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Foi disponibilizado pela Wonderland Magazine ontem (17/11) o artigo completo com a entrevista de Taylor Swift, que estampa a capa da revista. Confira a tradução feita pela nossa equipe:

Com um consistente novo som synthpop e opiniões sobre amor, perda e martírio, Taylor Swift, a garota country transformada em industrialista destruidora de charts está de volta. Só não mencione seus trolls no Twitter.

Eu não sei você, mas Taylor Swift está se sentindo com 24 anos. Se Tay aos 22 era, como seu hino de festas de pijama diz, “feliz, livre, confusa e carente ao mesmo tempo”, esse ano ela está com a mente mais clara: forte, cética, indie e fora do mercado por vontade própria. “Estou morta!” ela gritou recentemente para Graham Norton, e ela não estava brincando. 1989, seu quinto álbum, lançado no fim de outubro, demanda que você esquece tudo que você sabe sobre a garota nascida na Pensilvânia. Sinais prematuros de não estar apaixonada e gostando disso surgiram em seu Instagram há seis meses atrás. “Existem coisas melhores adiante do que qualquer outra que deixamos para trás,” dizia a citação de CS Lewis que ela publicou. Então, em uma entrevista para o The Guardian em agosto, a transição do country para o pop se tornou clara. “[Ter um relacionamento] não é uma possibilidade agora. Só não parece ser uma possibilidade em um futuro próximo. Nunca funciona.”

Swift – cujo sorriso de Colgate amavelmente pateta e fala lenta da região de Appalachia fazem com que seja o sonho adolescente para conhecer seus pais – não é exatamente intimidadora, mas ela é mais firme em pessoa do que você esperaria. Há uma fricção emocional em suas novas músicas que podem surpreender a legião de fãs que cantam e choram com “We Are Never Ever Getting Back Together” em vlogs e dissecam as letras de Tay atrás de conselhos de relacionamento. A mensagem em seu single principal, “Shake It Off”, é bem clara: pare de ser um babaca no Twitter. “Destruidores de corações vão partir, partir, partir, partir, partir. E os falsos vão fingir, fingir, fingir, fingir, fingir. Baby, eu só vou deixar pra lá,” canta Swift, suplicando pelo fim dos trolls da mídia social e dos atormentadores.

Planando em minha direção com a leveza de um filhote, a cantora equilibra um latte na palma de sua mão. “O ponto obscuro do Twitter é que ele permite às pessoas um véu de anonimidade: elas podem ter um dia terrível no trabalho, se sentir mal sobre si mesmos, e então chegar em casa, beber e chamar alguém de feio no Instagram,” ela lamenta. “Se as pessoas não tem com quem falar [sobre seus problemas], elas entram na internet e apenas dizem coisas perturbadas, nojentas, cruéis e malvadas para os outros. Eu escrevi ‘Shake It Off’ sobre minha própria situação, mas também para a situação que todos se encontram agora. Não é um problema só de celebridades, é um problema do povo.”

Em outro ponto, a faixa que encerra o álbum, “Clean”, co-escrita com Imogen Heap, é uma confissão sincera sobre a dor permanente de um relacionamento estilhaçado. Swift me conta seu estopim, “Dez meses sóbria, eu não vou ceder, agora que estou limpa, nunca mais vou arriscar” é a melhor letra do trabalho. É uma analogia tentadora sobre melancolia e a vida de solteira. Compare-a ao seu momento favorito em Red — “Você me liga de novo só para me quebrar como uma promessa” cantado no hino de fim de relacionamento sobre Jake Gyllenhaal, “All Too Well” – é claro que Swift está se sentindo resoluta.

“Eu estive comigo mesma por tanto tempo, e eu gosto,” admite a cantora, que também foi ligada a John Mayer, Taylor Lautner e Joe Jonas no passado. “Eu não estou disposta a desistir dessa independência por alguém. Basicamente, existe uma minúscula, minúscula, minúscula chance de você encontrar alguém com quem você pode ter um relacionamento real e duradouro. Nos meus anos de adolescência, eu era enamorada pela ideia de romance porque eu achava que seria uma situação de ‘felizes para sempre’. Espere!” ela disse, como se fosse para cortar o começo tenso de nossa conversa, “esse é o meu maldito chapéu que minha publicista está usando? Fica ótimo nela!”

Se é um pouco danificado emocionalmente, sonoramente 1989 é qualquer coisa menos difícil. Na verdade, Swift discutiu seu medo do “arriscado” quinto álbum. Ao seu ver, muitos artistas alcançam um ponto em suas carreiras em que as texturas e espiritualidade são substitutas de melodias focadas e mensagens sentimentais. “Samples, batidas e colaborações sem sentido, existem muitas maneiras diferentes que podem acabar te distraindo do fato de que as pessoas só querem ouvir uma boa canção,” ela diz. Não espere nenhuma construção e queda – a assinatura medonha do pop moderno. Em vez disso, as referências de 1989 são voltadas para as grandes produções dos anos 80 dos maestros Phil Collins, Giorgio Moroder e The Human League.

O trabalho de batida deslizante do co-produtor Jack Antonoff em “Out of the Woods” – um hino para uma afinidade destruída que muitos atribuíram laços ao seu caso com Harry Styles – está a milhões de milhas de qualquer um dos recitais prontos e exauridos de RedOne ou Stargate. Para milenares que passaram seus dias da universidade dando amassos nas noites dos anos 80, o áudio forte, grandioso e focado em baterias será atrativo. Então tem a brilhante abertura “Welcome To New York”, em que zumbidos sintéticos semelhantes a “Eletric Dreams” encontram convites para “dançar ao som de uma nova trilha sonora”, para “dançar com essa batida pela eternidade.”

Mas pop produzido nem sempre fez o trabalho para Swift, cujo álbum de estréia homônimo de 2006 e o sucessor Fearless introduziram canções chacoalhantes e mastigadoras de palha à Geração Y. Doce como torta de cereja, esses álbuns iniciais evocaram uma América romantizada e provincial, onde paixonites por vizinhos e acordes ocupavam o lugar de DST’s e carros velozes. Acumulando horas de louvores – incluindo um Grammy por Álbum do Ano, Fearless continua a ser o álbum mais premiado da história da música country, e acrescentou à pilha de 200+ troféus da cantora.

No momento em que Swift apresentou 1989 como seu “primeiro álbum pop documentado e oficial” e trocou os sapatos de crocodilo por um boné de aba reta no vídeo de “Shake It Off”, os portões do inferno se abriram. “E desculpe Country Music Hall of Fame,” disse SavingCountryMusic.com, “mas sua ala de educação está nomeada para sempre por uma estrela pop que oficialmente apresentou bundas fazendo twerk em um de seus vídeos.” Em um artigo da Rolling Stone, Scott Borchetta, CEO da gravadora Big Machine, previu que as rádios country não “continuariam a tocar uma música pop simplesmente porque era ela”. E a realidade? A música conseguiu uma entrada sólida na lista Country Airplay da Billboard em agosto. “Essa foi meio que a fase final da evolução sonora que eu sinto estar passando nos últimos dois anos,” ela explica. “Eu estive experimentando com a sensibilidade do pop em meu último trabalho [Red de 2012], eu me apeguei a isso. Essa é a maravilha de tentar coisas diferentes na composição de músicas; descobertas.”

Em um tópico recente no Reddit sobre “Shake It Off”, um fã teorizou que Swift lance singles somente para atrair as pessoas, e que o néctar do álbum – as melodias doces, honestas e deliciosamente compostas pelas quais é conhecida – são encontradas no interior. Ela concorda, e não ficou surpresa com a profundidade da análise. Notoriamente, Fundamentalistas Swífticos passam horas decifrando as anotações de Tay para encontrar mensagens e temas escondidos. Preste atenção na faixa homônima de Red e você verá as letras recorrentes “S.A.G.”, que são um laço, segundo fãs, com Sagitário, o signo de Gyllenhaal. Segundo Swift, 1989 é tão oculto quanto. “Eu acho que as pessoas querem que a arte tenha camadas,” ela diz. “Eu acho que eles querem saber que existe um significado e uma história e uma variedade de personagens por trás da canção. Eu acho que eles querem uma referência visual, elesquerem saber que existe segredos que eles tem a opção de descobrir.” Agradeça às Dixie Chicks, uma das paixões da cantora quando criança, por isso. O álbum de 1999, Fly, é lotado de imagens, códigos e assuntos. “Na arte, elas estavam vestidas como moscas,” ela lembra. “Em outra, a banda estava em foguetes. Eu só achava que aquilo era legal e que elas tinham um tema visual, e as coisas assim me inspiraram para garantir que cada álbum tivesse uma aparência e uma onda diferente.”

A versão deluxe do álbum contém recados de voz originais, revelando ideias de gravação de uma Swift com voz levemente quebrada no meio da noite. Você pode ouvir a versão completamente crua da balada “I Know Places”, enviada mais tarde para o colaborador Ryan Tedder do One Republic. “Você pode me ouvir falando com ele nela,” gargalha Swift. “‘Ei, Ryan, se você não gostar disso, então está totalmente bem, eu só vou te enviar outra coisa. Mas eu quero escrever uma música sobre nós contra o mundo – todo mundo está tentando nos desvendar e nós temos que manter isso um segredo.'”

Haviam sinais de que 1989 era o álbum mais antecipado de Swift até hoje, e que a cantora apenas tinha que espirrar para ter um hit em suas mãos. Em 21 de outubro, a Universal lançou uma nova música intitulada “Track 3”, mas o arquivo estava corrompido. O lançamento saiu como oito segundos de barulhos ininteligíveis, mas a música subiu ao topo do iTunes canadense de qualquer forma. Era essa a nova direção radical e abortiva de Swift? Seria ela o próximo Merzbow? Fãs, pelo que parece, ficarão ao seu lado independente do que acontecer. Em um ano onde nenhum artista vendeu mais de um milhão de cópias, a Billboard havia antecipado que 1989 moveria 800,000 unidades em sua primeira semana.

É claro que o martírio tem seus precipícios. Em maio de 2013, um homen foi preso depois de ser encontrado no Oceano Atlântico dizendo que havia nadado duas milhas para chegar à casa de Swift em Watch Hill, Rhode Island. Então, em fevereiro, um seguidor invadiu o palco durante um show no O2 em Londres para entregar uma nota para sua rainha. Um vídeo gravado por fã do incidente é aterrorizante de assistir, mas cliques mais próximos mostram uma estrela calma e sorridente aceitando o gesto. “Ah, eu tenho um arquivo lotado de histórias de caras assustadores,” ela ri. “Eu acho que a coisa que me assusta um pouco é que eles honestamente não sabem que estão ultrapassando os limites. Eles não entender que me sequestrar não seria apropriado e algo que eu não gostaria. Não é como se eles pensassem, ‘se eu estou trancado do lado de fora do portão da casa dela, não significa que eu não fui convidado.’ É mais como, ‘eu preciso escalar pelo mato.'”

Em lidar com confrontamentos esquisitos, Swift é a mais respeitada no mundo pop. Desde a adolescência, ela passou por reuniões com chefes de gravadoras meia-idade e amada por patrões da música country. Crescendo em uma fazenda de árvores de Natal na Municipalidade de Cumru, na Pensilvânia, quando pré-adolescente, ela escreveu uma música para um projeto da Maybelline e viajou para Nashville para entregar demos por todo o Music Row, uma área que acolhe uma pluralidade de gravadoras. Um ano no processo, a família Swift se mudou para o interior do Tennessee para explorar o potencial crescente de sua filha. Um contrato de publicação com a Sony surgiu pouco tempo depois.

Esses dias, entre andar com os leais Lorde, Ed Sheeran e Lena Dunham (que enviou uma mensagem direta para ela pelo Twitter perguntando “Podemos ser amigas?”), ela está tentando atuar. Sua estreia na tela como a problemática adolescente transformada em vítima de homicídio Hayley Jones em CSI, e seu papel como Elaine na série New Girl no ano passado em que se agarrou com Satya Bhabha no dia de seu casamento. Esse ano, ela estrelou, mesmo que brevemente, em The Giver, ao lado de Meryl Streep e Jeff Bridges. “Os produtores me perguntaram sobre o papel depois de um show,” ela explicou. “Eles assistiram minha performance de ‘All Too Well’ nos Grammy’s e disseram que era a emoção exata que estavam procurando. Sinceridade e vulnerabilidade, eu acho.”

Rumores de jam sessions com seus companheiros de trabalho entre cenas circularam em agosto. Imagine: você pode quase sentir o cheiro de rum vindo do copo de Streep enquanto ela canta “Freebird” ao som doce do Wurlitzer de Swift. No canto, Bridges e companheiros Brenton Thwaites, Cameron Monaghan e Alexander Skarsgård engolem seus engradados de bebidas durante o dever de quarteto de barbearia. O quão áspero soou? “Você não gostaria de saber?”, Swift brinca, arrasando com uma cara de paisagem tão impenetrável que você consegue ouvir as bolhas estourando em sua caneca. “Você é tão intrometida nisso. Você sabe qual seria a manchete se eu fosse admitir isso. Não seria uma boa citação?” Assim que eu achei que fosse receber uma lição de moral, Tay correu até seu telefone para me mostrar uma foto de sua gata. “Olha,” ela choraminga. “Faz tanto tempo!”

Eu gosto da sensação dessa nova obstinada e justa Taylor Swift. Em 1989, todas as dicas estavam lá. É a história de uma garota que cresceu, que finalmente se encontrou, que esqueceu tudo que ela sabia e fez algo com isso. O sabor de nostalgia do álbum conta uma história de autoconfiança, memórias lastimáveis, e noites na vala olhando para as estrelas mas não através de músicas tristes, elas são blocos de construção. “Eu poderia construir um castelo com todos os tijolos que atiraram em mim,” dizia uma nota no Instagram em 26 de outubro. “@Taylorswift. Nascida em 1989.”

 

Fonte: Wonderland Magazine





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