01 de outubro de 20 Autor: Maria Eloisa Barbosa
Conheça a fotógrafa por trás da arte de “folklore”

Beth Garrabrant é apaixonada por tirar fotos desde a infância. Na época do ensino médio, ela conseguiu seu primeiro trabalho, fotografando os filhos de seu professor de ciências. Em pouco tempo, ela estava limpando a câmara escura da escola em troca de um pouco mais de impressão de fotos.

Essa mesma devoção continuou durante todo o período de faculdade. Mas, formar-se durante uma crise financeira significava que ter uma carreira como fotógrafa era quase impossível, e em vez disso, ela começou a trabalhar como editora de fotos. “Eu não era a mais organizada”, diz ela, “mas conheci fotógrafos e amigos que continuaram a me inspirar, então sou grata por esse desvio”.

Depois de retornar ao ramo, em tempo integral, hoje Beth interliga o trabalho que ela faz com seus anos de formação dentro e fora da sala escura do colégio. Suas fotos se focam na América e nos jovens americanos. Suas cobaias, geralmente adolescentes e pré-adolescentes, brincam de se fantasiar com vestidos de baile, vão para o refeitório e comem lanches no sofá. É um mundo com o qual estamos familiarizados, mas as imagens de Beth exibem uma afinidade e respeito que destacam os espaços que ela deixa em segundo plano além do que é capturado convencionalmente. Como Beth conta, ela consegue isso celebrando sua própria infância.

Talvez seja apropriado dizer, então, que ela tenha crescido vivendo na mesma rua que um diretor experiente na captura da adolescência americana. “John Hughes morava na mesma rua. A cidade imaginária de Shermer, IL, onde a maioria de seus filmes se passa, é baseada no subúrbio onde eu cresci”, diz ela. 

No entanto, Beth estará agora ligada a um ícone diferente da cultura pop. Escolhida por Taylor Swift, ela filmou a arte do álbum mais popular da quarentena, o folklore. 

“Um suéter lançado por capricho no calor azul desse verão solitário”, de acordo com a Pitchfork, o Folklore foi a surpresa que ninguém, nem mesmo Taylor, previu. Anunciado via Instagram com as imagens de Beth colocadas em formação de grade, o álbum passou cinco semanas na posição número 1 da Billboard 100 e, quase dois meses depois, os fãs continuam a inundar as mídias sociais com suas interpretações das fotos em preto e branco.

Suas fotos parecem conversar com seu ambiente, mas quem são algumas de suas influências fotográficas?

Tarrah Krajnak foi minha professora na Universidade de Notre Dame[Indiana], e tanto seu trabalho e suas aulas foram uma ótima influência, particularmente o uso dela de processos alternativos e a exploração de sua história pessoal. Outras influências de muito tempo incluem Esther Kroon, Emmet Gowin, e Rineke Dijkstra. Algumas influências mais recentes são três artistas texanos no topo da minha lista: Kennedi Carter, Rahim Fortune, and Adraint Bereal.

Você cresceu em Connecticut e Illinois. Como esses lugares moldaram seu trabalho?

É a continuação de uma série que eu comecei no Ensino Médio depois de uma amiga próxima falecer repentinamente. Eu tenho recriado, memorizado e arquivando minha experiência de infância. Por agora, eu me afastei dos retratos de menina e estou me focando mais na montagem dessa experiência. A cidade que morávamos em Illinois era bem insular. Se eu tivesse que retratar aquele lugar em uma imagem eu poderia facilmente usar uma aquarela de tons pastéis igual as capas dos livros do The Baby-Sitters Club. Era bem tradicional, conservadora e contra mudança: placas neons não eram permitidas e até tentaram banir o McDonalds nos anos 90. Na série “Eerie, Indiana” tem um episódio no qual você descobre que a diabólica esposa Stepford, que morava na casa ao lado, está preservando seus filhos em tupperwares pra que eles continuem adolescentes para sempre. Eu fico fascinada com a extrema preservação que ocorre nos subúrbios. 

Hoje em dia você mora no Texas. O que te levou a mudar?

Eu estava trabalhando no Concurso de Miss Rodeo Texas em San Antonio quando a ideia nasceu, embora não tenho certeza de que posso considerar como uma ideia. Amo Nova Iorque, mas não conseguia poupar um centavo e sentia falta de ter um carro. Aconteceu de eu ir muito ao Texas a trabalho durante o ano, então meu marido e eu pensamos, tudo bem, Texas! O centro do Texas me lembra muito o centro oeste, menos o frio. 

Quando ficou sabendo que conseguiu o trabalho do folklore?

Eu estava no meu estúdio em Austin quando meu telefone tocou. Eu trabalho em uma antiga casa dos anos 40 que foi convertida em estúdios de arte, fica em uns 7 acres de terra, e eu estava dando uma volta pela propriedade com a cachorra dos vizinhos, Jolene, quando recebi a ligação. Uma semana depois eu estava em uma floresta com a Taylor.

Essa é a sua primeira capa de um álbum, certo?

Sim, essa é a primeira capa em que trabalhei. Eu já fotografei músicos antes mas nunca fiz parte do processo de um álbum, e certamente nunca poderia imaginar que o primeiro seria algo dessa magnitude.

Quais foram as suas referências para esse projeto?

Desde o início, Taylor tinha uma ideia bem clara do que ela queria para a parte visual do álbum. Nós pesquisamos por trabalhos Surrealistas, imagens que brincavam com a escala humana na natureza… Também pesquisamos pelos primeiros autocromos (antigo processo de fotografia colorida), ambrótipos (fotografia em placas de vidro) e livros fotográficos de histórias dos anos 40.

A maioria dos seus trabalhos publicados são coloridos, mas você fotografou em preto e branco para ‘folklore’. Pode falar um pouco sobre isso?

Eu fiquei empolgada quando Taylor disse que imaginou a série de imagens em preto e branco e que estava ansiosa para que tudo fosse fotografado em filme. Desde que me mudei para o Texas, comecei a fotografar mais em preto e branco do que colorido. No início, foi porque não consegui encontrar uma câmara escura em cores no Texas e estava ansiosa demais para revelar as fotos. Há uma câmara escura fantástica em preto e branco em Austin, que pertence a um artista local; todo o filme de folklore foi revelado à mão naquela pequena sala escura.

O álbum foi lançado há muitas semanas e apenas recentemente deixou a primeira posição do chart da Billboard. Quais têm sido seus destaques pessoais desde que as imagens foram divulgadas?

Minha mãe me mandando emails toda orgulhosa cada vez que via fotos do ‘folklore’ na internet, no jornal, etc. Mas eu também amo ver os fãs de Taylor recriando as imagens.

Você pode visualizar o portfólio da fotógrafa clicando aqui.

Entrevista publicada pela Vice e traduzida pela Equipe TSBR.





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