21 de agosto de 19 Autor: Julia Cardoso
“Lover” da Taylor Swift é um sucesso garantido

A música pop está mudando muito rápido, mas graças a presença de um marketing bem pensado, a artista pop ainda é capaz de nos trazer uma vibe “Old school” em seu novo álbum.

Enquanto Taylor Swift se prepara para lançar “Lover” na sexta-feira (23), ela retorna para um mundo pop que vem sofrendo grandes mudanças. “Antes era uma questão de “empurrar sua música para todos ouvirem,” a compositora Savan Kotecha (Ariana Grande, Justin Bieber) explicou em 2018. “Gravadoras empurravam um artista em um programa de televisão, uma premiação, uma notícia, em uma rádio para fazer ela tocar sua música e tornar ela popular. Agora as coisas funcionam como se você estivesse jogando o seu conteúdo, suas músicas.” A televisão vem depois, se ela vier, mas os “gatekeepers” ou seja, divulgação na televisão, não é mais necessário para criar um hit estrondoso.

A teoria de Kotecha vem sendo provada em 2019. Olhe para Billie Eilish, que vem tendo o segundo álbum com melhor desempenho deste ano. Ela lançou o “When We All Fall Asleep, Where Do We Go?” em março após emplacar 16 músicas e um EP em mais ou menos 30 semanas. Antigamente as gravadoras esperariam por um grande hit da artista para só então encomendarem um álbum; nesse novo mundo da música pop, Eilish não conseguiu seu #1 até maio, dois meses antes do seu álbum ser lançado.

Essa trajetória não é única da Eilish. A rapper A Boogie wit da Hoodie até o final de junho já tinha o quinto maior álbum do ano. “Hoodie SZN” foi lançado antes do Natal; levou quase seis semanas para o lead single “Look Back at It” chegasse ao topo das paradas, e a rapper ainda não havia sido convidada para nenhum dos três maiores programas de entrevistas atuais. Sua companheira de gravadora, Lizzo, lançou vários singles começando em 2017, que eventualmente levaram April’s Cuz I Love You; “Truth Hurts” ao topo das paradas no final de julho.

Enquanto as novas estrelas seguem o caminho de “jogar seu conteúdo”, Taylor Swift talvez seja uma das últimas artistas que ainda seguem a receita tradicional. Ela está lançando seu sétimo álbum, “Lover”, com uma grande divulgação por trás.

Esse marketing inclui, mas não se limita, ao seu show no Amazon Prime Day, que foi transmitido ao vivo e deixado salvo para futuros curiosos; brindes e presentes personalizados do álbum para clientes do cartão Capital One; uma parceira com o Spotify, onde Swift compartilha áudios e histórias por trás das músicas do seu novo álbum; uma parceria com o Youtube que contempla uma live junto com a estreia do seu novo clipe; um acordo com o iHeartMedia, parecido com o que ela havia feito na Reputation era, onde todas as estações tocam novas músicas da Taylor a cada nova hora; uma promoção com a SiriusXM Hits 1; uma outra parceira com a Amazon onde uma foto da Taylor aparece junto com qualquer coisa que você pedir no site; e um acordo longo com a Target, onde você pode comprar quatro – quatro! diferentes versões deluxe do seu novo álbum.

Tudo isso significa que se você não tombar com o Lover por aí, você provavelmente mora em uma caverna. E esse marketing poderoso não é algo incomum para Taylor, a única artista na história a vender mais de 1 milhão de cópias durante a primeira semana de lançamento em quatro ocasiões diferentes (Speak Now, Red, 1989, Reputation). Os swifties também acompanham Taylor: compram qualquer coisa que ela estiver vendendo no momento. Apenas outros três artistas conseguiram vender mais que 1 milhão de cópias em suas primeiras semanas, e eles fizeram isso quando o marketing do CD ainda era o primeiro: Eminem (The Marshall Mathers LP, The Eminem Show), ‘NSync (Celebrity, No Strings Attached) e Backstreet Boys (Black & Blue, Millennium).

Esses números são quase incompreensíveis agora. Eilish e A Boogie wit da Hoodie chegaram ao topo das paradas com menos de 65 mil cópias vendidas. Ainda que isso não fosse durante a semana de estreia, está claro que essa nova onda de artistas estão em ascensão e são as estrelas do momento. Mas Taylor Swift ainda lutará para conseguir o topo das paradas, a sobrevivente nesse novo mundo pop.

Matéria publicada pela Rolling Stone e traduzida pela equipe TSBR.





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