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O periódico de negócios, Financial Times, dedicou uma matéria em seu site sobre como a Big Machine, gravadora de Taylor Swift, se comporta diante do atual mercado da música. Nela, Scott Borchetta, presidente da BM, fala sobre as atitudes tomadas por sua companhia desde a sua criação em 2005 e, de certa forma, dá uma aula sobre como lidar com a situação atual da música:

A máquina por trás de Taylor Swift

A música country algumas vezes ignorou o mercado internacional. No entanto, quando Scott Borchetta contratou Taylor Swift aos seus 15 anos, ele previa ela ganhando milhares de fãs bem longe de Nashville.

“Sempre fui fascinado por artistas que tinham um apelo global,” ele diz. “Então meu objetivo com Taylor, desde o inicio, era de que ela seria uma super estrela global.”

Quase uma década depois, Sr. Borchetta, presidente e chefe executivo do selo do Grupo Big Machine, já atingiu muito bem essa ambição. A senhorita Swift, agora com 24 anos, é uma das maiores estrelas da música, tendo vendido quase 30 milhões de álbuns country com um toque de pop, mais de 6,5 milhões desses fora dos Estados Unidos.

Sua última turnê mundial, na qual envolve quase 70 apresentações na América do Norte, chega a Londres para 5 shows em arenas no próximo mês, com uma noite marcada em Berlim. Ela também está indicada a quatro categorias no Grammy Awards do próximo domingo.

“Começamos a gravadora em 2005 e a Taylor foi a primeira a ser contratada, então esse foi um bom dia,” Sr. Borchetta diz, um pouco obviamente.

O sucesso da senhorita Swift e outros contratados como The Band Perry e Rascal Flatts, fez da Big Machine uma das companhias musicais independentes de maior sucesso nos Estados Unidos, em uma época que a fatia do mercado doméstico de “indies” aumentou para quase 35%, apesar da consolidação das maiores gravadoras.

Sr. Borchetta diz: “Nós pudemos conquistar rapidamente um momentum, adicionado a grandes executivos e grandes artistas. Nós temos três selos no grupo, uma companhia de publicações e merchandising e existem várias outras oportunidades de branding. Mas se não temos boa música, nada mais importa.”

Nascido em Burbank, California, Sr. Borchetta aos 51 anos tem a indústria da música em seu sangue. Ele seguiu seu pai na divulgação de álbuns, se mudando para Nashville e progredindo para a MCA Records, onde ele divulgou artistas como Reba McEntire e Trisha Yearwood.

Mesmo quando ele seguiu para um papel executivo em outra grande gravadora, DreamWorks, ele continuou paralelamente com sua paixão pelas corridas de carros, chegando até a ser um campeão da divisão de caminhões da Nascar.

Foras das pistas, o Sr. Borchetta tem mostrado similar ousadia na sincera posição que tem sobre um dos problemas mais sensíveis da indústria.

A maioria das gravadoras abraça, ou ao menos aceita, a agora palpável mudança do download de álbum e faixas para o streaming, por meio de serviços como o Spotify e o Deezer.

O Sr. Borchetta, no entanto, está ciente de que eles podem estar canibalizando as vendas e não teme em agir adequadamente.

Quando o álbum mais recente de Swift, Red, foi lançado no outono de 2012, ele permaneceu indisponível nos serviços de streaming por mais de seis meses.

A decisão foi descrita como “extremamente estúpida” em um site de tecnologia, e alguns dos fãs, já imersos na cultura do streaming, estavam igualmente chateados.

A decisão pareceu substancialmente menos questionável quando Red vendeu 1.21 milhões de cópias em sua primeira semana só na América, a maior soma de estreia lá por mais de uma década.

“Eu tenho sérios problemas com as maiores companhias licenciando seu catálogos para qualquer serviço de streaming que aparece,” diz Borchetta. “Penso que isso desvaloriza a música, então é muito importante para que as gravadoras e os provedores de conteúdo ao redor do mundo tenham certeza daquilo que eles possuem… do valor. Leva muito tempo, esforço, dinheiro e talento para fazer isso, e se nós começarmos a disponibilizar isso por frações de centavos, não poderemos mais fazer nada disso.”

A pré-eminência de Swift no mercado possibilitou que a sua gravadora negasse os direitos digitais para os serviços de streaming. Por que se apressar em abraçar o Spotify quando a companhia de medição de audiência Nielsen SoundScan mostra que as vendas digitais de suas músicas nos Estados Unidos agora somam um total de 68 milhões?

De qualquer maneira, cada caso é um caso na decisão da Big Machine em liberar seu material para o streaming ou não. Seus mais novos lançamentos, tal qual o dueto country com inclinações para o pop, Florida Georgia Line, aproveitaram um sucesso massivo nos Estados Unidos através dos streams, bem como downloads e vendas de CDs.

O Sr. Borchetta fez outra decisão ousada em 2012, quando fechou um negócio inovador com a maior dona de estações de rádios nos Estados Unidos, a Clear Channel.

As emissoras de rádio americanas tradicionalmente pagam royalties para compositores e para as companhias que os representam para usar as suas músicas, mas os cantores não recebem nada, ao menos que elas sejam tocadas online.

Swift compõe todo seu material, com a ocasional parceria de outros compositores, então estava ganhando royalties como compositora, mas nada como cantora.

O acordo com a Clear Channel significa que a Big Machine e seus artistas agora são pagos com parte dos lucros de propaganda das emissoras quando elas tocam sua música no rádio convencional também.

A concessão da Clear Channel é em exatamente um ponto que há muito tempo é controverso para músicos e era visto como uma maneira de limitar os royalties uma vez que estão sujeitos ao aumento do mercado online e ao custo de pagar mais pela sua transmissão tradicional.

Outros donos de gravadoras, incluindo a Warner Music, desde então fizeram acordos similares com a Clear Channel para assegurar os royalties dos artistas.

Enquanto isso, a lançadora de tendências, Big Machine, já convenceu outros grupos de rádios a seguir o exemplo da Clear Channel. “Acredito que a maioria das redes sabem que os royalties dos artistas é parte do futuro, já que mais e mais estão ou vão ser transmitidas de maneira digital”, diz Borchetta.

Alguns comentaristas interpretaram as gravações mais pops no trabalho de Swift como uma maneira de superar a música country. O Sr. Borchetta nega a alegação, mas não pede desculpas por tentar alcançar a maior audiência possível com todos os seus artistas.

“Enquanto a sua música se tornou mais global, ela mora em Nashville e sempre terá um senso disso correndo pela sua música. Eu encorajo ela a fazer o que quiser, então o próximo álbum pode ser qualquer coisa desde puramente pop para o bluegrass, vai saber.”

Os três selos da Big Machine aproveitam os benefícios do acordo de distribuição com a Universal Music, da qual o presidente e chefe executivo, Lucian Grainge, elogia Borchetta efusivamente.

“Scott é aquele raro executivo que combina um ótimo instinto criativo com o foco e disciplina de um empresário de sucesso,” ele diz.

Mesmo que esteja entre a divisa de independente e grande, a companhia é frequente alvo de rumores que será vendida. Borchetta declara que isso só ocorreria por “uma ultrajante soma que também garantiria absolutamente a nossa independência operacional”. Ele acrescenta: “Eu não vejo essa oferta acontecendo.”

O country conduz artistas de Nashville para o exterior

Scott Borchetta, presidente e chefe executivo da Big Machine, diz que se tornou óbvio para ele em 2008 que conquistar mercados estrangeiros seria um grande compromisso para a gravadora e sua principal estrela, Taylor Swift.

Essa compreensão veio quando ele visitou Londres naquele ano para fechar um acordo de distribuição com a Universal Music Group. Swift tem, subsequentemente, ido para o exterior pelo menos 3 ou 4 vezes por ano.

Esse acordo foi ignorado por Lucian Grainge, agora presidente e CEO da UMG e por Max Hole, agora presidente e CEO da divisão internacional da UMG. Grainge diz que Borchetta “transformou a Big Machine em um celeiro de música global”.

Enquanto The Band Perry e Rascal Flatts se preparam para retornar para a Europa, Borchetta está mirando uma audiência internacional para outros contratados da Big Machine, uma banda de rock sulista chamada “The Cacillac Three”.

“Temos um mantra aqui de que estamos certo até ser provado o contrário,” ele diz. “Eu quero dar ao público internacional uma chance para decidir, e se eles nos disserem, ‘Quer saber, nós não gostamos disso’, então ok, nós entendemos. Digo para meus artistas o tempo todo: ‘Se você quiser ir pra lá só uma vez, que vá de férias. Se você não for voltar, eles vão te esquecer.’”

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