10 de novembro de 21 Autor: Julia Cardoso
O porquê do “Red” ser o ponto de virada na carreira de Taylor

“É uma conversa comum e entediante para mim, regularmente encontrada em argumentos sobre como a Taylor Swift continua subestimada mesmo sendo uma das maiores artistas do planeta. Envolvida em uma luta por todo o seu trabalho da vida, a triste situação da Taylor em ter que regravar seus antigos álbuns vem com uma nova oportunidade – uma nova chance para sua genialidade ser apreciada.

‘O amor de Taylor Swift não é diferente da Beatlesmania’ – Eu disse isso uma vez e alguns homens brancos enlouqueceram. Enquanto bandas com integrantes masculinos e artistas homens recebem rótulos de inovadores tão facilmente, apenas por roubar as ideias de outras pessoas e cantá-las com um tom um pouco diferente, Taylor Swift é um exemplo perfeito de como as mulheres tem que trabalhar incansavelmente para serem consideradas algo perto disso. Sempre desprezada como uma artista pop muito sentimental ou uma boa moça do country, as pessoas estão sempre muito ocupadas tagarelando seu nome para ouvir o som dos passos que vem atrás dela.

Sem o ‘1989’, não haveria a Dua Lipa. Sem a quebra da Taylor de estrela do country para uma artista pop, os limites dos gêneros de música teriam ficado mais rígidos, não deixando espaço para andar de um pop para um R&B como as artistas fazem agora. E embora o ‘1989’ e seu par com o Jack Antonoff sejam uma mudança fácil de anunciar como o momento mais importante da história da Taylor, eu não concordo e argumento que é o ‘Red’.

Como o último álbum country de Taylor, ‘Red’ foi bastante além desse rótulo. Sem a ‘boa garota’ de cabelo cacheado tocando violão, tudo sobre ‘Red’ era desafiadoramente diferente da imagem que já havia sido construída para ela. Munida de batom vermelho e um novo look meio hipster à la Zooey Deschanel, foi com ‘Red’ a primeira vez que Taylor realmente se desvencilhou dos lindos vestidos e do estilo garota chic do sul. Na sonoridade, esse foi o equivalente de Taylor à era das guitarras elétricas de Bob Dylan, sacudindo o som conhecido e reconfortante já associado aos seus rostos. Se afastando do sagrado country/folk o suficiente para deixar indignados os ouvintes mais ‘antiquados’, esse foi o início da nova Taylor, que chegou muito antes da antiga não poder vir ao telefone. Ela foi ‘dada como morta’ na cena em 22 de outubro de 2012.

Com a abertura ‘State of Grace’ explodindo com um som elétrico de guitarra, usada ao longo da canção ao invés de apenas uma vez como uma ferramenta para criar um clímax, Red imediatamente mostrou que não estava tentando seguir nenhuma linha nem dançar no meio de um diagrama de Venn para gêneros. Com apenas uma faixa, Taylor estava abandonando tudo e criando uma mudança significativa em relação às suas faixas de abertura anteriores como ‘Mine’ e ‘Fearless’. Com quase nada de country, ‘State of Grace’ tem o mesmo tipo de vibração sulista que os Rolling Stones, mais uma atitude do que um som.

Nesse ponto vou reconhecer o que você provavelmente está pensando. Sim, ‘Red’ tem sim faixas como ‘22’ e ‘We Are Never Ever Getting Back Together’. Sim, esse foi o álbum que rendeu o mega hit ‘I Knew You Were Trouble’. Mas esse é justamente o ponto. Antes do ‘Red’, você nunca ouviria uma música de Taylor Swift tocando numa balada. A quebra de barreiras de ‘Red’ foi legitimada pelo seu sucesso comercial, que ultrapassou os limites do country e foi adotado pelo mainstream. O milionésimo remix de ‘I Knew You Were Trouble’ tocando na pista de dança da boate meia boca da sua cidade natal era o sinal de que Taylor fez algo grande e raro — conseguiu se desvincular totalmente do gênero onde surgiu enquanto ainda estava apenas ganhando impulso. Um álbum pode ser tanto inovador quanto extremamente comercial, experimentação vanguardista não é o único jeito de medir a ‘quebra de barreiras’ enquanto Taylor Swift abriu uma porta para vários outros artistas na época, mostrando uma rota secreta para atravessar entre os gêneros.

Anteriormente, mantida de forma separada, a capacidade de Taylor de ganhar prêmios da MTV e prêmios de música country é algo que ninguém reconhece o bastante. Enquanto recebia críticas na época por ser ‘desconexo’, o álbum ‘Red’ vê Taylor criar uma história coesa, levando-nos para dentro e para fora de uma história de amor, enquanto ela alterna entre Joni Mitchell e um chiclete pop. Com a angustiante ‘All Too Well’ imprensada entre dois de seus sucessos mais comerciais, ela tece um caminho com nada além de sua habilidade de composição e nova confiança adquirida. Em ‘Red’, Taylor ficou claramente mais interessada em criar uma visão singular ao invés de um único som, seguindo seus próprios impulsos musicais e confiando que seus fãs a seguiriam. Talvez ‘Red’ seja onde Taylor tenha, de fato, adquirido sua confiança.

Contendo dicas de tudo que estava por vir, parece que o ‘Red’ antecedeu tudo o que viria ser a carreira de Taylor. A batida de ‘I Knew You Were Trouble’ parece nos preparar para o ‘Reputation’. ‘Stay Stay Stay’ é a irmã mais velha da música ‘Lover’ e ‘Paper Rings’. ‘Sad Beautiful Tragic’ poderia ser extraída diretamente do ‘Evermore’, ‘The Last Time’ é uma das primeiras influências de ‘Exile’. Ouvindo do início ao fim, ‘Red’ vê Taylor reunindo todas as suas inspirações de The Chicks, Carole King e bandas clássicas de Southern Rock. O álbum parece ter easter eggs de tudo que viria a seguir. Aparentemente, foi o ponto em que Taylor percebeu o quanto sua gravadora a queria ‘country e fofa’ e resolveu mudar isso. Eu diria que ‘Red’ é o momento mais importante em sua discografia, apesar de sempre ser esquecido.

Acho que isso sempre esteve nos planos de Taylor. Mesmo antes de sua estreia, estava destinado que Taylor Swift não seria mantida e pressionada dentro de uma caixinha. Sua carreira sempre foi de transcendência e ultrapassagem de limites, muitas vezes ignorada ou não reconhecida porque não era excessivamente experimental ou embrulhada em um pacote super moderno. Mas Taylor merece o crédito por impulsionar o pop como um todo, permitindo que ele se fundisse com os elementos mais suaves do country e a composição confessional do folk tradicional, já que ‘Red’ os uniu em um pop distinto e cativante. Enquanto seu talento sempre esteve lá, ‘Red’ é o momento em que Taylor parte para uma alta velocidade, lançando-se em uma trajetória que só se alavanca, explodindo através das fronteiras do gênero para esculpir seu som atual. Agora, não precisando mais ser definida por nenhum gênero ou gravadora, Taylor Swift é apenas Taylor Swift. E ela é Taylor Swift somente porque o ‘Red’ permitiu que ela fosse.”

Matéria publicada pela CLASH e traduzida pela Equipe TSBR.





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