Vivendo sua vida e abrindo novos caminhos, “1989” encontrou Taylor Swift transcendendo suas limitações de gênero e tempo em um álbum clássico do pop.

A gravação mais revolucionária de Taylor Swift veio de uma necessidade de mudança que não deveria surpreender ninguém. Seu álbum RED, lançado em 2012, preparou seu público com novas e diversas influências que não tinham em seus lançamentos anteriores e estava claro que ela estava caminhando para o Pop. Mas 1989 fez algo muito mais inteligente do que apenas acompanhar as tendências contemporâneas para ampliar seu alcance.

A vontade de Taylor de criar uma coleção coesa de músicas indo na mesma direção acabou achando o parceiro perfeito, que era Max Martin, com quem ela já havia trabalhado em duas músicas do RED (incluindo “I Knew You Were Trouble”, que efetivamente preparou o terreno para tudo que surgiria depois). Swift admite que ele foi além e diante do dever de modelar o 1989, mas que toda a visão era dela, e na verdade, ela estava batalhando sozinha no começo, quando o 1989 ainda estava tomando vida.

Taylor disse que a pediram para incluir várias músicas country no álbum, para melhor referenciar o passado de onde ela vinha mas ela recusou. “Senti que não seria justo explorar dois gêneros quando seu álbum se encaixa em apenas um”, ela contou à Billboard. E o lead single do 1989 já diz tudo: “Shake It Off” foi um hit enérgico e dançante com sonoridade orgânica e letras que expressavam a sensação de liberdade que Taylor sentia.

“Você precisa viver sua vida”

“Nós vivemos numa cultura de cancelamentos. Você precisa viver sua
vida mesmo que as pessoas não te entendam”, ela disse à rede ABC. “Você precisa se divertir mais do que eles”, falou como numa declaração de missão. O sucesso imediato de “Shake It Off” provou o quanto as pessoas embarcaram nessa mensagem. O single chegou aos charts no final do verão de 2014 e ocupou o topo dos principais mercados de música — incluindo o americano, onde debutou em #1 e se tornou o segundo single de Swift a alcançar essa posição.

Essa foi uma prévia do trabalho que estava por vir. Ao longo de 13 faixas da edição padrão, o 1989 (lançado em 27 de outubro de 2014, com o nome do ano em que Swift nasceu) aproveitou de forma habilidosa os sons que moldaram uma das décadas mais carismáticas da música. Uma apreciação de Fine Young Cannibals foi responsável por uma nova colaboração com Jack Antonoff em “I Wish You Would” – uma volta ao sucesso pesado de sintetizadores, mas emotivo, do trio britânico. O hitmaker Ryan Tedder, do OneRepublic, contribuiu com duas canções: “Welcome To New York” e “I Know Places”. Essa última é uma balada eletronica particularmente subestimada, que foi um ponto de partida para o tom mais confrontador de “Look What You Made Me Do” de 2017. Abrindo o álbum, “Welcome To New York” também mostrou corajosamente o essencial do novo som de Swift. Seu riff de sintetizador rápido era diferente de tudo que ela havia tentado antes.

O 1989 abriu novos caminhos para Taylor nas primeiras semanas. Vendendo mais de um milhão de cópias nos primeiros sete dias nos Estados Unidos, era o tipo de desempenho que a indústria havia presumido que nos dias atuais, não aconteceria mais. E continuou crescendo e acontecendo. Os singles subsequentes impulsionaram essa conquista, com mais de 10 milhões de cópias do álbum vendidas em todo o mundo até o momento. Esses singles, é claro, também fizeram negócios sólidos por conta própria – “Blank Space” e a colaboração com Kendrick Lamar, “Bad Blood”, ambas chegaram ao topo das paradas dos EUA, enquanto “Style” e “Wildest Dreams” também chegaram ao Top 10 dos EUA .

Arte pop em um pico formidável

“Blank Space”, outra co-escrita com Shellback – que trabalhou com Max Martin em seis canções do 1989 – foi uma balada afiada com um ótimo vídeo que habilmente tocou na quase sufocante e ridícula caricatura de Swift, como uma “comedora de homens em série”. Com uma persona cada vez mais confiante, parecia que a cantora e compositora estava finalmente começando a lutar e controlar sua própria narrativa. Campeã do MTV Video Awards 2015, “Bad Blood” colocou outro demônio na cama, com seu roteiro de super-heroina remetendo a suposta rivalidade entre Taylor e Katy.

A campanha continuou com “Style” e “Out of The Woods”- composições mais ternas que mostravam que a Taylor também honrava sua antiga audiência. Quando “New Romantics” foi lançada como último single, Taylor já estava fazendo turnê do álbum que re-moldou seu futuro. Praticamente todas as músicas do 1989 poderiam ter sido hits; de fato, a melódica “Clean”, que fecha o álbum, co-escrita com Imogen Heap, ainda soa mais forte do que qualquer coisa que você possa ouvir na rádio. O fato dela ser a música que encerra o álbum traduz muito a força com que a Taylor trabalhou.

É dito que a reinvenção é o mecanismo da sobrevivência, e, desde um ponto relativamente precoce em sua careira, Swift foi comtemplada com quase todas as honras e prêmios que existem. Ela poderia ter continuado nas glórias que já lhe eram familiares mas, ela se provou determinada a desbravar novos territórios sem abandonar tudo que ela já havia construído há tão pouco. Composições astutas transcendem quase todas as limitações de gênero musical mas, ao fuçar sobre os anos 80, Swift estava escolhendo cuidadosamente uma década que foi experimental mas em sua maioria, sempre acessível. O sucesso do 1989 no Grammy, Billboard e no AMA’s cimentou perspectiva, mas você não precisa ser um crítico para reconhecer o álbum como o auge da música pop.

Matéria publicada pela UDiscoverMusic e traduzida pela Equipe TSBR.





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