O colunista da Vox.com e ex-jogador de baseball, Jonathan Allen, contou como foi a experiência dele e de sua esposa ao assistirem o show de Taylor na 1989 World Tour em Washington, DC, nesta semana.

Leia abaixo:

Eu devia estar assistindo ao jogo da Major League Baseball All-Star numa noite de terça-feira.

Eu era jogador de baseball durante a faculdade. Eu participei de dois Midsummer Classics – Camden Yards em 1993 e Fenway Park em 1999. Eu até fui ao major league stadium em uma noite de terça: Nationals Park em Washington, DC. E se você acompanha a música pop como eu acompanho o baseball, você acabou de descobrir meu segredo.

Eu fui à um show de Taylor Swift. E valeu a pena.

Ela é um ato de classe que sabe fazer um ótimo show e consegue entregar mensagens sobre auto-estima e auto-capacitação enquanto mexe com problemas universais que qualquer pessoa consegue se relacionar, não importa onde estão. Sim, eu tenho orgulho de falar que sou fã de Taylor Swift.

“Não diga que eu não, que eu não te avisei”

Vou começar pelo início.

Minha esposa ficou um pouco surpresa no último inverno, quando eu liguei para dizer que estava planejando comprar 4 ingressos para ver T-Swift, ou TS, ou Shifty Swifty, ou o que quer que estejam chamando ela atualmente. Nós estamos juntos por 12 anos e nunca fomos à um grande show juntos. A última performance que vimos como casal foi a de Gordon Lightfoot.

Primeiro, eu menti pra ela – e pra mim mesmo. Eu tenho prioridade pra comprar ingressos porque eu sou associado ao Washington Nationals, e eu argumentei que fazia sentido aproveitar a vantagem. Conseguiríamos lucro se revendessemos, falei para Stephanie. Ou pelo menos venderíamos para amigos pelo preço original.

Na pior das hipóteses, eu disse, nós iriamos com outro casal e aproveitaríamos a “nova experiência”. Stephanie estava empolgada com os ingressos para ver Taylor, e eu suspeitei que ela sabia de algo que eu não estava pronto para admitir: Eu queria ir.

“O que você procurava esteve aqui o tempo todo”

A chave dos grandes hits de Swift é um personagem que é excluído e que seu amor não é correspondido, pelas suas imperfeições perceptíveis. Normalmente, a personagem acaba confortável do seu próprio jeito, conseguindo ou não o que ela quer. Esse tema não é único para Swift; é parte da música, literatura e cinematografia. Devem até haver cantos gregorianos com versos assim.

Eu acho que a razão principal de eu gostar das letras de Taylor é que eu acho as personagens são muito fáceis de se identificar. Pode soar estranho porque ela geralmente escreve sobre mulheres, ou pelo menos da perspectiva de uma. Mas os problemas de suas personagens são universais e ela é vívida em suas descrições. Os contrastes entre salto alto e tênis, ou uma líder de torcida e uma fã, são sugestivos.

Eu posso lembrar, no colégio, que me perguntava sobre a razão de uma ccerta garota estar caidinha por outro cara quando eu pensava – e rezava – pra que fizéssemos um casal melhor. Eu suspeito que a maioria dos adultos tem experiências similares e agora ficam felizes com a lembrança do que já foi muito doloroso, porque isso foi superado, porque eles cresceram e ficaram confortáveis consigo mesmos.

No vídeo de “You Belong With Me”, Swift está olhando para o espelho quando canta, “O que você procurava esteve aqui o tempo todo.”

Não me entenda mal: Eu não quero atribuir um significado profundo à músicas pop. Pelo contrário. Swift é uma mensageira efetiva porque o que ela está dizendo é simples, direto e inclusivo. Isso a garante muita influência, particularmente com garotas e mulheres jovens, e ela deveria ser aplaudida por reforçar mensagens positivas sobre auto-estima.

“Do lado de fora, olhando para dentro”

Eu já tinha mencionado que eu me senti um pouco menos masculino quando comprei os ingressos. Quando a data do show se aproximou, eu fiquei um pouco mais apreensivo com o que ir a um show de Taylor Swift dizia sobre mim. Isso tudo está incluso nas políticas da masculinidade. Homens passam muito tempo tentando ser machos com os outros, e um jeito de fazê-lo é questionando a masculinidade dos outros homens.

Por exemplo, eu joguei na American Legion de baseball com um cara que, toda vez que algum de seus colegas de time falhava no campo, ele gritaria alto, “Levante suas saias, Alice”. Nenhum deles se chamava Alice, e todos eles estavam no time dele. Felizmente, esse comportamento acabou quando ele falhou outro dia e foi recebido com um coro composto por mães dos outros jogadores, que gritavam “Levante sua saia”.

Eu suspeitei que ganharia alguma manifestação gentil dos meus amigos por ir voluntariamente à terra de adolescentes para ouvir a uma diva pop, e eu ganhei. Normalmente, só um sorriso e uma sobrancelha levantada. Quando eu tweetei uma foto do palco na noite de terça, um dos meus amigos me perguntou “Taylor Swift > jogo da all star?”. Nenhuma parte foi ruim. Nós somos adultos. Mas o risco de testosterona baixar permanentemente com a entrada de um show da Taylor Swift é certo para vários homens, e é equivocado. Embora o fato de eu ter notado que, quando fui ao banheiro, equipado para atender a 40 homens de uma vez, somente 3 estavam lá. Ao mesmo tempo, filas para o banheiro feminino estavam espalhadas pelo lugar.

Haviam alguns sinais de que Stephanie e eu – que fomos juntos com a amiga dela, Erika e minha irmã, Amanda – estávamos um pouco deslocados ao chegar no show. Para começar, quando busquei Steph em casa, ela estava usando um vestido Diane von Furstenberg. Eu acho que DVF nunca vai sair de moda – mas para um show de pop em um estádio? Nós jantamos em um restaurante italiano perto do lugar como típicas pessoas urbanas. Antes do começo do show, Stephanie e Erika começaram a falar sobre irem embora mais cedo. E o stand de merchandise não tinha nenhuma camiseta do meu tamanho.

“Um lugar nesse mundo”

Eu não fui a muitos concertos de música, mas tudo o que eu posso dizer é que eu nunca vi ninguém – não o Dead, nem o U2, nem o The Who e nem o Lenny Kravitz (todos foram ótimos com o público) – botar tanta energia em envolver o público como Taylor Swift fez.

Houveram alguns trovões enquanto esperávamos. Swift entrou no palco quase uma hora antes do que eu esperava, convidada a começar seus primeiros atos da performance antes que a chuva aparecesse. Uma coisa legal dessa turnê é que ela continua trazendo artistas para cantar seus hits. Vimos Jason Derulo performar “Want to Want Me”.

Para “You Belong With Me”, ela pegou o violão e foi até a plataforma no meio da plateia, tocando e cantando sem acompanhamento. Ela sabia como enfatizar um top hit ao deixar a plateia cantar com ela.

Ela tocou por duas horas sem nenhuma calmaria. Eu não me importei com os interludes quando ela falava com a plateia sobre auto-estima, como eu falei antes, eu vejo valor nisso. E ela finalizou em uma nota eletrizante, enfeitada com fogos de artifício, ao cantar “Shake it Off” como encore.

No fim do show, esse ex-atleta de 39 anos se sentiu bastante incluso. Então, enquanto eu pensava no jogo da All-Star que eu perdi, e na humilhação em potencial ao me denominar fã de Taylor Swift, é isso que concluí: “The players gonna play, play, play, play, play and the haters gonna hate, hate, hate, hate, hate (haters gonna hate). I’m just gonna shake, shake, shake, shake, shake. I shake it off.”

E quando eu for em um jogo da All-Star em 2018 no Nationals Park, eu vou ter uma ótima lembrança de um show de Taylor Swift que vi lá.

 





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