Não é de hoje que Taylor Swift precisa lidar com piadas sexistas envolvendo seu nome. Seja por causa da quantidade de namorados que teve (que está longe de ser anormal) ou pelo costume de fazer das suas composições um grande diário, onde consegue desabafar e expressar seus sentimentos de maneira genuína, doa a quem doer, Taylor se vê constantemente ridicularizada em público.

No que diz respeito à composição, essa característica de ser um ‘livro aberto’ está ligada às raízes country de Taylor, onde mais do que em qualquer outro gênero musical, canções são verdadeiros confessionários e abordam situações íntimas e pessoais. É um costume em Nashville, cidade onde Taylor iniciou sua carreira, artistas escreverem suas próprias músicas — daí o teor mais particular das canções.

E essa característica nunca abandonou Taylor. Mesmo mudando estilo musical, roupas, cabelos, a velha Taylor que abre o coração enquanto compõe e pinta cenários vívidos na nossa mente por descrever tão bem a realidade dos momentos narrados nas músicas continua ali. Inclusive, Taylor reconhece que seu talento para composição é um dos motivos pelo qual ela chegou tão longe. Em ‘Miss Americana’, ela diz que é isso que a conecta com os fãs, o fato de escrever histórias reais com as quais eles podem se identificar.

Mesmo no pop, onde é comum que artistas somente cantem as canções já escritas por compositores renomados, a loirinha cacheada recém saída do country continuou firme com sua verdade sem se importar com as críticas. E elas vieram, muitas. Taylor passou a ser tachada de ‘namoradeira em série’, como ela mesma se referiu enquanto falava sobre Blank Space — música criada justamente para satirizar esse estereótipo que a mídia impôs sobre ela.

Piadas começaram a surgir de que qualquer homem visto ao lado dela seria uma nova presa, que ela apenas namorava para conseguir compor músicas os atacando e parecer a vítima da situação, entre outras. E aí, Taylor aprendeu a se defender. Afinal, piadas só são piadas quando todos riem, certo? Em diversas entrevistas, Taylor rebateu essas críticas expondo o sexismo presente na indústria que questiona mulheres e ‘passa pano’ para homens que fazem o mesmo. Confira alguns momentos:

“Ninguém diz isso de Ed Sheeran, ninguém diz isso de Bruno Mars, todos eles estão escrevendo músicas sobre suas ex namoradas, atuais namoradas, a vida amorosa deles, e ninguém levanta uma bandeira vermelha lá’
REPÓRTER “Você vai para casa com mais do que prêmios essa noite, talvez muitos homens?”
TAYLOR: “Eu não vou embora com nenhum homem, vou curtir com meus amigos e depois ir pra casa ficar com meus gatos. Homens me trazem problemas.”

O que fica claro é que Taylor criou uma ‘casca’ para se proteger. Resolveu que não iria mais aceitar ser reduzida a apenas uma mulher que namora demais, como se isso fosse algum crime. E foi o que fez mais uma vez, recentemente, quando rebateu a piada da série ‘Ginny & Georgia’, da Netflix. Confira toda a história aqui.

É natural que Taylor tenha decidido pressionar a Netflix nessa situação, já que foi com a própria plataforma, em ‘Miss Americana’, que a cantora pôde expor seus pensamentos e seu lado da história depois de ter sido cancelada tantas vezes. O documentário foi um dos mais aclamados do ano passado e levou o nome da Netflix para festivais prestigiados de cinema. Por isso, grande parte da decepção de Taylor pode ter sido causada por ver que parceiros que até então a apoiavam, compactuaram com mais uma situação de ridicularização usando seu nome — a série ‘Degrassi – Next Class’ também já tinha citado a cantora de maneira negativa.

No entanto, a ‘bronca’ de Taylor na plataforma de streaming acabou respingando em quem não tinha real responsabilidade: as atrizes da série ‘Ginny & Georgia’. Confira a análise que a Teen Vogue publicou sobre o assunto:

“O que resultou desse desastre é uma discussão interessante sobre a dinâmica do poder e quem está com o controle. Na perspectiva de Taylor, ela está contra uma gigante empresa de streaming. Ela está apontando o quanto é feio a menção depreciativa que é feita na série sobre seus ex-namorados, enquanto a Netflix ao mesmo tempo está com o documentário Miss Americana e a gravação da Reputation Stadium Tour no catálogo. Mas apesar da intenção ter sido a de chamar a atenção da Netflix sobre a série, o efeito ficou concentrado nas estrelas da série, especialmente Antonia Gentry, que faz o papel de Ginny e tem recebido mensagens de swifties super nervosos em apoio a Taylor. Em ambos os casos, não importa o quão bem intencionada Taylor foi, está sendo desgastante. No Twitter, a cultura de apoiar pode rapidamente ficar tóxica; e enquanto os fãs deveriam ficar mais conscientes das maneiras que eles possam expressar seus sentimentos, a validação da Taylor pode piorar a situação.

(…)

Realmente não é uma piada, que fique claro. Ninguém está rindo, e Ginny está propositalmente tentando ser cruel. De qualquer forma, a série definitivamente não é perfeita. Era realmente necessário uma referência da cultura pop? Não, e honestamente, foi uma bem chata, especialmente depois do documentário Miss Americana e um ano incrível na música que Taylor fez em 2020.

(…)

Nas redes sociais, e no Twitter especialmente, a linha tênue entre uma crítica válida e um assédio se misturam cada vez mais dia após dia. Os fandoms são cada vez maiores, e a pandemia apenas exacerbou o pavio curto de todos. Como alguém que costumava sair em defesa de Taylor Swift na época de escola contra as críticas sexistas, a frase é um ponto sensível para mim – mas estou mais ciente agora de muitas desigualdades sistêmicas que vão além do que Taylor passou. E parecia que Taylor também estava.

Ultimamente, quando você tem 88.5 milhões de seguidores no twitter, é bom agir como se tivesse 88,5 milhões de seguidores: tudo o que você diz por ser gigante, e com efeitos incontroláveis.

(…)

Justamente porque Taylor tem a capacidade de ver o contexto, ela consegue perceber o impacto que ela tem em pessoas menos famosas e ricas que ela. Nós percebemos isso quando ela batalhou para os serviços de streaming pagarem melhor os músicos, e vemos isso durante a batalha dela pelos seus masters. Ela batalha pela música dela, claro, mas também pelas pessoas que não tem poder nem recursos para serem ouvidos nessas discussões. Ela já passou por humilhações, assédio sexual e por arrogâncias nas mãos de homens que tentaram a possuir; ela os frustrou a cada jogada deles.

Essas são coisas difíceis de carregar, e em 2021, com tudo tão horrível e isolado, é compreensível o porquê da fala da série ser frustrante para ela e para seus fãs que são tão próximos de suas músicas. É sentir que suas décadas de trabalhos se resumem a com quem você saiu. É sentir que o mundo não mudou mesmo desde quando você tinha 15 anos.

(…)

Ultimamente, quando você tem 88.5 milhões de seguidores no twitter, é bom agir como se tivesse 88,5 milhões de seguidores: tudo o que você diz por ser gigante, e com efeitos incontroláveis.”

Fica o alerta para que nós, swifties, sejamos mais conscientes na hora de defender nossa loirinha. É sim injusto ser ridicularizada dessa maneira, ainda mais sabendo tudo que Taylor já passou por causa do sexismo e do machismo presentes na indústria, mas atacar o ‘mensageiro’ não é a solução. Aliás, atacar nunca é a solução, seja quem for. Para fãs de alguém que sentiu na pele os efeitos do cancelamento, precisamos ser mais empáticos e responsabilizar quem realmente precisa ser responsabilizado — mas nunca com ataques e rispidez, não é isso que a fav nos ensina e não pega nada bem pra ela. Reflitam! ;)





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