26 de agosto de 21 Autor: Maria Eloisa Barbosa
O que Taylor Swift ensinou para o ícone indie Aaron Dessner

Apesar de ser o compositor principal e a grande força por trás do The National- uma das bandas mais aclamadas do rock indie surgida nos anos 90, no boom do gênero- Aaron Dessner repentinamente começou a ter muito sucesso. 

Em março, para sua surpresa, ele ganhou o Grammy de Álbum do Ano como produtor do folklore, de Taylor Swift, um álbum folk da pop star que renovou sua carreira após as críticas feitas pelos tabloides sobre o reputation (2017) e Lover (2019).  A colaboração produtiva da dupla continuou no álbum seguinte de Swift, evermore, outro disco em que Dessner se voltou para a forte presença do mainstream. 

“Quer dizer, foi um ano louco”, disse Dessner, pelo telefone, da sua casa de verão no sudoeste da França, onde seu irmão (o outro guitarrista do The National) também mora. “Mas eu aprendi tantas coisas com Taylor que eu vou levar adiante. Ela é uma compositora incrível”. 

Embora o The National tenha levado o Grammy de Melhor Álbum Alternativo em 2017 com o Sleep Well Beast, um prêmio de Álbum do Ano não parecia algo muito alcançável para Dessner. 

“Foi muito surreal”, ele diz sobre o momento do Grammy ao lado de Swit. “Esse é obviamente o maior [prêmio] e eu nunca pensei que estaria nessa posição. E também para ela, ganhar seu terceiro Álbum do Ano pelo Grammy e ser a primeira mulher a fazer isso, foi muito especial, e me senti muito feliz em comemorar toda a música que fizemos juntos”. 

A repentina notoriedade que veio de suas colaborações de sucesso com Swift, talvez, compreensivelmente, tenha se estendido para o próprio trabalho de Dessner, How Long Do You Think It’s Gonna Last?, seu novo álbum com o Big Red Machine, projeto paralelo que ele tem com o Justin Vernon do Bon Iver. É surpreendentemente ambicioso comparado  ao primeiro álbum amplamente experimental de 2018 da banda.  

“Parecia um tipo diferente de projeto”, ele diz. “Eu acho que eu queria ser mais ambicioso nesse álbum e fazer algo que poderia, sabe, falando das músicas, realmente se destacar dos outros trabalhos que eu tenho feito com a Taylor e assim por diante”. 

Dessner diz que foi principalmente a insistência de Vernon e do amigo e colaborador de Taylor, Jack Antonoff, que deu coragem para que ele explorasse alguns dos momentos mais pessoais que ele usou para compor How Long Do You Think It’s Gonna Last?. Junto com músicas que tratam sobre laços familiares — a doce Reese, o nome do meio da sua irmã Jessica, e Brycie, em que ele agradece seu irmão por ter salvado sua vida durante a infância —  o álbum também apresenta Dessner cantando pela primeira vez em The Ghost of Cincinnati.

“Eu acho que no começo eu tinha um pouco de vergonha [de cantar], porque quando na sua frente estão Justin Vernon ou Taylor Swift e [Vocalista do National] Matt Berninger, pessoas com ricas e lindas vozes, fica difícil de se colocar [na frente do microfone ]”, Dessner ri. “Mas também, acredito que essa é grande parte da essência da Big Red Machine — não se preocupar com isso, criar só porque gosta de fazer isso. Os tópicos eram bem pessoais, então fazia sentido”.

Durante a divulgação do álbum, Dessner falou de uma uma espécie de reflexão feita pela própria Taylor, sobre o período de inspiração pelo qual eles estavam passando que, depois de uma leve interpretação, culminou no nome do álbum. A dupla continuou colaborando desde o evermore, lançado no ano passado, resultando em Renegade, primeiro lançamento do disco How Long Do You Think It’s Gonna Last?.

Com sua escrita propulsora, narrativa evocativa e atrevida (“É insensível da minha parte dizer/ ‘Se recomponha para que eu possa te amar?’”), a música é propositadamente Swiftiniana. Como Dessner decidiu que essa era uma música do Big Red Machine e não algo do próximo álbum de Taylor? Ele deu sorte porque Big Red Machine já tinha uma data de lançamento marcada?

“Bem, eu escrevi a música e enviei para ela e acho que ela estava respondendo a outras coisas no álbum, como escrever sobre a ansiedade e a incerteza que vem com amar alguém ou ser amado. Mas eu sei o que você quer dizer”, Dessner ri.

“Acho que há uma fluidez entre essas coisas em que, tipo, talvez algumas dessas músicas poderiam ser músicas da Taylor, algumas poderiam ser músicas de Bon Iver e assim por diante. Mas acho que está começando a existir um sentimento com o Big Red Machine em que é caloroso, emocional, tipo de música visceral, e está começando a fazer sentido o que pertence a banda”.

Muito parecido com o conceito original do projeto, ele também destaca o quão colaborativo é o processo de composição. Isso nos leva à questão: considerando as alturas que eles já escalaram juntos, Dessner e Swift têm mais colaborações em andamento?

“Bem, eu realmente não posso comentar”, ele objeta com toda a inteligência de um homem de repente preso na máquina que é a indústria pop. “Mas acho que vamos continuar a colaborar, não importa o que aconteça. Ela é uma pessoa tão talentosa, adorável e incrivelmente dotada, e nós nos tornamos muito bons amigos. Eu realmente não vejo uma data de início ou de término para isso. Tenho certeza que ela fará outras coisas também, mas é claro que ainda estaremos na vida um do outro”.

Entrevista publicada pelo Sydney Morning Herald e traduzida e adaptada pela Equipe TSBR.





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