09 de fevereiro de 13 Autor: Erika Barros
Leia a entrevista completa e traduzida da Taylor para a Elle

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Taylor Swift
é capa da edição de Março da Elle americana. Em seu conteúdo, a revista possui uma extensa reportagem sobre a cantora, com uma entrevista exclusiva (veja os scans aqui).

Nossa equipe traduziu a matéria na íntegra, que pode ser conferida abaixo:

Um monte de amor
Com múltiplos prêmios do Grammy, mais de 22 milhões de seguidores no Twitter e shows esgotados para a turnê que começa esse mês, sem mencionar um bando de ex-namorados ridiculamente bonitos, Taylor Swift é a estrela pop que faz todos pirarem. Ela se abre para Lizzy Goodman sobre meninas malvadas, fama e todo aquele amor.

Swift e certeza
Primavera- a época do ano que a natureza demonstra a importância de clicar em “Atualizar”. Com isso, na nossa edição de março nós encorajamos você a prestar atenção e fazer exatamente isso com seu guarda-roupa. Para começar as coisas, nós capturamos Taylor Swift, acostumada com novos começos. Com nenhum vestidinho em vista, esse é um lado de Swift que nunca vimos antes: o super fashion, como essa jaqueta futurista da Burberry Prorsum. Também executando uma virada de estilo é Kate Bosworth. Muito admirada pela touca platinada e um estilo polido da costa leste, Bosworth se solta com uma louca juba caramelo e um conjunto fashion que disputariam com Joni Mitchell nos seus dias do Laurel Canyon.

É claro que Swift e Bosworth mostram apenas duas das inúmeras opções que os designers possibilitaram esta estação. Nas páginas a seguir, nós temos o resumo de todas elas. Com tudo, desde o minimalismo rígido do preto e branco até o brilho maximalista dos pés à cabeça, existe bastante espaço para experimentar. Só tenha em mente o conselho do excepcionalmente talentoso –e charmoso- Lanvin designer, Alber Elbaz, com quem nós também falamos. Ele fala para nossa escritora, Alexandra Marshall, “Aparecer em vestidos diferentes todos os dias não deixa você chique… ser confiante deixa.”

Na noite antes de eu me encontrar com Taylor Swift para almoçar, ela aceitou um prêmio da família de seu ex-namorado (um Kennedy) e compareceu a uma after-party no Madison Square Garden, após o show de seu então namorado (um pop star, Harry Styles, da boyband One Direction). Eu não sei disso porque Swift mencionou; eu sei isso porque posso pesquisar. Eu também posso contar a você que há alguns dias Swift fez compras na Austrália e foi ao Central Park com Styles enquanto vestia um suéter com uma raposa, o qual alguns bloggers acharam odiosamente fofinho. Como em alguma história curta e desconexa de David Foster Wallace, seu Instagram é seguido por toda uma sociedade, Swift sempre move assuntos a milhões. E ainda, a jovem mulher que me encontra em um elegante bistrô de Manhattan parece natural e quente como a maioria dos profissionais a descrevem. “Eu amei a sua maquiagem, o que quer que seja,” ela diz sincera. “É tão natalina.”
Quando você constrói o marketing de sua carreira com sua própria vulnerabilidade, como Swift fez, a Grande Fama pode ser fatal; seu corpo magro é o segredo e a razão pela qual ela não poderia manusear o sucesso. Mas desde que ela era muito pequena – uma precoce garota de 11 anos de idade implorando para que sua mãe a levasse a Nashville para que ela pudesse ser uma estrela do country –, Swift têm exibido uma estranha combinação de sensibilidade e astúcia: Kurt e Courtney misturaram-se em uma exuberante química country, magricela e de grandes pernas. Este balanço a tem feito bem. Quando seu álbum homônimo de lançamento saiu em 2006, ela foi recebida como prodígio com potencial ilimitado. Com seu lançamento seguido, novo contrato de patrocínio e entrada para o mundo selvagem de saídas com garotos famosos, também veio o aumento do risco que ela perdesse a perspectiva e acordássemos uma manhã sabendo que ela tinha sido despachada para a reabilitação, presa por roubo a lojas ou vista atacando um monte de fotógrafos com um guarda-chuva. Ao invés, ela estabeleceu calmamente seu papel como uma mulher da indústria da música. O quarto álbum de Swift, Red, lançado ano passado, alcançou o número um no iTunes em 42 países. Nos sete anos em que ela grava música, ela vendeu impressionantes 26 milhões de álbuns ao redor do mundo. Suas turnês são produções multimilionárias que podem concorrer contra Rolling Stones e Madonna em ambição e escala. Nesta primavera ela começa a turnê de divulgação do Red, com 63 performances na América do Norte. Mais datas foram esgotadas logo que apresentadas.

Vestindo um suéter azul-marinho de bolinhas e um gorro cor de vinho, a cantora de 23 anos senta-se ao banquete de costas para a janela, negando fotos aos paparazzi. Enquanto passa manteiga em um pedaço de pão, ela educadamente explica porque não gosta de partilhar detalhes de seu encontro comigo, assim como [não gostaria de compartilhar o encontro] com um estranho em um shopping. “Quando uma pessoa apresenta algo – como humanos, pessoas reais –, eu sei que isso será comentado,” ela diz sobre seu termômetro de quão intensa é a fofoca. “Eu não sei qual impacto um pequeno blog tem, então eu não me importo com isso. Eu só me baseio em uma coisa: meus fãs virão até mim e perguntarão sobre?” Como na última noite, ela afirma que eles virão. Então o que Swift os responde? “Se eles forem legais e falarem comigo como se fossem um de meus amigos, então eu vou falar como eles como com um de meus amigos,” ela diz “Eu vou dizer qualquer coisa que sinta que devo dizer.”

Swift não é a primeira pop star a tratar a fama com intimidade, mas têm feito isto com poucos artifícios. Ao contrário de Lady Gaga, que mantêm uma relação parecida com seus “little monsters”, não há nenhum conceito em alta com Swift. “O que você tem que entender sobre Taylor Swift é que ela não faz nada para ninguém além de seus fãs,” diz sua boa amiga Selena Gomez. “Sua música é seu diário – seu caminho de se abrir e ter garotas associadas a si. Ela não se preocupa com a parte negativa: a mídia e a atenção. Ela não é essa. Ela está aqui genuinamente para mostrar o que tem que mostrar.”

Swift não precisa de muito para mostrar a seus fãs que é uma deles, porque ela é. Sem o jato privado, as inúmeras residências e a habilidade erudita para compor, Swift é criativamente beneficiada com a visão adolescente. Nem mesmo a fama pode te livrar das provações da maioridade: descobrir quem é, se apaixonar, sair do seu mundo íntimo, ter seu coração quebrado, quebrar corações, esquecer quem você é e ter que descobrir tudo isto de novo. Quando você é realmente jovem, você é abençoado e amaldiçoado com a certeza de que nada no mundo é mais importante que os seus sentimentos. Swift escreve sobre isto. Seus vídeos sobre mimar sua gatinha são sobre isto. E seu dom é perceber que não importa o quão velha fique, parte dela sempre retornará a isto. “Quem você está sendo estará impregnado em você por toda sua vida,” Swift diz. “Eu ainda sou de pele e osso, mas não quero parar de sentir. Às vezes eu acho que seria mais fácil construir muros e me esconder, mas no fim eu acho que é melhor sentir tudo.”

Música pop está totalmente ligada em vasta escala com ser mal compreendido. Antes de ser uma estrela gigante adorada por milhões, você deve primeiro entender que está totalmente sozinho. Os anos em que Taylor Swift não era conhecida foram breves, mas deixaram sua marca. “O ensino médio foi como ser semi insegura, tipo, o tempo todo,” Swift diz. “Eu não me encaixava.” A história é muito bem conhecida. Até sua adolescência, Swift viveu no subúrbio da Pensilvânia, um tanto enclausurada, distante de onde as garotas más floresciam. Swift, que se orgulha em ser “uma garota real” e não entende porque “garotas não confiam umas nas outras,” não foi adepta a política pré-adolescente. “Eu estava nesse ciclo de amizades na escola primária, mas então nós fomos para o ensino médio e eu fiquei sozinha,” ela lembra. “Mas eu sempre quis que me incluíssem de novo, então eu fiquei por fora do círculo, mas nunca estive dentro mesmo. Isto foi quando eu comecei a perceber que existia essa coisa chamada rejeição.” (A rejeição ainda a visita, durante os ensaios da turnê de Speak Now ela lidou com um término indo ao Pinterest e lendo às citações ‘acredite em si mesmo’ todos os dias.)

Um resultado deste trauma de infância é que Swift tem uma parte oprimida. Em suas músicas, ela é espetada por hipsters orgulhosos com obsessão por indie rock que se consolam com gravações “muito melhores” que as dela. “Eu sou muito protetora com meus amigos,” Swift reconhece. “Se um amigo está triste, eu fico chateada com isto. Como, quando eles passam por uma situação de término muito difícil, eu fico brava por isso.” Isso se mostra em forte contraste quando Swift passa por um difícil término [que seja seu]. “Eu não acho que eu fique tão brava diante de um ex-namorado. Mesmo. Eu não fico,” ela confessa. “Eu não sou possessiva. Se algo acabou, acabou. Não há nada que precise mesmo ser dito. Mas com meus amigos, se eles ligarem e desabafarem por horas, eu estarei no telefone por três horas, e no final disto nós provavelmente nos sentiremos melhor.”

A indignação de Swift por outras pessoas tem cultivado nela um verdadeiro gosto por vingança. Suas músicas – e não somente as que tratam de ex-namorados – podem ser deliciosamente cortantes. “Ela não é uma santa/ E ela não é o que você pensa/ Ela é uma atriz, whoa/ Ela é mais conhecida/ Pelas coisas que faz/ No colchão,” Swift naja em uma faixa do Speak Now, “Better Than Revenge,” que há rumores ser sobre a atriz Camilla Belle, com quem Joe Jonas saiu depois de Swift. E ela nem se baseou nas formas mais básicas de schadenfreude [palavra alemã que se refere a pratica de quem sente prazer na desgraça dos outros]. Eu pergunto a ela a última coisa que a fez dar risada e ela praticamente pula de sua cadeira, os olhos brilhantes. “Oh!” ela exclama. “O paparazzi tropeçou lá fora enquanto eu estava entrando.” Ela dá um pequeno grunhido satisfeito. “Ele caiu totalmente. Isto foi mesmo ótimo. Eu ri tanto e eu não acho que isso faça de mim uma má pessoa.”

Mas como todos que tenham um rádio sabem, Swift preserva a maioria de suas eviscerações cirúrgicas para seus ex’s. Em seu primeiro álbum, há o garoto do colégio que a enganou (“Should’ve Said No”) e o outro que não a deixou dirigir sua caminhonete (“Picture to Burn”). Quando sua fama aumentou, a notoriedade de seus companheiros também, mas Swift não recuou. “Last Kiss” e “Forever & Always” tem sido consideradas sobre Joe Jonas. “Back to December,” Taylor Lautner. “We Are Never Ever Getting Back Together”, Jake Gyllenhaal. E sua música para o término com John Mayer? A sutilmente intitulada “Dear John”.

“Para mim, é apenas escrever músicas da forma que eu sempre fiz,” Swift insiste. “Sou eu sentada em minha cama sentindo dor. Eu não entendo e escrevendo uma música, me faz entender melhor. Se as pessoas querem desvendar a letra, isso é direito delas, mas tudo isso vem do exato lugar de onde eu comecei. É apenas uma coisa que eu faço para me sentir melhor.”

A insistência de Swift que ela mesma devia compartilhar os detalhes da sua vida me lembra de uma teoria sobre amor que foi falada por todos, desde o Buddha até Roland Barthes, mas que é particularmente bem articulada no filme de 2002 feito por Spike Jonze, Adaptation. O escritor depressivo Charlie lembra seu bem ajustado alter ego Donald, de um momento no ensino médio quando uma paixãozinha flertou com Donald, e depois, quando ele virou as costas, ela riu da cara dele com suas amigas. “Eu amava Sarah,” Donald dizia quando Charlie perguntou por que seus sentimentos não se feriram. “Era meu, aquele amor. Eu possuía-o. Até Sarah não tinha o direito de tirá-lo de mim… Você é o que você ama, não o que ama você” “É,” Swift fala, concordando, quando eu falo isso à ela. “É sobre emoção, não possessão.”

A ideia que celebridades são para os americanos o que a família real é para os ingleses –ou seja, representantes de uma vida ideal- é uma coisa bem estabelecida no jornalismo pop, mas é raramente tão forte quanto com Swift. Diferente de alguns de seus parceiros, que nos fascinam, mas a quem não realmente admiramos, a afeição por Swift está conectada com a sua imagem de uma jovem mulher graciosa. Em nenhum lugar isso fica tão claro quanto em respeito de sua vida romântica. Swift é constantemente fotografada em momentos de saudáveis namoros: no zoológico com Styles, na praia com Kennedy, passeando no idílico Brooklyn com Gyllenhaal. Tem algo de crescido e ao mesmo tempo casto sobre a mocidade de Swift, o que talvez seja o que atraia um gênero específico de homens (formais, bons com suas mães) que se alinham para sair com ela.

“Acabar de conhecer alguém? Isso é quase tão bom quanto dá pra ficar, não é?” Swift diz quando eu pergunto se se apaixonar é o sentimento favorito dela. E ainda, quando perguntada se ela já esteve apaixonada, ela fala, “Versões de paixão que não eram a paixão. Paixão misturada com amor excessivo. Paixão misturada com conforto, tipo, se assentar. Paixão misturada com um nível perigoso de jogos mentais. Paixão misturada com muita competição. Quando têm muitas emoções negativas, você sai do relacionamento e a poeira abaixa, você julga como algo além de paixão.” Ela pensa sobre e continua. “Além disso, eu preciso viver em um mundo que minha melhor paixão está a minha frente, não no meu passado.”

Você pode chamar Swift de louca por garotos, mas não são exatamente homens que deixam ela obcecada; é como eles o a fazem sentir. Nesse sentido, ela representa um tipo de feminismo, um que permite uma diferenciação entre querer ser resgatada e querer estar apaixonada. “Para mim, ‘sim’ sempre significou ‘sim’ e ‘talvez’ sempre significou ‘não’,” Swift explica. “Se alguém ainda está decidindo se quer ou não se comprometer a você em um relacionamento –de negócios, romântico ou uma amizade- então é um não.” Quando eu pergunto se ela namoraria alguém que está saindo com outras pessoas, ela é enfática: “Não, e você também não namoraria!” Ela exclama. “Eu namoro se sei que está indo para algum lugar.” Ela se diverte ironicamente com o que ela considera a melhor narrativa dela feita pela imprensa. “Eu tenho certeza de que se eu olhar os últimos rumores do Google Alerts, vai falar que eu estou perseguindo alguém que não gosta tanto de mim quanto eu gosto dele –as pessoas amam esse ângulo em mim,” Ela fala. “Eles ficam tipo ‘Oh Taylor, atacando fortemente de novo, correndo atrás de garotos”. Os famosos olhos felinos dela se estreitam. “Eu nunca persigo garotos.” Por que não? Eu pergunto. “Eles não gostam!”.

Esse tipo de pensamento de ‘Regras Femininas’ é geralmente rejeitado por ser antiquado, uma lembrança desagradável do que as mulheres tinham que fazer para capturar um homem numa era que uma mulher solteira não conseguia alugar um apartamento. Hoje em dia, ao invés disso você ouve a supostamente poderosa frase “Eu não faço jogos.” Parece durona, mas é muito petulante. A abordagem de Swift –que essencialmente defende o direito de ser persuadida e gostar disso –na verdade requer mais responsabilidade emocional. Ela está dizendo: “Eu admito, me importo, mas eu não vou deixar você me tratar feito lixo.

Eu proponho um dilema: Digamos que eu goste de um cara que eu sei que não posso mandar mensagem para mas eu quero muito –o que ela sugeriria? “O que o seu instinto está falando? Essa é a primeira pergunta que eu faria,” ela diz. “Porque geralmente o que você quer fazer é o que você deve fazer. Mesmo se o caminho que você está tomando é como um navio afundando. Se você quer estar naquele navio afundando, você tem que segui-lo até o fundo do oceano, até o final de tudo, até você não querer estar mais nele.” A filosofia, eu digo à ela, parece conflitar com aquela expressa na devastadora balada “I Almost Do”, que é, de fato, sobre não ligar para seu ex, mesmo que você queira muito. O refrão: “É muito difícil para mim não te ligar/ E eu queria poder correr para você/ E eu espero que você saiba que/ Toda vez que eu não faço isso, eu quase faço.” Swift me olha como se eu simplesmente não entendesse. “Sim, mas naquela situação, o sentimento predominate era ‘Eu não quero estar com ele,’” Swift explica. “Se fosse tipo 60 por cento ‘Eu quero estar com essa pessoa’, eu faria a chamada.” Ou seja: O coração dela está no comando, não o dele.

No documentário de 2005 do Bob Dylan feito por Martin Scorsese, No Direction Home, Dylan lembra de sua versão jovem falando “Eu nasci muito longe de onde eu deveria estar, então eu estou no meu caminho para casa.” Apesar de Dylan e Swift terem poucas coisas em comum explicitamente (amor por Wayfarers, o cabelo naturalmente cacheado), esse senso de vida e arte de voltar para onde você realmente se encaixa é conjunto. Swift vem tentando desde que era uma garotinha sair do lugar que ela nasceu –que tinha os executivos relutantes de gravadoras e os capitães de futebol esquecidos – e chegar em casa. Mesmo antes de ela atingir a puberdade, ela mostrou presciência e auto-possessão sob sua carreira. Sua família inteira se mudou porque ela sabia que precisava estar em Nashville. Nos seus primeiros anos como adolescente, ela saiu da RCA, uma das mais prestigiadas gravadoras da música country, porque ela sentiu que estava pronta para lançar um CD com material original e a companhia não concordava. Sua determinação valeu a pena. Ela conseguiu o contrato. Os prêmios do Grammy. Seu apartamento em Nashville, onde ela faz festas de artesanato e seus convidados escrevem “frases ou arrependimentos ou erros” em molduras de fotos feitas por ela, Gomez me fala. Swift ainda se estressa com os detalhes de sua carreira –na outra noite, ela teve um sonho em que “haviam todos esses peixes dourados se mexendo no chão, e eu só tinha um copo d’água, então eu só podia salvar um deles,” o que ela acha que tem a ver com a pressão que ela sente de se conectar com cada um de seus fãs –mas no geral ela não tem mais preocupações como ela tinha há um ou dois anos, que ela acabaria “um clarão na panela.”
O sinal real que ela está indo para o caminho que ela precisa estar, apesar disso, é o fato que ela parou de planejar como chegar lá. “Eu não sei,” ela devaneia quando pergunto se ela quer fazer música em 10 anos. “Se isso começar a ser algo que não se ajuste em mim, eu vou saber quando sair, espero. Eu não quero acabar tão viciada no som de uma plateia barulhenta que eu tenha que ficar nos palcos por mais tempo que eu deveria. Eu amo isso demais, mas se os fãs não me amarem fazendo nos próximos 10 anos, 15 anos, então eu gosto de pensar que eu vou saber quando me afastar graciosamente.” Ela pausa, toma um longo gole do seu chá Earl Grey. “Mas por outro lado, eu poderia fazer isso com 70 anos. Você olhe para minha mãe. Ela estava apaixonada pela sua carreira. Ela viajava para todos os lugares, e ela jurou que trabalharia e teria um bebê e me trazer junto. Mas no segundo que ela me viu, ela tirou férias por duas semanas. Eu sempre fico orgulhosa disso: ‘Minha mãe desistiu por mim, eu me sinto muito especial.’ Talvez isso aconteça comigo. Talvez não. Nunca se sabe. Nesse momento, eu estou certa que a incerteza me faz feliz.”

Nós terminamos o almoço, e eu estou esperando por Swift fora do banheiro. Uma mulher de vinte e poucos anos, bem vestida, tenta abrir a porta e logo após Swift sai. “Oh, oi,” a mulher diz quando se vê na frente de todo o corpo esbelto de 1,80m de Swift. “Oi,”, ela responde, sorrindo. Swift retocou sua maquiagem e ajustou o ângulo do seu gorro de lã. “Você está pronta para ver minha cara ‘sem expressão’?” ela me pergunta, apontando para os vários fotógrafos esperando lá fora. Os 10 passos que nós damos da porta do restaurante até o SUV preto de Swift parecem um pouco como andar em uma prancha. Aninhada em segurança no banco de trás do carro, ela continua. “Eu geralmente só faço essa cara quando eu estou sozinha, ou eu abaixo minha cabeça.” Por quê? Eu pergunto. “Para eles não pegarem uma foto boa.” Ela pausa e pensa um pouco. “Acho que também porque eu tenho medo.”

Tradução e Adaptação: Daniel Dami e Lívia Corrêa – Equipe Taylor Swift Brasil & Portal Swift





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