05 de agosto de 20 Autor: Maria Eloisa Barbosa
Review: Taylor Swift tem um novo tipo de narrativa para nos contar

Na quinta feira, 23 de julho, Taylor Swift revelou que lançaria de surpresa um álbum de estúdio com 16 faixas denominado “folklore”. Sendo o oitavo no seu catálogo, o álbum acompanha fotos completamente em preto e branco e uma lista de músicas. Swift explicou que ela criou e gravou as novas músicas durante a quarentena. Ela escreveu “Antes, eu provavelmente teria pensado e repensado como lançar essa música no ‘momento perfeito’ mas os tempos que temos vivido me lembram que nada é garantido”.

Mesmo sem alarde promocional, as novas intenções de Swift são claras: Aaron Dessner do The National é creditado em 11 das 16 músicas! 5 das músicas tem aviso de linguagem explícita!Bon Iver aparece! 

Mas, muitas dos ‘taylorismos’ se mantiveram iguais: Jack Antonoff, colaborador de longa data, se manteve. Os nomes das músicas são todos em letras minúsculas, melodramáticos e iminentes : “epiphany” , “my tears ricochet”, “this is me trying”.

Swift abraçou a produtividade durante a quarentena- uma batalha cognitiva constante para tantos americanos nesse momento. Eles precisam rever suas prioridades ou considerar esse momento- se temos sorte de poder considerar assim- como um presente, uma oportunidade de crescer e evoluir? Swift fez os dois. Ela escreveu “ durante o isolamento minha imaginação correu solta e esse álbum é o resultado. Eu contei essas histórias da melhor maneira que pude, com todo meu amor, encantamento que elas merecem. Agora é com vocês passar adiante” .

A intimidade acessível de Swift faz parte do que a torna tão onipresente. A música dela é profundamente pessoal porque sua vida pessoal sempre foi parte de sua vida de celebridade. No começo, não foi por escolha própria- muitos eram obcecados por seu maravilhamento ingênuo antes de decidirem a julgar por ficar confortável sendo assim. Mas agora os tempos de uma Taylor que planejava meticulosamente sua própria narrativa em seus álbuns (como “Reputation” e “1989”) acabaram e, agora vemos uma nova era , que começou de forma leve em ‘Lover’ e em ‘ folklore’ com mais força, de relaxamento de controle da narrativa e deixando que as histórias se contem sozinhas.

Como o nome já diz, “folklore” mistura ficção com vida real. Os pontos favoritos de Swift ainda estão presentes: escapismo de período histórico- em “the last great american dynasty,” flashback nebuloso de adolescência- em “betty”, romance valente e predestinado- em “invisible string”. Tem um sofrimento e anseio nesses novos personagens de suas músicas, mas que são coloridas pelos olhos de alguém que já sabe além. “folklore” é pouco autobiográfico mas, como no “Lover”, as referências de Swift evoluíram. Gestos extremamente românticos agora estão mais enraizados na realidade. Términos são menos sobre “sofrer” e mais sobre aceitá-los. Amor é menos de um extremo de tudo ou nada do que um calmo caminho para a coexistência. 

Justin Vernon do Bon Iver e o Dessner se fazem presente em sua melancolia e arranjos musicais cheios de sentimentalismo, uma parceria inesperada que combinada com as batidas e sons de Antonoff ajudou Swift em suas perfeitas misturas. Ela continua misturando canto sofisticado com vocais firmes, que são ótimos de se ouvir quando sozinhos em “illicit affairs” e “peace.” 

A influência triste e leve do indie folk feminino da Geração Z são identificáveis em :“mirrorball,” “seven,” e “august,” cada uma complexa e maravilhosa, levando Swift para o caminho alt-Nashville que ela poderia ter encontrado anos atrás se não tivesse pulado para o pop.

No lead single do álbum ,“cardigan,” Swift entra no prazer de olhar para o passado sem se arrepender. Seu mais novo truque- em isolamento e arte- é fazer o melhor com o que ela já tem. Para muitos de nós, era tudo que precisávamos.

Resenha publicada pelo Boston Globe e traduzida pela Equipe TSBR.





Twitter do site

Facebook do site

Scroll Up