28 de julho de 20 Autor: Maria Eloisa Barbosa
Review: Você nunca deve desacreditar de Taylor Swift

Quando Taylor Swift anunciou folklore, seu 8º álbum de estúdio, as pessoas na internet não sabiam muito bem o que fazer. Será que foi o fato do disco ter sido uma surpresa inesperada vindo da maior estrela pop da música? Ou foi o fato de ter sido co-produzido principalmente por Aaron Dessner, do The National, mostrando mais uma transformação para Swift? (dessa vez para a atmosfera “indie” e folk, típicas do The National ou Bon Iver). Independentemente do pretexto ou da sonoridade, esse ainda é um álbum de Taylor Swift: uma declaração de 16 faixas, com altos e baixos emocionais, criado para ser lembrado.

A boa notícia é que o folklore é um ótimo disco de Taylor Swift. O destaque de Swift finalmente se resume ao seu talento como compositora e sua capacidade de se conectar com o público mais velho e mais jovem. Sua narrativa geralmente pode ser um pouco vaga, mas é sempre eficaz. A decisão de trabalhar com Dessner na produção foi muito inteligente. As músicas que formam o folklore são algumas das mais complexas de Swift, e a opção de reduzir a música a seus elementos mais simples destaca as melodias e apaga a narrativa que geralmente acompanha o lançamento de um “novo álbum de Taylor Swift”.

É meio óbvio comparar o folklore com o Nebraska de Bruce Springsteen, mas eu vou comparar do mesmo jeito. Sim, o disco é coberto por imagens em preto e branco e é uma “virada sombria e pessoal de trabalhos explosivos anteriores”, mas é mais profundo do que isso. O álbum é o Nebraska de Swift porque é um álbum que conta histórias; ela tira a perspectiva de si mesma para criar personagens perfeitos. “the last great american dynasty” é baseada em uma história verídica da proprietária anterior da casa que ela comprou em Rhode Island, maravilhosamente acompanhada com essa marcante batida.

O disco também tem um trio de músicas que aborda uma história contada em todo o folklore: a liderada por um piano, “cardigan” (com seu videoclipe feito na quarentena), a com sintetizadores “august” e o destaque country no final do álbum “betty” (com uma gaita de Neil Young). O álbum se desenrola habilmente, alternando entre a narrativa e experimentações de gêneros, enquanto contém a “mágica de Taylor Swift”. Como Nebraska, o folklore não é o melhor álbum de Taylor, mas reduz a música aos seus mínimos detalhes, revelando o que torna a artista tão especial assim.

Eu seria descuidado se não trouxesse Justin Vernon aqui também; o idealizador do Bon Iver aparece num dueto com Swift em “exile”, uma poderosa balada de piano que um amigo meu apenas chamou de “a nova Shallow”. A música começa como um início básico, mas realmente se expande quando Vernon entra em cena com “então saia”, mudando o foco para esse momento surreal da música. A canção parece estar entrando em colapso, como se estivesse o tempo todo flutuando no meio de uma queda livre.

Todas músicas do folklore crescem quando ouvidas repetidas vezes; músicas como “my tears ricochet” e “invisible string” contêm pequenos momentos musicais que você não captura pela primeira vez. O bem colocado tamborim em “mirrorball” impulsiona a música para a frente como uma queimada lenta, enquanto as harmonias em camadas de Swift elevam a faixa para uma pista de dança. O colaborador de longa data de Swift (e também fã de Springsteen) Jack Antonoff também produziu o disco, e você pode ouvir sua influência nas faixas new-wave como “this is me trying” (o que me lembrou automaticamente Joy Division).

Com Antonoff e Dessner (que cria essas paisagens sonoras que lembram o último álbum do The National, I Am Easy To Find), é incrível que um álbum com essa profundidade tão grande em sua produção tenha sido gravado durante a quarentena.

No entanto, você não pode (e nunca deve) desacreditar de Taylor fucking Swift. Sua voz singular e talento para composição são as verdadeiras vitórias do folklore, apenas consolidando cada vez mais sua forte posição na cultura pop. É uma enorme coleção de músicas (tem mais de uma hora!) escritas, gravadas e lançadas em menos de um ano do seu até então último álbum, Lover. Esse álbum redefine e recontextualiza toda a carreira de Swift, especialmente depois de tudo o que ela passou com sua gravadora no ano passado. Taylor Swift é a autora de seu próprio folclore agora e pode levá-lo para qualquer direção que queira.

Resenha publicada pelo The Philadelphia Globe e traduzida pela Equipe TSBR.





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