Se você tem acompanhando o Grammy de 2021, você provavelmente sabe que um momento muito esperado é Taylor Swift ganhando seu terceiro prêmio de “Álbum do Ano” com o seu oitavo álbum “Folklore”. Aclamado desde seu lançamento, “Folklore” se mostrou como uma mudança para Swift, que se aprofundou em um som mais pop-alternativo misturado com elementos de folk, country e Americana. O álbum focava em contar histórias por meio da música sem a sua costumeira abordagem “radiofônica”.

Mesmo assim, Folklore, que entrou para o top 5 no chart 200 do ano da Billboard, fez muito sucesso, tanto comercialmente quanto em críticas. Com todo o burburinho e uma campanha extremamente planejada, que incluiu um outro álbum sendo lançado durante a primeira semana de votação, Swift é sem dúvidas a candidata de preferência para o grande prêmio.

Mas o que isso significaria para a carreira dela? Muito, na verdade. Se isso acontecer, Swift se tornará a primeira mulher de todas a ganhar Álbum do Ano no Grammy três vezes e se tornará a quarta artista de qualquer gênero a conseguir isso, junto com Stevie Wonder, Paul Simon e Frank Sinatra.

Uma vitória na categoria ainda solidificaria seu status como uma das artistas favoritas do Grammy de todos os tempos, conseguindo ganhar o prêmio três vezes, mais do que outras artistas contemporâneas como Lady Gaga e Beyonce, que não conseguiram o feito nem uma vez. Não só isso, mas ganhar a categoria de Melhor Álbum Vocal com “Folklore” faria de Taylor a terceira pessoa depois de Adele e Kelly Clarkson a ganhar esse prêmio mais de uma vez.

A vitória de Swift também deve gerar controvérsia. A cantora-compositora já sofreu repercussões por vencer de álbuns influentes de artistas negros como “I Am … Sasha Fierce” de Beyoncé (que perdeu para “Fearless” de Swift em 2010) e “To Pimp A Butterfly” de Kendrick Lamar (que perdeu para “1989″ de Swift em 2016), com muitos argumentando que o sucesso de Swift é um exemplo claro de preconceito racial e de gênero entre os membros academia.

Em retrospectiva, sua vitória com “Fearless” também foi bastante estranha, já que Beyoncé a venceu em Música do Ano (“Single Ladies”) e Melhor Cantora de Música Pop (“Halo”), mas não na categoria principal, apesar do quanto o Grammy ama quando um único artista leva todos os prêmios, e além do fato de Beyoncé ter ganhado seis gramofones no total naquele ano – o que é um recorde para artistas femininas.

A Academia também pode ser criticada por premiar Swift pela terceira vez em relação a outros sete artistas que nunca ganharam o Álbum do Ano. No entanto, dada a estranha combinação de indicados (alguns dos principais candidatos que esperávamos, como The Weeknd, Fiona Apple e Gaga, nem mesmo foram indicados), “Folklore” pode acabar sendo a vitória menos controversa de Swift para Álbum do Ano, especialmente dada a intensa aclamação que o álbum obteve.

Que impacto uma vitória do “Folklore” teria em toda a indústria daqui para frente? Você pode notar que a última vitória de Álbum do Ano de Swift com  “1989” foi em circunstâncias semelhantes a “Folklore”, no sentido de que também foi uma mudança de sonoridade (de música country para puro pop). Outros artistas, especialmente aqueles que buscam um segundo prêmio de Álbum do Ano, podem começar a seguir o caminho de Swift ao mudar sua sonoridade.

Se pensarmos sobre isso, algumas outras vitórias recentes de Álbum do Ano foram devido à mudanças na sonoridade. “24k Magic” de Bruno Mars foi quando ele se voltou completamente para o  R&B, “Random Access Memories” de Daft Punk fez o grupo ir para mais para um “disco throwback” em vez de continuar com suas músicas eletrônicas de costume, e “Morning Phase” de Beck mostrou o roqueiro alternativo eclético se inclinar para o folk.

Então, se as estrelas se alinharem para Swift em 14 de março, sua terceira vitória com Álbum do Ano será um grande momento não só para ela, mas para a música em geral, e talvez veremos outros artistas se tornarem rebeldes e mudarem seu estilo musical com mais frequência. Afinal, quem não quer um Grammy? Bom, talvez o The Weeknd não queira mais, mas ainda assim.

Matéria publicada pelo Gold Derby e traduzida pela Equipe TSBR.





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