23 de julho de 20 Autor: Maria Eloisa Barbosa
Taylor Swift abandona a maneira tradicional de lançar álbuns

Taylor Swift fez o Twitter surtar nesta manhã de quinta-feira ao anunciar que, nos últimos meses, havia gravado um novo álbum inteiro. “Coloquei todos os sonhos, medos, fantasias e reflexões nele”, escreveu. A notícia de “Folklore” foi uma surpresa e a data de lançamento conseguiu ser ainda mais surpreendente: quinta-feira à meia-noite (1h da manhã no Brasil).

Esse lançamento está muito longe da grande divulgação multimídia que acompanhou seu último álbum. O lançamento do Lover foi nos moldes tradicionais da indústria da música. Os acordos promocionais com Amazon, Capital One, YouTube, iHeartMedia, SiriusXM e Target, entre outros, tornaram Swift imbatível nas semanas antes de seu novo lançamento e garantiram que seu álbum (assim como os outros) fosse um grande sucesso. Ligando a TV, abrindo o serviço de streaming que preferisse ou até encomendando um pacote que não tivesse nada a ver com música – ela estava lá mesmo assim.

Talvez essa técnica de lançamento não seja mais tão interessante em 2020, com os EUA enfrentando uma difícil pandemia. As pessoas precisam dos serviços de entrega da Amazon para terem itens essenciais porque não podem sair de casa, portanto, estampar essas coisas com a imagem de Swift pode parecer meio errado. Mas também é provável que Swift, talvez a última popstar a ter se baseado nos lançamentos tradicionais da indústria, esteja deixando isso para trás e encerrando de vez essa abordagem de marketing que dura meses e meses.

Isso obviamente já aconteceu outras vezes, é claro, de Beyoncé a D’Angelo e Drake lançando álbuns de surpresa nos anos 2010. Swift era uma exceção rara, que dava para seus ouvintes muitos avisos prévios e pré-lançamentos de singles para deixá-los curiosos e animados. O lançamento mais repentino aconteceu em 2017, mas ainda assim, Swift lançou “Look What You Made Me Do” em agosto e “Ready for It” em setembro, antes de lançar o Reputation em novembro. Ela novamente percorreu um caminho em Lover, lançando “ME!” em abril, “You Need to Calm Down” em junho e a faixa-título antes do lançamento do álbum em agosto.

Porém, cada vez mais, esse tipo de lançamento organizado e bem estruturado parece algo de uma época muito diferente, em que a indústria da música se movimentava em ritmo lento. Como os ouvintes ficarão pensando em um álbum enquanto esperam 3 meses por ele? Chamar a atenção do público por apenas uma semana já é difícil. O TikTok parece criar um novo mini-hit – ou vários – a cada poucas horas.

Como resultado, muito dos sucessos da indústria musical em 2020 são baseados na capacidade de reagir de forma rápida em relação a novas ondas de interesse, assim como usar recursos para a música em vez de planos metódicos. Por exemplo “Falling” de Trevor Daniel, “Don’t Rush” do Young T e Bugsey ou ainda um remix aleatório, e tecnicamente ilegal, de “Roses” do Saint JHN que foram popularizados do nada no Instagram ou Tiktok. Essa nova classe dos vitoriosos libera música de forma contínua e se adapta rapidamente para lucrar em cima de trends, em vez de forçar a criação desses trends de forma pré programada e calculada. Se a Indústria da Música costumava ser sobre força, agora é mais sobre velocidade.

Ao anunciar Folklore do jeito que ela fez, Swift parece ter entendido a nova ordem mundial. “Antes desse ano eu provavelmente pensaria quando lançar essas músicas no momento ’perfeito’ mas os tempos que estamos vivendo me lembram que nada é garantido”. O lançamento do Folklore mostra que, para a Indústria da Música “nada é garantido” e isso vai além da pandemia.

Matéria publicada pela Rolling Stone e traduzida pela Equipe TSBR.





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