13 de novembro de 14 Autor: Aline
Time fala sobre o poder de Taylor Swift

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A revista TIME, aquela mesma que tradicionalmente elege as personalidades mais influentes do mundo anualmente, estampa na sua mais recente capa a cantora Taylor Swift.

Mesmo que não seja porque ela foi eleita como uma daquelas que mais influenciaram o mundo no último ano, poderia ser. Com um extenso perfil e uma entrevista que foi realizada no decorrer de 3 meses, eles sacramentam o posto de Taylor como a maior estrela da música atualmente.

O Poder de Taylor Swift

Como a maior romântica do pop conquistou o mercado da música

Às oito horas da noite mais emocionante de sua vida, a artista mais importante da América liderava algumas dúzias de fãs em uma cantoria de “Parabéns para você” direcionada diretamente a uma jovem garota chamada Caylee, que acabava de completar 21 anos. Ela presenteou Caylee com uma garrafa de champagne e um cartão. “Você já sabe que tipo de bebedora você é?” a superestrela de 24 anos perguntou para a jovem de 21 anos, enquanto colocava um braço em sua volta. “Você é uma bêbada feliz?”

Mais cedo naquele dia, no mesmo espaço de eventos em Manhattan, Swift conquistava executivos do mundo da música enquanto gorçons passavam com cordeiro assado e canapés de lagosta. Seu quinto álbum havia sido lançado naquela manhã. Ela cumprimentou os chefes da iHeartMedia – a antiga Clear Channel, que foi recentemente rebatizada – e tirou fotos com eles e suas impressionadas filhas. Ela abraçou Harvey Weinstein, que a deu um papel em O Doador de Memórias, como se fosse um velho amigo.

A noite, os garçons mudaram para pizza, a multidão virou de civis, e Swift trocou seu modelito sério e todo preto para um vestido azul de bolinhas e um colar de ouro que tinha T.S 1989 engravado. QUando ela entrou, a brigada de fãs, a maioria de meninas no final de sua adolescência e na flor de seus 20 anos, fizeram fila atrás de Caylee como se estivessem pedindo benção.

Swift as guia com felicidade. “Eles estão descobrindo que a música que os conta como vão viver suas vidas, como eles deveriam se sentir e como é aceitável se sentir”, diz Swift. “Eu acho que isso é um tanto emocionante”. Ela recentemente começou a falar com seus fãs sobre dois assuntos de importância relacionada para ela: o mercado da música e o feminismo.

Dia 3 de novembro, quase todas as músicas de Swift desapareceram do Spotify, o serviço de streaming online que possui mais de 50 milhões de usuários ativos, e que mais de 10 milhões desses pagam pela versão livre de propagandas e pronta para plataformas móveis. A saída de Swift foi uma surpresa para muitos destes usuários. Ela diz que não deveria. Ela acredita que o modelo do Spotify desvaloriza seu trabalho. “Com o Beats Music e o Rhapsody”, diz Swift, nomeando dois serviços concorrentes, “você tem que pagar por um pacote premium para poder acessar meus álbums. E isso coloca uma percepção de valor naquilo que eu criei. No Spotify, eles não tem nenhuma configuração ou algum tipo de qualificação para quem recebe qual tipo de músicas. Eu acho que as pessoas deveriam sentir que existe um valor naquilo que os músicos criaram e é isso. Isso não deveria ser noticia agora. Isso deveria ter sido notícia em julho, quando eu fui e tomei uma posição e disse que sou contra isso em um artigo no Wall Street Journal”. A decisão de Swift teve tanto impacto que o CEO do Spotify, Daniel Ek, escreveu um post no seu blog defendendo seu negócio. Um porta-voz do Spotify disse à Time que o total de pagamentos para os streamings de Swift nos últimos 12 meses, globalmente, foram de $2 milhões de dólares. A gravadora de Swift, que só recebe uma porção dos pagamentos, diz que recebeu $496.044 dos streams domésticos neste período.

A bagunça do Spotify deixou uma coisa bem clara: mais do que qualquer um, Swift sabe como criar álbuns que as pessoas irão pagar para ter. De acordo com a Nielsen SoundScan, Swift foi quem mais vendeu nacionalmente em 2008 e 2010 e foi a 2ª em 2012, os últimos três anos que ela lançou álbuns. Existem todos os motivos para esperar que ela termine 2014 na primeira posição. A soma de 2.287 milhões de álbuns vendidos na primeira semana para o seu novo disco, 1989, é melhor do que qualquer semana de vendas desde o Eminem Show que foi lançado em 2002.

Swift e Eminem tem mais uma coisa em comum: são os dois cantores/compositores que começaram e manteram tais níveis de popularidade desde que os anos 90 começaram. Entre seus colegas do pop, Rihanna e Miley Cyrus se apoiam muito mais em compositores externos, enquanto Lady Gaga e Beyoncé não igualaram suas vendas. Swift é a única artista a ter três álbuns que venderam um milhão de cópias na primeira semana desde 1991, quando o SoundScan começou a medir. Antes do 1989, ela vendeu aproximadamente 70 milhões de faixas digitais. A Billboard a nomeou a Mulher do Ano de 2014, a segunda vez que ela recebeu esse prêmio nos oito anos de história do prêmio. Sua última turnê arrecadou $150 milhões de dólares – a maior soma que a música country já viu. Ela tem 46 milhões de seguidores no Twitter, colocando ela em grande distância de Barack Obama, e um pouco atrás de Katy Perry e Justin Bieber, seus rivais, pelo o que é especulado.

Mesmo que Swift possa estar financeiramente segura, ela se preocupa bastante com o futuro de sua indústria e o seu próprio, caindo periodicamente, naquilo que ela mesma refere como “buracos de falta de confiança e medo”. Ela diz: “É muito importante que eu controle a minha ansiedade quando se trata do futuro porque, sabe, eu tenho poucos modelos femininos para seguir. Isso me assusta de vez em quando”. Ela diz que admira Mariska Hargitay, a atriz de Law & Order: SVU: “Ela é uma das atrizes mais bem pagas – entre atores em geral, homens ou mulheres – na televisão, e ela tem representado essa personagem feminina que é muito forte por, o que, 15 anos?”. Swift uma vez deu uma carona para Hargitay e seu marido depois de um show de Ingrid Michaelson. Depois, ela batizou sua gata de Olivia Benson, em homenagem à personagem de Hargitay em SVU. Swift diz que ela também admira Ina Garten, a Barefoot Contessa do Food Network, que diz sobre Swift: “Ela se conecta com as pessoas tão bem porque ela é verdadeira consigo mesma. Eu simplesmente a adoro”. Swift até a mandou uma mensagem com a foto de um bolo no formato da bandeira americana no dia da Independência.

Ninguém na música captura a admiração de Swift da mesma maneira. Não é por falta de talento. Ao contrário, é uma questão dos desafios que as artistas femininas enfrentam enquanto envelhecem. “Eu tenho dificuldade em encontrar uma mulher na música que não tenha sido importunada pela mídia, ou examinada e criticada por envelhecer, ou criticada por evitar envelhecer”, diz Swift. “Parece ser muito mais dificil ser uma mulher na música e envelher. Eu só espero que eu escolha fazer isso da forma mais graciosa o possível”.

Ela gosta de pensar, ela diz, sobre o que seus netos vão dizer um dia – é mais fácil do que se preocupar sobre seus milhões de fãs. Ela sabe que, de qualquer jeito, seus netos vão provocá-la. “Mas eu prefiro que seja ‘Olhe como suas danças são estranhas no vídeo clipe de Shake It Off! Você parece tão esquisita, vovó!’ do que ‘Vovó, aquilo é seu mamilo?'”

Se escondendo à vista

“Shake It Off” o primeiro single do 1989, tinha sido lançado há um pouco mais de um mês quando eu visitei Swift em setembro na casa de seus pais no subúrbio de Nashville pela primeira entrevista de uma série que aconteceria neste outono. A música, que é a sonoramente mais dançante de Swift até agora e seu segundo primeiro lugar no Billboard Hot 100, cobre o negócio – significante para ela – de publicidade negativa, e os “haters” no mundo inteiro.

Em pessoa, Swift é mais alta e mais magra do que você espera, e mais ácida e sarcástica. Ela fala em tom baixo, envolvente e nítida, pronunciando todas as letras. Nos sentamos em uma mesa no quintal do lado de uma enorme piscina e ela acomodou as pernas embaixo de seu corpo enquanto conversávamos.

Com certeza que todos os pais de uma criança ambiciosa já sabem da história de origem de Taylor Alison Swift. Nascida em, sim, 1989, em Reading na Pensilvânia, filha de Scott, um consultor financeiro da Merril Lynch e Andrea, então executiva de marketing de um fundo mútuo, Swift cresceu em uma fazenda de pinheiros na próxima cidade de Wyomissing. Enquanto era criança ela escrevia (histórias, poemas e diários) e se apresentava (musicais, hinos nacionais) sempre que podia. Ela até venceu um concurso nacional de poesia na quarta série. Mas compor música country – Swift já disse que Shania Twain, Faith Hill e LeAnn Rimes a inspirou – deram mais ambição do que qualquer coisa anterior. Então ela viajou até Nashville aos 11 anos e entregou seu CD demo com covers para gravadoras da Music Row, mas não deu certo. Ela tentou de novo aos 13 anos, com músicas que ela tinha escrito e foi melhor, conseguindo um contrato de produção com a RCA Records. Mas a RCA queria que ela gravasse músicas de outros, e ela não gostava disso. Além disso, o contrato tinha poucas chances de se tornar algo real. Ela pediu demissão e aceitou um contrato generoso de publicação com a Sony/ATV. Ela foi a compositora mais nova que a companhia já contratou.

Na oitava série, Swift convenceu seus pais para se mudarem para Hendersonville, no Tennessee, perto de Nashville, com o seu irmão Austin na bagagem. Ela escrevia no escritório de seu editor por algumas horas todas as semanas depois da escola, relembrando seu dia e reclamando dos meninos imaturos dos quais ela não tinha paciência. Sua mãe a buscava logo depois. Enquanto se apresentava em uma convenção da indústria, Swift chamou a atenção do experiente executivo de promoções Scott Borchetta. Quando Borchetta começou a sua própria gravadora um pouco depois, em 2005, ele não garantiu só Swift mas também um investimento em seu negócio da parte do pai dela. No ano seguinte, o primeiro álbum de Swift, Taylor Swift, foi lançado. Três meses depois do seu lançamento, a Recording Industry Association of America (RIAA) o daria o certificado de ouro, no caminho para ser certificado cinco vezes platina em 2011. Fácinho, não?

Não. Aparemente todo mundo que trabalha com Swift menciona sua rara determinação e natureza exigente. Arturo Bernatora Jr, o executivo da Sony/ATV que contratou Swift diz que, mesmo aos 14 anos, a cantora recusava a ajuda de homens de 40 anos que já tinham feito grandes hits no country. Ryan Tedder, que já escreveu e produziu músicas para artistas como Beyoncé e U2, e que escreveu duas músicas com Swift para o 1989, percebeu o seu foco também. “95 vezes de 100, se eu levo uma faixa para um estado que eu estou satisfeito com ela, o artista vai dizer ‘É incrível’. É muito raro ouvir, ‘Nope, isso não está certo’. Mas os artistas com quem eu trabalhei e que são os mais bem sucedidos são aqueles que vão dizer na minha cara, ‘Não, você está errado’, duas ou três vezes seguidas. E ela fez isso”.

Liz Rosa, a colaboradora mais frequente de Swift, diz que diversas garotas procuraram os serviços dela nos últimos anos, esperando “escrever uma música igual a de Taylor Swift”. E Rose diz que ela tem que falar para cada uma delas: “Querida, não. Só Taylor Swift consegue escrever essas músicas”.

E não é só porque Swift tira quase toda a sua inspiração de sua própria vida. Ela escreve, no seu melhor, com o toque delicado de um poeta e o instinto de um dramaturgo para o conflito. Desde a primeira frase de seu primeiro single, “Tim McGraw” de 2006, Swift se destacou: “Ele disse que meus olhos brilham de uma maneira que deixaria as estrelas da Geórgia com vergonha naquela noite/Eu disse, ‘Isso é mentira'”. Naquela música, e no decorrer daquele álbum, Swift se apresentou como uma mistura improvável de algo provocante e de grande vivência, ansiosa e pronta para se apaixonar e igualmente pronta para perder tudo aquilo. O debut tinha músicas de paixão e músicas de vingança, todas elas felizmente menos caricatas e anestesiantes do que o resto que os principais artistas do country tinham a oferecer.

E então ela foi, colecionando admiradores da geração antiga que tinham suas próprias glórias na composição. Kris Kristofferson, Bruce Springsteen, Dolly Parton – todos ficaram fascinados com a técnica e atitude de Swift. No seu melhor, ela pode escrever músicas como as de Joni Mitchell e colocar nelas melodias tão memoráveis quanto as de Pharrell. Mas ela também consegue vender que nem o Abba, atravessando gêneros – se provando mais forte do que os limites dos formatos que já estrangularam as músicas de grandes artistas – e atrair uma audiência que parece ser mais vasta e mais leal do que a de qualquer outro artista. Ela apresentou ao seus fãs uma seriedade e uma técnica, uma forma de romantismo, que parece estar em falta em qualquer outro lugar na sociedade. Ela se destaca em uma era que parece ser totalmente contra tais triunfos – uma na qual as audiências tem maior tendência a se fragmentar do que a se massificar – tudo enquanto se mascara como um ídolo adolescente, se escondendo na vista de todos.

Carly Simon que fez um dueto com Swift para “You’re So Vain” em 2013 em um estádio lotado, diz que Swift é uma “estrela cadente”. Como compositora ela lembra da própria Simon – “ela é modesta sobre o assunto” – mas ela é um outro tipo de artista. “Eu não a compararia com Joni Mitchell, Carole King ou a mim mesma. No palco ela é uma showman, meio como o Elton John”. Simon recentemente comprou o ônibus de turnê de Swift, já que ela não gosta muito de voar. Ela diz que Swift a deu um desconto (“o preço que você cobraria a sua irmã”) e até incluiu todas as roupas de cama.

Juntos no percurso

Um dia no começo de 2014, Tedder, o produtor, compositor e o líder do OneRepublic, estava andando pelo Abbot Kinney Boulevard em Venice, na Califórnia, quando recebeu uma ligação de Swift. Ela queria a juda dele em seu novo álbum, e o energético Tedder sabia que era um desafio desde o começo. “Se na corrente sanguínea de alguém tiver traços de Red Bull, é na dela”, ela diz. Ela disse para ele que amava os anos 80, e ela queria pedaços de todas as eras do pop da sua vida. Mais importante ainda, diz Tedder, Swift disse que queria que ele largasse qualquer noção que tinha da sonoridade dela. “Não tem nada de country nesse álbum. Finja que eu sou uma nova artista que precisa fazer um álbum que defina a sua carreira”, ela contou para ele.

Mesmo que 1989 seja seu quinto álbum, lançado oito anos depois de seu primeiro, ele pode mesmo ter chegado para definir a sua carreira. Marca a separação de Swift de Nashville, literalmente e figurativamente. (“Para deixar registrado, esse é o meu primeiro álbum oficialmente e documentado como pop”, ela disse aos fãs quando o anunciou). O velho casamento sempre foi por conveniência. Criada na Pensilvânia, Swift – tão autênticamente country quanto um Cracker Barrel no litoral – encontrou em Nashville a chance se ter sucesso com a força de suas músicas. Se New York ou Los Angeles, as duas outras capitais nacionais da úsica, tivessem descoberto Swift primeiro, com certeza eles teriam aparado suas arestas e alisado seus cachos. Como Swift esteve em Nashville, de verdade, desde o começo de sua carreira, ela era mais do que bem vinda a ficar o quanto quisesse.

Sua composição country sempre foi direta, até mesmo pelos duros padrões do gênero. Fearless ofereceu “Fifteen”, que aborda os problemas românticos de Swift na nona série junto de sua melhor amiga Abilgail, e cresce e cresce até que: “Naquela época, eu jarava que ia casar com ele um dia, mas eu percebi que tinha sonhos ainda maiores/E Abigail deu tudo o que tinha para um garoto que mudou de ideia e nós duas choramos”. Alguns dos detratores de Swift alegam que ela estava em uma cruzada pelo celibato, mas a música capta também a dolorosa miopia que todo adolescente sofre.

Seu catálogo é recheado de músicas como esta, músicas que na segunda ou terceira ouvida transcendem o foco de sua narrativa. Veja “Enchanted” do Speak Now de 2010, o álbum que Swift escreveu sem a ajuda de colaboradores. Na primeira vez, a faixa de quase seis minutos se parece com o trabalho de uma mente obsessiva e dificil de se identificar. Mas ouça novamente e você irá escutar uma música sobre os relacionamentos impossíveis de sua vida – como aquela paixão que persiste apenas por duas paradas do metrô – os sentimentos duelantes de oportunidade e futilidade que impregnam todos os assuntos do coração.

Enquanto gravava o Red em 2012, Swift se encontrou na necessidade de um novo som. Borchetta, o presidente de sua gravadora, escutou uma versão de sua música “Red”, produzida pelo seu colaborador de sempre, Nathan Chapman. Borchetta diz: “A música era brilhante – ótima melodia. Mas eu disse para eles que maneira que havia sido gravada, gente, a produção não combina com a música. Precisava de um som pop”. Então Chapman e Swift perguntaram a Borchetta se eles poderiam tentar de novo. Eles tentaram – e foi pior, diz Borchetta, que a primeira vez. “E Taylor basicamente disse, ‘Tá certo, você poderia ligar para o Max?'”

“Max” é Max Martin de 43 anos, que talvez seja o compositor de mais sucesso nos últimos 20 anos. (“Shake It Off” de Swift marcou seu 18° primeiro lugar no Hot 100 da Billboard. Ele só fica atrás de dois caras chamados McCartney e Lennon). Martin, que vive na Suécia, onde nasceu, raramente concede entrevistas, ficou famoso no final dos anos 90 por escrever e produzir hits pop grudentos influenciados por R&B para Britney Spears, Backstreet Boys e ‘N Sync. Depois que aquela era acabou, ele encontrou uma segunda vida ajudando Pink e katy Perry a desenvolverem sons eletrônicos. Martin e seu pupilo, Johan “Shellback” Schuster, eram colaboradores incomuns para Swift, vendo o quão próximo ela tinha mantido o seu círculo pré-Red. Mas ela estava pronta para experimentar, e eles estavam prontos para ajudar. “We Are Never Ever Getting Back Together”, o single dançante que os três fizeram foi primeiro N° 1 de Swift na Billboard Hot 100. “I Knew You Were Trouble”, uma faixa eletrônica, mais tarde chegaria até o 2° lugar. Ela sabia que tinha encontrado seus colaboradores dos sonhos, Swift diz, e Martin foi sua primeira escolhe para compartilhar a produção executiva do 1989 com ela.

Seu objetivo com o 1989, ela conta, era um álbum”coesivo sonoramente”, um que não transitasse entre gêneros como o Red e o Speak Now tinham feito. E ela alcançou isso, escrevendo um álbum mais alto, impertinente e pop do que qualquer coisa que ela já lançou. Tedder diz que foi tudo o trabalho de Swift. “As pessoas vão procurar um buraco para poder explorar na imagem de Taylor Swift e dizer, oh, você teve Max Martin, eu, Jack Antonoff do fun. – renomados criadores de hits. Mas eu penso que cada um de nõs vai te dizer, é tudo da Taylor. Nós estamos lá como editores. Ela está dirigindo e nós estamos junto nesta jornada”.

No 1989, Swift muda de tema também, explorando descaramente a sua reputação de namoradeira em “Blank Space” e descrevendo pela primeira vez uma garota que traí o seu namorado conquistador em “Style”. A antiga Swift raramente explorava áreas duvidosas. Ainda assim, ela diz, “quando você está crescendo e essencialmente publicando seu diário para o mundo ler, você acaba incorporando novos temas e esses temas se tornam evidentes na sua própria vida”.

Sua vida é cheia de novos temas. Perto do lançamento do seu último álbum, em 2012, o público via Swift como uma namoradeira em série – John Mayer e Jake Gyllenhaal estavam entre seus famosos namorados – e a nova rainha em dividir as suas experiências amorosas. (Rolling Stone a colocou em sua capa em 2012 como “A Garota dos Corações Partidos”). Antes disso, Swift era mais conhecida por aqueles que não são fãs pela vez que o Kanye West roubou seu microfone no MTV Video Music Awards de 2009 para dizer que a Beyoncé, e não Swift, merecia o prêmio de Melhor Video Feminino. (Depois, West pediu desculpas e até o Presidente Obama defendeu Swift, chamando West de “babaca”).

Mas desde 2012, a imagem pública de Swift se transformou paralelamente com a sua vida privada. Seu último relacionamento público terminou em janeiro de 2013, e desde então ela cortou seu cabelo, fez várias novas amigas (Lena Dunham, Karlie Kloss e Lorde) e se mudou de Nashville, onde ela tinha morado e trabalhado desde o ensino médio, para New York. “É aliviante ver as pessoas deixarem de lado a ideia de que tudo o que eu faço é sentar na minha toca e escrever música sobre garotos por vingança”, ela diz.

Ela comprou um par de coberturas no bairro do Tribeca em Manhattan por $19.9 milhões de dólares que antes pertenciam ao diretor Peter Jackson e logo se tornando, julgando pela fotos, um acessório das calçadas da cidade. A secretaria de turismo da cidade de New York anunciou Swift como a sua nova embaixadora global de boas vindas em outubro, mesmo que ela fique mais dentro de casa do que desejaria: “Se eu estou afim de ser julgada por todas as peças de roupas no meu corpo – se elas combinam, se elas não combinam, se está na moda – então eu saio. Se eu não estou interessada em passar por este tipo de debate e conversação – a repesito de como eu ando, se eu estou cansada, se minha maquiagem está certa, o que é aquela marca no meu joelho, eu me machuquei? – eu não saio”. Ao menos os paparazzi da cidade são educados, ela diz, e, sim, ela sabe o quão peculiar esse pensamento soa.

As duas Taylors

Swift gosta de contar a história sobre como ela foi batizada de Taylor. Bem, ela gosta de contar duas. A primeira é que ela foi batizada em homenagem a James Taylor, o gentil cantor de “Fire and Rain” que seus pais adoravam. E a outra: “Minha mãe me chamou de Taylor porque ela pensou que eu acabaria trabalhando em corporações – meus pais são pessoas que trabalham com finanças – e ela não queria que nenhum executivo, chefe, empresário olhasse se eu era uma menina ou um menino se eles recebessem meu currículo”.

A empresária acabou em Swift de qualquer maneira. Ela tem patrocinios da Diet Coke e da Keda, e para ajudar nas vendas de álbuns ela não se colocou só contra o Spotify mas junto com a Target. Mais de um terço das vendas na primeira semana de Swift vieram da varejista, que entre as faixas exclusivas da versão da loja estão as intimas gravações de Swift explicando sua técnicas. Assim como diversos milenistas que nasceram na classe média-alta, Swift se beneficiou da morte do conceito de esgotamento. Atualmente, os americanos se acostumaram com a onipresença das marcas e o seu product placement dificilmente incomoda. O que importa, de verdade, se “Style” foi lançada numa comercial da Target ao invés de um pequeno show?

Swift diz que os grandes números de vendas importam “porque eu percebo a importância de uma afirmação que isso faz para todos aqueles que acham afirmações importantes”. Uma indústria ansiosa precisa de um pouco de animação. O que Joni Mitchell uma vez chamou de máquina de fazer estrelas está se pulverizando desde o crescimento da Internet. Diversas lojas de discos fecharam, muitas revistas de música pararam de ser publicadas, e a MTV se tornou uma emissora de Reality Shows indistinguível de qualquer outro canal.

1989 olha para trás com seus sintetizadores, máquinas de batidas e uma estética centrada em Polaroids, mas Swift também trouxe de volta do passado a comoção entorno de seu lançamento. Em 1989 a indústria da música nos EUA (mais vendidos: Madonna, janet Jackson, Fine Young Cannibals) arrecadou mais de $12 bilhões, ajustados à inflação atual, de acordo com a RIAA. Em 2013? Menos de $7 bilhões. Swift diz que queria fazer “um álbum que é realmente um álbum de verdade – destacado, em negrito, caixa alta, com pontos de exclamação no final”.  Não são muitos os artistas que tem a liberdade para fazer isso. Mas os fãs de Swift, apaixonados e protetores dela depois de anos de músicas cheias de confissões e tocantes, vão apoiá-la – eas regalias do seu negócio – qualquer que sejam os ventos da indústria.

Por exemplo, ela quer continuar a tocar em estádios. Ela lembra que uma noite chuvosa em Foxboro, Massachusetts, em junho de 2011. A previsão era de céu limpo. “E no meio do show, uma tempestado começa. Na minha cabeça, a primeira coisa que eu pensei é: todo mundo vai ir embora. Nós estamos na sétima música, ele eles vão ir embora. Vou tocar para ninguém. E vai ser igual como meus pesadelos são. Mas ao invés de irem embora, eles dançaram”.

A lealdade de seus fãs chegou tão longe a terem policiado os vazamentos do 1989 nos dias anteriores ao seu lançamento. As vendas do álbum importavam para ela , então também importam para os fãs. Swift depois disse à NPR que foi a primeira vez que um álbum dela tinha vazado mas não tinha virado um dos assuntos mais falados no Twitter – e ela agradeceu os fãs por isso.

Deles, Swift diz, ela experienciou “lealdade extrema, incondicional e maravilhosa que eu nunca pensei que iria receber na minha vida, não da minha melhor amiga, não de um namorado, não de um marido, não de um cachorro”.

Os fãs que ela reuniu na noite do aniversário de 21 anos de Caylee eram desse tipo leal. Swift tinha os escolhido pessoalmente do Twitter, Instagram e Tumblr, com a permissão e ajuda de sua equipe, para comparecerem a noite final de uma série de “1989 Secret Sessions”. Durante todo o verão, Swift convidou grupos de seus seguidores mais ativos para suas casas (em Manhattan, Los Angeles, Nashville e Watch Hill) e para um quarto de hotel em Londres para mostrar o seu próximo álbum. Depois de terem assinado contratos de confidencialidade, ela cozinhava para eles e fazia alguns comentários sobre as músicas. Eles então posavam com Swift em divertidas fotos em Polaroids.

Nessa última noite, no entanto, com o álbum finalmente nas lojas e encaminhado para vender quase que 1.3 milhões de cópias em sua primeira semana, a sessão era um pouco menos secreta que as outras. Swift tocou suas músicas ao vivo, duas delas pela primeira vez, em um telhado no centro da cidade, enquanto transmitia a apresentação no Yahoo e nas estações da iHeart para uma audiência mundial. Atrás dela, as torres do Distrito Financeiro perfuravam o céu alaranjado de final de tarde. E as luzes no topo do Empire State Building – um versátil sistema de LED instalado há apenas dois anos – dançavam na batida das recém-lançadas músicas. Há quatro anos, Swift cantava: “Como as luzes do reino brilhavam para mim e para você”. No chão, ninguém entendia o que estava acontecendo. Mas no telhado, os fãs de Swift vibravam e se arrepiavam, tudo para afastar o friozinho da noite, enquanto eles admiravam sua rainha enquanto ela olhava para o seu novo e vasto reino.

Mas isso não foi suficiente. A revista publicou, ainda, uma entrevista com a cantora que acabou ficando de fora da versão impressa. Confira:

A estrela de 24 anos conversou com a TIME neste outono enquanto se preparava para o lançamento do seu novo álbum e, mais uma vez, observava a recepção recorde. “Outras mulheres que estão arrasando deveriam te motivar”, ela diz.

Nem tudo coube na matéria da revista, então aqui está o resto do que Taylor Swift disse para a TIME. A artista de maior sucesso atualmente tem grandes apresentações planejadas para a sua turnê em 2015. E ela está rezando para uma visita de Iggy Azalea. Enquanto ela tem dificuldades de nomear um modelo na indústria da música, ela se encontra admirando Mariska Hargitay, a atriz por trás de Olivia Benson, e Ina Garten, a Barefoot Contessa, atualmente.

Para o resto dos pensamentos de Swift, incluindo o por que ela abandonou o serviço de streaming musical Spotify, como ela escreve uma música e o retrato feminino da mídia, aqui estão pedaços de nossas conversas.

Por que você retirou suas músicas do Spotify? Eu estou num escritório de pessoas que estão chateadas por não poderem ouvir sua música por stream.

Bom, elas ainda podem ouvir minhas músicas se as comprarem no iTunes. Eu sempre estou pronta para experimentar algo novo. E eu experimentei e não gostei. Eu acho que deveria haver um valor inerente à arte. Eu não vi isso acontecendo, perceptivamente, quando eu colocava música no Spotify. Todo mundo está reclamando de como as vendas de músicas estão encolhendo, mas ninguém está mudando a maneira de fazer as coisas. Eles continuam correndo na direção do streaming, que é, na maior parte, o que tem reduzido os números de vendas álbuns pagos.

Com Beats Music e Rhapsody, você tem que pagar por um pacote premium para acessar meus álbuns. E isso coloca uma noção de valor no que eu criei. No Spotify, eles não tem nenhuma configuração ou qualquer tipo de qualificação para quem consegue quais músicas. Eu acho que as pessoas deveriam sentir que há um valor para o que os músicos criaram, e é isso. Eu escrevi sobre isso em julho, eu escrevi num artigo para o Wall Street Journal. Isso não deveria ser notícia agora. Isso deveria ter sido notícia em julho quando eu saí, me posicionei e disse que sou contra isso. Então, essa é meio que uma história antiga.

Qual era o objetivo de seu novo álbum, 1989?

Com 1989, eu realmente coloquei minha garganta no fio, porque eu fui aquela que disse que eu precisava mudar as direções musicais. E minha gravadora e agentes foram os que falaram “Você tem certeza? Isso é arriscado.” E eu fui aquela que tinha que chegar toda vez e dizer “Não, isso é o que nós faremos.” Quando eu revelei uma capa de álbum que não tinha metade do meu rosto nela, e tentei convencer minha gravadora de que essa era a melhor forma de vender um álbum, você sabe, eu tenho alguns tipos de olhares laterais interessantes. Mas eu sabia que essa era a melhor maneira de representar essa gravação, porque eu queria que houvesse um ar de mistério. Eu não queria que as pessoas conhecessem o DNA emocional desse álbum. Eu não queria que elas vissem uma foto sorridente na capa e pensassem que era um álbum feliz, ou vissem uma expressão facial triste e pensassem, oh, esse é outro trabalho sobre fins de relacionamentos. Quando eu quis chamar o álbum de 1989, as pessoas na equipe questionaram. Cada elemento individual nesse álbum foi questionado, e eu tive que dizer “Não, é assim que nós faremos.” E o fato de que fizemos os números que fizemos na primeira semana-você não entende o quão aliviada eu fiquei, porque a culpa seria toda minha se o álbum não tivesse dado certo. Foi um pouco difícil dormir na noite do lançamento.

Tem uma música no meu álbum chamada “All You Had to Do Was Stay.” Eu estava tendo esse sonho, era um daqueles sonhos vergonhosos em que você fica mortificada, humilhada. No sonho, meu ex batia na minha porta e me implorava para falar com ele ou qualquer coisa, e eu abria a porta e dizia “Oi” ou “O que você está fazendo aqui?” ou alguma bobagem normal-mas tudo o que saía era esse “Stay!” (Fique) agudo, quase como em uma ópera. Então eu escrevi essa música, e eu usei esse som nela. Esquesito, né? Eu acordei desse sonho gravando a parte esquisita em meu telefone, imaginando que eu deveria incluir isso em algo porque seria estranho não fazer. No pop, é divertido brincar com pequenos barulhos como esse.

Eu sou apaixonada por melodias grudentas e ganchos musicais que ficam presos na sua cabeça por dias, e idealmente por semanas, e talvez até meses. Eu realmente amo quando eu ouço uma música, e de repente, eu passo minhas próximas duas semanas tentando descobrir como tirar aquela canção da cabeça. Eu acho que existe uma maneira para fazer isso artisticamente. Eu quero que as pessoas fiquem com as músicas que eu escrevo em suas cabeças, mas eu não quero que isso as perturbe. Eu estou falando de músicas que soam como se tivessem sido produzidas em um laboratório. Tipo, qualquer coisa que faça você pensar que tem oito compositores nisso.

Uma pergunta sobre “Shake It Off”, o single principal: eu nunca li alguém dizer que você fica fora até muito tarde.

Ah, essa era apenas um bom verso inicial. É.

O que escrever uma música faz por você?

Eu vejo muitas celebridades construírem barreiras emocionais em torno de si mesmas, onde elas não deixam ninguém entrar, e é isso que as faz se sentirem tão sozinhas no topo. Eu só continuo escrevendo músicas. E eu meio que fico aberta para me sentir humilhada e rejeitada, porque antes de ser uma celebridade de disse-não-disse, eu sou uma compositora. Ser uma celebridade significa que você tem que trancar suas portas e fechar as janelas e não deixar as pessoas entrarem. Ser uma compositora significa ser muito conectada à sua própria intuição e seus próprios sentimentos, mesmo que isso machuque.

Então, eu tenho uma perspectiva muito mais de compositora. Mas agora eu sei como me levantar daquele buraco constante e sem fim de medo e dúvida. Eu tenho sido capaz de escrever músicas e me sentir melhor. Elas claream e simplificam as emoções que estou sentindo. Nada que você fizer vai fazer a dor parar. Isso só ajuda a ter tudo mais claro e simples.

Existe alguém que você enxerga como um modelo de direção para a sua carreira? Mulheres que você aspira ser?

Nós somos ensinados a achar exemplos da maneira que queremos que nossas vidas sejam. Mas eu não consigo achar ninguém, de verdade, que teve a mesma trajetória que a minha. Então quando eu estou em um momento otimista, eu espero que a vida não vá se comparar à de ninguém, só seguir em frente. Eu tenho algumas inspirações femininas como atrizes como Mariska Hargitay. Eu acho que ela tem uma vida bela, uma carreira incrível, e eu acho que ela construiu isso para si mesma. Ela também é uma das atrizes e atores mais bem pagos em geral, mulher ou homem-na televisão, e ela tem representado essa personagem feminina forte por cerca de 15 anos, algo assim. E Ina Garten, a Barefoot Contessa. Eu realmente amo o negócio dela e como ela se mantém quem ela é, e como as pessoas se identificam com isso. Em outras indústrias, eu tenho inspirações femininas. Eu só tenho dificuldade em achar uma mulher na música que não tenha sido completamente desconstruída pela mídia, ou criticada por envelhecer, ou criticada por lutar contra o envelhecimento-só parece ser muito mais difícil ser uma mulher na música e envelhecer. Eu realmente espero que eu escolha fazer isso da maneira mais graciosa possível.

É uma luta ser um modelo para tantas mulheres jovens enquanto tenta produzir algo artisticamente válido?

Eu não encontro uma luta nesse equilíbrio, sendo vista como um modelo, porque eu acho que é uma coisa meio óbvia e natural das pessoas te verem quando você é uma cantora. Eu sempre me senti muito confortável com isso, por alguma razão. Isso, em particular, não tem sido um dos meus conflitos. Eu lutei contra muitas coisas, mas a ideia de estar vivendo minha vida e impactando as outras pessoas, algumas muito jovens, algumas em seu momento mais impressionável da vida e que estão descobrindo a música que as dizem como elas devem levar suas vidas e sentir e como é aceitável se sentir, eu acho que isso é emocionante.

Mas é a mesma coisa que viver sua vida baseado no que seus netos dirão um dia. Eu tenho certeza que meus netos rirão de mim por alguns motivos, não importa o que, mas eu preferiria que fosse “Olha como você dança engraçado no vídeo de ‘Shale It Off’! Você é tão esquisita, vó!” do que “Vó, aquilo é seu mamilo?” Eu não quero que seja sobre as milhões de pessoas que ficariam desapontadas comigo se eu tivesse algum tipo de surto ou escândalo ou algo que fizesse todos pensarem que eu não sou quem elas pensavam que eu era. Eu acho que é muito mais sobre as pessoas na vida que isso desapontaria: minha mãe, meu pai, meus filhos, se eu os tiver algum dia. E, dessa maneira, não é tanta pressão quanto pensar em milhões de pequenas mentes que eu devo estar moldando. Eu estou tentando viver minha vida com alguma forma de consciência em minhas ações, mas não é porque eu me sinto a presidente do Clube Internacional das Babás.

Te irrita quando as pessoas dizem que você não escreve suas próprias músicas ou que alguém que move as cordas da sua carreira?

Eu não ouvi nenhuma das pessoas que eu respeito na indústria musical ou no jornalismo dizendo que elas acham que não escrevo minhas própriaos músicas. Eu acho que, quando eu lancei Speak Now, que foi meu terceiro álbum, e eu decidi que escreveria o álbum todo sozinha, pra mim, isso foi prova suficiente. Eu senti como se eu pudesse superar isso. Eu senti como se eu tivesse provado meu argumento. Foi aí que eu me senti livre para colaborar com quem eu quisesse, porque se você realmente escuta a música, você pode dizer que as letras são escritas pela mesma pessoa. E não é um escritor fantasma. Não é algo esquisito, tipo-todos tem aquelas teorias esquisitas de que Shakespeare tinha alguém que escrevia suas obras para ele. Não querendo me comparar a Shakespeare. Mas as pessoas precisam fazer buracos nas coisas por causa de suas próprias coisas. Não tem a ver comigo.

E todos sabemos que é um assunto feminista. Meu amigo Ed [Sheeran], ninguém questiona se ele escreve tudo. No começo, eu gostava de pensar que todos nós estávamos jogando no mesmo campo. E então, se tornou muito óvio para mim que quando as pessoas meio que questionam a validade de uma compositora feminina, ou fazem parecer que é inaceitável escrever músicas sobre suas próprias emoções-que isso te torna, de alguma forma, irracional e ultra-emotivas-ver isso ao longo do tempo mudou minha visão. É meio desencorajador que as mulheres tenham que trabalhar muito mais para provar que elas realmente são donas das coisas. Eu vejo Nicki Minaj e Iggy Azalea tentando provar que elas escrevem seus próprios raps ou suas próprias letras, e isso me deixa triste, porque elas não deveriam ter que se justificar.

Como uma celebridade feminina, ter seu corpo revirado, de uma maneira que não acontece com celebridades masculinas-como você consegue lidar?

Eu me recuso a entrar nessas comparações, porque você não vê isso acontecendo com os homens. Tudo o que você vê é “Qual Nova Mamãe é Mais Sexy?” “Quem é a Mamãe Mais Sexy?” “Quem Tem a Melhor Bunda?”, se nós continuarmos a mostrar para garotas que elas estão sendo comparadas a outras garotas, nós estamos fazendo um grande desserviço como sociedade. Eu me cerco de mulheres inteligentes, lindas, passionais, decididas e ambiciosas. Outras mulheres que estão dando o melhor de si devem te motivar, te excitar, te desafiar e te inspirar em vez de te ameaçar e fazer com que você se sinta imediatamente comparada a elas. A única coisa que eu me comparo é comigo mesma, dois anos atrás, ou um ano atrás. Como o 1989 se mede em comparação ao Red, no ponto de vista comercial? Você só tenta estar na dianteira como exemplo, e espera que algum dia, se falarmos o bastante de feminismo, talvez consigamos ver uma diferença na maneira que garotas se enxergam individual e coletivamente.

Te incomoda ter fotógrafos em qualquer lugar que você vá? Você está no risco de se tornar uma reclusa?

Sim, toda saída é documentada. Então, qualquer saída que eu faço, você viu fotos. Qualquer outro momento, eu estou em casa. Ou eu trago amigos para casa e nós cozinhamos e conversamos e sentamos no chão para rir sobre as coisas e fofoca e tanto faz.

Honestamente, se eu estou num humor de ser vistoriada por qualquer artigo de vestimenta que eu tenho em meu corpo, e se combina ou não, se está na moda, então eu saio. Mas se eu não estou interessada em passar por todo esse debate sobre como eu estou andando, se eu estou cansada, se meu maquiador está correto, que marca é aquela no meu joelho, se eu me machuquei-eu simplesmente não saio. Eu tento avaliar se eu estou no espaço emocional para lidar com isso e, se eu não estou, eu só fico em casa. E eu fico perfeitamente feliz em ficar em casa.

O que você planejou para a turnê?

Eu sei que da maneira que os fãs estão fixados no álbum, a setlist vai ser predominantemente de músicas do 1989. Você sabe, quando eu voltar e tocar as músicas que eles querem ouvir, como “Love Story” ou “Trouble”, vai ser interessante reimaginá-las para que os fãs tenham uma experiência que os mantenha dentro de 1989. Mas eu estou tão animada. Tem tantas coisas que eu estou sonhando para essa turnê.

Se você reparar a composição da minha música antiga, dos elemento de produção, tem muita bateria ao vivo, violões, guitarras e baixos. E se você olhar pro horizonte de 1989, a maior parte é sintética. Eu tenho uma banda grande, são tipo, 14 de nós, então o que vai acabar surgindo é um sentimento mais ao vivo no sentido de que será recheado e mais dramático e com mais camadas, mas nunca ao ponto de ficar barulhento ou saturado. A música nessa turnê viverá um pouco nesse mundo e, graças a Deus, meus fãs parecem gostar desse mundo.

O desafio com um show em estádio é fazer as pessoas que estão mais distantes sentirem que fazem parte dessa experiência íntima e pessoal. Na Red Tour, eu alcancei aquela noção de intimidade tendo momentos acústico onde eu estava contando histórias sobre essas músicas. Eu não gosto de gritar para a plateia, eu gosto de conversar com ela.

Eu gosto de ter algo teatral no que eu faço no palco. Quando eu era mais nova, eu era completamente obcecada com musicais da Broadway. O quanto eu puder mostrar para o público desse elemento teatral na performance, eu acho que isso permite que escapem de suas vidas um pouco mais. Então quando você tem um show como esse, é meio difícil mudar a setlist toda noite. Eu mantenho a setlist meio que intacta, mas nós temos algumas variáveis-eu normalmente toco músicas acústicas diferentes toda noite. No passado, eu trouxe dúzias de artistas convidados para apresentar músicas deles e eu pegaria um verso ou outro. E essas são algumas das coisas que têm me feito mais feliz, porque a realidade da situação é que a maior parte das crianças na plateia buscaram o show inteiro no YouTube antes de ir. Eles sabem exatamente o que vai acontecer a seguir a não ser que você chame outro artista e tenha uma revelação secreta e surpreenda a multidão com algo que eles genuinamente não esperariam. Eu deveria investir nisso agora, procurar um agente para essas coisas.

Mas vale a pena porque eu realmente quero que eles tenham um momento genuíno de surpresa. Ultimamente é muito raro surpreender as pessoas, mas eu realmente gosto.

Você sonha com algum convidado?

Eu amo a Iggy Azalea, eu amo o Haim. Eu diria Vance Joy mas ele vai abrir a turnê, então ele vai estar lá de qualquer jeito. As coisas que eu tento focar quando trago pessoas como convidados surpresa é o que meus fãs realmente querem ver, o que eles ficariam loucos? Sem revelar muitas coisas aqui — mas eu tenho provavelmente uns 10 convidados que eu estou pensando que seriam incríveis. Mas vocês sabe, eles tem que ser artistas que chegariam lá e tocariam porque amam tocar, porque ele não são pagos para estar lá, e eles normalmente tem que mudar suas agendas. As pessoas que já fizeram isso — e foi surpreendente para mim, porque foram Nicki Minaj, Usher e T.I, todos esses artistas enormes que poderiam estar em qualquer lugar. E você pode dizer quem ama tocar ao vivo se eles estão com vontade de vir e tocar de graça em um dos meus shows em estádios.

Teve algum momento singular nas turnês que elevou seus níveis de endorfina acima do normal?

Existem momentos que acontecem ao vivo que você pode ver a humanidade fazer o que eles vão fazer, e você nunca consegue antecipar o que eles vão fazer. Eu toquei em um estádio perto de Boston há uns anos. Era aberto, perfeito, previsão do tempo de dia limpo. E no meio do show, começou uma tempestade. Na minha cabeça, a primeira coisa que eu penso é: todo mundo vai ir embora. Estamos na sétima música do show, e eles vão embora. Eu vou tocar para ninguém. E vai ser como nos meus pesadelos. Mas ao invés de irem embora, eles dançaram. Todos dançaram na chuva juntos, e ainda assim, anos depois, as pessoas me encontram em público, em algum restaurante ou qualquer coisa eles me encontram e dizem: “Eu estava no show que choveu. Eu estava no show da chuva”. E eu sei exatamente do que eles estão falando, porque nós temos estes momentos e memórias que nos ligam, tipo a vez que eu olhei e vi todo mundo dançando, quando foi o completo oposto daquilo que eu pensei que aconteceria, e são esses momentos de interação humana que acontecem na turnê que você não consegue só observando uma música subir nas paradas, sentada em casa.

Você se mudou recentemente para New York. Você torce pelos Knicks agora?

Sim, totalmente.

Você sabe que eles não são muito bons.

Eu amo eles mesmo assim. No que isso importa? Você conhece diversos tipos diferentes e interessantes de pessoas no Met Ball. Eu fui nos últimos quatro anos. E as pessoas mais normais nesse evento, todas as vezes, é o Amar’e Stoudemire e sua esposa Alexis. Eu converso com eles e fico com eles todas as vezes que estou lá. Então eu sempre tive esse amor pelo Knicks, só porque o Amar’e é tão legal. E eu também me apresentei na Competição de Talento do Knicks — no Madison Square Garden — no intervalo quando eu tinha 12 ou 13 anos. E desde então eu sempre tive uma opinião brilhante e mágica do Madison Square Garde e do Knickes, desde que eles me deixaram cantar quando eu era criança.

 

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Ensaio fotográfico
    

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