22 de agosto de 14 Autor: Aline
Diretor de “Shake It Off” fala sobre o clipe

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Taylor não economizou esforços para o clipe de seu novo single “Shake It Off”. Para dirigí-lo, ela convidou um dos diretores mais aclamados do formato, que também assina trabalhos para o cinema. O diretor Mark Romanek conversou com a revista Vulture sobre como foi trabalhar com a cantora:

Os fãs de Taylor Swift ficaram enlouquecidos nessa semana quando a cantora estreious o clipe de seu novo, e inedito single “Shake It Off”, mas os fãs do formato ficaram duplamente surpresos com quem o dirigiu: Mark Romanek, o diretor de alguns dos mais icônicos clipes da história, incluindo “Hurt” de Johnny Cash, “Criminal” de Fiona Apple e “Closer” do Nine Inch Nails. Atualmente, Romanek está mais focado em filmes (entre seus trabalhos para as telonas estão One Hour Photo e Never Let Me Go, e ele está rodando The Overlook Hotel, um antecessor para The Shining pela Warner Bros), mas “Shake It Off” é a mais recente ressureição entre os clipes para o diretor: Depois de oito anos longe do meio, ela dirigiu ano passado o clipe “Picasso Baby” de Jay Z e o vídeo para o single do Super Bowl do U2, “Invisible”. Claramente, Romanek está mais oucpado que nunca ultimamente, mas ainda assim ele encontrou tempo para responder por email algumas das perguntas da Vulture sobre a criação de “Shake It Off”, sua colaboração com Swift, e o que ele acha da reação ao vídeo.

Você gravou “Shake It Off” durante três dias em Junho, e ainda assim ninguém sabia disso até o seu lançamento oficial esta semana. Como algo assim acontece, e isso é ainda mais dificil de fazer acontecer quando qualquer figurante pode gravar algo em seus iPhones?

Sim. Dois meses foi muito tempo sem vazamentos. Sabe, eu já fiz mais de duas dúzias de spots para a Apple. Eles levam o sigilo muito, muito a sério também, então meu produtor e eu estamos experientes em manter as coisas em segredo. Uma série de medidas são colocadas em prática. Crachás e pulseiras. Contratos de sigilo pesados devem ser assinados. Anúncios ameaçadores sobre as legalidades são regularmente feitos para o elenco e a equipe. Celulares são confiscados na porta. Nós selecionamos um galpão meio que remoto e até colocamos caixas de som enormes por perto tocando heavy metal no último volume, no caso de que desse pra ouvir um pouquinho da música durante as gravações. E aí, depois que todas essas medidas foram tomadas, você ajoelha e reza.

Qual foi o ponto de partida do conceito desse vídeo? Teve algum tipo de ideia, imagem visual ou intenção que fez com que o resto crescesse?

Sim. Em todos os vídeos que eu fiz no decorrer dos anos, eu diria que basicamente todos foram meu conceito. Mas a ideia base desse foi toda da Taylor. Nos conhecemos e ela me disse que queria fazer um tipo de hino para os desajeitados, as crianças “caretas” que na verdade são mais legais do que as crianças “bacanas”. Ela disse que queria gravar todos esses estilos de dança e ser a única idiota no meio desses gêneros estabelecidos. E ela queria que os fãs estivessem envolvidos de alguma forma. Eu amei a ideia, então durante a semana seguinte mais ou menos, nós definimos nossas escolhas para os estilos de dança. Eu acho que ela as imaginou em um cenário mais natural e eu sugeri dar um ar mais sólido e minimalista. E sugeri a ideia de incorporar os fãs como o climax, para o final como um tipo de surpresa.

Você já dirigiu clipes para alguns dos maiores nomes da música pop, mas como “Shake It Off” é diferente dos outros vídeos em seu currículo?

Bem, não tenho certeza se eu já fiz um vídeo puramente pop como esse. Acho que “Scream” foi pop, mas penso que o Michael Jackson tem um gênero próprio. “Hella Good” do No Doubt é meio pop. Eu me orgulho de ser capaz de criar um estilo sob medida para quase qualquer artista ou gênero — o que quer que seja pedido, na verdade. Nesse caso, a tarefa era criar um vídeo pop puramente positivo e divertido. Eu nunca havia feito isso, então era um novo desafio. Sabe, eu costumava ser o “Principe das Sombras” e agora eu tenho duas filhas adoráveis, então eu acho que amoleci um bocado. Eu quero fazer coisas que elas venham a gostar também. Não machucou o fato de que elas são grandes fãs da Taylor, então agora eu sou o Super Pai.

Me conte sobre escalar os dançarinos. Você está trabalhando com grandes talentos… e no final, pessoas normais que dançam de qualquer forma. Como foi dirigir esses dois tipos de dançarinos e onde você os encontrou?

Trabalhei com o coreógrafo Tyce Diorio, que a Taylor recomendou. Ele foi encarregado de encontrar todos os profissionais. Foi muito importante para mim que a dança profissional fosse surpreendentemente boa, por algumas razões. Um, eles seriam os “homens corretos”, assim dizendo, para o tipo de comédia fisica inspirado em Lucille Ball de Taylor. Eu sabia que não seria engraçado se aqueles dançarinos não fossem bons de verdade como um contraponto. E dois, é muito mais divertido e bonito assistir dança boa de verdade. Para os fãs, era só uma questão de fazer eles se sentirem seguros e confortáveis, de tornar o set divertido, para que eles não ficassem inibidos, para que pudessem expressar o seu bobão interior.

Taylor disse que quis trabalhar com você por anos. Ela te contactou para outros vídeos que não deram certo? O que aconteceu com esse?

Não. Essa foi a primeira vez que ela entrou em contato. Eu fiquei surpreso que ela conhecia algum de meus vídeos. Para esse, tão cedo eu escutei a música, eu sabia que seria popular. Eu estava dentro.

Me conte como foi a sua colaboração. O que ela queria fazer com esse vídeos? Onde você a incentivou?

Foi uma colaboração divertida e fácil. Ela é super clara sobre o que ela gosta e não gosta, ela não tem medo de expressar isso. Ela queria ter certeza que a mensagem do vídeo fosse passada de forma clara. Essa noção de que não se encaixar está mais do que bem. Eu não diria que tive que incentivá-la muito. Tentamos fazer com que o estúdio fosse um parque de diversões para tentar todos os tipos de ideias bobas. Escalar o elenco e coreografar tantos dançarinos em pouco tempo foi muito desafiador, mas as gravações por si mesmas foram super divertidas. Taylor trabalha muito, muito duro.

Me conta sobre cada personalidade dela no vídeo. Como vocês chegaram nesses personagens, e existiam outras incluídos nas fases inicias de brainstorming?

Nós definimos os gêneros e eu procurei várias fotos (como sempre faço) para cada gênero. Conversamos sobre todos os figurinos, estilos, movimentos e detalhes. Não diria que são exatamente “personagens”. São todas facetas de Taylor. Como deveria dizer, todos são Taylor, só que em roupas diferentes. Em um ponto, nós consideramos uma roda punk e swing dancing, mas não funcionou.

Quando Taylor estava em seu figurino de B-girl, com todas as garotas twerking em sua volta, parece que vocês estavam brincando com a noção do quão banal essa imagem se tornou na música pop no decorrer dos anos. Mas o que você pensa quando gente como Earl Sweatshirt contesta a sua intenção e afirma que você está simplesmente perpetuando estereótipos negros?

Sou fã dele e acho que ele é um artista interessante (uma vez postei um Vine com uma das músicas dele). Mas ele disse claramente que não tinha visto o vídeo e não tinha intenção de vê-lo. Então, respeituosamente, isso meio que invalida suas observações de cara. E é esse tweet mal informado que foi noticiado e repassado, o que começou com toda essa “controvérsia”. Nós simplesmente escolhemos estilos de dança que pensamos que seriam populares e interessantes, e escolhemos os melhores dançarinos que nos foram apresentados, sem prestar muita atenção a raça ou etnia. Se você olhar com atenção, é uma peça super inclusiva. É muito, muito inocente e positivamente intencionada. E — vamos lembrar — é uma peça sátirica. Ela brinca com uma grande diversidade de metáforas, clichês e estereótipos.

Você está realmente vivendo o clipe quando está sendo editado na pós-produção, mas qual é o momento que ainda te impressiona mais, não importa quantas vezes você o veja?

Eu acho a estrutura dele comovente, na verdade. Porque depois de todas essas bobeiras e palhaçadas estilizadas, a aparência daqueles adolescentes reais sendo eles mesmos me afeta muito. De certa forma, se o Earl Sweatshirt tivesse uma mente aberta o suficiente para pegar quatro minutos e o assistir, ele talvez veria o que a mensagem maior, humanizada e totalmente sem preconceitos deveria ser.

Você se tornou produtivo mais uma vez quando o assunto são os clipes — ou, ao menos, produtivo comparado ao resto da sua produção de clipes nos últimos anos. Existe um interesse renovado que você tem no estilo?

Nope. Eu sempre estive intrigado com o estilo. É só sorte e acaso. Eu nunca faço regras para mim mesmo. Nunca disse “não quero mais fazer clipes”. Eu faço minhas decisões intuitivamente, no momento. Se o U2 e o Jay Z, e Taylor Swift te ligam, você precisa fazer um grande esforço para encontrar uma razão para dizer não.

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