08 de setembro de 14 Autor: Aline
Rolling Stone: A reinvenção de Taylor Swift

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Pela terceira vez Taylor empresta sua imagem para a capa da mais influente revista musical do mundo, a Rolling Stone. Nos preparativos para o lançamento do seu terceiro álbum de estúdio, 1989, ela contou para a publicação detalhes do seu novo trabalho e de sua vida.

A reinvenção de Taylor Swift

Ela deixou o country para trás, desistiu de namorar e construiu uma fortaleza ao redor de seu coração

“Então meu irmão chega em casa outro dia”, Taylor Swift diz, “e fala, ‘Oh meu deus – acabei de ver um cara andando pela rua com um gato em sua cabeça'”.

Como uma fervorosa fã de metáforas prontas, e também de gatos, Swift ficou animada com isso. “Minha primeira reação foi, ‘Você tirou uma foto?'”, ela diz. “Então eu pensei sobre isso. Metade do meu cérebro disse: ‘Nós deveríamos poder tirar uma foto se quisermos. Aquele cara estava pedindo por isso – ela tinha um gato na cabeça!’ Mas a outra metade dizia: ‘E se ele só quiser andar por aí com um gato em sua cabeça, e não ter fotos sendo tiradas dele o dia inteiro?'”

Para Swift – criadora de quatro álbuns multiplatina, vencedora do Grammy sete vezes, e bilhões de vezes o assunto de blogs de fofoca – ser famosa é muito parecido com andar com um gato em sua cabeça. “Eu posso ter problemas com isso”, ela diz. “Mas no final do dia, não posso ser ingrata, porque eu escolhi isso. Mas de vez em quando – de vez em quando – você não quer ter uma câmera apontada para você. De vez em quando seria legal se alguém dissesse: ‘Ei, eu acho que é bem legal que você tenha um gato na cabeça. Acho que é interessante'”.

São uma da tarde em San Fernando Valley, e o Project Sparrow está a todo vapor. Em um estacionamento qualquer de um galpão em Van Nuys, California, um pelotão quase militar de seguranças pessoais estão de prontidão. Todas as portas e escadarias estão guardadas, e todas as janelas estão bloqueadas. A ocasião: a gravação de um clipe de Taylor Swift.

Em 2014, uma gravação de Swift exige o tipo de operação sigilosa e complexidade logistica que raramente é vista fora de um ataque feito pela marinha americana. Antes do Project Sparrow – o codinome foi escolhido pela diretor do clipe, Mark Romanek – existia o Project Cardinal, uma missão de diversas semanas na qual o time de redes sociais de Swift vasculharam a Internet atrás de um grupo de fãs para aparecer no clipe. Quando uma menina postou uma foto de seu convite, ela foi rapidamente desconvidada, então provavelmente foi entregue para qualquer que seja a região secreta que a CIA prende os inimigos de Swift. (Jack Antonoff, do Bleachers e do fun., que recentemente colaborou com diversas músicas de Swift, diz que “só de ter músicas dela no meu disco rígido faz com que eu sinta que tenha segredos russos ou qualquer coisa. É aterrorizante.”)

No momento, Swift está na cadeira de maquiagem em seu camarim, com cílios postiços sendo aplicados. Ela está vestindo uma mini-saia preta, meia-calça preta e uma felpuda blusa rosa com o desenho de um gato, seu cabelo loiro e ondulado está preso. Ela tem quase 1,80m mas parece ser muito mais alta, mesmo com suas longas pernas cruzadas embaixo dela como um pretzel. “Eu preciso muito de um almoço”, Swift diz, e uma assistente a diz que estão pedindo sushi. “Oooh”, ela exclama. “Peça um barco”.

O clipe é para o seu single que logo-será-número-Um, “Shake It Off,” o qual ela irá apresentar pela primeira vez nos VMAs mais tarde neste verão, mas que neste ponto só um punhado de pessoas fora desta sala sequer sabe que existe. Existem preocupações com espiões e dispositivos que podem gravar. “Nem me fale de escutas”,Swift diz seriamente. “Não é uma boa coisa para que eu fale socialmente. Eu fico pirada”. Sobre quem possa colocar escutas em um escritório de produção em Van Nuys na oportunidade de que Swift esteja dentro: “O faxineiro”, ela diz, como se estivesse dando um candidato entre centenas. “O faxineiro que está sendo pago pelo TMZ. Isso vai soar como se eu fosse uma louca – mas nós não sabemos. Tenho que parar de pensar sobre quantos aspectos de tecnologia que eu não entendo”.

Swift para, como se estivesse medindo o quão paranóica ela está confortável em soar. Então ela esclarece. “Como alto-falantes”, ela diz. “Alto-falantes podem colocar o som para fora… então eles não conseguem receber o som? Ou” – ela levanta seu celular – “eles podem ligar isso, certo? Só estou constatando. Nós nunca sabemos”.

Swift diz que ela nunca se sente completamente segura, especialmente quando se trata de sua privacidade. “Existe alguém que o seu trablho é descobrir coisas que eu não quero que o mundo veja,” ela diz. “Eles olham para sua carreira, olham o que você prioriza, e tentam adivinhar o que seria mais revelador ou prejudicial. Tipo, eu não tiro minhas roupas em fotos ou qualquer coisa – sou super privada quanto a isso. Então me assusta o quão valioso seria ter um vídeo meu trocando de roupa. É triste ter que procurar por câmeras em camarins e banheiros. Eu não ando pelada com minhas janelas abertas, porque existe um valor nisso”.

Ainda assim, mesmo com a segurança a nível militar, em diversas maneiras Swift nunca se sentiu tão livre. Ela tem um novo álbum sendo lançado em outubro, 1989, do qual ela está muito animada, uma vez que ele assinala sua transição de uma estrala country que gosta de pop para uma completa estrela do pop. Ela recentemente comprou um luxoso apartamento em New York. E apesar do que você pode ter lido na imprensa de fofocas, Swift não tem se envolvido com um homem há algum tempo. Ela não está namorando. Ela não está se engraçando com alguém. Ela não está nem sexting. Taylor Swift está solteira e amando isso.

“Eu reamente gosto da minha vida agora”, ela diz. “Tenho amigos ao meu redor todo tempo. Eu passei a pintar mais. Tenho malhado bastante. Comecei a me orgulhar em ser forte. Amo o álbum que fiz. Amo que me mudei para New York. Então em termos de ser feliz, eu nunca estive tão perto quanto agora”. O que não é necessariamente o mesmo que ser feliz.

Existe uma entrada para o novo prédio de Swift, e na maior parte do tempo é vigiado por um ex-policial de NY, chamado Jimmy, que abre as portas para os moradores e visitantes. Isso pode ser uma chatice para os vizinhos como Steven Soderbergh e Orlando Bloom, que gastaram sete casas decimais para viver em um dos endereços mais elegantes do Tribeca, mas é um fato inevitável da vida quando a moradora de 24 anos da cobertura é uma das maiores estrelas pop do planeta. “A maioria dos moradores já sabe o que é que está acontecendo”, Jimmy diz enquanto tranca a porta. Hoje é um bom dia para Jimmy, porque o elevador está funcionando de novo depois de um curto período estando quebrado. “São seis andares para subir”, ele diz pensativo.”E nós não fazemos viagens fáceis, se você me entende”. Eu digo a ele que acho que sei o que ele quer dizer, e Jimmy ri. “Só os sapatos!”

Na cobertura, Swift descalça atende a porta vestindo um vestido azul: “Bem-vindo ao meu apartamento!” Na cozinha tem uma diversidade de doces de um lugar famoso no centro chamado “the Smile” (“Eles tem uns muffins de banana com quinoa que eu sou viciada”), e na geladeira tem uma surpreendente variedade de águas com gás. (“Tenho de cereja silvestre, romã, blueberry, morango, limão, tangerina…”)

Swift fecha a geladeira. “Você quer dar uma volta?” ela vai até a sala de estar, mostrando um aquário cheio de bolas de baseball antigas (“Eu fiquei tipo: ‘Isso é tão legal, ela são tão velhas!'”) e algumas velas aromáticas enormes (“Eu fiquei tipo: ‘Isso é tão legal, elas são tão grandes!'”). “Ali está o meu piano”, ela diz. “Aqui está minha mesa de sinuca que sempre tem pelo de gato. Ali é meu solário”. Ela tromba no batente de uma porta. “Essa é a porta que eu uso para entrar”.

Swift comprou este apartamento há cerca de seis meses, por um valor especulado de $15 milhões. (Swift também comprou a unidade do outro lado do corredor por cerca de $5 milhões. Ela a usa para acomodar sua equipe de segurança). Levou muito trabalho só para vê-lo: Pertencia ao diretor Peter Jackson, que tinha um amigo ator que usava o apartamento, então os corretores não queriam o incomodar muito. “Sir Ian McKellen”, Swift diz seriamente. “Acho que se você é o Gandalf, você sempre pode ficar na casa de Peter Jackson”.

Swift mostra o caminho para um dos 4 quartos de hóspedes. “Aqui é onde Karlie geralmente fica”, ela diz – se referindo a supermodelo Karlie Kloss, uma de suas novas BFFs, quem ela conheceu há nove meses, no Victoria’s Secret Fashion Show. Tem uma cesta das comidas prefedias de Kloss da Whole Foods ao lado da cama, e várias fotos dela nas paredes. E outra parede, tem uma prateleira cheia de camisolas brancas. “Isso é uma coisa que a Lena e eu temos”, diz Swift – se referindo a Lena Dunham, outra amiga recente. “Nós usamos durante o dia para parecermos com mulheres pioneiras, que acabaram de sair do caminho de Oregon”.

Swift conheceu Dunham em 2012, depois de ter assistido a Girls e ter ficado viciada. Ela foi para o Twitter para seguir Dunham, e coincidentemente viu que Dunham tinha acabado de twittar algo admirando Swift. “Eu estava com muito medo de que ela estivesse sendo irônica, mas decidi a seguir de qualquer jeito, só para garantir. Depois de cinco minutos eu tinha uma mensagem direta dela. Deixe-me ver se eu ainda a tenho.” Ela passa um minuto procurando por seu celular. “Eu ainda tenho! Ela disse: ‘Eu estou tão animada com a possibilidade de ser sua amiga que eu coloquei o adjetivo de melhor na frente dela’. ‘A ideia de que você goste da minha série é tão animadora que eu mal posso esperar para te esbanjar com adoração em pessoa'”.

Como uma recente transplantada para New York na metade de sua segunda década, Swift diz que Girls é como o seu Sex and the City. “Eu poderia rotular todas as minhas amigas com Shoshannas, Jessas, Marnies ou Hannahs”, ela diz. E qual você seria? “Tenho pensado muito sobre isso”, ela diz. Uma pausa. “Sou uma Shoshanna”.

Ela parece conformada com isso. “Shoshanna se anima com as coisas, ela é super feminina. E quando ela estava em um relacionamento que era muito confortável, ela tomou a decisão de sair e experimentar novas coisas sozinha. E agora ela está se tornando mais segura de si mesma e está tendo iniciativa em sua vida, de uma maneira que eu me identifico. Mesmo que eu nunca tenha fumado crack acidentalmente em uma festa em um depósito e corrido sem calças pelo Brooklyn”. (Dunham, por sua vez, acha que Swift se parece mais com “Hannah, fora o comportamento horrivelmente sexual. Ou Marnie, se ela não fosse uma babaca”.)

Swift me guia para o andar de cima, no seu quarto. Dormindo em sua enorme cama está uma pequena bola branca de pelos. “Olivia!” diz Swift, a pegando no colo. É a sua gata de dois meses, batizada em homenagem a Olivia Benson, de Law & Order: Special Victims Unit. “Está escutando o quão alto ela está ronronando? Ela é grudenta ao máximo, com certeza”. No andar debaixo está a sua outra gata, Meredith, batizada em homenagem a Meredith Grey, de Grey’s Anatomy. “Uma mulher forte, complexa e independente”, diz Swift. “Esse é o tema”.

Ela entra em seu terraço e sobe a escada para o telhado. “Cuidado”, ela diz. “É uma central de construção”. Uma floresta de arranhacéus a rodeia, a Freedom Tower para perto o suficiente para tocá-la. Swift mostra algumas plantas: “Essas são hortênsias, e logo ali tem rosas, manjericão e alecrim”. Voltando para o andar debaixo, ela passa por uma luminária antiga com a inscrição CALADIUM SEGUINUM nela. Swift teve Latim no colegial, mas diz que ela não tem certeza sobre o que significa. (Depois, eu pesquisei. Foi revelado que é um remédio homeopático para impotência masculina).

Durante anos, Swift teve medo de se mudar para New York. “Eu ficava intimidada por isso por muito tempo”, ela diz. Mas agora que está aqui, ela ama. Ela pode andar até o final da rua para jantar, ou ir comprar móveis com suas amigas no Brooklyn. Até os paparazzi são melhores, ela diz. “Eles não me provocam, ou perguntam coisas estranhas. E muitos usam lentes grandes – o que, se você tem paparazzi em sua vida, é uma maneira muito melhor”. Ela gosta tanto que está tentando recrutar amigas para morar aqui – como sua colega Selena Gomez. “Projeto Selena”, diz Swift. “Acho que posso fazer isso.”

De volta a sala de estar, Swift se ajeita no sofá com um muffin e começa a falar sobre seu 4 de Julho. Ela convidou vários amigos para Rhode Island, onde ela tem uma casa em uma comunidade chique chamada Watch Hill. Estava chovendo, e o dia parecia uma chatice, até que o marido de sua amiga, Jaime King, teve a ideia de comprar oito lonas e as juntar, uma no final da outra, para criar uma centopeia de escorregas. Mesmo com a chuva, os escorregas não ficaram tão escorregadios, então eles compraram um bocado de azeite de oliva e se besuntaram nele. (“Estava perigosamente escorregadio”, diz Swift). Depois todos foram para a praia, que é normalmente cheia de curiosos por Swift (“As taxas dos hotéis dobraram no ano que nós estivemos por lá”, diz Swift), mas estava vazia naquele dia por causa da chuva. Naquela noite eles cozinharam um grande banquete, com Swift delegando funções a todos (“Você faz o molho da salada! Você corta maçãs para a torta!”), e depois eles jogaram Celebridade, o jogo onde todo mundo coloca nomes de gente famosa em um chapéu e se reveza em desenhá-los, tentando fazer com que seu time adivinhe. O jogo ficou um pouco tenso, porque um tima tinha muito mais gente famosa nele, o que os dava o que alguns convidados acharam que era uma vantagem desleal. (Swift: “Ficou tipo: ‘Você namorou ele! 2010!'”) Mas no final, todos se acalmaram, e o jogo correu como planejado. Se o time de Swift venceu? Ela sorri. “Claro que vencemos”.

Swift comprou a casa de Rhode Island em Abril de 2013, por valores especulador em $17 milhões. A antiga propriedade de veraneio de um herdeiro do petróleo, tem vistas para o mar em todos os quartos e uma gaivota que Swift deu o nome de George Washington que nada em sua piscina. Swift a chama de sua “casa dos sonhos”, mas também foi a fonte de alguma de suas repercussões verdadeiramente negativas. O problema começou quando ela reformou a contenção marina, da qual ela alega que não tinha sido reformada desde que a casa foi construída em 1929. Ela contratou uma equipe de engenheiros, que passaram todo o inverno a reformando. Ela pensou que estava fazendo algo super bacana, até que alguns nativos ficaram bravos e a acusaram de destruir a praia. (TMZ: “Os vizinhos de Taylor Swift estão putos: Você está ferrando com a nossa costa!!”)

Não demorou até que o Conselho de Gerenciamento de Recursos Costais de Rhode Island interferisse que dissesse que Swift não fez nada de errado. Ainda, para Swift, a parede se tornou meio que uma metáfora para os odiadores em geral. “Sempre vai haver pessoas que vão reclamar sobre as coisas”, ela diz. “Mas quando eles viram como ela ficou quando estava finalizada – estava muito melhor! A outra parede estava cheia de pichações – parecia velha e não de uma boa maneira. Mas era um problema, e eu consertei. Nada mudou sobre a experiência praiana de ninguém, exceto que agora a minha casa não vai cair em neles. Então, você sabe. Desculpa por nada.”

A única maneira de escutar o 1989 inteiro é emprestando o iPhone de Swift, que é branco e prata e cheio de figurinhas de gatos. Tem 13 músicas no total, mas algumas faixas bônus, que são colocadas com o codinome inquebrável de “Sailor Twips”. (Ela só as toca em fones de ouvido, por causa das escutas). Também tem várias gravações de voz que contém rascunhos de acordes e melodias, que é a maneira que a maioria de suas músicas começam. Antonoff (que também é namorado de Dunham) diz que para uma das músicas que eles escreveram juntos, ele mandou para Swift uma faixa “e literalmente meia hora depois ela me mandou de volta uma nota de voz que soava exatamente como a gravação”.

Como o título sugere, 1989 foi influenciada por alguns dos artistas pop favoritos dos anos 80 de Swift, incluindo Phil Collins, Annie Lennox e a era de “Like a Prayer” de Madonna. (O fato de que 1989 é também o ano que Swift nasceu, ela necessariamente os conheceu depois, normalmente pelo Pop-Up Video da VH1). O álbum foi produzido executivamente por Swift e Max Martin, com o qual ela colaborou primeiramente em seu single de 2012, “We Are Never Ever Getting Back Together”. Oficialmente, ele não está nem mesmo finalizado: Em algum lugar da Suécia, Martin está ajustando até o último minuto para ter certeza de que as batidas estão mais atualizadas o possível.

O último álbum de Swift, Red de 2012, ficou em cima do muro entre o country e o pop. “Mas em certo ponto”, ela diz, “se você segue dois coelhos, você perde a ambos”. Então, dessa vez, ela se preparou para fazer uma totalmente uma “música legitimamente pop”. Um fã casual não vai notar muita diferença, mas para Swift e sua marca, é um grande passo. Ela diz que não irá mais a premiações country e nem promoverá seu álbum nas rádios country. Quando ela entregou as gravações pela primeira vez, ela diz que o presidente de sua gravadora, Scott Borchetta, a disse: “Isso é extraordinário – é o melhor álbum que você já fez. Você só pode me dar três músicas country?”

“Eu te amo, de verdade”, é como Swift reproduz sua resposta. “Mas é assim que as coisas vão ser”.

A outra grande mudança no 1989 é que pela primeira vez em anos, não existe nenhuma faixa reclamando de algum ex de Swift. Algumas de suas músicas são sobre relacionamentos e a vida amorosa, mas elas são em sua maioria melancólicas e nostálgicas, não apontando a ninguém ou com tom de vingança. “Diferentes fases de sua vida possuem diferentes níveis de decepções profundas e traumatizantes”, diz Swift. “E nesse período da minha vida, meu coração não foi quebrado de forma irreparável. Então não é um álbum centrado em algum cara, porque a minha vida não foi centrada em algum cara”. Em fato, ela sugere que não namorou desde que terminou com o integrante do One Direction, Harry Styles mais de um ano e meio atrás. “Tipo, não fui nem a um encontro”, ela diz. “As pessoas vão se sentir mal por mim quando você escrever isso. Mas é verdade.”

Swift diz que namorar é difícil para ela. Por um lado, tem a logística. “70% do tempo, quando um cara me convida para sair, vai ser um e-mail aleatório”, ela diz. Alguma estrela do cinema vai conseguir o endereço dela através de seu assessor e manda um e-mail frio para ela. Normalmente ela educadamente os rejeita – mas mesmo que alguém penetrasse essa linha de defesa, construir um relacionamento é difícil.

“Eu sinto que acompanhar a minha vida amorosa se tornou um passatempo nacional”, diz Swift. “E eu não estou mais confortável em fornecer esse tipo de entretenimento. Eu não gosto de ver apresentações de slides de caras que eu aparentemente namorei. Eu não gosto de dar aos humoristas a oportunidade de fazer piadas ao meu respeito em premiações. Eu não gosto quando as manchetes dizem: ‘Cuidado, cara, ela vai escrever uma música sobre você’, porque isso trivializa o meu trabalho. E, acima de tudo, eu não gosto de como todos esses fatores se acumulam para criar uma pressão tão forte em um relacionamento que ele é extinto antes mesmo de ter uma chance de começar. Então”, ela diz,” eu simplesmente não namoro”.

(Isso também vale para ficadas. “Eu acho que não faz sentido se você não está apaixonada”, Swift diz. “E eu não tenho a energia para me apaixonar agora. Então, não”.)

Que a verdade seja dita, Swift soa um pouquinho exausta – o que, para uma “auto-proclamada romântica incorrigível”, talvez não seja a pior coisa para estar. “Não é como eu tenha me livrado do amor”, ela diz. “Minha vida não contribui para que eu traga outra pessoa para ela neste momento. Eu sou muito infantil e romântica sobre várias coisas, mas sou realista quanto a isso”.

Swift pausa, procurando por uma metáfora que a ajuda se explicar. “Já escutou sobre a Baleia Solitária? Existe esta baleia – acho que o Adrian Grenier está fazendo um documentário sobre isso. Ela nada pelo oceano, e tem um chamado diferente de todas outras baleias. Então ela não tem ninguém que nade com ela. E todos sentem muito por essa baleia – mas e se ela estiver se divertindo? Porque não é ruim que eu não esteja desesperadamente apaixonada por alguém. Não é uma tragédia, e não é como se eu tivesse desistindo e me tornando uma solteirona. Mesmo que eu tenha comprado outro gato”. Ela ri. “Eu perguntei por aí: fiquei tipo: ‘Dois gatos contam como gatos?’ Mas então eu pensei, de qual cara imaginário é a perspectiva que eu estou tirando isso? Alguém vai pensar que eu não sou namorável por vários motivos antes que eles achem que eu não sou namorável porque tenho dois gatos”.

Desde que ela está solteira, Swift tem adquirido amigas com o mesmo fervor que já dedicou a encontrar garotos. (Por exemplo: há dois anos, ela contou a Vogue que ela queria ser amiga de Karlie. Agora elas vão a academia juntas e fazem viagens de carro até Big Sur). Swift diz que esse é outra consequência de estar solteira. “Quando a sua principal prioridade é ter um namorado, você tende a ver uma mulher bonita e pensar ‘Oh, ela vai pegar aquele cara bonito que eu queria estar namorando'”, ela diz. “Mas quando você não está procurando um namorado, você consegue dar um passo para trás e ver outras garotas que estão arrasando e pensar, ‘Deus, eu quero estar perto dela'”. Como um exemplo, ela cita sua amiga Lorde, que ela chama de Ella. “É como essa fogueira fumegante”, Swift diz. “Você pode ter medo disso, porque é muito poderoso e forte, ou você pode ir para perto dela, porque é divertido e te ilumina”.

Antes em sua carreira, Swift evitava perguntas sobre feminis porque não queria alienar os fãs masculinos. Mas atualmente, ela é orgulhosa de se identificar como uma feminista. Para ela, o que o feminismo significa é querer que as mulheres tenham as mesmas oportunidades que os homens. “Não vejo como você pode se opor a isso”. Dunham diz que Swift sempre foi uma feminista, se identificando ou não como uma: “Ela comanda sua própria empresa, ela está criando música que se conecta a outras mulheres ao invés de criar uma personalidade sexual para o olhar masculino, e ninguém tem controle dela. Se isso não é feminismo, o que é?”

O foco de Swift na irmandade é uma faca de dois gumes, porque quando outra mulher a aborrece, ela é igualmente poderosa em revidar. A música mais raivosa de 1989 é chamada “Bad Blood”, e é sobre outra artista feminina que Swift se recusa em dar nomes. “Durante anos, eu nunca tive certeza se nós eramos amigas ou não”, ela diz. “Ela vinha falar comigo em premiações e dizia alguma coisa e saía, e eu pensava ‘Somos amigas, ou ela acabou de me fazer o insulto mais pesado da minha vida?'” Então ano passado, a outra estrela passou dos limites. “Ela fez uma coisa tão horrível”, Swift diz. “Fiquei tipo: ‘Oh, nós somos inimigas diretas.’ E não foi nem sobre um cara! Teve a ver com negócios. Ela basicamente tentou sabotar uma turnê inteira. Ela tentou contratar várias pessoas pelas minhas costas. E eu surpreendentemente não confrontei – você não acreditaria o quanto eu odeio conflitos. Então agora eu tenho que a evitar. É estranho, e eu não gosto”.

(Pressionada, Swift admite que talvez tenha tido um elemento pessoal no conflito. “Mas não acho que teria algum problema pessoa se ela não fosse competitiva”, ela diz)

Como sempre, Swift lidou com suas emoções escrevendo sobre elas. “Algumas vezes os versos de uma canção são frases que você desejaria mandar por mensagem de texto na vida real”, ela diz. “Eu ficava constantemente escrevendo todas esses detalhes – tipo ‘Toma. Isso iria realmente a atingir’. E eu sei que as pessoas vão ficar obcecadas em descobrir sobre quem é, porque eles acham que tem todos meus relacionamentos mapeados. Mas tem um motivo pelo que não tem nenhum grande detalhe nessa música. Minha intenção não era de criar uma festa de fofocas. Eu queria que as pessoas aplicassem em uma situação em que elas sentissem traídas em suas próprias vidas”.

Swift se orgulha em nunca ter explicitamente dito sobre quem suas músicas são sobre, e ela não vai começar com essa. Sim, ela coloca dicas em suas mensagens secretas e faz referências no palco, mas ela tenta as manter obscuras o suficiente para manter algum mistério módico (ou, ao menos, negação plausível). Ela é tão disciplinada nesse quesito que ela nem mesmo diz o nome de algum de seu ex-namorados em voz alta – então quando ela dá uma tropeçada, mesmo que da maneira mais inocente, é muito divertido.

Swift ainda está falando de “Bad Blood” quando ela começa a explicar porque ela que que todos saibam que é sobre uma mulher. “Eu sei que as pessoas vão tornar isso em uma grande briga de meninas”, ela diz. “Mas eu quero que as pessoas saibam que não é sobre um cara. Você não quer dar uma indireta em alguém que você namorava e fazer com que pareça que você odeia ele, quando não é o caso. E eu sabia que as pessoas iriam imediatamente ir para uma direção—” Quando ela percebe que ela acabou de referenciar a banda de seu ex-namorado, Swift fica pálida. Ela enterra a cara em suas mãos. “Por quê!?” Ela se lamenta, caindo na risada. É a clássica Cara de Supresa de Taylor Swift, só que de verdade dessa vez.

Swift não vai falar muito sobre seu relacionamento com Styles, além de que eles agora são amigos. Mas falando com ela, parece claro que várias músicas do 1989 que são sobre um homem, são sobre ele. Tem “I Wish You Would”, sobre um ex que comprou uma casa duas quadras da dela (que ela deixa a entender que foi Styles). E “All You Had to Do Was Stay”, sobre um cara que nunca quis se comprometer (idem). Então tem uma música que estabelece um novo nível Swiftiano de segredos artificiais — uma música relaxada, soando como as de Miami Vice, sobre um menino com cabelos para trás e uma camiseta branca e uma menina de saia justa que se chama — sem brincadeira — “Style”. (Ela se permite um sorriso satisfeito. “Nós deveriamos ter chamado essa de “I’m Not Even Sorry”)

De todas as músicas do álbum que parecem ser sobre Harry Styles, a mais intrigante é “Out of the Woods”. Foi co-escrita por Antonoff, é um conto frenético de uma relação que, Swift diz, “todo dia era uma luta. Esqueça fazer planos para a vida – nós estávamos apenas tentando aguentar até a próxima semana”. A parte mais interessante vem quando Taylor canta “Remember when you hit the brakes too soon/Twenty stitches in a hospital room.” (Lembra quando você pisou no freio muito cedo/Vinte pontos em um quarto de hospital). Ela diz que se inspirou em um passeio de snowmobile (um veículo usado para passeios na neve) com um ex que perdeu o controle e bateu tão forte que ela viu sua vida passar diante dos seus olhos. Ambos tiveram que ir ao pronto-socorro, embora Swift não ficou ferida. Ela corrige a si mesma: “Não tão machucada”.

Para um casal cujo cada movimento foi tão exaustivamente documentado, é meio chocante pensar que algo tão interessante quanto uma viagem para a sala de emergência não teria sido publicado na Internet. “Você sabe que o que eu achei é muito melhor do que um acordo de confidencialidade?”. Olhar nos olhos de alguém e dizer, ‘Por favor, não fale com ninguém sobre isso” Mesmo assim, é impressionante: A visita ao hospital mais secreta envolveria necessariamente três ou quatro testemunhas – e nenhuma delas falou?

Swift diz que isso é meio que o ponto que ela quer chegar. “As pessoas pensam que sabem toda a narrativa da minha vida”, diz ela. “Eu acho que talvez essa frase esteja lá para lembrar às pessoas que existem coisas realmente grandes que elas não conhecem.”

“Eu não sabia que tipo de café você queria, então eu trouxe opções”

Duas semanas depois, Swift está no banco de trás de um carro em marcha lenta ao lado do Central Park, com uma bandeja de quatro cafés gelados equilibrados em seu colo. Do lado de fora esperam uma dúzia de paparazzi e várias dezenas de fãs. O plano é dar um agradável passeio no parque – e talvez, embora isso esteja nas entrelinhas, obter um vislumbre da atenção que ela enfrenta diariamente.

Swift pega na mão de seu guarda-costas e sai do carro. Ela está vestida com uma saia de tweed, crop top, sapatos Louboutin rosas de camurça e uma bolsa amarela Dolce & Gabbana. Ela navega a trilha lamacenta impressionante em seu salto-alto, a multidão atrás dela aumentando a cada poucos metros. Na frente dela, dois guarda-costas abrem o caminho. Atrás dela, um outro guarda-costas carrega um saco de biscoitos.

Swift chega a um caminho sem saída, onde os paparazzi não podem seguir e se senta em um mirante, às margens do lago. Sobre os postes de madeira são esculpidas centenas de iniciais, as histórias de casais que vieram antes – o tipo de coisa que pode aparecer em uma canção de Taylor Swift. Animadamente, Swift aponta para o lago: “Tartarugas! E patos!” Ela olha para o chão. “Oh. E uma camisinha usada”.

Swift diz que a única vez que ela poderia vir para o parque e tudo ser normal seria no meio da noite (“o que é perigoso”) ou às quatro da manhã (“que é cedo”). Fazem cinco anos que ela não dirige sozinha, e ela não pode sair de casa sem ser cercada por fãs. (“Quando uma doce e pequena criança de 12 anos diz à sua mãe: ‘Taylor vive a uma hora daqui…’ – mais vezes do que o esperado, eles vão fazer a viagem.”) Embora ela não goste de chamar a atenção para isso, ela diz que há um contingente de fãs que pensam que suas canções contêm mensagens escondidas para eles. “Pense nisso”, diz ela. “Romeu, me leve a algum lugar onde possamos ficar sozinhos? Tome isso, adicione algo “fora da casinha” nisso, e soa como um convite para o sequestro”.

Estávamos falando fazia um tempo quando um barco aparece carregando 3 adolescentes – duas garotas e 1 garoto. “Ai, meu deus!” diz uma das garotas. “Hoje é meu aniversário! Posso por favor tirar uma foto com você?” Taylor riu. “Você pode, mas não sei como. Você está em um barco, amigão!”

“Eu vou sair!”, a garota diz. “Eu achar um jeito”. Taylor e seu guarda-costas a alcançam e a ajudam a chegar no pavilhão. “Você vai me fazer chorar!”, disse.

“É mesmo seu aniversário?”, Taylor pergunta.

“Quantos anos você tem?”

“Dezessete”, disse a garota.

“Oh, essa idade é boa”.

“Eu sei, estou animada.”

A garota diz que vive em Long Island. Ela e seus amigos pegaram o trêm naquele dia. “É fofo,” Swift diz. “Você vai jantar em algum lugar?”

A menina diz: “Estávamos indo para o… Chipotle?”

Taylor sorri. Ela pega a bolsa e puxa um maço de dinheiro – 90 dólares, para ser exato. “Toma”, ela diz. “Vá a algum lugar legal.”

“Ai meu deus!”, a garota diz. “Obrigada!” Ela volta ao barco com seus amigos.

Aí chega a hora de ir. Um dos guarda-costas de Taylor, Jeff, um ex-oficial da marina especialista em anti-terrorismo, vem para informá-la. “OK, nós temos uma caminhada de seis minutos para a sair. O Twitter está indo pegando fogo, então alguns dos fãs mais obsessivos…” Ele dá a deixa. “Vamos ficar perto de você e mantê-los atrás”.

Swift dá aquela última olhada na franja na câmera do celular, então ela olha para o lago. “Eu gostaria que tivéssemos um barco”.

Ela se levanta para ir. Imediatamente estamos cercados de vários paparazzi e fãs. Até os vendedores de cachorro-quente estão tirando fotos. À medida que Taylor está saindo do parque, a multidão aumenta e fica mais agressiva; é um pouco amedrontador. “OK, pessoal, precisamos de espaço, por favor!” diz Jeff. “Fiquem atrás, deem espaço a ela!”.

Mas, Swift é imperturbável. “Você quer saber um truque para parar de se sentir vitimizada e imediatamente se sentir incrível?”, ela diz. Ela pega o telefone e me entrega os fones de ouvido: “Este é o meu jeito.” Ela aperta play, e “Backseat Freestyle” de Kendrick Lamar enche os alto-falantes. À medida que Taylor levanta a cabeça, Lamar canta:

Toda a minha vida eu quero dinheiro e poder
Respeite minha mente ou morra no chuveiro
Espero que meu pau fique maior que a Torre Eiffel
Para eu f*der o mundo por 72 horas
Caramba, eu me sinto incrível
Cacete, estou em Matrix . . .

Taylor dá uma risada. “Eu sei a letra toda.”

Fonte

Confira a capa e fotos do photoshoot da edição em nossa galeria:

 





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