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A New York Magazine, que já cravou que Taylor é a maior estrela do pop do mundo, traz em seu site um artigo de Kat Stoeffel relacionando Taylor com o que ela julga ser um problema atual: as mulheres que colocam outras para baixo. Para ela, Taylor é uma das responsáveis por uma mudança nessa perspectiva e sustenta seu argumento com as mudanças no comportamento da cantora: ela tem se rodeado por suas amigas.

Confira o que o artigo diz:

Uma recente pesquisa feita no Reino Unido sobre a misoginia no Twitter feita pelo instituto de pesquisa Demos chegou a uma conclusão surpreendente. “As mulheres tem maior tendência de usar “piranha”, “vadia” e “estupro” tanto casualmente quanto ofensivamente, quanto os homens,” o diretor de pesquisa em grupo Carl Miller reportou à Wired, horrorizado. Suas descobertas foram menos surpreendentes para aqueles familiarizados com o estudo de gênero que constatou que as mulheres estão por trás da miséria de seu gênero, muitas vezes por questões evolucionárias que estão além de seu controle. Passei a relacionar esses estudos com “Meninas Malvadas”, porque eles me lembram do que a personagem de Tina Fey fala para suas estudantes meninas no final do filme: por chamarem umas as outras de vadias, elas dão permissão aos meninos de as chamarem assim. A implicação, aqui, é que as mulheres são responsáveis, em partes, pela perpetuação do sexismo. Nem vamos falar de que as mulheres ainda são as únicas a serem chamadas de vadias. Talvez essas vadias irão evoluir quando pararem de serem tão venenosas umas com as outras.

Sou cautelosa com qualquer tipo de ajuste ao sexismo que é tão ágil em tirar a responsabilidade dos homens por uma dinâmica de poder que os beneficiam amplamente. Mas Taylor Swift, de todas as pessoas, sustenta um bom caso do poder da irmandade entre mulheres em face dos julgamentos à vida sexual feminina.

Coincidentemente, Fey parece ter ativado isso quando provocou Swift mencionando seus ex-namorados nos Golden Globes. Em resposta, Swift disse à Vanity Fair que existia um lugar especial no inferno para mulheres que não ajudam outras mulheres. Na época, nós brincamos com Swift por ter atribuido a frase erroneamente para Katie Couric. Mas, ultimamente, parece que ela está fazendo alguma coisa.

Vejam a Lorde. Quando o The Cut falou com a Lorde um ano atrás, ela se colocou como uma alternativa para a louca por garotos, Swift. Então ela chamou a música sexualmente complascente de Selena Gomez, “Come and Get It”, de “tão patética”. Ela me lembrou muito de mim mesma com a mesma idade — quando eu percebi que em algumas vezes era um saco ser menina, e me convenci de que o problema eram as outras garotas, e que eu me dava melhor com os meninos. Ah, se eu tivesse Taylor Swift para me colocar no caminho certo.

Depois de continuar criticando Swift por perpetuar um ideal de beleza dificil de alcançar, Lorde se desculpou publicamente com Swift pelo Tumblr, e as duas enterraram o assunto no Shake Shack em Nova York. E Swift sustentou isso nos Instagrams de sua festa de aniversário, as quais proeminentemente mostravam Lorde. (Ela foi uma das primeiras praticantes das relações públicas através do Instagram). Desde então, Lorde parou de criticar outras mulheres e deu umas voltas com Tavi Gevinson.

Construir alianças individuais seria a única solução para os julgamentos sexuais? Parte do problema, eu acho, é que não temos um vocabulário extenso para avaliar as mulheres além de dizer que elas são sexualmente atrativas, ou meio vadias ou que tem um namorado bacana. O que isso diz sobre as mulheres é bem mais frio do que os julgamentos de mulheres realizados por mulheres: Nossa função mais importante na sociedade ainda é o nosso relacionamento com os homens.

Certamente foi o caso de Taylor Swift. Sua lista de ex-namorados tomaram conta de vários ciclos da imprensa com as especulações sobre seus álbuns sobre qual música seria para qual ex-namorado e os tablóides normalmente colocavam Taylor contra as outras namoradas de seus ex-namorados. Você pode argumentar que, com a sua composição confessional e suas dicas em códigos, Swift astutamente capitalizou em cima de nosso interesse desproporcional nos relacionamentos de mulheres com homens — nesse caso, melhor ainda para ela. Independentemente, ela provavelmente é o caso de estudo de maior proporção sobre as condições sociais que fazem com que as mulheres internalizem a misoginia e julguem umas as outras: A noção de que as mulheres são as primeiras e principais competidoras pelo afeto masculino.

Se isso mudar a qualquer momento, eu acho que Swift merecerá algum crédito. No último ano, ela não fez uma única aparição com um homem, optando por notáveis jantares e viagens com outras jovens celebridades femininas: Selena Gomez, Hailee Steinfeld, Karlie Kloss, Lena Dunham. O que é realmente radical sobre isso é que os veículos de comunicação de celebridades foram obrigados a cobrir as grandes amizades de Swift com a mesma atenção meticulosa que tiveram com seus relacionamentos românticos com homens, sem que letras secretas de músicas fossem necessárias. A mensagem, se a mídia a captou, é clara: Existe um mundo além dos homens e do que eles pensam de você, e ele é ótimo. Existem festas, dicas de moda, viagens de carro e combinações de roupas com suas amigas das quais você jura que não foram combinadas. Quem iria desperdiçar tudo isso só para chamar outra garota de vadia?

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