LOS ANGELES, CA – OCTOBER 09: Taylor Swift attends the 2018 American Music Awards at Microsoft Theater on October 9, 2018 in Los Angeles, California. (Photo by Emma McIntyre/Getty Images For dcp)

Aqueles que criticam Taylor Swift geralmente focam na sua vibe temática adolescente. Ela tira proveito de seus romances fracassados por meio de músicas cativantes, esquemas de rimas simples e uma variedade de tramas baseadas em vingança e autorrealização, semelhantes a uma crise anterior aos 25 anos (a qual ela deve ter passado há muito tempo). No entanto, Taylor Swift é realmente uma compositora melhor do que ela deixa transparecer? Há alguma prova de que sua compreensão sobre o idioma inglês – e estratégias retóricas – vai além do “she wears short shirts, I wear t-shirts”? (trecho de You Belong With Me)

Quando analisamos a ascensão de Taylor Swift ao estrelato, você deve levar em conta o fato de que ela era bem nova quando começou a crescer; assim, alguns de seus primeiros sucessos são de natureza adolescente (direcionados a jovens adolescentes), enquanto ela mesma está inserida nessa parcela de pessoas.

De “You Belong With Me” até “Shake It Off”, “Love Story” e “Fifteen” várias “Taylors” pintam essa narrativa – usando as bem conhecidas alusões a Romeu e Julieta ou representações estereotipadas de panelinhas do ensino médio – sem ilustrar a profundidade emocional inerente à experiência de forma exploratória ou pensativa. No entanto, esse costuma ser o caso dos grandes sucessos da artista – uma indicação de que Swift conhece seu público. Porém, suas outras faixas que não foram singles – e seu trabalho fora da carreira pop – destacam sua capacidade de explorar um estilo diferente. Ela pode oferecer uma abordagem linguística diferente – até às vezes provando uma compreensão do lirismo mais clássico.

Vamos dar uma olhada em “Clean”

A música de Taylor Swift, “Clean”, é de seu álbum 1989 e mergulha no que significa a morte de um amor – um relacionamento desmoronando… não com um estrondo, mas com um sussurro. O amor dele “permanece todo nela como um vestido manchado de vinho que ela não pode mais usar” e apesar dela se sentir como se tivesse se afogando quando chega perto de um fim, o fim é o que permite ela respirar – para entrar novamente em um mundo melhor.

Ela está brava mas “limpa”: limpa da dor, limpa da luta, limpa do momento duradouro da sua vida. Ela compara esse fim a um final de dependência de drogas, fazendo uma analogia clara, sem nunca ir muito longe, para evitar uma representação banal.

Taylor Swift uma vez explicou que essa música é sobre “estar saindo de um relacionamento, ou tentando se afastar de alguma luta que você teve na sua vida, e se sentindo meio manchado por isso”, como está escrito no SongFacts. A música é pesada, mas não exagerada ou melodramática; é real sem ser afrontosa ou lamentável. É madura.

“The Moment I Knew:” Quando a transparência encontra as entrelinhas

Ao contrário de “Clean”, “The Moment I Knew” é um pouco mais na superfície, mais transparente, mas transparência não necessariamente significa fraca. Transparência, quando combinada com uma forte e emocional mensagem subentendida, é bem poderosa. Swift equilibra muito bem os dois nessa música: entrelinhas e transparência.

A história é bem por aí: seu namorado não comparece a sua festa de aniversário, porém, em cada frase de “The Moment I Knew,” você sente a dor de todo aniversário perdido, todo aniversário esquecido, todo feriado que ele aparecia sem um presente… todo momento que acontecia antes do “momento que ela sabia”; está tudo lá, mas não precisa ser dito. Essa história é suficiente para contar todas as outras.

Como em “Clean”, “The Moment I Knew” não é um dos seus maiores hits, porém os números revelam a competência fora de sua capacidade de escrever uma música chiclete com uma mensagem relacionável.

O Filme Cats pode ter sido um desastre, mas “Beautiful Ghosts” não foi.

Cats pode ter sido um fiasco, mas a música que Swift escreveu para o musical não foi. “Beautiful Ghosts” – desde a letra até a melodia – é assombrada nesse conto. Bonita na profundidade da escuridão, Swift entra para relacionar a letra com a narrativa do musical existente. A personagem em questão não tem a lembrança de algo melhor – tendo visões de “salas deslumbrantes” nas quais ela nunca será permitida entrar; ela observa pelos cantos.

Da escuridão das fendas que catalisam o desespero, ela olha para o mundo, desejando ser desejada… sem nada a se apegar. E enquanto outros podem não ter mais o que tinham antes – podem ter abandonado o orgulho que uma vez caracterizou sua rejeição (ou deveríamos dizer, rastejar?), eles pelo menos tem os belos fantasmas… eles permanecem. Swift aproveita o estilo clássico de escrever para as outras canções de Cats, que foram escritas há muito tempo e para o palco da Broadway. Uma apresentação pop não teria funcionado. Ela transita rapidamente de sua zona de segurança para um meio diferente e se destaca.

Matéria publicada pelo CheatSheet e traduzida pela Equipe TSBR.





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