Para entender o que Taylor Swift fez em 2018, a gente precisa voltar um pouco e olhar para o que estava acontecendo na indústria musical naquele momento.

💿 De volta pros anos 2000!

Reprodução: Pinterest

Quando o Spotify ainda estava no início, as três grandes gravadoras (Universal Music Group, Sony Music e Warner Music) fecharam acordos de licenciamento com a plataforma. Em troca de liberar suas músicas no catálogo, elas receberam ações do Spotify. Isso não significava muita coisa, até o Spotify abrir seu capital na bolsa de valores (a.k.a. IPO). A partir daí, essas ações passaram a ter um valor de mercado real e as gravadoras podiam vendê-las.

De cara, a Sony vendeu parte das suas ações e distribuiu os lucros entre os artistas, sem descontar o que eles deviam à gravadora. Logo depois, a Warner fez a mesma coisa, mas descontou as dívidas pendentes dos artistas e boa parte do dinheiro acabou voltando pra própria Warner. Enquanto isso, a UMG (a maior das três gravadoras) disse que também dividiria o lucro com os seus artistas, se viesse a vender sua parte das ações, mas não deixou claro se faria isso com ou sem desconto de dívidas.

💸 Tá, mas por que esse detalhe das dívidas é tão importante?

Quando um artista fecha contrato com uma gravadora, ele costuma receber um adiantamento, um valor que a gravadora investe antes do álbum sair. Geralmente usado pra cobrir produção, gravação, marketing, divulgação, clipes, etc. Esse adiantamento funciona como um empréstimo, o artista vai pagando aos poucos através dos royalties que recebe com streams e vendas. Até quitar esse valor, o artista está “devendo” a gravadora. O termo técnico é “não recoupado”.

🔏 Taylor assina contrato com a UMG em 2018.

Enquanto tudo isso acontecida nos bastidores, Taylor estava vivendo um momento.. Decisivo na carreira. Seu contrato com a Big Machine Records estava chegando ao fim e em novembro de 2018, Taylor anunciou que havia assinado com a Universal Music Group, através da Republic Records. A partir dali, ela seria dona de todas as suas futuras gravações e ela exigiu que, caso a UMG vendesse suas ações do Spotify, os lucros fossem divididos entre todos os artistas da gravadora de forma não-recoupável.(Viu a importância de saber o termo técnico?)

Reprodução: Redes Socias (@taylorswift)

Era uma exigência que beneficiaria milhares de músicos dentro da UMG, muitos dos quais ela nunca conheceu, afinal, a Universal detém atualmente quase 33% do mercado global. Entre os artistas que fazem parte do catálogo da UMG, estão nomes como Sabrina Carpenter, Billie Eilish, Katy Perry, Olivia Rodrigo, Post Malone, Drake, além de Noah Kahan, Clairo, Conan Gray e FLO — todos beneficiados pela cláusula.

Isso tem nome.

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🤝🏻 2026 e Bill Ackman.

Por oito anos, a cláusula ficou lá. A UMG nunca vendeu suas ações do Spotify, então nada mudou… Até que mês passado, o investidor Bill Ackman, fundador da Pershing Square, fez uma oferta de cerca de USD 64 bilhões para adquirir a UMG. Entre os pontos da proposta de compra, ele sugere vender toda a participação da gravadora no Spotify, avaliada em USD 3.1 bilhões, e destinar cerca de USD 865 milhões aos artistas.

UMG negou a proposta, e três semanas depois, no final do mês, o CEO Lucian Grainge anunciou que o conselho havia aprovado a venda de metade da participação da gravadora no Spotify, avaliado em USD 1.4 bilhão. E junto a confirmação: Os artistas participarão dos lucros.

💭Coincidencia ou não?

UMG manteve suas ações do Spotify por quase 20 anos sem vender uma unidade sequer e três semanas depois da proposta de Ackman, anunciou a venda (!!!)

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A leitura mais comum entre os jornais e a mídia americana é a mesma: A proposta do Bill forçou a gravadora. Se ele queria comprar a empresa e vender as ações por conta própria, a UMG preferiu agir mantendo o controle da operação, decidindo quanto vender e como distribuir. 

Curiosamente, foi apontado na sessão de perguntas com o CEO Lucian Grainge, se não teria feito mais sentido financeiramente vender as ações do Spotify ano passado, quando estavam próximas de USD 800 cada, que respondeu:

“O que não vamos discutir hoje é a proposta da Pershing Square que o conselho recebeu no início deste mês. Atualizaremos quando o conselho tiver tomado sua decisão.”

Em comparação, hoje, uma ação do Spotify vale em torno de USD 442. Só essa semana, ela caiu quase 15% e está 42% abaixo da máxima histórica. Se a UMG tivesse vendido há um ano, teria arrecadado quase o dobro.

📲 O que a mídia diz

A recepção foi quase unânime em conectar a venda à Taylor. A Billboard começou seu texto dizendo que nada foi acidental (Sim, é a letra de Mastermind). O THR descreveu a situação como uma “jogada que só uma artista do porte dela conseguiria fazer”. A Reuters apelidou a cláusula adicionada de “Taylor Swift clause”. No Twitter, o investidor Anish Moonka comentou que a UMG sequer pagou por essas ações e citou um dado interessante: “Segundo a Berklee College of Music, até 96% dos artistas de grandes gravadoras nunca conseguem quitar suas dívidas com o selo. Ficam no vermelho a carreira inteira. […] A maioria desses artistas nunca conheceu Taylor Swift. Todos eles se beneficiam de uma única linha que ela insistiu em incluir oito anos atrás.”

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