A cantora Imogen Heap foi apontada por Taylor como a “colaboração dos sonhos” dela antes mesmo que o “1989” começasse a ser produzido. Sonho que foi realizado em fevereiro deste ano quando, em Londres para os shows da Red Tour, Taylor foi até a casa de Imogen com a ideia de uma música que viria a ser “Clean”, responsável por encerrar o mais novo álbum da cantora. E, agora, Imogen – que já ganhou 2 Grammys – falou, em um post no seu site oficial, como foi trabalhar com Taylor.

Um dia com Taylor

Alguns dias, as coisas dão certo. Você está “preparada”. Tem uma fluidez. Quase mágica. É o que aconteceu em 9 de fevereiro de 2014, o dia que Taylor e eu nos conhecemos.

Alguns dias antes, eu estava na Islândia tirando fotos promocionais para o meu mais novo álbum, Sparks, com Jeremy Cowart.

Michael (meu amigo, o amor da minha vida) e eu também aproveitamos para tirar uma pequena folga neste país mágico, no qual nós não somente vimos as luzes do norte, mas também tivemos a surpresa de encomendar um bebê! Oito meses e meio depois, o novo álbum de Taylor está prestes a ser lançado e também essa pessoa que está em minha barriga… calma… isso foi uma contração?

De qualquer forma… Me distrai… então, eu recebi uma ligação dizendo que Taylor Swift estava em Londres, ela adoraria trabalhar comigo e o único dia que ela poderia (entre 4 shows esgotados no O2 Arena!) seria no dia seguinte que nós voltaríamos, domingo. Ao mesmo tempo que foi inesperado, não foi porque eu tinha ouvido que Taylor era uma fã há um tempinho em um artigo da revista Time, mas de alguma maneira eu não imaginava que isso realmente aconteceria. Eu amo colaborar e produzir para outros artistas e eu estava querendo muito voltar para o estúdio para alguma coisa completamente diferente depois da maratona que foi Sparks também… além disso, você não diz não para Taylor Swift, diria?

Então, Michael e eu chegamos, ele foi gravar um filme naquela semana e eu limpei o meu estúdio em preparação para meu dia com Taylor.

Agora… Eu tava meio cansada depois de viajar e tudo foi bem surreal, então talvez eu tenha sonhado isso, mas é como eu me lembro.

Taylor chegou aqui mais ou menos meio dia e nós cumprimentamos com o que parecia apropriado, um grande abraço. Eu meio que esperava uma estrela tão grande ter uma equipe enorme mas fiquei satisfeita quando descobri que seria só Taylor e eu. Com o violão na mão, essa mulher alta, impecável, relaxada e amigável (que, de cabeça, estava de saltos enormes) entra e nós vamos para a cozinha para a xícara de chá inglês obrigatório. Começamos a conversar.

Está frio em fevereiro aqui nessa velha casa, então nós acendemos a lareira da sala e continuamos lá. Taylor pegou o seu violão, dizendo que tinha uma ideia de música e que seu eu gostasse, talvez nós poderíamos trabalhar neles. Ótimo! Eu pensei… um começo. Porque sem um começo, você tem que conjurar uma do nada e nós tínhamos pouquíssimo tempo.

Taylor tocou e cantou um primeiro verso e um refrão. Já me parecia muito boa, então eu sugeri que fossemos direto para o estúdio e eu começaria a colocar uns sons ali. Talvez poderíamos criar uma demo para terminar um pouco depois?

Fiz uma sessão no Pro-Tools, programamos o tempo que achamos que se encaixaria bem com o que ela cantou na sala e eu comecei a gravar barulhos. Eu realmente quis colocar só uma linha de baixo simples que seguiria com os acordes que estaria bom. Quente, flexível e um pouco suave. Isso e uma batida breve criaram a espinha dorsal para que eu construísse com alguns instrumentos na minha “sala de brinquedos”. Por alguma razão, eu me aproximei primeiro da minha coleção de BoomWhackers (um som legal de percussão). Taylor gostou deles e eles foram incluídos. Então, um pouco das minhas confiáveis mbira. Um instrumento com um som tão exuberante e que com só um pouco você já pode trazer um brilho para a música sem que ela se torne brega.

Todos os sons que acabaram na música foram antecedidos por sons de prazer de Taylor. Isso era o que indicava que ela estava feliz e que eu deveria seguir para o próximo som ou parte.

Eu já trabalhei com alguns produtores bem exagerados (quando eu tinha 17-20 anos), o que eu odiava. Com essas experiencias, é muito importante que eles concordem comigo em todas as decisões. Nós estamos juntos. Isso talvez possa parecer óbvio mas existem muitos artistas que são pisados por produtores e isso talvez esteja ok para eles, mas eu não suporto isso e não quero fazer isso com ninguém. De qualquer maneira… algo que diz, Taylor não deixaria isso acontecer em um milhão de anos.

Eu estava editando e mixando os poucos, neste meio tempo Taylor tinha escrito o segundo verso! Meninas trabalhadoras! Trabalho em equipe! Era hora do almoço.

Eu tenho que ser honesta aqui e dizer que não tinha feito minha lição de casa sobre Taylor Swift, mas eu tinha feito o que eu ODEIO que os outros façam comigo, que é pré-julgar alguém baseado em suposições. Eu pensava que Taylor não escrevia muito de suas músicas (como é o caso de muitos artistas jovens e extremamente famosos atualmente que vendem muitos discos) e eu provavelmente fui criada por uma gangue de executivos da música, tabelas e fórmulas que estão envelhecendo. O quanto errada eu estava? Totalmente informada desde jovem (eu não tinha a minima ideia o que uma gravadora de publicações era aos 14 anos, quanto menos mudar minha família inteira para Nashville para que eu pudesse seguir uma carreira de cantora/compositora!), totalmente decidida, trabalhadora, realmente talentosa e uma alma genuinamente amável, com alguns problemas com meninos a mais que a maioria, mas você não pode acertar o tempo todo!

Então… o almoço foi divertido e agora de volta ao estúdio. Nós ainda precisamos da sessão do meio. Eu queria deixar ela mais crua, cheia de sentimentos. Então nós tentamos algumas coisas. Uma delas me levou até o teclado para sugerir uma progressão de acordes meio “deslocado”, já que eu gosto disso nos meus discos. Eu toquei para Taylor e ela claramente disse “Acho que nós vamos perdê-los nesse ponto” e eu disse… “Wow… é por isso que você vende milhões de álbuns e eu não!” Ela é Taylor Swift e ela sabe bem, então mantemos os acordes, eu criei um pouco de tensão na música ao invés e então nós poderíamos alavancar o refrão final dali. Aprendi essa lição de novo, deixe simples. Eu só nunca lembro disso!

Taylor, sabendo o que ela quer de novo, queria uns backingvocals de Heap, então eu coloquei ela pra cantar primeiro a sua letra e melodia (da qual ela escreveu quase tudo sozinha)… o que ela fez em algumas tentativas (e o que você ouve no álbum) e eu cantei várias harmonias, texturas, cantos rítmicos ao estilo de Heap, que ela amou.

Então nós tivemos um jantar rápido, voltamos ao estúdio e eu gravei o que nós tínhamos gravado naquele dia em um arquivo estéreo para ela levar consigo.

Taylor foi embora por volta das oito da noite, e nós tínhamos feito a demo de uma música inteira, começando do nada, enquanto ainda conseguimos almoçar, jantar e conversar! Bem incrível. Algumas vezes fluí como um sonho! O que foi o que tudo pareceu depois que ela entrou no carro para voltar para Londres.

Aqui está o que ela me escreveu em um e-mail naquela noite. Tenho certeza que ela não se importará se eu compartilhar:

“Imogen,

Eu escutei Clean várias vezes e não posso te agradecer o suficiente por hoje. Foi um dos maiores momentos musicais da minha vida te ver trabalhar. Essa será uma música muito especial no meu álbum e estou muito feliz que isso deu certo. Espero te ver em um show e, se não, eu irei visitar na próxima vez que estiver por aqui!

Taylor!”

Eu estava tão animada com tudo isso, que trabalhei até as 4 da manhã, cantando mais suportes vocais (a minha favorita é a frase “and then the” bem alta), aperfeiçoando sons aqui e ali e então mandei para Taylor (esperando que eu não tivesse exagerado muuuito) para o que ela respondeu…

“ESSA VERSÃO É INCRÍVEL! Estou apaixonada com todas as partes vocais que você adicionou. Estou ouvindo no repeat!! Essa música é surreal. Muito bom!”

Então aqui estamos! Estava muito feliz com a vida depois mas ter que manter isso quieto foi torturante mas a surpresa era Taylor que deveria compartilhar. Eu gostei tanto de toda essa experiência e me deu uma nova energia por ter trabalhado com essa mega mulher, uma força da natureza. Eu não posso a agradecer o suficiente por ter acreditado em mim (eu não sou exatamente um Max Martin, você sabe!) e estou tão feliz que a música acabou no álbum (e ter a sorte de ser a última faixa, porque é um lugar especial) porque eu amo ela e sera muito triste de vê-la ser “colocada na prateleira” (como aconteceu com algumas colaborações que eu já fiz!).

Eu fui vê-la tocar ao vivo no O2 na noite seguinte com alguns amigos. Ela foi completamente brilhante e todos adoramos ela. Aqui está uma foto que foi tirada depois do show.

Eu quis compartilhar esta experiência, porque foi uma especial. Eu também tenho lido a algumas notícias ou tweets aqui e ali que dizem que o motivo pelo qual as letras de “Clean” são tão boas é porque eu escrevi essa música com ela mas COM CERTEZA elas são totalmente dela e ela merece todo o crédito!

Então parabéns para você Taylor (se você estiver lendo isso) no lançamento do 1989. Eu espero que seja um enorme sucesso (já parece que é) e te traga muita felicidade. Eu espero pela notícia de um cara que te tenha conquistado e para te apresentar para a nossa menina/menino na próxima vez que você estiver na cidade e querer tomar um chá no interior da Inglaterra! Nós saberemos a qualquer dia agora! Muito obrigada por tudo.

Prestes a ser, mama Heap.

xxx

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