No novo episódio do podcast “500 Melhores Álbuns” lançado nesta terça (17), a Rolling Stone discute um dos melhores e mais importantes álbuns da década passada: Red, a obra de arte de 2012 de Taylor Swift.

Swift se junta à apresentadora Brittany Spanos para discutir porque esse é seu “único álbum verdadeiramente sobre um coração partido” e como ela estava se tornando ciente da sua própria mortalidade enquanto se preparava para lançar seu quarto álbum. Aos 22 anos, Swift já era a cantora country queridinha da América, mas com Red ela cresceu ao criar um álbum genuinamente clássico, que flertou com pop, dubstep, rock de arena – e muito mais -, e preparou o terreno para praticamente todo o resto de sua carreira (incluindo seu Folklore, deste ano). Na segunda parte do podcast, Claire Shaffer, Rob Sheffield e Brian Hiatt, da equipe da Rolling Stone, se juntam a Spanos para discutir o legado do álbum.

Confira a tradução da entrevista com Taylor

Introdução (Taylor): “Aos 22 anos, eu já assistia artistas novos e legais surgindo toda semana, e já estava me sentindo tipo, ‘Sabe, merda! Estou no meu quarto álbum. O que posso oferecer às pessoas?’. E foi quando eu disse ‘Não. Sabe de uma coisa? Não quero que essa seja a parte de mim que simplesmente fica nesse [mesmo] lugar na música pra sempre e deixa as pessoas entediadas até a morte. Então, na verdade, foi uma espécie de luta interessante com meus próprios medos de permanecer estagnada que fez do Red o que acabou sendo.”

Brittany: Essa é Taylor Swift falando de seu álbum de 2012, Red. Um álbum onde ela se reinventou e um manifesto à Taylor que todos nós conhecemos hoje. Antes dele, ela era conhecida como uma artista country, mas nesse álbum ela começou a se inclinar para o pop e experimentar gêneros como o dubstep. Foi um risco que valeu a pena correr. Avance para os dias de hoje e Red aparece na 99ª posição da nossa nova lista de 500 melhores álbuns de todos os tempos.  

Taylor: Uau, eu não sabia que estava no Top 100! É muito animador saber disso. Eu fiquei surpresa quando vi que estava no ranking, sendo honesta com você, porque Red foi a primeira vez que me aventurei fora de Nashville e estava totalmente explorando. Foi como um aprendizado de compositora, tipo, eu queria ver como todos os produtores que admirava trabalhavam e comecei o Red. Estou muito entusiasmada em ver que está no topo da lista.

Comentário (Brittany):Quando Red foi lançado em 2012, Taylor Swift já era a artista mais jovem a ganhar um Grammy de Álbum do Ano pelo seu trabalho de 2008, Fearless. Mas foi Red que solidificou  sua dominação pop enquanto também a tornava uma das melhores compositoras de sua geração.

Alô, oi!

Taylor: Alô, Brittany? Oi, como você está? Me desculpe pelo jeito estranho que eu disse alô. Tudo bem?

Brittany: Estou bem, e animada para falar sobre esse álbum. Estou feliz que você concordou em fazer isso.

Taylor: Claro, eu quero muito! Obrigada por incluírem Red na lista, isso é incrível. Na verdade, fiquei tocada em ver que foi Red porque Red é a razão pela qual o 1989 aconteceu.

Comentário (Brittany): O 1989 foi lançado alguns anos mais tarde, e completou sua transição entre o country e o pop sintético. Esse álbum também aparece na nossa lista dos 500 melhores, mas apenas Red chegou ao top 100.

Taylor: Eu amo Jackson Pollock e realmente vejo esse álbum como meu álbum de respingos de tinta, apenas usando todas as cores e jogando na parede para ver o que sai. E eu realmente acho que quando o álbum foi lançado, muitas pessoas estavam criticando por sua – os fãs me zoam por dizer muito isso ao longo dos anos – falta de coerência sonora. Não foi totalmente coeso, mas foi tipo uma metáfora de como uma separação real é bagunçada. Eu vejo como meu único álbum sobre término de verdade. Todos os outros álbuns têm vislumbres de coisas diferentes, mas esse foi um álbum que eu escrevi especificamente sobre um puro, absoluto, de todas as formas, coração partido. E você oscila e muda muito quando faz algo assim! Então, esse álbum na verdade é uma representação precisa e simbólica disso.

Comentário (Brittany): Taylor nunca falou publicamente sobre quem partiu seu coração, mas muitos especulam que alguns dos mais memoráveis trechos de Red foram inspirados em Jake Gyllenhaal.

Taylor: As primeiras músicas que escrevi para o álbum foram as músicas de Nashville – aquelas que eu fiz com Nathan Chapman. Músicas como State of Grace, Stay Stay Stay, All Too Well. Essas são as músicas que escrevi primeiro, e depois eu meio que fiz essa jornada para Los Angeles e comecei a trabalhar com pessoas diferentes. Red meio que foi a fonte de relacionamentos muito importantes que eu carrego comigo pelo resto da minha carreira, como vocês sabem, me tornei melhor amiga de Ed Sheeran, e ele ainda é alguém que eu converso toda semana, e Max Martin, que foi a pessoa que mais me ensinou sobre escrever músicas mais do que qualquer um que eu pudesse conhecer. Então isso prova que o Red foi um álbum muito importante para mim em termos das origens das coisas que carrego comigo desde então.

Comentário (Brittany): Taylor também trabalhou com um dos colaboradores mais próximos de Max Martin, o produtor Johan Shellback.

Taylor: Eu entrei e [Max e Shellback] tocaram uma faixa que eles fizeram de esboço para isso, e escrevi algo por cima da faixa, e então acho que depois disso, estava contando para eles uma história sobre o que eu estava passando e eu comecei a cantar ”We are never, ever, ever…’ e Max disse ‘Isso é ótimo! Estamos escrevendo isso. Precisamos escrever isso’. E então Johan disse, ‘Nós poderíamos cantar tipo, ‘we-E ‘como crianças em um parquinho’. E essa foi a primeira vez que percebi que essas pessoas pensam de uma forma que é tão mística e mágica e que você pode ouvir um gancho não como realmente notas musicais, mas como um som. Esses tipos de magos do pop, eu me lembro de me sentir tão, tão desafiada a escrever com eles. Me lembro de trazer essa coisa lenta e triste que escrevi chamada I Knew You Were Trouble – originalmente chamei de Trouble – e entrei e pensei: ‘Não sei se podemos ter um baixo realmente intenso como música eletrônica, é realmente incrível’. E eles disseram ‘Sim, com certeza!’ e Shellback estava tipo ‘Neste verso, vamos fazer essa batida de bateria muito, muito frenética’ e isso era algo que eu nunca teria pensado, tornar a batida do verso realmente acelerada e, em seguida, meio que fazer a intensidade cair com o refrão e, depois, aumentá-la novamente e ter uma explosão da produção no final do refrão . Foi tão emocionante e eu não pude acreditar que essa música começou onde começou.  E as ideias deles com a produção acabaram se infiltrando no meu cérebro e comecei a pensar da maneira que esperava que eles pensassem. Eu escreveria um verso e Max diria, ‘São muitas sílabas. Você pode abreviar e ser mais objetiva, mas transmitir a mesma mensagem? ‘ E eu simplesmente ia para um canto e sentia que tinha essa tarefa incrível. Então foi como se o desafio fosse tão emocionante para mim.

A primeira música escrita [para o álbum] foi All Too Well, foi em um dia em que eu era apenas um ser humano despedaçado indo para um ensaio me sentindo terrível sobre o que estava acontecendo na minha vida pessoal. Entrei no ensaio e lembro que tinha acabado de contratar David Cook, que é o líder da minha banda desde então. Acho que foi o primeiro dia que nos encontramos, e acabei tocando quatro acordes várias vezes e a banda começou a me acompanhar,  Amos Heller no baixo e as pessoas começaram a tocar comigo. Acho que eles perceberam pelo que eu tava passando. Comecei a cantar e fazer uns improvisos com a voz do que basicamente acabou sendo All Too Well. Comecei com ‘Entrei pela porta com você, o ar estava gelado’ – tipo, isso era literalmente a música, mas teve provavelmente uns sete versos extra. Incluía a palavra com F (f*da), e lembro que o cara que cuidava do som disse ‘Ei, eu gravei isso que você estava fazendo, caso queira’. E eu respondi ‘É claro!’. Acabei levando a gravação pra casa e ao ouvir pensei ‘Eu realmente gosto disso, mas isso definitivamente tem uns 10 minutos, eu preciso reduzir’, então liguei pra Liz Rose. 

Liz Rose: “Ela tinha essa música que era tão longa, era uma história que ela colocou em forma de música. Foi incrível fazer parte disso e ajudá-la a colocar pra fora todas as partes e depois juntar tudo.”

Comentário (Brittany): Essa é a Liz Rose, uma compositora de Nashville que trabalhou com Taylor em alguns de seus hits anteriores como “Teardrops On My Guitar” e “You Belong With Me”. Elas se juntaram novamente para trabalhar no Red.

Liz Rose: “Pra mim, sempre que estamos escrevendo juntas, Taylor já está produzindo enquanto está escrevendo. Honestamente, acredito que Taylor escreve muito já pensando em toda a jornada [que envolve] a música. Ela não apenas escreve a música e diz ‘Oh, deixa eu ver o que alguém vai fazer com isso’. Ela está escrevendo a emoção da música enquanto está escrevendo a música.”

Comentário (Brittany): Liz se juntou bem cedo ao processo, co-escrevendo “All Too Well” com Taylor.

Taylor: Ela veio [pra minha casa] e toquei pra ela, ela ficou tipo ‘Wow, eu amo isso’. Então nós meio que editamos e reduzimos para o que existe agora, mas foi uma criação de forma bem inesperada.

Brittany: Muitas pessoas vêem essa música como uma das melhores que você já escreveu, uma das melhores músicas sobre término. Me conte sobre como foi ver isso acontecer ao longo dos anos, as pessoas gravitando em direção à essa história épica e crua de cinco minutos sobre se perder no estado e dançar sob luz da geladeira e tudo que acontece ao longo da música.

Taylor: Eu nunca imaginei [que All Too Well se tornaria tão favorita] porque não chegou a ser single, não teve vídeo e nenhuma das estratégias que me ensinaram para a música entrar na cultura, eu não achei que isso ia acontecer com essa música. Agora, eu lembro de tocar no Grammys porque os fãs queriam muito escutar, mas eu realmente não achei que se tornaria tão grande, maior do que muitas músicas que eram single, tinham clipe ou essas coisas. Foi maravilhoso de ver acontecendo, hoje em dia mal posso acreditar que toco e todo mundo sabe a letra inteira. Eu fico realmente admirada e pra mim, quando eu olho para trás,é uma das coisas mais bonitas desse álbum. Eu fico tipo “wow, eu realmente não achei que ia ser essa. Pensei que era muito pesada, muito triste, muito intensa, muito ‘muito’”. Sabe? É ótimo quando as coisas te surpreendem dessa maneira.

Sempre estive muito ciente de meu próprio tipo de relevância e mortalidade. Minha carreira começou quando eu tinha 16 anos, lançando álbuns, então aos 22 eu já estava há algum tempo na ativa, me sentindo como uma notícia velha. Aos 22 anos, eu já assistia artistas novos e legais surgindo toda semana, e já estava me sentindo tipo, ‘Sabe, merda! Estou no meu quarto álbum. O que posso oferecer às pessoas?’. E foi quando eu disse ‘Não. Sabe de uma coisa? Eu quero fazer música com pessoas com quem nunca fiz música antes. Eu quero aprender e crescer, não quero que essa seja a parte de mim que simplesmente fica nesse [mesmo] lugar na música pra sempre e deixa as pessoas entediadas até a morte. Então, na verdade, foi uma espécie de luta interessante com meus próprios medos de permanecer estagnada que fez do Red o que acabou sendo. Então, estávamos tendo essas músicas de sucesso nas rádios pop, como We Are Never Ever Getting Back Together e I Knew You Were Trouble, mas também tínhamos músicas como Begin Again que eram absolutamente e totalmente country. Eu realmente me sentia como se estivesse em uma linha com um pé de cada lado da fronteira e estava começando a existir nos dois mundos, o que para mim, na época, foi realmente emocionante.

Brittany: Você acha que tudo que aconteceu desde então, não teria acontecido se não existisse o Red?

Taylor: Eu concordo, não teria acontecido sem o Red. Eu me senti tão orgulhosa e ainda me sinto pelas minhas origens em Nashville, mas em um certo momento eu comecei a me sentir tipo “eu posso pintar fora das linhas aqui?”. E foi realmente incrível perceber no Red que eu estava permitida a fazer isso, que eu era aceita fazendo isso. Isso foi algo que me libertou para um mundo de possibilidades e desafios, e inovações que eu nunca teria a coragem de fazer para cair de vez na música pop se eu não tivesse sido capaz de fazer o que eu fiz com o Red, ou trabalhar com as pessoas que eu trabalhei, e eu sempre vou olhar pra trás e pensar, ‘Isso realmente foi o começo do que eu estou fazendo agora.’

Confira os principais comentários feitos pela equipe da Rolling Stone:

“Red é apenas um dos álbuns mais completos. Como Sign of The Times do Prince. Nesse tipo de álbum ela mostra que pode fazer tudo. É o álbum mais parecido com o Prince que ela fez e esse é o maior elogio que existe”.

“Estou me perguntando. Por que você acha que culturalmente as pessoas ficam hesitantes em respeitar Taylor como artista e compositora? Quero dizer, isso é uma verdadeira injustiça … isso é sexismo e preconceito com os jovens. Acho que essa é a resposta. Acho que é apenas confusão sobre quem ela é e também um preconceito contra seu público, é algo sobre o qual todos nós já conversamos”.

“Houve um tempo em que todos pensavam que Fearless era o melhor álbum que ela faria. Parecia que não havia nenhum jeito de superá-lo. Fearless, seu segundo álbum, feito quando ela tinha apenas 19 anos, cantando para sua ‘eu’ de 15 anos de idade. Ela não estava muito longe [dos 15 anos] naquele ponto, mas o álbum era tão incrivelmente maduro, um álbum perfeito … Parecia que era um triunfo elevando sua carreira e ela era apenas uma adolescente. Com todos os álbuns desde então, ela explodiu muito além do que todos pensaram ser possível”.

“Ela tinha a ideia de que vivia uma vida encantada e as coisas deveriam mudar em algum momento – e isso aconteceu”.

Brian Hiatt (repórter da RS) sobre entrevistar Taylor em 2012 e em 2019: “Assim como nós, e como qualquer pessoa pode, ela reconheceu que aqueles medos [sobre tudo desabar] que ela tinha naquela época [em 2012] se tornaram realidade. Foi muito próximo do que ela previu em alguns aspectos. Mas [em 2019] eu estava conversando com alguém que passou por alguns de seus piores medos e que superou isso. E também estava conversando com alguém que era realmente uma adulta. Já fazia muito tempo [entre as duas entrevistas], já fazia oito anos. Ela cresceu muito. Ela sempre foi uma pessoa muito madura, mas [ano passado]  ela já tinha cerca de 30 anos, e eu estava conversando com outra pessoa que era pelo menos tão adulta quanto eu – provavelmente mais, eu diria – mas também muito parecida. Acho que algo que escrevi na introdução dessa entrevista, a segunda entrevista [a de 2019], era sobre a ideia de que ela ainda continua com a mesma honestidade. Suas emoções estão tão próximas da superfície apenas em sua existência diária, e eu acho que isso se relaciona com suas composições, pois tem uma grande relação com o que é visto nas telas. Isso se relaciona com o que todos pensavam que [ela] era uma coisa falsa e sua cara de surpresa era forçada, quando na verdade era totalmente real. Isso é exatamente o que ela é”.

O podcast é feito em parceira com a Amazon Music, mas está disponível no site da Rolling Stone. Você pode escutá-lo clicando aqui.





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