
Após se tornar a mulher mais jovem a entrar para o Songwriters Hall of Fame, em junho deste ano, a cantora agora se tornou a pessoa mais jovem a integrar o Nashville Songwriters Hall of Fame, instituição dedicada aos compositores que marcaram a história da música em Nashville – aos 36 anos.
Durante o discurso, Taylor relembrou a importância de Nashville para sua trajetória, falou sobre os compositores que a orientaram no início da carreira e celebrou os 20 anos de seu álbum de estreia, lançado em outubro de 2006.
“Estou chocada e impressionada ao dizer que, há alguns dias, aquele álbum completou 20 anos”, comentou sobre seu primeiro disco, gravado na cidade. Ela também destacou que a versatilidade que desenvolveu ao longo da carreira tem suas raízes nos aprendizados adquiridos em Nashville.
A cantora ainda refletiu sobre a fama e a importância das pessoas que conheceu durante seus primeiros anos na indústria musical. “Os compositores, embora possuam a habilidade sobre-humana de compreender e interpretar a condição humana e níveis absurdos de empatia, também são pessoas”, afirmou. “E são pessoas que, de muitas maneiras, me criaram e me guiaram durante meus anos de formação.”
Confira a tradução do discurso completo:
Estou muito honrada por entrar para o Hall da Fama dos Compositores de Nashville. Quando recebi a notícia, fiquei olhando para aquelas palavras. Ficava olhando para “Nashville” e pensando: “Uau, isso é surreal”. Então, acabei me concentrando em algumas palavras que tiveram um impacto especialmente intenso na minha vida. A primeira foi “Nashville”, a segunda, “compositores”, e a última, “fama”. Gostaria de começar pelos compositores e falar um pouco mais sobre o impacto que essa palavra teve na minha vida.
Comecei a escrever músicas quando era criança e, desde que escrevi minha primeira canção, soube que, mesmo que aquilo não pudesse se tornar minha profissão, seria minha paixão. Seria o centro de toda a minha vida. Nashville era o lugar para o qual eu viajava em meus devaneios durante o ensino fundamental. Era onde existia toda a sabedoria que eu desejava adquirir, reunida em um só lugar. Todas as lições que eu queria aprender estavam naquele lugar mágico. E, no fim, a cidade acabou sendo tudo isso e muito mais. Acabou sendo tudo.
A fama é uma espécie de consequência do meu amor pela música. É quase como se compositores mais Nashville fossem igual a fama. É por isso que tantas pessoas conhecem as letras das minhas músicas, o que é incrível. Também é por isso que, de vez em quando, surgem doses aleatórias de caos na minha vida, praticamente a cada duas horas. Isso pode ser meio estranho, mas tenho ferramentas na minha mente que me ajudam a lidar com tudo isso e a encontrar novamente meu norte quando a vida parece tão absurda.
Essas ferramentas são minhas lembranças, especialmente aquelas às quais recorro com mais frequência quando preciso recuperar alguma sensação de normalidade e me lembrar por que faço tudo isso. Penso em quando cheguei a Nashville e comecei a compor na Music Row. Tive a sorte de conseguir um contrato editorial com a Sony Publishing aos 14 anos e comecei com tudo. Passei a compor todos os dias. Aprendi muito. Era como uma esponja — e, como tenho cabelos bem cacheados e amarelos, também parecia uma esponja. Mas aprendi pela repetição. Acredito que só aprendemos verdadeiramente um ofício quando o praticamos repetidas vezes, e é exatamente isso que os compositores extraordinários desta cidade incrível fazem. Não existe comunidade musical como a de Nashville. Eu sei, conferi todas as comunidades. Ninguém faz isso como aqui.
Aprendi muita coisa. Aprendi a superar um bloqueio criativo no meio de uma sessão de composição. Vamos cavar um túnel por baixo dele? Vamos passar por cima? Aprendi quais ideias valem a pena defender e quais é melhor deixar para trás para seguir em frente com a próxima. Aprendi a me adaptar quando a pessoa com quem estou compondo está de ressaca ou quando precisa passar um bom tempo falando sobre o divórcio antes que possamos escrever qualquer coisa.
Porque uma coisa que aprendi é que os compositores, embora possuam a habilidade sobre-humana de compreender e interpretar a condição humana e níveis absurdos de empatia, também são pessoas. E são pessoas que, de muitas maneiras, me criaram e me guiaram durante meus anos de formação.
Uma das lembranças às quais recorro com frequência, tanto nos dias bons quanto nos ruins, porque sempre me traz uma sensação de aconchego, é a de que eu costumava compor em dois prédios favoritos. Havia dois lugares onde eu mais gostava de escrever. O primeiro era o Sony Fire Hall, porque eu conseguia ouvir os outros compositores através das paredes e gostava de imaginar que estava no Brill Building. Mas meu lugar favorito de todos era um espaço chamado Jody Williams Music, uma editora independente instalada em uma pequena casa no estilo craftsman.
Vamos imaginar que estamos em 2005, nessa lembrança. Minha mãe me buscava na Hendersonville High School, me levava ao centro da cidade e me deixava lá. Eu entrava apressada na Jody Williams Music e cumprimentava Catherine, que trabalhava na recepção. Às vezes, seu namorado, Eric, aparecia para visitá-la. As coisas deram muito certo para eles: tiveram alguns filhos e estão casados há quase 20 anos. Para deixar claro, seu nome completo é Eric Church.
Depois, eu subia correndo as escadas e me jogava no sofá em frente a Liz Rose, em uma sala pintada de vermelho. Eu dizia algo como: “Liz, aconteceu uma coisa na escola hoje. Tenho uma ideia para um refrão, sabe? Precisamos escrever essa música”. Ela pegava seu caderno e começávamos a escrever muito rápido.
Quando terminávamos a canção, eu saía quase correndo pelos fundos da casa até o quintal, onde havia um pequeno galpão de jardinagem. Lá dentro ficava um estúdio para uma única pessoa, onde Nathan Chapman, o produtor de demos favorito da Jody Williams Music, estava trabalhando.
Eu entrava correndo, e Nathan tocava todos os instrumentos nessas gravações de demonstração. Ele interpretava minha música de uma maneira tão intuitiva que, mais tarde, fiz questão de que ele produzisse meu primeiro álbum inteiro. E aquele foi o nosso primeiro álbum, dos dois. Estou chocada e impressionada ao dizer que, há alguns dias, aquele disco completou 20 anos.
Tive muita sorte de poder transitar entre gêneros musicais, viajar pelo mundo e compor com tantas pessoas diferentes, de tantas maneiras distintas. E a única razão pela qual desenvolvi essa versatilidade no meu processo criativo foi a base e os fundamentos que aprendi aqui em Nashville. Nunca me esqueço disso, nem por um segundo, quando conto a todas as pessoas que conheço o que temos aqui.
Estou imensamente honrada por entrar para este grupo tão especial, especialmente neste momento da minha vida.
Não me passa despercebido o quanto tudo isso é extraordinário. Vou guardar essa homenagem para sempre, porque Nashville foi o lugar que aperfeiçoou e lapidou aquilo em mim e na minha vida de que mais me orgulho e pelo qual tenho mais paixão.
Estar aqui com vocês e poder viver este momento me deixa verdadeiramente grata. É como um daqueles momentos incríveis de Nashville aos quais vou voltar em meus pensamentos em um dia chuvoso.
Muito obrigada!
Em agosto, quando o Nashville Songwriters Hall of Fame anunciou que Taylor seria homenageada, a cantora também falou sobre a importância da cidade em sua trajetória.
“Desde que comecei a escrever músicas, ainda criança, Nashville se tornou o lugar perfeito aos meus olhos. Eu queria aprender com os melhores e com aqueles que tinham mais experiência, além de mergulhar em uma comunidade de contadores de histórias. Felizmente, Nashville acabou sendo exatamente aquilo com que eu sonhava: uma cidade que reconhecia e priorizava o trabalho duro, a determinação e a imaginação. Um lugar onde os compositores aparecem para trabalhar todos os dias, mesmo quando a inspiração e a magia não dão as caras. Ser homenageada por esta cidade que amo tanto é algo lindo, e sou muito grata”, declarou.
Em junho, Taylor também falou sobre seus primeiros passos na indústria musical durante sua entrada no Songwriters Hall of Fame. Na época, ela relembrou que começou a participar de reuniões e a fazer apresentações acústicas até conseguir um contrato editorial, aos 14 anos. A cantora contou que teve a oportunidade de trabalhar com compositores experientes, como Liz Rose, Troy Burgess, Hillary Lindsey, Robert Ellis Orrall, Angelo Petraglia, os Warren Brothers e Brett James, já falecido.
Antes dessas parcerias, Taylor já havia escrito mais de 100 músicas sozinha. Para aproveitar ao máximo as sessões de composição, ela contou que se preparava com antecedência e levava ideias em diferentes estágios de desenvolvimento, desde conceitos iniciais até refrões com letra e melodia.
“Meus pais me ensinaram a estar sempre mais preparada do que o necessário, chegar cedo e nunca presumir que o mundo me deve alguma coisa”, relembrou. Mesmo aos 14 anos, Taylor queria ser tratada como uma profissional e mostrar aos compositores com quem trabalhava que levava a música a sério.
Ao longo do discurso, Taylor reforçou que Nashville foi fundamental para a construção de sua identidade como compositora e para a liberdade criativa que conquistou ao longo dos anos. A homenagem também chega em um momento simbólico, poucos dias após o aniversário de 20 anos de seu álbum de estreia, lançado em 2006 e gravado na cidade que deu início à sua trajetória na música.
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