22 de dezembro de 21 Autor: Karla Santos
Taylor Swift é a maior estrela pop de 2021, segundo a Billboard

A revista Billboard publicou sua tradicional lista das maiores estrelas pops do ano, elegendo Taylor Swift para ocupar o primeiro lugar. Segundo a publicação, 2021 foi “o ano em que Taylor Swift reescreveu as regras da indústria e teve um dos mais marcantes de sua carreira pop, sem sequer lançar um álbum inteiramente novo”. Confira o artigo traduzido na íntegra:

“Vocês transformaram uma coisa difícil em uma experiência muito, muito maravilhosa”, disse Taylor Swift a um público de fãs obstinados em uma exibição de seu curta-metragem All Too Well no teatro AMC Lincoln Square em Nova York. Antes de revelar a obra autodirigida que acompanha a versão de 10 minutos da música épica de mesmo nome que faz sucesso entre os fãs, presente na regravação “Red (Taylor’s Version)”, Swift expressou gratidão a um grupo de apoiadores que ajudaram a transformar uma faixa de término de seu álbum original de 2012 que não foi single em uma canção digna de expandir além da marca de minutos de dois dígitos. “All Too Well” poderia ter sido pouco mais do que uma nota de rodapé pessoalmente reveladora sobre sua carreira, apontou Swift; em vez disso, os fãs identificaram seu poder íntimo, defenderam-no e, finalmente, o reviveram, para criar uma das canções revisitadas mais ansiosamente esperadas da história do pop. “Tudo isso está acontecendo”, disse Swift ao público, “porque vocês fizeram acontecer”.

Bem, sim e não. Swift está correta ao dizer que o fandom que se reuniu em torno de “All Too Well” — um feito de composição longa, com alguns dos lirismos mais evocativos da carreira de Swift — nos nove anos desde seu lançamento original ajudou a abrir caminho para “All Too Well (10 Minute Version)” como um evento com ‘E maiúsculo’ que vai além dos Swifties para o mainstream. No entanto, ela merece muito crédito: Nenhum outro artista popular aproveitou esse tipo de energia dos fãs com tanta paixão e imaginação em 2021 como Swift, em álbuns e plataformas, em projetos que desafiaram a indústria da música moderna, embora ainda tivessem um grande sucesso dentro dela.

Swift começou 2021 ainda voando alto por um 2020 triunfante – um ano que ela poderia ter tirado de folga, tendo entregue seu álbum “Lover” em agosto de 2019 e visto os shows em estádio da ‘Lover Fest’ serem vítimas da pandemia no ano seguinte. Em vez disso, Swift caiu em uma toca de coelho musical que rendeu dois álbuns completos e, em retrospectiva, atendeu perfeitamente aos seus pontos fortes de composição. O primeiro, “Folklore”, marcou a maior semana de estreia de um álbum em 2020 em seu lançamento em julho, e o trabalho que o acompanhou, “Evermore” se tornou o quinto maior em dezembro, ambos terminando 2020 e começando 2021 no topo da parada de álbuns da Billboard 200.

Com “Evermore”, Swift continuou a reinvenção sônica iniciada pelo “Folklore”, uma exploração de folk alternativo inesperada gravada em segredo durante a quarentena com veteranos do indie como Aaron Dessner, do The National, e Justin Vernon, do Bon Iver. “Evermore” passaria três semanas no topo da Billboard 200 em 2021. Enquanto isso, seu single “Willow”, que foi lançado ao topo da Billboard Hot 100 em dezembro junto com o álbum, tornou-se um sucesso de rádio na primavera, em ascensão para o número 1 na parada Adult Pop Airplay da Billboard em abril.

Antes disso, entretanto, Swift ganhou outro troféu de Álbum do Ano. No 63º Grammy Awards em março, o “Folklore” levou para casa o prêmio principal — o terceiro da carreira de Swift, após as vitórias de “Fearless” na cerimônia de 2010 e de “1989” em 2016. A vitória não apenas ajudou Swift a entrar no livro dos recordes como a quarta artista no geral e a única mulher a ganhar o prêmio de Álbum do Ano três vezes (seguindo Frank Sinatra, Stevie Wonder e Paul Simon), a realização também foi um pouco de validação pessoal depois que os dois álbuns anteriores de Swift, “Reputation” de 2017 e “Lover” de 2019, nem mesmo foram nomeados nesta que é a principal categoria da premiação. Mais uma vez, Swift agradeceu aos fãs, desta vez por abraçarem o desvio artístico de sua produção de 2020: “Vocês nos encontraram neste mundo imaginário que criamos”, disse ela em seu discurso ao receber a estatueta, “e nem conseguimos dizer o quão eternamente honrados nós seremos por isso. ”

Um mês depois, Swift retornou ao seu primeiro vencedor de Álbum do Ano. Em abril, “Fearless (Taylor’s Version)” foi o pontapé inicial do esforço gigantesco de regravar seus primeiros seis álbuns de estúdio. Anunciado em 2019, o projeto surgiu após a aquisição das gravações master de Swift pela empresa Ithaca Holdings, de Scooter Braun, essencialmente como uma forma de recuperar a propriedade de seus trabalhos que foram criados no período de sua carreira que a tornou um grande nome na indústria. O que poderia ter sido uma mera curiosidade baseada em uma disputa de direitos, na verdade funcionou como uma revisita em tela cheia a uma era crucial da carreira de Swift, já que sucessos como “You Belong With Me” e “Love Story” foram adoravelmente recriados e faixas nunca antes lançadas, descartadas nas sessões de gravação de “Fearless” foram finalmente reveladas como tesouros do “Cofre”.

A quantidade de cuidado que Swift colocou em “Fearless (Taylor’s Version)” transformou o set de 26 faixas em um remake imperdível do Certificado Diamante original, e os fãs o abraçaram como tal. O álbum completo se tornou a primeira versão regravada de um trabalho anterior a debutar em primeiro lugar no topo da parada de álbuns da Billboard 200 logo após seu lançamento, alcançando a maior semana de estreia de 2021 – na época com 291.000 unidades de álbum equivalentes, de acordo com o MRC Data.

E essa também não foi a única maneira com que o legado imponente de Swift ofuscou a primeira metade de 2021. Entre o lançamento de “Fearless (Taylor’s Version)” em abril e o anúncio em junho de que “Red (Taylor’s Version)” seria o próximo álbum regravado a ser lançado em novembro, Swift provou ser influência e contribuinte chave para o álbum que definiu o ano de outra artista. A cantora e compositora pop Olivia Rodrigo não teve vergonha de demonstrar seu amor pela música de Swift ao longo de seu ano de estreia, citando o nome da super estrela como um guia sônico e espiritual quando “Drivers License” foi lançada em janeiro e recebendo uma mensagem de Swift no Instagram durante a rápida ascensão de seu primeiro single.

O álbum de estreia de Rodrigo lançado em maio, “Sour”, levou a adoração ainda mais longe: a comovente balada no piano “1 Step Forward, 3 Steps Back” pegou emprestada a melodia de Swift para outra a balada comovente no piano – “New Year’s Day”, de 2017 – resultando em Swift e Jack Antonoff sendo creditados como compositores da faixa. Dois meses após o lançamento do álbum, Rodrigo também adicionou Swift, Antonoff e Annie Clark como co-compositores da reflexiva canção pós-término “Deja Vu”, devido às semelhanças da ponte com outra faixa de Swift: “Cruel Summer”, de 2019. Rodrigo é a artista pop revelação do ano com o álbum mais inovador de 2021 – pelo qual Swift recebe alguns créditos, tanto figurativos quanto literais.

Atrasos no envio do vinil de “Evermore” empurraram o álbum de volta ao topo da Billboard 200 em junho, quando os discos foram finalmente enviados aos fãs – assumindo o primeiro lugar que era de “Sour” numa clássica interação pop ao estilo ‘professor-aluno’. Swift se manteve ativa durante todo o verão, fazendo participação em duas canções presentes no “How Long Do You Think It Gonna Last?”, o mais recente álbum do projeto Big Red Machine, de Dessner – uma encantadora continuação da era “Folklore / Evermore” com composições suaves e texturas rústicas — e lançando de surpresa a regravação ‘Taylor’s Version’ de “Wildest Dreams”, do “1989”, para se divertir um pouco com um inesperado momento viral que a música teve no Tik Tok.

Mas até então, a era “1989” não era a única que os fãs estavam ansiosos para revisitar. Se “Red (Taylor’s Version)” tivesse simplesmente alcançado o “Fearless (Taylor’s Version)” em termos de qualidade e audiência, o ano de Swift ainda teria sido muito espetacular. Em vez disso, seu segundo álbum regravado superou o antecessor em quase todos os sentidos, transformando o lançamento de “All Too Well (10 Minute Version)” em uma sensação cultural — O curta-metragem! A performance extraordinária no SNL! As novas alusões líricas que impulsionaram mil piadas com Jake Gyllenhaal! – e em outro #1 nos charts para Swift. Com sua estreia em novembro no topo da Hot 100, “All Too Well (Taylor’s Version)” também se tornou a canção mais longa a alcançar a primeira posição da parada na história — justamente na era dos virais do Tik Tok em que o período de atenção está cada vez mais curto, nada menos que isso.

A versão expandida de “All Too Well”, porém, não foi a única nova revelação do set, que também proporcionou colaborações com os artistas Phoebe Bridgers, Ed Sheeran e Chris Stapleton nas novas/antigas faixas que estavam guardadas no “Cofre”; a parceria com Stapleton, “I Bet You Think About Me”, tem sido bastante tocada nas rádios country, antigo reduto de Swift. No final, “Red (Taylor’s Version)” gerou tantos comentários quanto qualquer um dos álbuns de estúdio totalmente novos de Swift e conquistou uma estreia de grande sucesso, com a movimentação de 605.000 unidades de álbuns equivalentes na primeira semana – um número bom o suficiente para tornar essa a terceira melhor semana de estreia de 2021 com, vale repetir, a maioria de suas canções lançada quase uma década atrás.

Mesmo sem um álbum completamente novo em 2021, Swift enviou três projetos individualmente para o primeiro lugar da Billboard 200 durante o ano — a primeira artista feminina a realizar esse feito nos 65 anos de história do chart. E em novembro, uma peça final de dominó caiu para o projeto de regravações de Swift quando o iHeartRadio anunciou que agora tocaria apenas as ‘Taylor’s Version’ dos sucessos mais antigos de cada álbum à medida que elas fossem lançadas – posicionamento que vem após as plataformas de streaming já terem dado lugar de destaque às novas versões nas páginas principais e nas maiores playlists. Além dos impressionantes números de vendas das regravações, as reações do mundo do streaming e do rádio reforçam a aceitação generalizada de que as novas versões realmente substituíram as clássicas anteriores, já que os ouvintes estarão digerindo e se preocupando em seguir em frente.

Ao entrar em 2022, Swift mais uma vez tem a chance de fazer história: “Evermore” está concorrendo ao Grammy de Álbum do Ano, e uma vitória na cerimônia que acontece em 31 de janeiro a tornaria a artista mais premiada nos 64 anos de história da categoria. Enquanto outros artistas populares estão celebrando, com razão, as nomeações em prêmios e conquistas nos charts, Swift faz os dois ao mesmo tempo em que muda a maneira como esses artistas podem abordar propriedade criativa e mudanças sonoras. Se Swift mudou o jogo em meados da década de 2010, ao migrar do country para o pop, lançando-se no top 40 e alcançando algumas das vitórias comerciais mais importantes de sua carreira – incluindo a distinção de também ser a Maior Estrela Pop pela Billboard em 2015 – no ano passado a vimos rejeitar completamente o jogo e elaborar suas próprias regras. Agora, ela tem o poder de colocar qualquer sonoridade que quiser na sua órbita mainstream ou fazer qualquer instituição da indústria contar com seu impacto. Ela poderia lançar uma versão de 20 minutos de uma música em seu próximo álbum regravado e você seria um tolo se apostasse que ela não se tornaria um grande sucesso.

Taylor Swift está fazendo um tipo de movimento dentro e fora de sua música que faz com que um artista passe de uma super estrela a uma lenda. Esses movimentos costumam ser muito difíceis de executar, mas ninguém que já vinha prestando atenção está minimamente surpreso com o fato dela cravar todos eles com maestria. Vento em seu cabelo, Swift está aqui, e está fazendo com que pareça tudo muito fácil.

Artigo publicado pela Billboard e traduzido pela equipe TSBR.





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