24 de julho de 20 Autor: Maria Eloisa Barbosa
Review: Um álbum cintilante com uma elegante poesia

Até esta semana, Taylor Swift sempre havia executado grandes campanhas para seus álbuns, com todo um planejamento meticuloso. As pistas eram colocadas com meses de antecedência; havia ester eggs, enigmas com figuras e referências nas mídias sociais. Para o seu oitavo álbum, anunciado com menos de 24 horas antes do lançamento, tudo isso foi esquecido. Esse é um álbum não convencional – pelo menos para a maior estrela pop do mundo. Mas também é brilhante.

O álbum de Swift de 2019, Lover, foi um retorno às suas composições românticas e exuberantes. Aquelas canções eram visões da primavera em tons rosa pastel e roxo, após as tempestades de inverno que a arruinaram em Reputation. O Folklore, então, é a dor quente do final do verão, em que a paixão e a nostalgia se sobressaem; o cheiro de fumaça de madeira e vinho tinto paira no ar. Escrito e gravado no isolamento, inclui colaborações com os “heróis musicais” de Swift – Aaron Dessner do The National, Bon Iver, e seu frequente e conhecido parceiro de composição e co-produtor Jack Antonoff. Não há explosões pop aqui, apenas uma elegante poesia estruturada no piano.

Existem personagens que Swift nunca apresentou antes. Alguns parecem ser fictícios; outros são inspirados em membros da família; algumas são pessoas que Swift desejava nunca ter conhecido. As músicas do Folklore preocupam-se menos com os primeiros versos e mais com os pequenos detalhes. “Eu tenho esse sonho / você está se divertindo muito”, Swift canta em ” The 1″. “Tendo aventuras por conta própria / Você conhece uma mulher na internet / E a leva para casa.”

“Cardigan” continua com o que foi abordado em Reputation, principalmente em “Call It What You Want”. Assustada pelos constantes olhares em sua vida pessoal, Swift está muito feliz por ter encontrado alguém que não se importa com seu passado. Os acordes marcantes fazem uma referência divertida a “Light Years” do The National, enquanto a saudade de Swift no refrão lembra “Young and Beautiful” de Lana Del Rey. Os registros de Justin Vernon contrastam perfeitamente com suas entonações etéreas em “Exile”. O tipo vingativo de Swift aparece em “Mad Woman”, principalmente com o uso inicial da palavra “fuck” na música. Ao contrário de “Look What You Made Me Do”, porém, sua raiva agora não parece tão frágil – ela é uma bruxa de Macbeth, traçando destinos, enquanto homens poderosos provam ser seus piores inimigos.

“Mirrorball”, escrita com Antonoff, é uma de suas melhores colaborações – é desinibida, sonhadora e cintilante. O instrumental vai aparecendo como o surgimento das ondas antes que batam contra a costa. Swift sempre teve um talento especial para descrever comportamentos secretos com detalhes elegantes – em Folklore, ela se superou. “Olhe para essa estúpida idiota que você me fez”, ela se desespera em “Illicit Affairs”. “Você me ensinou uma língua secreta que não posso falar com mais ninguém / e você sabe muito bem / por você eu me arruinaria.” Indiscutivelmente, a música mais comovente do álbum é “Seven” – com o violino e violão – prestando homenagem às amizades eternas da infância.

Antes deste ano”, escreveu Swift no Instagram, “provavelmente pensaria demais em lançar música no momento” perfeito”, mas os momentos em que vivemos continuam me lembrando que nada é garantido. Meu instinto está me dizendo que, se você faz algo que ama, deve divulgá-lo ao mundo”. Talvez não houvesse um momento perfeito para lançar o Folklore. Mas é um álbum quase perfeito.

4 estrelas

Resenha publicada pelo Independent e traduzida pela Equipe TSBR.





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