27 de julho de 20 Autor: Maria Eloisa Barbosa
Review: A composição de Taylor está no auge em “folklore”

Só Taylor Swift poderia fazer seu melhor álbum enquanto estivesse em casa, no meio de uma pandemia. Em seu primeiro lançamento surpresa, Folklore (que já está disponível), a vencedora do Grammy prova que tudo o que ela precisa para fazer uma íncrivel mágica é caneta, papel e piano.

Em seu oitavo álbum de estúdio, Swift (30 anos) abandonou o lançamento tradicional e seus vídeos como prévias repletos de easter-eggs e decidiu simplesmente deixar a música falar por si. folklore, que ela anunciou em menos de 24 horas antes do lançamento nos serviços de streaming, é a marcante partida da Antiga Taylor – e até da Nova Taylor. Em vez de batom vermelho, confete e, sim, cobras, ela opta pelo minimalismo, trabalhando com seu amigo íntimo Jack Antonoff e um de seus ídolos musicais, Aaron Dessner, da banda de rock indie The National, para criar seu trabalho mais coeso e experimental até o momento.

Para alguns, o folklore pode não parecer um álbum de Taylor Swift de primeira, segunda ou até terceira ouvida, mas sua marca registrada, que é a composição, está sempre presente. E ela também está no auge; músicas como “The Last Great American Dynasty” (que conta a história de Rebekah Harkness, a herdeira de espírito livre que anteriormente possuía a mansão de Swift em Rhode Island) e “My Tears Ricochet” são liricamente excepcionais.

Diferente dos álbuns anteriores de Swift, principalmente do Lover de 2019, o folklore não é totalmente autobiográfico. Várias músicas falam sobre personagens que são fruto de sua imaginação. A rústica balada de gaita “Betty”, por exemplo, tem uma abordagem feminista, mas é contada da perspectiva de um garoto chamado James, que teve um caso de verão e passou o resto do ano escolar tentando fazer as pazes com a namorada. “A pior coisa que eu já fiz / foi o que eu fiz com você”, canta Swift como James.

Em alguns momentos, a cantora faz com que fique difícil adivinhar quais das 16 faixas são inspiradas em sua vida real e quais são ficcionais. Os dias de “Dear John” e “Style” se foram e são substituídos por “The 1”, que abre o folklore e reflete sobre o amor perdido. “Invisible String”, no entanto, é certamente sobre o namorado de Swift, Joe Alwyn (29 anos); uma rápida pesquisa no Google confirmará que o ator vendeu iogurte congelado em Londres e, portanto, influenciou o verso sobre um garoto de 16 anos trabalhando “na loja de iogurte” e ganhando “pouco dinheiro”.

Com uma produção básica, o folklore é silencioso, mas rico, misterioso e introspectivo. A evolução de Swift é extremamente clara, especialmente em “Cardigan”, na qual ela assume a forma do cardigã “favorito” de seu parceiro (oito anos depois de deixar um cachecol com memórias tóxicas em “All Too Well”). Sua voz se destaca como nunca na angelical “Epiphany” e na faixa estilo Cranberries “Mirrorball”.

O álbum só tem uma parceria, com Bon Iver, na sombria faixa no piano “Exile”, em que Swift e o vocalista da banda folk, Justin Vernon, se destacam durante a ponte argumentativa (“eu dei tantos sinais”, ela protesta depois que ele afirma o contrário). E enquanto a faixa é um destaque, Swift poderia facilmente ter negado ajuda e permanecido sozinha na canção. Afinal, ela é uma força, como evidenciado em “Mad Woman”, uma espécie de sequência de “The Man” de 2019 com uma letra sobre ser atiçada “até que suas garras saiam”.

A qualidade do folklore indica que Swift está prosperando no isolamento, algo que nem todos podem dizer. Em certo momento, o álbum era um baú afundado, cheio de pedras preciosas, mas bem guardado dentro das paredes da casa da artista. Mas agora, flutuou para a costa e, caramba, está salvando 2020.

Nota: 4 estrelas de 4

Resenha publicada pela US Magazine e traduzida pela Equipe TSBR.





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