21 de setembro de 15 Autor: Aline
Como Ryan Adams acabou fazendo o cover do “1989”

Ryan Adams é um cantor que, talvez, estivesse mais confortável fazendo covers de bandas como “The Smiths”. O cantor, que recentemente se divorciou da atriz Mandy Moore, revelou que tal episódio foi fundamental em sua, improvável, decisão de “reinventar” o mais recente álbum de Taylor. Em conversa com Brian Mansfield do USA Today, Adams disse que não estava em um momento feliz da sua vida quando ouviu o álbum de Taylor pela primeira vez e, um pouco depois, decidiu que seria interessante brincar com as músicas. O resultado foi um cover do álbum inteiro que acaba de ser lançado no iTunes.

Antes de Ryan Adams considerar fazer um cover de Taylor Swift, ele compôs uma música com ela.

Adams, que lançou um a versão de todas as faixas do fenômeno 1989 de Swift nesta segunda-feira, recebeu uma ligação de Swift enquanto ela escrevia músicas para o seu álbum de 2012, Red, perguntando se eles poderiam trabalhar juntos em uma música.

“Ela basicamente já tinha tudo pronto”, diz Adams um produtivo cantor e compositor que já foi indicado ao Grammy cinco vezes e que Swift já disse ter a ajudado a moldar seu estilo de compor. “Eu me sentei e disse: ‘E se tentarmos isso?’ e ‘E isso?’ trabalhamos em uma ponte e a terminamos. Acho que sou o cara que chamaria as pessoas que viriam na calada da noite para tocar”.

Swift nunca lançou aquela música, mas aquela sessão deu a Adams a oportunidade de ver de perto o processo criativo de uma das maiores estrelas do pop. Enquanto Adams acredita que os dois dividem um estilo parecido de composição — “Brinco que somos o clube do F ao A menor”, ele diz — ele também se impressiona com a habilidade dela em falar com grandes públicos assim como fala com indivíduos.

“Existe um ingrediente especial e muito interessante em que você ouve o esqueleto de uma música, só os seus ossos, e a voz dela e você pensa: ‘Bem, obviamente essa pessoas toca pra 60 mil pessoas’. É como no final de Duna, com Paul Atreides enfrentando a tempestade de areia e os olhos dele estão azuis graças a Spice Mélange (droga fictícia da série Duna). Isso é totalmente como eu vejo a Taylor”.

Adams, que tem 40 anos, tornou sua admiração por Swift pública em 2012 depois dela lançar We Are Never Ever Getting Back Together, postando no Twitter que “cada música dela é como aquela que você espera uma vida inteira para compor”.

Quando Swift lançou o 1989 no ano passado, uma semana antes de Adams completar 40 anos, ele levou a sua admiração para um outro patamar.

“Estava ouvindo sem parar ao 1989, e eu podia sentir que existia um tipo de dor ali”, ele diz. “Talvez só eu tenha o visto assim, mas eu escutava as letras e pensava: ‘Existe algo aí, e eu quero saber até onde vai'”.

Adams que já gravou covers de Alice in Chains, Oasis e Vampire Weekend, decidiu que ele tentaria fazer o álbum inteiro de Swift.

Ele começou a gravar em um dispositivo que grava 4 faixas em fita cassete feito nos anos 80, assim como Bruce Springsteen gravou Nebraska em 1982. Infelizmente, a máquina comeu a fita inteira dele após 4 músicas e destruiu aquelas versões para sempre.

“Antes que eu soubesse o que aconteceu, a fita se soltou lá dentro, a máquina a pegou e estava totalmente bagunçada”, ele diz.

Adams acabou saindo para a sua turnê logo em seguida e não pode recomeçar seu projeto durante meses.

Em agosto, Adams começou a postar fotos de novas sessões, dessa vez com uma banda completa usando equipamentos de calibragem precisa em seu estúdio em Los Angeles. Depois que Swift soube do projeto e twittou, “EU VOU DESMAIAR”, Adams passou a postar trechos de várias músicas do 1989, incluindo uma versão mais lenta de Bad Blood e um arranjo de Shake It Off em um tom abaixo, começando uma loucura entre os fãs dos dois artistas.

Durante as três semanas que Adams levou para gravar e mixar sua versão do 1989, ele e Swift estavam trocando mensagens nos bastidores. “Taylor falava: ‘Você vai divulgar isso? Porque você deveria'”, ele diz.

A versão de Swift para o 1989 — que vendeu mais de 5,2 milhões de cópias de acordo com a Nielsen SoundScan — é uma grande produção pop recheada de batidas. A visão de Adams, ao contrário, tem as pausas e a introspecção do indie-rock.

“Para mim, a geografia sônica desse álbum é uma combinação do The Meat Is Murder do The Smiths com o Darksness on the Edge of Town do Springsteen”, Adams diz. “É como eu o senti: misterioso e romântico, mas, ao mesmo tempo, pensativo com algumas arestas afiadas e muita neblina, muita chuva. Eu sentia todas essas coisas dentro de mim quando eu pensava em suas músicas e letras. Eu conseguia sentir elas querendo se manifestar nos arranjos”.

Então Wildest Dreams se transforma em um rock de guitarras barulhentas e Out of the Woods se torna uma valsa com a participação de um harmônio Estey antigo. Welcome to New York ecoa Springsteen, e as guitarras Fender Stratocaster de Adams em I Know Places soam como algo que saiu de um filme de faroeste antigo. Ao diminuir o instrumental de Blank Space e omitir o verso sobre transformar caras maus em bons por um final de semana, Adms também remove o humor negro da música, a transformando em um apelo de tristeza quase que predestinada.

Se o 1989 era uma versão dos shoppings dos anos 80, Swift e Adams estariam passeando por setores diferentes. “Me lembro pensar que estávamos entrando pelo lado da JC Penney, em que se encontravam o fliperama e a loja de discos”, diz Adams.

Ao enfatizar o aspecto mais triste das músicas de Swift, o 1989 de Adams se parece com um álbum sobre o término de um relacionamento, muito mais do que a versão de Swift. “Creio que exista algo disso lá”, diz Adams, que pediu divórcio da atriz e cantora Mandy Moore no começo desse ano. Mesmo que ele diga que o final de seu casamento após quase seis anos tenha um peso maior nas músicas que ele compôs para os álbuns que gravou antes do 1989, mas que serão lançados depois, “existe um pouco de energia residual disso nessa gravação, definitivamente”.

Mais do que isso, entretanto, Adams achou o projeto do 1989 catártico. “Sou um cantor e compositor que estou me aprofundando no trabalho de alguém, o que foi bem liberador”, ele diz. “Tinha tanta coisa na minha cabeça e muita coisa no meu coração e na minha alma que, bizarramente, cantar as músicas dela, eu pude soltar um pouco mais do que soltei nas minhas coisas ultimamente. De alguma forma, isso me permitiu falar coisas que eu realmente precisava falar e que eu nem sabia que precisava”.

Para completar, ele diz, “parece que eu dei um presente legal para alguém: ‘Hey, aqui estão suas músicas por uma outra perspectiva’. Isso é bom para todo mundo. Isso é totalmente o que a música é”.

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