Nós, do Taylor Swift Brasil, junto com o Info Séries Brasil, fomos convidados pela Disney para a cabine de imprensa de Toy Story 5. Assistimos em primeira mão na semana passada e agora trazemos nossas opiniões sinceras para vocês.
Quando o anúncio de um quinto filme da franquia Toy Story foi feito, em meados de 2023, a principal pergunta que surgiu entre o público foi: isso é realmente necessário? Será que essa história ainda tem algo novo a dizer?
Agora que o filme está chegando aos cinemas, a resposta curta é: sim.
A resposta longa, porém, merece ser contada.
Poucas franquias carregam um legado tão importante quanto Toy Story. Depois de um quarto filme que parecia encerrar definitivamente a jornada de Woody, Buzz e seus amigos, e que dividiu muitas opiniões. Toy Story 5 assume a difícil missão de justificar a própria existência e provar que ainda há espaço para novas histórias nesse universo.
O diretor Andrew Stanton, que participou das quatro produções anteriores, demonstra desde os primeiros minutos que sabia exatamente qual mensagem queria transmitir. Ao lado da equipe da Pixar, ele entrega um filme que respeita o legado da franquia sem deixar de olhar para o presente. E, convenhamos, essa não era uma tarefa simples.

Desta vez, quem assume o protagonismo é Jessie. A boneca de pano que acompanhamos há tantos anos finalmente ganha o destaque que sempre mereceu. Sua missão é impedir que Bonnie, sua atual dona, se afaste da infância e dos brinquedos que fizeram parte de sua vida em nome de um mundo cada vez mais dominado pelas telas.
É justamente nessa escolha que o filme encontra sua maior força.
As crianças espectadoras entendem Bonnie quase imediatamente. Afinal, a tecnologia dita o ritmo das relações atualmente. Ter o aparelho do momento, participar das mesmas conversas e acompanhar as tendências muitas vezes significa fazer parte de um grupo. No ambiente escolar, pertencimento é quase uma necessidade.
Bonnie, que sempre teve dificuldade para fazer amizades, acredita encontrar essa oportunidade quando ganha de presente dos pais um tablet, o Lilypad. Através dele, passa a conversar com outras meninas da escola e finalmente sente que pertence a um círculo social. Aos poucos, porém, os brinquedos deixam de fazer parte desse novo mundo. Para ser aceita, Bonnie acredita que precisa abandonar justamente aquilo que sempre alimentou sua imaginação.
Jessie enxerga aquilo que Bonnie ainda não consegue perceber. Os adultos também. Ora, crescer não deveria significar abrir mão daquilo que nos faz felizes! É a partir dessa percepção que a aventura ganha forma. Jessie reúne os brinquedos que já conhecemos e os novos personagens apresentados pelo filme (que, a propósito, são ótimos!) em uma tentativa de mostrar à Bonnie que amizades verdadeiras também podem nascer longe das telas. Podem nascer através da criatividade, da imaginação e da brincadeira.
Se para as crianças essa é uma aventura divertida, para os adultos o impacto é diferente.
Enquanto acompanhamos a história, várias perguntas inevitavelmente surgem. Quando foi a última vez que brincamos? Quando foi a última vez que nos divertimos genuinamente, sem depender de uma tela? Em que momento aceitamos, como sociedade, que a infância passasse a ser mediada pela tecnologia? E qual é o nosso papel, como pais, familiares ou simplesmente adultos que convivem com crianças, na preservação desse espaço tão importante para a imaginação?
Mas talvez a pergunta mais poderosa seja outra: por que sentimos que precisamos abandonar partes de quem somos para sermos aceitos? (Sim, tá permitido chorar. Grande parte das pessoas assistindo ao filme chorou, aliás.) Essa é uma lição que muitos de nós levamos anos (às vezes uma vida inteira) para aprender.
O filme ainda reserva outra mensagem extremamente sensível: amizades verdadeiras permanecem conosco, independentemente do tempo, da distância ou da forma.
Há um momento especialmente emocionante em que Jessie começa a questionar o próprio valor, já que Bonnie parece deixá-la de lado. Será que ela realmente foi importante para a criança? Será que ela realmente já foi importante para alguém? É um instante simples, mas devastadoramente tocante. Porque nos lembra que, muitas vezes, acreditamos não ter sido importantes para pessoas que marcaram profundamente nossas vidas. Achamos que fomos esquecidos. Que passamos despercebidos. Mas será que fomos mesmo?
Todos deixamos marcas em alguém. Marcas silenciosas, invisíveis, que continuam existindo mesmo quando a vida segue outros caminhos. O mundo muda, as pessoas crescem e as relações se transformam, mas aquilo que construímos com amigos verdadeiros permanece. Sempre permanece. No desfecho, Bonnie finalmente faz as pazes com quem realmente é e volta a brincar com seus brinquedos ao lado de uma nova amiga. Isso não acontece porque ela rejeitou a tecnologia, mas porque entendeu que não precisa substituir aquilo que faz parte de sua essência.
Para amarrar toda essa mensagem, o filme encerra com “I Knew It, I Knew You”, de Taylor Swift, tocando na íntegra.
Muito se especulou sobre onde a música apareceria. Muitos apostaram que ela acompanharia alguma cena marcante da Jessie. Particularmente, acredito que a escolha de deixá-la exclusivamente para os créditos tenha sido brilhante. Além de ser a única canção cantada de todo o filme, ela funciona como uma espécie de epílogo emocional.
Na letra, Taylor fala sobre conhecer alguém profundamente. Conhecer seus detalhes, suas particularidades, tudo aquilo que faz aquela pessoa ser quem é. Depois, fala sobre a dor de acreditar que a vida levou vocês para caminhos diferentes e que talvez nunca mais se reencontrem. Mas a vida, às vezes, encontra maneiras inesperadas de devolver pessoas, sentimentos e lembranças. Assim como Bonnie voltou para Jessie. Assim como Emily nunca deixou Jessie para trás de verdade.
Taylor compreende muito bem o sentimento da geração que cresceu ao lado de Toy Story. Ao escrever essa música, ela sabia exatamente quais emoções despertaria em quem a escutasse.
Ela sabia. Ela nos conhece.
Talvez a nostalgia tente argumentar o contrário, mas não consigo chegar a outra conclusão: Toy Story 5 é, para mim, o melhor filme da franquia. O roteiro é consistente, a direção é segura e a animação continua impecável. A trilha sonora encontra o momento certo para emocionar sem manipular o espectador. O filme faz rir, faz pensar, faz chorar.
E, acima de tudo, faz algo que poucas obras conseguem: encontra pequenos pedaços de nós mesmos que pareciam perdidos há muito tempo e os coloca de volta no lugar, como peças de um brinquedo que jamais deixou de fazer sentido.

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