26 de agosto de 19 Autor: Taylor Swift Brasil
Entertainment Weekly: Como o Lover turva o pessoal com o promocional

Quando você é uma artista que vende milhões como Taylor Swift, cada passo que você dá é analisado. Como uma das primeiras estrelas do pop a crescer totalmente na era das mídias sociais e seu looping infinito de opiniões no complexo de celebridade-industrial, Swift sempre esteve ciente disso. 

Na maior parte de sua carreira, seus álbuns – em som e em embalagem – tiveram um equilíbrio entre grandes gestos e declarações pessoais. Por exemplo, seus posts no Instagram logo depois de finalizar seu novo álbum, Lover. A mudança de tom de fotos do atrás das câmeras de Cats e de seus gatos, para fotos de palmeiras e cercas em tonalidades pastel significavam que algo estava vindo. O que aquele “algo” acabou sendo foi alimento para os fãs de Swift, que colocaram seus chapéus de detetive para entender as pistas da gama de temas de cada foto, e para a mídia, em busca de novidades sobre um dos maiores nomes da música.

O post no Tumblr onde Swift revelou seus sentimentos sobre o empresário Scooter Braun ter comprado sua antiga gravadora Big Machine Records (o que inclui todo o seu catálogo de músicas) é outro exemplo de como ela se abre em uma enorme escala. Publicado no final de Junho, o post, com descrições detalhadas de o que Swift via como ofensas vindas de Braun, junto com sua finalização triste, foi tão bem construído quanto as melhores músicas de Swift: pessoal e efervescente, cada palavra escolhida meticulosamente. Causou reação não apenas de seus ouvintes devotos, mas também mares de manchetes e posts mostrando apoio vindo de outros A-listers, como a tocha do pop Halsey e a cantora country Kelsea Ballerini.

Em meio a todas as fotos de gatos, imagens artísticas inteligentemente enquadradas, chamadas de apoio ao GLAAD e candidatos Democratas, Swift tem continuamente cultivado uma relação online próxima com seus fãs mais fiéis – aqueles que têm a palavra “swiftie” nos usernames, ou são convidados para sua “secret session”. Ser uma super estrela, teoricamente, não deixaria muito tempo para passar olhando o Tumblr, mas Swift rola pelo seu por tempo suficiente para que “#taylorliked” e “#taylurking” entrem nos Trending Topics. 

Porém, dissecar seus passos públicos no contexto do que o Lover (seu sétimo álbum) possa ser é um conceito complicado, principalmente porque “sinceridade” e pop sempre foram companheiros peculiares. Uma vez que uma música é posta à venda, sua noção de ser totalmente pessoal se torna complicada; adicione departamentos de marketing e associações de corporações na mistura, e você está piorando a situação. Isso é real para artistas às margens do Bandcamp, tanto quanto é real para artistas que fazem shows no Good Morning America, apesar do último ser colocado sob o microscópio com mais frequência.

Isso tem mudado nos últimos anos, no entanto, por causa do crescimento das redes sociais como um lugar não apenas para pessoas manterem contato com velhos amigos, mas para companhias promoverem seus produtos, tornando a ideia da personalidade como performance totalmente clara. Um personagem online sendo visto separadamente do caráter “real” de uma pessoa define se você é um compositor banhado a platina, ou alguém com cinco seguidores, sendo quatro bots: Você está selecionando partes de si mesmo para mostrar para o mundo. Consequentemente, todo mundo está fazendo um teatro. Swift, como uma filha da era do “compartilhar tudo” (ela fez 10 anos em 1999, o ano que a plataforma LiveJournal foi apresentada), está profundamente ciente disso – e seus fãs também estão. 

A realização da promo do Lover nas redes sociais é um grande alívio comparado com o frio prólogo de seu álbum de 2017, Reputation, que foi apresentado por posts de cobras no Instagram e clipes com grande orçamento e cores escuras. Apesar de aquele álbum na verdade ter uma carga bem mais leve do que os dois primeiros singles (“Look What You Made Me Do” e “…Ready for It?”) mostravam, ele ainda tinha um tom de provocação. Lover, por outro lado, tem sido todo sobre fazer as pazes e ser gentil consigo mesma – até mesmo a suave e autoflagelante “The Archer”, tem um certo ar de perdão. Se sentir confortável em sua própria pele e se abrir para gentileza está presente nas letras recentes de Swift e lives no Instagram com fãs – e também foi parte importante de sua matéria da Elle em Março, sobre as lições que ela aprendeu em seus primeiros 30 anos no planeta.

Talvez toda essa honestidade Swift parece estar adotando seja um efeito colateral de crescer; o protagonismo de Swift significa que ela está vivendo a vida-performada em uma escala maior do que as celebridades influentes do Instagram, mas colocar máscaras demais pode ser muito exigente. Claro, as manchetes de tablóides sobre sua rixa com Braun ou seu relacionamento com o ator Joe Alwyn podem chamar a atenção de curiosos, mais interessados em fofoca que em música. Mas essas notícias ofegantes não tocarão incessantemente nas rádios nem aparecerão nas playlists de “maiores hits de 2010” daqui a cinco ou 10 anos, enquanto as mais famosas do Lover devem conseguir.

Matéria originalmente publicado pelo Enternaiment Weekly e traduzida pela equipe TSBR.





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