15 de dezembro de 20 Autor: Maria Eloisa Barbosa
Rodrigo Prieto fala sobre a gravação do clipe de “willow”

Quando o premiado diretor de fotografia Rodrigo Prieto começou a trabalhar no vídeo de “willow” com Taylor Swift em novembro, ele não sabia que o vídeo era parte do seu novo álbum surpresa, evermore

“Eu pensava que talvez fosse um vídeo para o álbum anterior”, ele disse para a Rolling Stone. “Eu não fazia ideia de qual era a música em nosso primeiro encontro”. 

Prieto não era o único que não sabia sobre o novo álbum; Swift lançou evermore na semana passada de um jeito parecido com o lançamento do Folklore, juntamente com um clipe totalmente dirigido por ela: “willow”. O vídeo dá continuidade à narrativa do clipe de cardigan- no qual Prieto também trabalhou- incluindo várias referências à músicas do folklore. 

“willow” começa no mesmo cômodo que cardigan termina, e Swift, mais uma vez, entra dentro de seu piano mágico, viajando no tempo e espaço. Ela segue uma corda de ouro (referência à canção “invisible string” do folklore) e chega na clareira de uma floresta de outono, sob um salgueiro, onde ela consegue ver o reflexo de um homem (interpretado pelo seu dançarino, Taeok Lee) e de uma mulher, numa água iluminada pela lua. A corda a leva para uma memória de infância, para uma festa numa tenda, em que ela canta dentro de uma caixa de vidro, e para uma cena de inverno, no meio da floresta. Eventualmente, a corda a leva de volta para a cabana inicial, onde ela se encontra com Lee. 

Da mesma forma que o clipe de “cardigan”, Swift, Prieto e a equipe de produção, além de precisarem manter a gravação em segredo, precisaram encontrar formas inovadoras de trabalhar no projeto seguindo os protocolos de segurança por causa da Covid-19, sem colocar ninguém em risco. Prieto contou para a Rolling Stone sobre a produção e como a equipe trouxe a visão mágica de Swift à vida em “willow”. 

De que maneira a gravação de “willow” foi diferente da gravação de “cardigan”? Parece que vocês puderam trazer atores para filmar dessa vez, mas como isso mudou as medidas de segurança que tiveram que seguir? 

Continuaram muito, muito rígidas. Grande parte disso foram os testes, que também fizemos na última vez. Mas quando estávamos fazendo esse vídeo, nós sabíamos mais [sobre o vírus] e as medidas de seguranças eram mais específicas. Seguimos as mesmas que o DGA* seguiu, que meu sindicato Local 600 seguiu, SAG*- todos eles seguiram esses protocolos que seguimos e fomos muito cuidadosos com isso. 

*premiações

Por exemplo, naquela cena de coreografia em volta da árvore e da clareira, sabe, com uma espécie de dança em torno daquele globo mágico, havia um limite de quantos atores e dançarinos poderíamos ter. Na verdade, essa cena foi criada por efeitos visuais- eles adicionaram mais dançarinos lá. Acho que o número real era de 10 dançarinos quando estávamos filmando e todos eles usavam máscaras. Não podemos ver seus rostos, e em partes, isso foi porque eles usavam máscaras.

Há apenas um único momento, na cabana, onde ela está em contato próximo com [outro ator], com o homem que ela estava sentindo falta em todos aqueles momentos diferentes. Mas, é claro, ambos foram testados e só tiraram as máscaras no momento em que estávamos realmente filmando. Todos os outros estavam sempre usando máscaras. E igual à última vez, qualquer pessoa que estivesse ao redor da cena tinha que usar uma pulseira vermelha – era toda codificada por cores, separando quem poderia estar perto da cena e dos atores. E, certamente, era muito importante não apenas usar uma máscara, mas um protetor facial sempre que estivéssemos perto de Taylor ou de qualquer outro ator ou dançarino.

Mesmo assim, usei a câmara num guindaste, então não tinha nenhum operador de câmara perto de ninguém. Nós ainda estávamos seguindo todas as diretrizes com muito rigor, mas agora, estávamos mais relaxados no sentido de que agora temos mais informações. Podíamos simplesmente seguir todos os protocolos e sabíamos que estaríamos seguros porque era tudo muito rigoroso.

Você mencionou da última vez que a comunicação às vezes era difícil no set de “cardigan” porque todos tinham que gritar uns com os outros ou ficar apontando para as coisas, já que não podiam chegar perto. Taylor pôde ser mais participativa na direção desta vez, como ela fez quando vocês gravaram “The Man?”

Na verdade isso ainda aconteceu – especialmente quando você está usando uma máscara e um escudo facial, e você está a dois metros de distância, você tem que ser meio barulhento, falar mais alto, para ser ouvido. Então mantivemos esse protocolo [de distância]. Mas ela ainda estava muito envolvida. Eu ficava no meu monitor na estação DIT [Técnica de Imagem Digital], porque era a melhor imagem, mas todo mundo olhava para a estação de longe, com distanciamento de dois metros.

Teve um momento que foi inesquecível. Inclusive ela já mencionou isso em outra entrevista. Foi assim, estávamos começando a filmar dia 7 de novembro, recebemos a notícia do resultado da eleição presidencial. Nós dois estávamos olhando para o monitor da estação DIT, e ela recebeu um alerta de texto ou algo parecido. Obviamente, naquele momento, estávamos todos trabalhando no vídeo, mas no fundo de nossas mentes estamos todos tipo, OK, o que vai acontecer? E ela era a única que podia realmente olhar o celular, até porque, na verdade, todos tiveram que abrir mão dos celulares no começo para que ninguém tirasse fotos de nada, com a exceção de algumas pessoas como eu, que às vezes podia usar o telefone para tirar uma foto e usar como referência e eu estava usando muito esporadicamente.

Então a Taylor acabou sendo a mensageira do set sobre o resultado das eleições

Exatamente. Então, ela estava perto de mim  – a dois metros de distância, mas ela estava ao meu lado. E ela recebeu a mensagem e me mostrou. Então eu soube do resultado por ela e naquele momento, e o que eu disse  foi, “Eu nunca vou esquecer esse momento”, tanto porque é um momento historicamente importante tanto porque foi ela que me mostrou essa informação, sabe. Foi muito especial. Tive vontade de  comemorar e fazer uma  dancinha, mas não o fiz – somos profissionais e estávamos no  trabalho e também queria respeitar quem quer que tivesse votado de forma diferente. Mas foi um momento incrível, e bem no começo de uma sessão de três dias que acabou sendo uma aventura.

Este clipe faz muitas referências, tanto óbvias quanto mais escondidas, à músicas do folklore e canções mais antigas da discografia de Taylor. Como Taylor expôs sua visão para você?

Nossa primeira reunião foi pra falar sobre a história e as ideias. Eu ainda não conhecia a música, mas a primeira coisa que soube foi que era uma continuação da música anterior que fizemos juntos. Naquele momento, ela ainda estava meio que desenvolvendo suas ideias e tentando descobrir exatamente o que iria acontecer – por exemplo, o final ainda não estava muito claro. Ela sabia que ela queria terminar de volta na cabana e que o homem estaria lá, mas naquela reunião decidimos que faríamos também a cena dos dois saindo de lá.Essa ideia surgiu enquanto a gente conversava.

E então nós trocamos ideias – no começo ela pensou que deveria ser noite do lado de  fora porque sempre foi noite, e então ela mudou de ideia e disse que deveria ser dia, então nós ficamos tipo, OK, como o lado de fora se parece ? É apenas um tipo de  limbo? E então Ethan Tobman, nosso designer de produção, disse que deveria ser uma floresta no outono. Ela ficou muito agradecida por isso e realmente ouviu as ideias de todo mundo.

Houve também uma  discussão sobre a cena na clareira, sobre se deveria ser uma fogueira ou não. Em primeiro lugar, com a produção, teríamos que filmar lá fora e isso teria sido muito complicado. Mas ela também sentiu que, mesmo com efeitos especiais, não era uma coisa boa para mostrar com todos os incêndios florestais acontecendo na Califórnia.

Então ela criou um  conceito de algum tipo de órbitas, algo mais mágico, e Ethan Tobman veio com um monte de fotos para servirem de referência. Foi assim que desenvolvemos esses conceitos – mesmo com o salgueiro, Ethan enviou algumas imagens e ideias, e uma delas tinha essas folhas magenta no chão, o que era estranho e mágico. Taylor e eu amamos. Foi esse tipo de troca que fizemos na fase de pré-produção, antes mesmo de escutar a música.

É incrível como você foi capaz de fazer isso em circunstâncias tão complicadas – trocar ideias pelo Zoom, e depois em relação ao vídeo em si. 

É muito difícil conseguir fazer uma gravação tão técnica e cheia de detalhes dar certo, mas planejamos tudo de antemão. Ethan Tobman estava trabalhando com seu diretor de arte Simon Morgan em projetar os cenários pelo Zoom. Então, com planos gerais prontos, tínhamos que  ir para o set e mapeá-lo. Para essa cena da clareira, por exemplo, Simon Morgan e eu, e meu gaffer Manny Tapia e meu iluminador Donald Reynolds, fomos ao estúdio primeiro e marcamos  o espaço no centro onde as órbitas mágicas estariam.

E então nós medimos a distância até o fundo com uma tela azul e gravamos onde as árvores estariam, e percebemos onde a iluminação ficaria lá, para a cena do carnaval- tudo precisava ser muito, muito preciso, e o distanciamento precisava acontecer. Isso realmente ajudou quando nós estávamos filmando, porque tudo correu bem. Então foi assim que fizemos.

Entrevista publicada pela Rolling Stone e traduzida pela Equipe TSBR.





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