A criação de Taylor Swift

Ela é a maior estrela do pop no mundo — amada por milhões mas não está acima ocasional controvérsia. Enquanto Taylor Swift se prepara para aterrissar no Croke Park, Ed Powers reconta a sua incrível ascensão para o sucesso global, como ela se manteve no topo, e conversa com aqueles que estiveram presentes em sua notável jornada, incluindo o produtor nascido em Dublin, Jacknife Lee.

Uma das conversas mais importantes da vida de Taylor Swift aconteceu em Burbank, na Califórnia, no começo de 2014. Swift estava no escritório da sua gravadora, Big Machine, para tocar o seu próximo álbum, que tinha o título provisório de 1989.

Em parte ele era inspirado pela mudança de Nashville para New York, quando a primeira tinha sido sua casa durante a última década e o berço de sua carreira, o álbum era uma partida do country rock de menina meiga da cantora. A paleta era o pop e o tom melancólico e explorador. Enquanto a última música terminava, Scott Borchetta, o chefe da gravadora que tinha supervisionado o crescimento de Swift dos cantos obscuros da rádio country para a fama global apertou o stop e tentou não fazer careta.

“Isso é extraordinário — é o melhor álbum que você já fez”, ele disse para ela. “Você poderia me dar umas três músicas country?”

Ela olhou ele nos olhos e nem piscou. “Eu te amo e falo sério”, disse Swift. “Mas é assim que vai ser”. Borchetta sabia que não adiantava nem discutir.

Swift tinha só 24 anos — 1989 foi batizado pelo ano em que ela nasceu — mas já era uma veterana, uma que tinha reformulado a música brilahnte de Nashville para a sua imagem. Diferente de Borchetta, ela também sabia que, tendo atingido o sucesso em um gênero lucrativo mas bem marginal, era hora de seguir em frente. Ela estava crescendo bem publicamente. Escrevendo sobre ter uma decepção amorosa na noite de formatura –um lamento que vinha inevitavelmente acompanhado do choro de violas — não era mais um lugar confortável.

O incidente diz muito não só sobre os níveis incomuns de predisposição de Swift, mas também a sua habilidade em negociar a sua celebridade. Lidar com a fama na adolescência e aos vinte anos pode ser uma tortura. Ainda assim, Swift saiu do estrelato juvenil sem nenhum arranhão e com um sentido apurado de onde ela teria que ir para levar a sua carreira para o próximo patamar.

E isso tem continuado desde então. Depois do maravilhamento inocente do 1989, ela voltou no ano passado com o Reputation, mais obscuro e questionador — uma interrogação na mega-fama e os comprometimentos nos quais ela é forçada. Ela está prestes a colocar o álbum na estrada, com uma turnê que incluí duas datas muito esperadas no Croke Park no meio de Junho. Os concertos vão fazer com que ela siga os passos do U2 e de Springsteen — confirmando sua promoção para a principal mesa da música popular.

“Não é uma tarefa fácil e eu sei disso”, ela já disse, ao comentar sobre tocar em locais na mesma escala do estádio do Norte de Dublin. “Quando você aparece no palco na frente de 65 mil pessoas, isso pode te levar às lágrimas. Se você realmente prestar atenção no final de uma música e ouvir toda aquela gente gritando, vai te fazer chorar”.

Swift é, assim como as estrelas do pop mais interessantes, um balaio de contradições. Sua imagem de Lisa Simpson parece ser baseada em uma crença genuína em viver de forma limpa e simples. No entanto, ela também tem demonstrado considerável astúcia durante a carreira e, assim como Michael Jackson, combina sua personalidade mansa fora dos palcos com letras superlativamente causticas.

Isso foi demonstrado na marra no destaque do 1989, “Bad Blood” — em que Taylor larga a mão em cima da colega do pop Katy Perry depois que as duas brigaram sobre a disponibilidade de dançarinos. Swift pode perdoar namorados lixos e sonhos acabados — mas não entre no meio dela e de seus planos de turnê.

E Perry pode considerar que ela pegou leve se comparar com o assunto de “Mean” do Speak Now de 2010. “Você pode me derrubar/Apenas com um golpe”, Swift canta. “Mas você não sabe o que não sabe/Um dia eu estarei vivendo em uma grande velha cidade/E tudo o que você será é maldoso”. (A música é considerada ser direcionada a Bob Lefsetz, um advogado da indústria do entretenimento em LA que se tornou blogueiro de música. Ele era um grande crítico do estilo de canto de Swift).

“Ela fez uma coisa tão horrível”, Swift contou à Rolling Stone quando perguntada sobre “Bad Blood”, mesmo que tenha se recusado a dar um nome ao assunto da música (foi Perry que, no final das contas, foi a público com a briga).

“Eu fiquei tipo: ‘nós somos inimigas de verdade’. E nem era sobre um cara! Era sobre negócios. Ela basicamente tentou sabotar uma turnê inteira. Ela tentou contratar várias pessoas pelas minhas costas. E eu, surpreendentemente, evito conflitos — você não acreditaria o quanto eu odeio conflito. Então agora eu tenho que evitá-la. É bizarro e eu não gosto disso”.

Quem trabalhou com Taylor diz que um fator em seu sucesso são seus pais. No começo da sua carreira Swift foi apresentada como uma artista que saiu do nada — uma garota que cresceu em uma fazenda na Pennsylvania e virou a vida de cabeça pra baixo aos 12 anos para bater em portas em Nashville.

Isso é verdade, em partes — mas a fazenda foi uma compra de seu pai Scott, um gerente de fundos mútuos, de um cliente e a família só se mudou para o Tennssee depois que ele assegurou uma transferência para os escritórios da Merril Lynch em Nashville. A sua mãe, Andrea, tem sido sua leal conselheira, empresária não-oficial e polidora de imagem — caindo na estrada com a sua filha e selecionando fãs para conhecer sua ídola nos bastidores.

“Os pais dela tem muito dinheiro. Isso meio que ajuda!” diz Chuck Ainlay, um produtor e engenheiro veterano de Nashville que trabalhou com Swift nos seus três primeiros álbuns. “Eles colocaram ela em um lugar que dava a confiança para entrar nos negócios da maneira com que ela fez”.

“O pai dela… é muito, muito ambicioso”, concorda o produtor nascido em Dublin Garret “Jacknife” Lee, que teve uma sessão de composição com Swift em sua casa e estúdio em Topanga, na cidade de Los Angeles. “Voltado aos objetivos. Empresário nato. A primeira coisa que me perguntou foi se eu tinha dirigido até o show, e se o fiz, se tinha ações da Mobil. Disse que não”.

“Ele, então, me perguntou se eu escovava os dentes e, se o fizesse, se tinha ações da Colgate. Disse que não e ele disse ‘Você é um idiota’. Ele está por trás dela. Conhece o dinheiro e seu significado. Ele é ambicioso. A mãe é a cara da família, se certifica que todo mundo está se divertindo — que os fãs são tratados bem. Taylor é um produto de ambos. Ela é atenciosa e experiente com dinheiro. Tenha as suas próprias coisas”.

Lee foi apresentado a Swift pelo Gary Lightbody do Snow Patrol, outro irlandês radicado em Los Angeles e um colaborador de longa data do produtos.

“Nos conhecemos pela amizade de Gary com Ed Sheeran”, ele se lembra. “Taylor era fã do Ed. Eles estavam em turnê, acho. Taylor veio para Topanga. Seguranças, carros grande e preto. Escrevemos uma música em poucas horas e contamos sentados no sofá. Ela segurava um microfone. Depois comemos macarrão no jantar e ela passou um tempo com minhas filhas”.

“Ela foi embora e eu terminei a música. Owen Pallett (do Arcade Fire/Final Fantasy) fez alguns acordes bem rápido. Fui ver ela ao vivo algumas vezes com as minhas filhas que eram fãs dela. Agora elas gostam de Snail Mail e Tyler the Creator”.

“Ela estava fora da minha zona de conforto e interesse, mas eu estava curioso e minhas meninas estavam felizes. Taylor foi gentil e muito profissional. Ela sabia o que queria e não tinha zoação. Ela estava namorando Harry Styles na época, então ele veio para Topanga através de uma recomendação dela. Ela escreveu algumas músicas com ele, e foi a mesma coisa — rápido. Mas dessa vez foi mais direcionado para os empresários e a gravadora. Eles queriam algo especifico. Eu queria algo mais acústico e leve, quase Americana, e eles queriam bombástico. Conseguiram o que queriam, e isso foi tudo o que eu explorei do território de pop juvenil. Foi divertido“.

“Ela sempre foi muito segura”, completa Ainlay, que foi apresentado a Swift quando ela tinha 15 anos e trabalhava em seu primeiro álbum. “Mesmo tão nova. Ela já tinha feito uns trabalhos como modelo. Era como se sabia que seria uma grande artista… O estilo de composição era imaturo mas parecia honesto e real. Sua voz era frágil mas parecia passar bem a emoção”. Ele lembra que a gravadora e os empresários de Swift tentavam fazer com que ela trabalhasse com compositores que achavam que eram uma boa combinação. Ela tinha suas próprias ideias — e não evitava falar isso.

“Ela sabia que [a direção que estava sendo empurrada] não era o certo para ela. Ela estava escrevendo com o Nathan Chapman e disse: ‘Gosto do que estou fazendo com o Nathan'”.

Quando Chapman entrou em contato com Ainlay, o produtos não sabia no que estava se metendo. Ela normalmente trabalha com figurinhas carimbadas com Mark Knopfler, com quem ele tem gravado desde os dias de Dire Straits.

“Você nunca sabe o que esperar quando começa a trabalhar com uma jovem garota. Ela tinha literalmente 15 anos, me lembro. Eu lembro de ter ficado muito impressionado com a música. Ela veio escutar a primeira versão que eu tinha feito. Ela sentou do lado do equipamento — era uma sala de controle bem grande — super intimidadora. Mas ela não parecia estar nem um pouco intimidada pela situação. Fez bons comentários. Lembro de ter ido para casa e comentado com a minha esposa: ‘Essa garota tem algo a mais — pode ser um sucesso'”.

No entanto, o comentário foi mais trabalhoso do que poderia parecer. Canções como “Shake It Off” — essencialmente a versão das paradas de Don’t Let The Bastards Get You Down — e “Look What You Made Me Do” atestam que Swift teve problemas com haters e bullies. Isso tudo vem da sua adolescência — uma experiência que a preparou para uma vida na música e explica o traço de vulnerabilidade em suas letras.

“Ensino fundamental? Bizarro”, ela disse ao The New Yorker. “Ter um hobby que é diferente de todos? Bizarro. Cantar o hino nacional nos finais de semana ao invés de ir dormir na casa de amigas? Mais bizarro. Aparelho dental? Bizarro. Engordar pra caramba antes do estirão? Bizarro. Cabelo rebelde sem assumir os cachos? Bizarro. Tentar alisar ele? Bizarro!”

“Acho que a pessoa que você é na escola acaba te seguindo”, ela continuou. “Nunca me acho a pessoa legal em uma parte, nunquinha. É tipo, sorria e seja legal com todo mundo porque você não foi convidada para estar aqui”.

Depois disso, virou elegante ver as raízes de Swift em Nashville como evidência da evolução de sua carreira. Na verdade, ela assumiu um grande risco ao tentar ter sucesso como uma artista country.

Com a exceção de LeAnn Rimes — a quem Swift era fã — cantoras jovens raramente tem sucesso no country. Os artistas e o público tem a tendência de serem mais velhos. A verdade é que Swift verdadeiramente adorava essa música — sua ambição de conquistar Nashville tinha motivação mais artística do que comercial.

 

Raro também era o nível de honestidade nessas primeiras músicas. Desde o começo, Swift não hesitou em discutir suas aventuras românticas. Ela denunciava os seus galãs nas músicas — mirando sutilmente em John Mayer (mais de uma década mais velho que Swift), Joe Jonas e Jake Gyllenhaal.

A honestidade fez com que ela fosse acessível para a sua base de fãs feminina, muitas das quais estavam batalhando com problemas de imagem próprios (mesmo que fosse pouco provável que elas fossem perseguidas por paparazzi como Swift foi enquanto namorava Harry Styles em 2014).

Quase tão crucial, no entanto, ela eventualmente reconheceu que sua vida amorosa corria risco de se tornar um esporte para os espectadores e, meio que durante o 1989, começou a dar uma segurada. Ela ainda cantava sobre sentimentos — mas agora era muito menos específica. Ao abandonar uma abordagem que a levou grande sucesso, atestou a sua consciência e habilidade de balancear preocupações artísticas e de carreira sem se tornar catastroficamente cínica.

 

“A maior derrota é perder a sua consciência”, ela contou ao The New Yorker. “Mesmo que esteja em um lugar que meus vestidos são bem bonitos, e os tapetes vermelhos tem muitas luzes brilhantes e eu posso tocar com milhares de pessoas… você tem que tomar isso com uma colher de chá. Tenho muito a perder se errar, se largar a mão e não fizer um bom álbum. Se fizer erros baseados na ideia que você é maior que si mesmo e só surfar na onda”.

Swift nem sempre acertou. Depois que Kanye West invadiu seu discurso no VMAs de 2009, ela escreveu “Innocent”, uma balada insossa que fez o incidente parecer um crime contra a humanidade e não uma erupção de babaquice de um rapper excêntrico. Sua decisão de tirar as músicas do Spotify — e depois colocar de volta no dia que Katy Perry lançou seu álbum — foi vista com surpresa também. Ninguém ficou convencido pelo argumento de Borchetta que Swift queria proteger seus “super fãs” que se arriscavam ao comprar o álbum enquanto todo mundo o escutava de graça.

No entanto, Swift tem navegado sua vida profissional geralmente com perspicácia extraordinária. Ela também manteve uma base de fãs próxima enquanto eles superavam as confissões adolescentes e, como ela, passaram a se relacionar com o mundo como jovens adultos.

“Em algum lugar perto do terceiro álbum, lembro de pensar: ‘Ela vai ter que superar isso'”, se lembra Ainlay. “Sabe, escrever músicas para crianças de 12 anos. Se não, ela vai ficar muito velha para seus fãs ou os fãs vão ficar muito velhos para ela. Ela fez isso — seguiu em frente para um novo nível”.

De todos os artistas com quem trabalhou, o produtor diz que raramente encontrou alguém com a ambição de Swift.

“Sua vontade supera a de nomes como Mark Knopfler… ela é uma daquelas que diz ‘desci no mundo para vencer’. E ela venceu. Ela tem mais vontade que a maioria dos artistas que cruzaram meu caminho. A diferença é que ela não tem problemas em ser uma estrela do pop. Alguns artistas tem uma inclinação mais artística e querem fazer as coisas pela arte… Agora que ela amadureceu, parece que ela está ficando mais artística e menos pela fama. Mas ela já atingiu a fama”.

“Taylor conhece seu mercado”, completa Jacknife Lee. “Ela é uma atiradora de elite”.

Fonte: Hot Press

 





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