Taylor Swift participou, ontem, de uma entrevista ao lado de Andrew Stanton, diretor de Toy Story 5, para falar sobre “I Knew It, I Knew You”, música original composta pela cantora para a trilha sonora do novo filme da Pixar. Em uma conversa emocionante, os dois compartilharam os bastidores da criação da canção, desde o convite inesperado até a rapidez com que Taylor transformou sua conexão com a história em música.

Ao longo do bate papo, Taylor falou sobre sua relação com Jessie, sua personagem favorita da franquia, e explicou como temas como amizade, amadurecimento, nostalgia e a importância das conexões que construímos ao longo da vida inspiraram a composição. Andrew também revelou como a participação da cantora se encaixou na história do filme e compartilhou detalhes sobre os momentos mais emocionantes da produção. A conversa ainda trouxe referências a Randy Newman, lembranças da infância de Taylor e reflexões sobre o legado de Toy Story.

Fonte | Tradução e Adaptação: Equipe TSBR.

Jessica Shaw: Oi, pessoal! Eu sou Jessica Shaw e estou emocionada por poder falar sobre este filme. Vocês já pararam de chorar? Vamos começar trazendo duas pessoas responsáveis por muitas das minhas lágrimas: o ator e diretor de Toy Story 5, Andrew Stanton, e a cantora e compositora responsável por esta música, “I Knew It, I Knew You”, Taylor Swift.

Taylor Swift: Oi, oi! Muito obrigada por estarem aqui. Muito obrigada, pessoal. É maravilhoso ver vocês se levantando das cadeiras, se divertindo, trazendo as crianças e levando-as à escola todos os dias. Vamos tentar tornar isso o mais educativo possível.

Jessica: Quero começar agradecendo a vocês dois por não terem participado da maratona hoje, para que pudéssemos estar aqui. Essa música e esse filme são uma combinação perfeita. Então, Andrew, quero começar com você e perguntar o que fez você pensar nessa pessoa sentada ao seu lado.

Andrew Stanton: Bem, eu sempre soube que o filme seria sobre a Jessie, embora não tenha compartilhado esse conhecimento com a Disney e todo mundo. Isso sempre esteve no meu coração. Em um segundo e meio, pensei: “Não seria incrível se Taylor Swift pudesse cantar a música?”. Mas eu sabia que esse provavelmente era o desejo mais ambicioso do mundo. Então, eu sempre me preparava para a decepção e seguia em frente. E aqui estamos. É louco. É muito louco.

Jessica: E, Taylor, quando essa ideia surgiu, você estava na Eras Tour, certo? Talvez estivesse um pouco ocupada. Então, quando ouviu a proposta, o que passou pela sua cabeça?

Taylor: Sim, eu estava em uma turnê que envolvia muitas coisas e que foi bastante exaustiva fisicamente. Eram shows de três horas e meia. Foi uma daquelas turnês em que nunca havia experimentado esse nível de exaustão entre os shows. Eu passava todos os dias em que não tinha apresentação na cama, apenas tentando descansar para a semana seguinte de shows. Então, meu irmão me ligou. Às vezes, conversamos como irmãos, e, em outras ocasiões, temos conversas de negócios que são meio entre irmãos, meio profissionais. Meu irmão cuida de todos os meus contratos musicais e de todas as minhas músicas para filmes. Ele me ligou e disse: “Acho mesmo que você precisa assistir ao novo Toy Story 5. Fui à Pixar, vi os primeiros materiais do filme, e você precisa assistir. Vai adorar”. Eu perguntei: “Por quê?”. E ele respondeu: “Assinei um acordo de confidencialidade, Taylor”. E eu fiquei tipo: “Você não pode me dizer por que assinou um acordo de confidencialidade?”. Isso continuou por um tempo, até que ele disse: “Não, estou falando sério. Você vai adorar esse filme, eu prometo! Prometo!”. E eu pensei: “Tudo bem, só estou tentando conseguir sair da cama”, porque sentia todos os ossos dos meus pés estalando. Então, perguntei se havia alguma possibilidade de ter um pouco de tempo para descansar, sem estar em turnê, e depois assistir ao filme. Ele respondeu: “Com certeza! Eles ainda estão no começo do projeto. Então, vamos fazer assim: vou continuar falando sobre isso com você, porque sei que vai adorar, mesmo que eu não possa contar o motivo”. E foi o que ele fez. Continuou insistindo no assunto, dizendo coisas como: “E se assistíssemos ao novo Toy Story no próximo fim de semana?”. Finalmente, chegou o momento certo, em que eu tinha tempo para absorver tudo e encontrar algum tipo de espaço para a criatividade. Quando assisti àquele filme brilhante que o Andrew fez, entendi exatamente por que meu irmão sabia que eu adoraria. Era a Jessie, o filme era centrado nela, e ela é minha personagem favorita. Além disso, a história aborda a amizade feminina. Percebi muitas maneiras pelas quais a minha vida ecoava o que a Bonnie estava vivendo. Eu conseguia me identificar com as descobertas que a Jessie estava fazendo. É louco como consegui enxergar um caminho para todos os personagens, de certa forma. Foi como um momento de revelação, em que pensei: “Preciso ir para casa, sentar ao piano e escrever essa música, porque eles sabem exatamente o que eu gostaria de dizer se tivessem o privilégio de compor para esse filme”.

Andrew: Posso contar como foi tudo isso do meu ponto de vista?

Taylor: Por favor!

Andrew: Você assistiu ao filme pela manhã com seu irmão e com Tom MacDougall, que cuida da música na Disney. Então, naquela mesma noite, meu FaceTime tocou. Era o Tom, mas vocês também estavam lá: você e o Austin. Vocês ainda estavam nos assentos, conversando sobre o filme, dizendo coisas como: “Meu Deus!”. E disseram que queriam fazer a música. Não houve nem debate ou discussão. Foi simplesmente: “Vocês querem fazer a música?”. E eu respondi: “Ótimo, ótimo, ótimo!”. Quase saímos correndo na mesma hora para que vocês não tivessem a chance de mudar de ideia. Então, naquela noite, por volta das cinco ou seis da tarde, fui para casa, e o Tom me ligou dizendo: “Ela escreveu a música”. Eu fiquei tipo: “O quê?”. E pensei: “Não, não, não. Ela encontrou uma música que já existia, ou já tinha escrito alguma coisa antes e renomeou uma música antiga”. Mas ele disse: “Não, ela está no estúdio, escreveu a música e estou enviando agora para você ouvir”. Mais quatro ou cinco horas se passaram. Fui para a cama cedo, porque acordo muito cedo, mas estava tentando ficar acordado. Eram nove da noite quando meu FaceTime tocou novamente. Era Bob Iger, ao lado da Taylor, dizendo: “A música é incrível, Andrew!”. E eu fiquei pensando: “O que está acontecendo? O que está acontecendo com a minha vida agora?”. Então, ela pegou o telefone e eu disse: “Você é uma máquina! Você realmente escreveu isso?”. Demorei um pouco para conseguir ouvir a música. Para você, talvez tenha parecido muito tempo, mas foram apenas quatro dias. Depois, fui para Los Angeles e, acho que ainda não contei isso a você, mas acredito que você estava sentada atrás de mim quando ouvi a música. Eu até me emocionei a ponto de ficar sem conseguir falar. A única outra vez em que uma música me provocou essa reação e pareceu tão perfeita foi quando Randy Newman entrou e tocou “You’ve Got a Friend in Me” ao piano. Aquilo foi muito profundo. Fiquei emocionado em vários níveis. Foi como se a Jessie tivesse ganhado vida. Tudo o que você gostaria de sentir estava ali: um anseio necessário, a nostalgia revivida, a infância sendo evocada novamente, algo sendo restaurado. Mas também havia uma passagem de bastão, assim como acontece com a Jessie, para que pudéssemos começar a explorar outros personagens e expandir o universo de Toy Story. E tudo isso estava acontecendo musicalmente, com Taylor Swift, com a música e com o sentimento que ela transmite. Foi muito emocionante, e eu nunca tinha tido a oportunidade de contar isso a você.

Taylor: Incrível! Muito obrigada por me contar!

Jessica: Existe um legado maravilhoso de grandes artistas que escreveram músicas em um único dia. Lembro que Dolly Parton escreveu “Jolene” e “I Will Always Love You” no mesmo dia. Então, você está em ótima companhia. Conte-nos sobre essa experiência. Sei que, Taylor, você disse que teve aquela inquietação de compositora, aquela sensação de simplesmente saber o que fazer. Houve algum momento, enquanto assistia ao filme, em que seu cérebro começou a trabalhar e você pensou: “Tudo bem, sei como contar essa história musicalmente”?

Taylor: Houve vários momentos no filme, mas o que eu continuava percebendo era a importância do impacto que as pessoas têm na nossa vida, mesmo quando se afastam e deixam de fazer parte dela ou do nosso cotidiano. Mesmo quando essas pessoas se dispersam e vão para longe, se alguém significou alguma coisa para você, há uma boa chance de essa pessoa sempre encontrar um caminho de volta, seja por meio de uma revelação, seja com o Woody retornando para ajudar a equipe. Então, adorei a ideia de brincar com a literalidade e a alegoria, usando uma mesma frase para transmitir os dois significados. Por exemplo: “I knew you through the days of the blades of grass in summer”. Alegoricamente, isso se aplica à juventude e à infância, quando brincamos na grama e criamos lembranças com alguém que conhecemos nessa fase da vida. É uma conexão espiritual que você nunca esquece, certo? Mas também existe um sentido literal dentro de Toy Story 5, porque eles são brinquedos, são pequenos. Quando estão sentados no chão, olham para as crianças por entre as folhas de grama. Depois, chegamos a algo como “parachutes for the free fall of being younger”. No contexto da infância, isso significa que aquela pessoa estava lá para amortecer a queda durante todas as lições difíceis que precisamos aprender quando somos crianças. Ela estava presente, de verdade, naqueles momentos. Mas eu também estava pensando nos homenzinhos do exército que saltam de paraquedas em Toy Story. Então, comecei a trabalhar a partir da ideia de que queria que a música se aplicasse a todos os personagens, mas, acima de tudo, que falasse sobre Jessie e Emily e sobre a sensação que a Jessie acaba experimentando: uma incrível maturidade, uma clareza que traz resolução para todas as dúvidas que ela sentiu durante o filme. Dúvidas como: “Será que sou boa em ser um brinquedo? Será que não tenho importância? Será que é desesperançoso e inútil continuar tentando?”. São questões pelas quais todos nós passamos ao longo da vida. Ela percebe que, mesmo que você tenha feito parte da vida de alguém durante apenas uma determinada fase, se significou alguma coisa para essa pessoa, isso tem um poder enorme. Acho que os pais passam por algo semelhante quando os filhos entram em uma nova fase da vida e começam a querer mais liberdade e independência. Você precisa aprender a dizer esses pequenos adeuses, mas também precisa aprender a valorizar o que viveu. E acho que foi isso que realmente me tocou.

Jessica: Você pode nos contar um pouco sobre o processo? Você escreve as frases que vêm à sua mente em um caderno? Digita tudo?

Taylor: Sim, é mais ou menos isso. Basicamente, chego em casa com todas essas ideias e anotações na cabeça, além de uma melodia para o refrão que acaba se tornando o refrão da música. Mas eu realmente queria trabalhar com um dos meus melhores amigos, Jack Antonoff. Ele também foi uma criança que cresceu assistindo a Toy Story e é um grande fã de Randy Newman, um fã muito dedicado. Nós amamos Randy Newman e compartilhamos esse amor tanto pela música quanto pelo universo cinematográfico, que respeitamos muito. Eu sabia que Jack entenderia o que eu estava tentando fazer. Queria alcançar acordes realmente diferentes daqueles que eu normalmente usaria, mas que ainda pudessem pertencer ao universo de algo que Randy Newman talvez compusesse. Eu realmente não queria que tentássemos fazer algo que não combinasse com essa tapeçaria maravilhosa que Randy construiu ao longo de todos esses anos. As progressões de acordes são algo que eu normalmente nunca exploraria. Nunca seguiria por esse caminho, nunca escolheria aquela nota que fica um pouco fora da minha zona de conforto. Mas Jack e eu sabíamos como expandir os limites daquilo que normalmente fazíamos, em reverência ao nosso amor por esse universo e ao maestro que criou tudo isso. Ele criou uma espécie de bela piscina na qual pudemos mergulhar. Acabamos compondo a música muito rapidamente, e estamos muito orgulhosos do resultado.

Jessica: Sim, vocês deveriam estar! Taylor disse algo há pouco que se aplica tanto ao filme quanto à música. Ela comentou que conseguiu se conectar com diferentes aspectos da história e se identificar com eles. Acho que todas as pessoas que assistirem ao filme terão sua própria conexão pessoal com ele, de alguma forma. Sinto que todos nós temos nossos próprios sentimentos em relação à Jessie, à história e à ternura que existe nela. Então, o que foi isso para você, Andrew? Sei que você disse que a história precisava ser sobre a Jessie, mas o que exatamente fez essa personagem ser tão importante para você? Afinal, esse filme está com você há anos.

Andrew: Sempre existe um intervalo de quase uma década entre os filmes, com exceção do primeiro e do segundo. Isso nos dá muito tempo para pensar sobre o que aconteceu com os personagens e sobre como suas vidas mudaram. Mas o mais importante é que a nossa própria vida muda, e nossas perspectivas também. Quando trabalhei em Toy Story e Toy Story 2, eu tinha acabado de me tornar pai. Quando estava trabalhando em Toy Story 5, já era avô. Isso mostra o quanto estou velho! Mas também mostra como continuamos encontrando novas perspectivas, não apenas para contar algo honesto que não pareça ultrapassado, mas também porque as vidas dos personagens mudaram. Esperamos que o público também tenha mudado de perspectiva ao assistir. Eu sabia que a Jessie carregava muitas questões que ainda não tinham sido abordadas. Eram coisas com as quais o Woody já havia lidado, mas que ela ainda precisava resolver. De certa forma, tudo o que o Woody viveu já tinha encontrado uma conclusão. Para a Jessie, porém, isso não havia acontecido. Nós simplesmente deixamos de lado aquela parte que sempre considerei a mais rica e que, em algum momento, precisávamos explorar: o quarto das meninas e a relação entre elas. Eu ainda não havia encontrado nada que tratasse especificamente dessa conexão. Eu estava contando a você, nos bastidores, sobre o poder de criar uma nova amizade e estabelecer uma conexão, ou sobre a ausência dessa conexão com alguém que realmente enxerga você como você é. Provavelmente, esse é o aspecto de maior risco emocional que já exploramos em um filme de Toy Story. Adorei que essa história estivesse nas mãos da Jessie, porque ela já tinha problemas relacionados ao abandono e duvidava da própria capacidade de manter uma criança por perto. Eu também tinha algo raro à minha disposição: todo mundo já tinha uma história com esses personagens. Não precisava contar uma história enorme, nem dedicar 15 minutos do filme a explicar que, certa vez, existiu um brinquedo. Eu podia simplesmente mostrar aquela árvore e evocar tudo o que aconteceu ao longo do caminho, durante todo o tempo em que cada um daqueles personagens esteve neste planeta. Isso permitia carregar uma quantidade enorme de investimento emocional, algo que normalmente não encontramos em um filme. Às vezes, conseguimos isso em uma série de televisão ou em outro formato que nos dá mais tempo. Então, sim, eu não sabia exatamente para onde a história iria. Não sabia que ela estaria em conflito com a tecnologia, mas sabia que havia chegado a hora de acompanhar a Jessie. Ela ocuparia um espaço diferente e lidaria com o mundo de outra maneira.

Jessica: E você também sabia como é encontrar alguém com quem consegue se conectar.

Andrew: Sim, sim. E essa foi uma das coisas que precisei contar a você (Taylor) nos bastidores. Quanto mais penso no que acontece no final desse filme, mais percebo que a amizade é um dos maiores presentes que podemos receber na vida. Cresci em uma rua com apenas seis crianças. Quando tínhamos tempo para brincar, fazíamos o que todo mundo queria. Eu achava que tinha sorte quando brincávamos de pega-pega, mas, na maior parte do tempo, jogávamos futebol, algo de que eu realmente não gostava. Mesmo assim, tinha que jogar. Então, duas meninas se mudaram para a casa ao lado. Eram irmãs, e elas convidaram meu G.I. Joe para fazer um corte de cabelo no salão da Barbie delas. E a brincadeira começou! Pensei: “Sim, encontrei a minha tribo!”. Continuo sendo amigo delas até hoje. Cresci com as duas, e elas são como irmãs para mim. Uma delas é a melhor amiga da minha esposa, e não preciso esconder isso. Nós sabemos exatamente como estamos conectados. Enxergamos uns aos outros por meio desses laços tão particulares e percebemos que a segurança de ser visto por quem você realmente é está nos detalhes, nas nuances das coisas. Isso é raro. Algumas pessoas nunca encontram essa conexão, mas outras encontram. E o mais difícil é que, às vezes, essas coisas ficam escondidas, até que finalmente as percebemos. Era isso que estava em jogo neste filme. Por isso, acho que não poderia ter sido um sucesso maior ou mais profundo.

Jessica: Taylor, você disse que a Jessie era sua personagem favorita. Você publicou aquele vídeo adorável de quando era bebê, usando a camiseta dela, com os sapatos de galinha e tudo mais, quando o filme foi lançado. Mas o que havia nela que marcou você? Do que você se lembra de sentir quando assistia aos filmes na infância?

Taylor: Bem, acho que gostaria de complementar o que Andrew estava dizendo sobre encontrar alguém que compartilhe o mesmo nível de estranheza e bobagem que você. Foi por isso que a história de Bonnie e Blaze ressoou tanto comigo. Quando me mudei para Nashville, aos 14 anos, eu era a garota nova na escola. É comum se perguntar: “Com quem devo fazer amizade?”. Mas havia uma garota chamada Abigail. Ela também tem cabelos cacheados, assim como a Blaze. Tudo o que queríamos fazer era conversar usando as vozes dos personagens de Napoleon Dynamite. E ainda fazemos isso! É algo com que nossos maridos precisam lidar. Quando você encontra aquela pessoa que enxerga você completamente, com todas as pequenas esquisitices que fazem de você quem realmente é, isso me tocou profundamente enquanto assistia ao filme. Mas, voltando à sua pergunta sobre minhas primeiras impressões de Toy Story, eu tinha uns cinco anos quando esses filmes começaram a ser lançados. Eles nos divertiam, nos faziam rir e pensar, e nos levavam a acreditar que nossos brinquedos tinham personalidade. Eu realmente cresci com esses filmes. Acho que eles contribuíram muito para a formação de todas as crianças que os assistiram. Ensinaram muito sobre o que é comédia, amizade e coragem. Há tanta coisa em cada um desses filmes! Quando a Jessie apareceu no segundo filme, eu nem sabia que sentia falta dela até vê-la. Foi como se eu tivesse pensado: “Ah! Ela!”. Eu amava tanto Toy Story e me identificava tanto com o Andy e com os personagens que nunca havia parado para pensar que estava faltando alguém. Não pensava: “Ela ainda não apareceu”. Mas, quando a Jessie chegou, pensei: “Essa garota é tão legal, tão entusiasmada e tão autêntica, sem pedir desculpas por ser quem é. E, às vezes, ela é demais para algumas pessoas”. Acho que muitas pessoas se reconheceram na vulnerabilidade da Jessie. E acredito que foi isso que me marcou tanto.

Jessica: E também na vulnerabilidade dela. Não existe cinismo na Jessie, Andrew. Há uma pureza que, às vezes, faz nosso coração se partir ao assisti-la, mas, no fim, sua história é profundamente afirmativa.

Andrew: Sim. A Jessie é do tipo que luta ou luta. E é isso que a torna tão especial. Ela é diferente do Woody. Voltando ao assunto, sempre tenho um princípio quando tento descobrir sobre o que um filme realmente trata. E o que encontrei foi a ideia de que o tempo limitado que passamos com outras pessoas pode durar a vida inteira. É incrível que você tenha compreendido isso à sua maneira, porque essa ideia ficou literalmente na minha mesa durante anos. Tive muito tempo para assistir ao filme e refletir sobre ele. Era algo que estávamos tentando expressar por meio da amizade, da relação entre a Jessie e sua dona, sua nova dona, os brinquedos e todas essas conexões. Depois, sentei e pensei: “Uau! Aquela criança de quatro anos, em Yucaipa, na Califórnia, que teve um tempo limitado com Toy Story 2, cresceria e me ajudaria a escrever este filme. E aquele garoto de dez anos que assistiu a Toy Story 2 acabaria me ajudando a aterrissar o avião com a música mais emocionante da série”. Foi preciso uma vida inteira para que aqueles momentos limitados de contato se transformassem em algo assim. E percebi que essa música não surgiu em um único dia. Ela surgiu ao longo de uma vida, porque foi necessário que você crescesse tanto para conseguir criá-la dessa maneira. Sinto que é um pouco como acontece com os bons vinhos: eles precisam de tempo. De forma alguma eu teria conseguido encontrar e concluir esse filme dessa maneira sem a participação de Taylor, Kenneth e toda a equipe que o criou.

Jessica: Estou curiosa para saber se existe alguma fala específica da música, alguma cena do filme ou algum momento que seja o favorito de vocês. Algo que faça vocês pensarem: “Ah, eu adoro isso! Acertei em cheio nessa parte!”.

Taylor: De imediato, não entendi muito bem a pergunta e comecei a pensar em todos aqueles cavalinhos e pôneis correndo para as colinas, coisas pelas quais não tenho nenhum mérito. Isso é mérito do Andrew! Para mim, quando essa cena acontece, é um momento de comemoração, em que rio e choro ao mesmo tempo. É algo que sempre quis e nem sabia que precisava. É muito importante que o Buzz ande naquele unicórnio!

Andrew: Para mim, é aquele pequeno detalhe que acrescentamos e que selou tudo. É depois que a Jessie abre a lancheira e descobre que a filha da Emily recebeu esse nome em homenagem a ela. A Jessie simplesmente olha para o Bala no Alvo e diz algo baixinho, como: “Sério?”. É como se ela precisasse de testemunhas para confirmar que aquilo realmente está acontecendo. Para mim, esse é o momento mais profundo do filme.

Taylor: Concordo plenamente. Esse filme tem tantos momentos profundos, mas acho que o nosso favorito é, obviamente, aquele em que a Jessie percebe que foi muito importante para a Emily durante todo esse tempo. Também percebemos a passagem do tempo quando descobrimos que Emily agora tem sua própria família e homenageou a Jessie dessa maneira. Quando ouvi a música “When Somebody Loved Me”, foi uma das vezes em que mais me senti devastada por uma música em toda a minha vida. Há uma referência a esse momento dos filmes de Toy Story na letra de “I Knew It, I Knew You”, quando digo: “I watched you drive around the bend for what I thought would be the last time I saw my friend”. É aquela cena em que vemos a caixa de doações e o carro da Emily indo embora. É o momento mais doloroso, porque entendemos por que a Jessie sente que talvez não seja boa nisso ou naquilo. São aqueles momentos tristes que acontecem dentro da mente dela, quando surgem pensamentos intrusivos de que tudo não tem sentido. Foi daí que veio tudo isso. Eu quis fazer referência a esse momento na música da Jessie.

Jessica: Taylor, você pode falar um pouco sobre os instrumentos usados nessa canção? Alguns deles são instrumentos que eu literalmente nunca tinha ouvido falar. Existe algum em particular que se destaca e que representa aquilo que você queria transmitir com a música?

Taylor: Sim. Acho que minha principal prioridade era a gaita. Essa era a minha grande prioridade! Pensei: “Precisamos dar isso a ela. Precisamos voltar à essência de Andy”. Uma gaita solitária consegue transmitir tristeza, expectativa e aconchego. Há tantas coisas que você pode ouvir em um único instrumento! Por isso, a gaita aparece desde o início da música. Era isso que eu queria fazer: trazer esse som para o universo da Jessie. Essa música representa muitas coisas para mim. É um retorno às minhas raízes na música country, que deram início à minha carreira, e a sons com os quais não trabalho há muito tempo. Então, há muitos reencontros acontecendo nessa canção, tanto em termos de sonoridade quanto de letra. E o fato de eu poder voltar ao CMA Awards por causa dessa música é fantástico. Não vou ao evento há mais de uma década. A vida é louca! Jessica: Andrew, como você acha que tudo isso se encaixa? Taylor falou sobre Randy Newman e esse universo sonoro, e tudo funciona perfeitamente com a trilha sonora. Você pode falar um pouco sobre essa conexão?

Andrew: Assim como os temas abordados estão se expandindo, sempre torci para que pudéssemos explorar novos caminhos desde que soube que esses filmes teriam continuações. Nem todo universo precisa ser expandido, mas havia algo aqui. Os brinquedos crescem, as crianças crescem, e essas possibilidades pareciam muito maiores do que o próprio filme. Senti que tínhamos conquistado o direito de mudar o tom de acordo com quem seria o foco da história. Desde então, eu sabia que precisávamos fazer algo diferente. E não tenho nada contra Randy, mas não poderíamos simplesmente repetir o que já havíamos feito. Precisávamos evoluir. Precisávamos refletir sobre qual seria o novo estilo, a nova cor ou a nova forma que estávamos dando à história da Jessie. Era necessário trazer outra perspectiva, dar mais um passo evolutivo ou expandir o universo. Talvez o próximo filme seja sobre o Rex, e sabe-se lá que tipo de música ele terá. Mas, agora, a história é sobre a Jessie, e fazia sentido que fosse Taylor, com sua habilidade e sua sonoridade, representando a evolução por todas as eras pelas quais ela passou, assim como todas as eras pelas quais Toy Story passou. Parecia que tudo se encaixaria perfeitamente.

Jessica: Só quero dizer que você usar a palavra “eras” foi uma baita referência!

Taylor: Andrew chegou a ir a um dos meus shows em 2009, durante a turnê Fearless. Sinto-me muito honrada por você ter pensado em mim para esse filme, especialmente porque conhece o início da minha trajetória musical e sabe onde estou agora. Sou muito grata por ter sido considerada. Andrew: Bem, e eu vou agradecer a você pelo resto da minha vida.

Jessica: Andrew, ouvi dizer que, ou seria Taylor, ou não haveria uma música para os créditos finais. Isso é verdade?

Andrew: Não dei nenhum ultimato, mas realmente não sabia o que fazer. Normalmente, quando chegamos ao ano de lançamento de um filme, já temos alguma coisa pronta, escrita e colocada em seu devido lugar. Mas acho que, naquele caso, simplesmente sentimos que nada fazia sentido. Nada fazia sentido. E eu já havia escrito que isso aconteceria. Não é que estivéssemos contando com a Taylor ou esperando por ela, mas chegamos a um ponto em que pensamos: “E agora? Nada mais faz sentido”.

Jessica: Quão nervoso você ficou quando Taylor foi assistir àquela exibição do filme?

Andrew: Eu estava rezando muito, muito mesmo, independentemente de quem fosse a pessoa escolhida.

Taylor: Descobri que não havia outra pessoa no seu painel de inspiração porque fiquei perguntando repetidamente…Sei que levei alguns meses para voltar ao projeto. Então, perguntei: “Seja sincero: vocês já me substituíram? Não quero tirar alguém do projeto que tenha chegado depois, porque entendo a situação, mas não sou o tipo de pessoa que faria isso”. E todos responderam: “Não. Decidimos que não haveria uma música durante a cena dos créditos”. Andrew, você disse algo muito especial, e não quero parafrasear suas palavras, mas estávamos falando sobre o legado de Toy Story e sobre como você imaginou uma artista que conseguiria dar voz musicalmente à Jessie. E, se não fosse possível fazer isso daquela maneira, tudo bem. Se não fosse para acontecer, tudo bem também. Você estava criando filmes para deixar um legado, não tentando simplesmente escolher o que estivesse disponível no mercado naquele momento. O que você disse sobre os avós? Adoraria ouvir isso novamente.

Andrew: Ah, sim! Bem, desde o começo de Toy Story, dizíamos que éramos jovens, velhos e apaixonados. Não queríamos fazer apenas um filme de sucesso. Queríamos fazer um grande filme. E não estou falando de bilheteria ou críticas. Somos apaixonados por cinema, e alguns dos nossos filmes favoritos foram lançados muito antes de nascermos. Foram nossos pais que nos apresentaram a eles. Não queríamos fazer filmes que servissem apenas como babás, mantendo as crianças entretidas. Queríamos criar filmes tão bons que até os avós insistissem em dizer: “Estes são os dez filmes de que eu gosto, e vou garantir que meus netos os assistam. Vou me certificar de que eles os escolham na prateleira”. Essa perspectiva nos leva a pensar de maneira muito diferente no longo prazo. Começamos a nos perguntar: “O que queremos transmitir? O que queremos dizer?”. Deixamos de lado tudo o que é passageiro, mesmo que isso às vezes signifique abrir mão de dinheiro, porque estamos tentando, honestamente, capturar aquela sensação de ter assistido a um filme favorito que permaneceu com você e que você nunca esqueceu. E foi isso que buscamos desde o primeiro filme de Toy Story. Os filmes seguintes também sempre mantiveram esse padrão.

Próxima notícia >





Twitter do site

Instagram do site

Esta mensagem de erro é visível apenas para administradores do WordPress

Erro: nenhum feed encontrado.

Vá para a página de configurações do Instagram Feed para criar um feed.

Facebook do site