19 de outubro de 15 Autor: Aline
“Ela é única” para a Vogue Austrália

Taylor falou sobre a sua turnê para a Vogue da Austrália. Capa da revista para o mês de novembro, Taylor contou como consegue marcar os convidados surpresa para seus shows. Como grande parte dos seus convidados também são seus amigos, ela não deixou de falar sobre o tema também.

Ela é única

A maior estrela do planeta no momento, Taylor Swift sempre teve a perspicácia de saber como jogar para ganhar, escreve Zara Wong.

O que significa ser um fã de Taylor Swift? Há alguns anos era bacana gostar de Swift de uma maneira irônica. Ou seja: ao divulgar que você gostava de You Belong With Me seria necessário que você rolasse os olhos e um algum tipo de suspiro falso. Você provavelmente já cantou uma de suas músicas no karaokê. O videoclipe de YBWM era uma miniatura de um filme adolescente, com Swift interpretando as duas personagens coringa: a líder de torcida popular e a vizinha nerd que tem uma queda pelo galã. A isca perfeita para jovens que usavam óculos cor-de-rosa. (Antes que você considere qualquer julgamento muito duro, talvez seja hora de confessar: tenho todos os álbuns dela. Sem querer desmerecer ninguém aqui).  Gostar de Swift antigamente era uma negação dupla, provando que você era realmente tão legal, seguro e confiante de si mesmo que você gostava abertamente de uma cantora americana loira que cantava música country para adolescentes. Quando Swift ouviu que Lena Dunham havia professado amor por suas músicas, até mesmo ela estava cética que a produtora e diretora indie e residente do Brooklyn  realmente era uma fã de sua música, sem ser irônica.

Hoje em dia, o jogo virou. Esse ano com certeza ficará marcado na história como um marco de Swift. Ela ganhou diversos prêmios, quebrou recordes, fez uma investida contra a Apple para lutar pelos direitos dos músicos e tirou suas músicas do Spotify pela forma com que abordam a propriedade intelectual. Ela confirmou o seu primeiro relacionamento sério com o DJ Calvin Harris (o patrimônio líquido combinado dos dois bate o de Beyonce e Jay Z), mesmo que inicialmente ela tenha evitado as perguntas sobre sua vida amorosa, agora ela as filtra e se recusa a falar sobre isso. Teve uma mudança gradual de sua imagem, também, quando ela se livrou dos vestidos fofinhos de princesa com lantejoulas e os substituiu por macacões da Mary Katrantzou e vestidos de Oscar de la Renta.

Mais notável ainda é como ela se auto-rotula como uma nova onda de poder feminino que não é visto desde a versão duvidosa das Spice Girls nos anos 90, se juntando a outras mulheres ambiciosas. Estas mulheres derivam de Dunham, para as atrizes Hailee Steinfeld e Emma Stone, para a nova geração de “Insta-models”: Gigi Hadid, Karlie Kloss e Cara Delevingne. “Meu grupo de amigas é uma das coisas favoritas que tenho em minha vida no momento”, ela explica pelo telefone em um intervalo de sua turnê. “Nossas amigas apoiam umas as outras. É a primeira vez na minha vida que tive algo tão forte assim no setor das amizades”.

Enquanto várias são amigas antigas — ela conhece Selena Gomez e Lily Aldridge desde a adolescência — ela também está ativamente procurando novas amizades, contando histórias de como ela iniciou amizades com Serayah e Zendaya. “Muitas vezes eu entro em contato com as pessoas para lhes dizer que são maravilhosos e uma amizade sairá disso. Ella e eu — Lorde — nós conhecemos espontaneamente porque o álbum dela foi lançado e eu mandei flores e a disse o quão bom era e agora ela é uma das minhas melhores amigas. Amizades muitas vezes nascem da admiração e isso é como uma maneira natural de se tornar amigo de alguém porque você deixou claro que respeita o que a pessoa faz”.

A sua dedicação para suas amigas — chamadas de “#girlsquad”– até mesmo ajudou que ela inserisse a palavra “squad” no vocabulário contemporâneo, funcionando como uma entidade própria ou também como sufixo ou prefixo, uma coisa que faz a confessa fã de gramática, Swift, se iluminar um pouquinho mais de orgulho. Veja, por exemplo, #squadgoals ou #glamsquad. É legal ser um fã de Swift hoje.

Enquanto para nós pode parecer uma boa época para ser Taylor Swift, ela discorda imediatamente. “Oh, isso é uma baita ilusão”, Swift diz secamente. “O público pode mudar de ideia sobre mim amanhã. Se eles decidirem que eu sou irritante amanhã, eles usariam este ângulo e então outros repórteres usariam isso e iria pegar”, ela diz, sabendo como a mídia funciona. “As coisas estão indo bem agora mas eu nunca vou ser burra, inocente ou ignorante o suficiente para pensar que tenho controle do público. Tudo que posso controlar é fazer boa música. Tenho sorte que as pessoas parecem gostar de mim no momento, mas de maneira alguma isso é uma coisa permanente. E eu acho que ter consciência disso é o que te mantém esperta e o que te mantém no jogo”.

A cada dois anos, desde 2006, ela lançou um álbum, seguido de uma turnê e então se dedicou ao próximo. Mas o seu último álbum, 1989, pode mudar um pouco os planos. “Esse álbum produziu mais números 1 do que qualquer outro álbum antes dele, então vamos continuar com ele”, ela diz, explicando como o ciclo normal de um álbum pode ser estendido. “Então vou sentir que preciso dar uma pausa de mim para as pessoas, porque em um certo ponto elas vão ficar um pouco enjoadas de ouvir sobre mim, então precisarei sumir um pouco, dependendo do quanto eu achar que elas estão enjoadas de mim, decidirei quando lançarei o próximo álbum”.

1989 não é muito como uma biografia de uma pessoa aos vinte e tantos anos quanto é o reflexo musical de uma auto consciência bem expandida de não apenas suas emoções mas também da percepção do público. “Tenho aprendido todos os dias qual é a quantidade certa que eu posso compartilhar [da sua vida pessoal], e ultimamente não tem sido tão natural porque este álbum é uma grande captura da minha vida — foi tão vívido, direto e honesto”. As músicas respondem aos rumores de relacionamentos, como “Blank Space”, e os pessimistas — “Não tenho nada na cabeça, isso é o que as pessoas dizem”, ela fala na hipnótica Shake It Off. “Um dos meus principais objetivos é o de tentar preservar meu sentido de realidade”, ela diz sobre sua carreira.

Seu programa de televisão favorito na infância era o Behind the Music da VH1, que fazia perfis de grupos musicais e cantores famosos. “Sempre tinha uma parte em que eles mostravam a derrocada e o momento em que tudo ia por água abaixo, e eu esperava isso, mesmo quando era uma criança. Sempre parecia que a derrocada era graças a uma combinação de fatores, mas eu percebi que os principais elementos era a perda de auto consciência e fazer arte ruim, e normalmente uma coisa levava a outra”, ela analisa. “Essa perda de auto consciência pode ser perigosa, então isso é quando eu tenho dias com auto estima saudável e as coisas estão ótimas, e tenho dias em que as dúvidas sobre mim mesma são a emoção primária, e isso está certo, porque significa que você é está vivendo uma vida humana, emotiva e natural”.

Assim como várias pessoas bem-sucedidas, Swift cobra muito de si mesma, mas ela é honesta e articulada sobre isso de uma maneira revigorante. “Quando acho que não fiz a coisa certa, quando não fiz um trabalho bom o suficiente, eu me castigo emocionalmente diversas vezes, remoendo isso na minha cabeça”, ela continua. “Sempre tenho que trabalhar em cobrar menos de mim mesma, porque pensar muito é o meu grande adversário na vida, trabalho, amor, amizades e carreira. Eu tenho melhorado ultimamente e percebido que quando estou em um dia de baixa auto estima é por causa da maneira com que funciono e não porque todo mundo me odeia”, ela diz, rindo de si mesma.

Swift estará encerrando a sua turnê na Austrália um pouco antes de completar 26 anos em Dezembro. Os shows dela em estádios estão constantemente lotados, então ela não fica mais nervosa em cima do palco (“Se as pessoas compraram ingressos para me ver, então eles não querem que eu me saía mal”, ela justifica) mas admite também: “Falando a verdade, em algumas premiações, porque a energia lá é realmente competitiva, eu sei exatamente quais pessoas, que são meus competidores, como eles podem me ouvir e é um ambiente bem estressante quando você sobe no palco. Você sente como, talvez algumas pessoas nas primeiras fileiras desejam que você tropeçasse e caísse, e isso se tornaria um vídeo viral. Isso é uma situação bem estressante e agitada para encarar, mas é o meu trabalho então eu acalmo meus nervos e faço o que tenho que fazer e espero que me saía bem”.

Em suas turnês passadas, os convidados seriam artistas que eram naturais das cidades em que ela estivesse tocando, ou que estavam em turnê ao mesmo tempo. “Mas eu percebi, que se eu fizesse a mesma coisa, as pessoas saberiam quem eu iria levar, então eu quis realmente ampliar o elemento de surpresa”. Esse turnê incluiu todo mundo desde Serena Williams, Julia Roberts e Joan Baez até Justin Timberlake e John Legend e artistas novos, o que também prova o seu poder de puxar e empurrar. “Eu os abordo e digo: ‘Vou te levar para uma cidade na turnê, te levo e te trago de volta'”, ela diz, consciente da dificuldade de surpreender os fãs em 2015 (ela descreve como faz passagens de som com as caixas de som desligadas, uma vez que os fãs do lado de fora tentam descobrir quem o convidado surpresa é). “Parte de ser uma artista é tentar e apresentar as pessoas a algo que vai confundi-las, delicia-las e surpreendê-las”.

Outro tipo de surpresa foi quando ela mudou musicalmente ao abraçar o pop para o seu último álbum, ao invés de continuar com o country de sempre. “Você pode levar isso em duas direções diferentes: na direção do choque ou na direção da surpresa. Eu escolho a surpresa sempre porque eu prefiro muito mais planejar uma surpresa elaborada que vai encantá-los do que tentar chocar”. Ela pensa no que quer extrair dos fãs. “Quando o valor de choque é o seu único truque, é mais difícil de manter uma longa carreira. Posso continuar a surpreendê-los, o que é algo importante para mim, capturar esse tipo de emoção porque é bem raro ultimamente”.

Existe qualidade lírica em como ela junta as palavras. Seu escritor favorito é F. Scott Fitzgerald, pela “beleza e eloquência de sua própria linguagem. Sua escrita é mais poeta e compositor em sua natureza do que um novelista”. E, claro, sabemos que isso está em suas músicas, quando ela insere conceitos poéticos (“Sou um pesadelo disfarçado de sonho”, ela brinca em Blank Space). Está na maneira com que ela fala, também: como ela cadencia as frases, a consciência natural de rima, ritmo e repetição. Mas é sustentada por uma voz que é mais baixa em timbre e mais séria em tom do que suas músicas sugerem, mesmo que com somente o necessário da ferroada de uma abelha rainha dentro de tudo, um acompanhamento ideal mas as grandes mudanças de frases nas letras de suas músicas. “Ser uma compositora é o motivo pelo qual eu abordei tudo isso com tanta convicção. Não acho que iria me importar 1/16 com isso tudo se eu não escrevesse todas as letras das músicas que você me ouve cantar”, ela diz, as palavras transbordando pelo telefone. “Isso motiva tudo, motiva as ideias criativas sobre como os videoclipes vão ser, motiva os elementos da produção que vão estar na turnê e as histórias que desejo contar. Determina absolutamente tudo. Tudo origina das letras”.

Foi a sua capacidade de compor que alavancou a sua carreira musical. Ela ganhou uma competição nacional de poesia na escola primária, e foi a compositora mais jovem a ser contratada pela Sony, aos 13 anos. Colocando suas músicas pegajosas de lado, a maneira com ela se comunica com os fãs, os permite que eles tenham acesso intimo através de mensagens escondidas e contas nas redes sociais cheias de piadas visuais e literais sobre ela mesma, memes da internet e outros assuntos particulares. “As redes sociais podem ser uma ferramenta incrível para se comunicar com os fãs. Vou para o Tumblr e leio sobre alguém tendo um dia ruim e eu mando uma mensagem para animá-lo, ou comento em um vídeo de uma criança dançando a minha música”, ela diz. “Outra maneira é que eu tenho amigas que são modelos mas também são amadas pelos meus fãs porque tem personalidade, a qual elas mostram aos fãs pelas redes sociais. Gigi e Kendall são ótimas nisso e a Cara é incrível… [os fãs] sentem que eles conhecem essas garotas porque ela são abertas sobre suas vidas e eu acho que esse elemento é ótimo em minha carreira também. As pessoas podem ir até o meu Instagram e ver vídeos estranhos das minhas gatas assim como vídeos dos bastidores de Bad Blood. Gosto que seja variado”.

Ela aponta esse talento em si mesma. “Adoro estar perto das pessoas. Não é algo que posso controlar. É como se fosse uma parte genética da minha personalidade com a qual já nasci tendo”, ela explica. “O que você não percebe quando trabalha com música é que grande parte do seu trabalho, sua carreira e sua indústria é conhecer pessoas que nunca conheceu antes, e ter conversas curtas que precisam ser significantes mesmo que sejam breves”. Uma carreira frutífera em qualquer ramo artístico é uma variação de talento, sorte e perseverança, portanto Swift pode ter destacado outro fator que o século 21 espera das celebridades: acesso para todos. “Minha maior qualidade é não desgostar de pessoas novas ou de estar perto de pessoas, mesmo que não as conheça”.

O caminho para o estrelato na música pop está recheado de obstáculos. Swift, entre todas pessoas, sabe bem disso. Ela lista os maiores equívocos sobre ela: “Desde 2012 é tipo: ‘Ela é uma galinha!” — estou atrás desse cara, ou sou desesperada — então os de 2010: ‘Muita coisa, muito cedo, ela é o menos talentosa? ‘” Ou, os mais recentes: “Você sabe, tipo: ‘Seu grupo de amigas é um grupo de meninas malvadas!’ Tem muitos para escolher, então eles engolem um ao outro. Tem muitos para escolher um favorito”, ela diz de uma vez só, descrevendo a lista com uma precisão surpreendente da linha do tempo.

Passando o olho pelos últimos dois anos, ela reconhece que mudou pessoalmente. “Eu olho para a pessoa que era e penso em como eu tinha uma vida diferente, prioridades diferentes, opiniões diferentes sobre as coisas”. Para uma visão mais definitiva de sua carreira, ela está nutrindo de leve a ideia de continuar na indústria da música mas nos bastidores. “Se eu tivesse que dizer: ‘Okay, o que estarei fazendo aos 40 anos? Não tenho como saber mas espero que ainda tenha a música em minha vida”, ela diz como ressalva.

“Mas se eu tivesse que te dizer a minha melhor opinião, diria que vou escrever músicas para outras pessoas, ou que vou criar um álbum que será sobre o que estou passando naquele momento da minha vida. Gostamos de agradar pessoas, por isso nos tornamos artistas, então se as pessoas não querem que você esteja mais no palco com vestidos brilhantes cantando músicas para adolescentes quando tiver 40 anos, então não irei fazer isso. É um objetivo meu de não tentar ser algo que não sou”. A sua próxima surpresa? Sendo revelada em três, dois, um…

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