A noite de abertura no Arizona incluiu favoritas dos fãs, Tiffany Hadish no telão e muitas cobras

O maior momento da incrível Reputation Tour de Taylor Swift acaba sendo um dos mais silenciosos. Perto do final da noite, Swift se senta ao piano sozinha e toca umas notas vagamente familiares. “Vocês podem estar se perguntando por que tem tantas cobras em todo lugar”, ela diz. A música que ela está tocando acaba sendo o clássico do Speak Now, de 2010, “Long Live”, que ela transforma em um medley com “New Year’s Day”, o encerramento do Reputation -duas de suas melhores, de fases bem diferentes de sua evolução artística, mas com emoções semelhantes, seja sobre lutar contra dragões ou cobras. Ela alterna entre as músicas com naturalidade, do romantismo adolescente grandioso de “Long Live” ao detalhismo do dia a dia de “New Year’s Day” até o gancho “I had the time of my life… with you”. Que momento -uma performance poderosa que fez todas as Taylors diferentes parecerem parte da mesma história.

Swift deu início à sua aguardada Reputation Tour ontem à noite no estádio da University of Phoenix em Glendale, Arizona, em frente a 60 mil fãs, e a maior parte foi épica, com cobras infláveis gigantes, fogos, vários palcos e hordas de dançarinos. Como sempre, ela se apoiou muito no novo material, tocando quase tudo do Reputation (a única que ela deixou de fora foi “So It Goes”), mas com seu próprio toque de intimidade. Esta pode ser sua turnê mais impressionante até agora -mesmo quando ela mira na grandiosidade bombástica cheia de firulas dos shows de rock em estádios, ela faz isso passando uma vibe de comunhão. Ela não foi muito longe no material mais antigo além de algumas surpresas como “Long Live” ou a versão solo acústica de “All Too Well”. Mesmo quando ela volta às antigas, mantém o comprometimento a torná-las novas. Nenhuma estrela no pop vai a extremos tão absurdos para evitar se repetir, mesmo quando se repetir seria mais que bom o suficiente. A garota gosta de um desafio, mesmo que isso signifique que ela quer ficar embaixo de uma cobra inflável surreal para cantar confissões sinceras sobre folhas de outono e maple lattes.

O tema, como ela mencionou uma vez ou outra, eram as cobras. Desde o tempo em que Jim Morrison estava vivo, nenhum rockstar foi tão exagerado com o simbolismo do réptil. Como ela explicou, “Alguns anos atrás, alguém me chamou de cobra em uma rede social e pegou. E aí muita gente me chamou de muita coisa nas redes sociais. E eu passei por uns tempos bem ruins por causa disso.” Mas para Swift -como sempre- havia uma lição a se aprender nessa experiência difícil. “Você não deveria ligar tanto se não for compreendido por tanta gente que não te conhece, desde que seja compreendido pelas que te conhecem, que estarão por perto, que te veem como ser humano… e são vocês. Foram vocês que fizeram isso por mim.”

Ela tirou a maior parte das favoritas do Reputation do caminho no começo, iniciando o show com o brilho de “…Ready For It?” e “I Did Something Bad”. “Gorgeous” emendou em um medley de “Style”, “Love Story” e “You Belong With Me” – um dos poucos momentos da noite em que ela trouxe músicas da época de adolescente. “Look What You Made Me Do”, a faixa menos empolgante do álbum, realmente funciona ao vivo -especialmente no momento em que Tiffany Hadish aparece no telão para atender ao telefone e explicar por que a Velha Taylor não pode atender agora (“Porque ela tá morta!”). Ela fez “End Game” sem as partes de Ed Sheeran e Future.

Mas o show realmente decolou com “Delicate”, a faixa arrepiante que foi o destaque do Reputation (e também o último single até agora), começando com um monólogo de introdução meio improvisado que agora é uma de suas marcas registradas. “Uma coisa que todas as pessoas neste estádio têm em comum é que cada um de nós está meio que definhando em busca de uma conexão com outra pessoa”, Swift disse. “Tem algo que acontece no seu cérebro e no seu coração quando alguém diz ‘sim, eu entendo como você se sente’… Relacionamentos – é um negócio delicado, sabe?” Ao cantar essa música, ela flutuou por cima da plateia em um cesto de balão dourado – fazendo jus à verdade e ao brilho da música ao mesmo tempo. O cesto a levou para um palco alternativo onde ela fez uma versão fantástica de “Shake It Off” junto com as companheiras de turnê Camila Cabello e Charli XCX.

Ela pegou o violão para “Dancing With Our Hands Tied”, lembrando que “Vocês continuaram ao meu lado ao longo de tantas mudanças de estilo. Vocês me deixaram brincar -me deixaram evoluir.” Houve suspiros da plateia quando ela emendou nos acordes de “All Too Well”, dizendo que “Achei que deveria tocar essa música que vocês parecem pedir mais do que qualquer outra. Seria incrível se vocês cantassem o mais alto possível.” Não precisava pedir mais. Ela saltou para o outro palco alternativo para “Blank Space”, onde um dançarino que usava um capuz trouxe um vestido preto simples e amarrou nela. Ela perguntou à plateia, “Vocês gostaram do meu vestido?”, o que naturalmente levou a “Dress”.

Durante um trecho esperto de “Should’ve Said No”, ela entrou em uma serpente que a levou de volta ao palco principal para o resto do show. “Call it What You Want” virou uma performance melancólica com manchetes de jornal no telão -foi talvez o único momento da noite em que a palavra “squad” foi mencionada- e “Getaway Car” virou um noir no deserto. O final foi um pouco repentino, com “This Is Why We Can’t Have Nice Things” virando um medley com “We Are Never Ever Getting Back Together”. Essa música não pareceu exatamente uma resolução, nem musicalmente nem emocionalmente, e mesmo que tenha funcionado bem como alívio cômico -todas as backing vocals se aproximaram em “therein lies the issue”-, foi chocante quando as luzes da casa se acenderam logo depois. Sem bis, só uma mensagem no telão: “E na morte de sua reputação, ela se sentiu realmente viva.”

Swift é sempre uma artista que sente que deve entregar algo novo -mesmo nos momentos em que parece que ela é a única pessoa ali que não já estaria contente com mais do mesmo da Velha Taylor. Ela simplesmente não se contenta em ser uma artista que entrega mais do mesmo. Em um show cheio de destaques, “All Too Well” foi o momento impossível de superar -é simplesmente o tipo de música que não se pode superar, e teve algo doce no jeito que Swift deixou de lado essa vontade constante de repaginar e simplesmente tocou a música no violão. Como diria seu tio espiritual Bruce Springsteen, ela decidiu por um momento dar um passo pra trás e deixar as coisas acontecerem. Todo mundo no estádio estava vidrado na voz e no violão. A única pessoa que eu notei que não estava cantando “All Too Well” era uma criança que estava hipnotizada com os pedaços de papel no ar, ainda flutuando depois de “Shake It Off”. Ela só rodopiava pegando os pedaços de papel que flutuava. Ela estava tão presa no momento quanto qualquer um de nós.

Setlist:
“Ready For It?”
“I Did Something Bad”
“Gorgeous”
“Style”/”Love Story”/”You Belong With Me”
“Look What You Made Me Do”
“End Game”
“King of My Heart”
“Delicate”
“Shake It Off”
“Dancing With Our Hands Tied”
“All Too Well”
“Blank Space”
“Dress”
“Bad Blood”/ “Should’ve Said No”
“Don’t Blame Me”
“Long Live”/ “New Year’s Day”
“Getaway Car”
“Call It What You Want”
“We Are Never Ever Getting Back Together”/”This Is Why We Can’t Have Nice Things”

Fonte: Rolling Stone





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