de Dessner com Swift não é mais escandalosa, atualmente, do que os quadris giratórios de Elvis Presley. Mas “RED” não foi há muito tempo, não é? Claro, Swift tinha apenas 22 anos quando o álbum foi lançado. Ela tem 31 agora. Como muitos de nós antes dela, ela finalmente envelheceu e chegou na fase de “eu realmente adoro o The Nacional” de sua vida.

Matéria publicada pelo NY Times e traduzida e adaptada pela Equipe TSBR.





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