01 de agosto de 20 Autor: Maria Eloisa Barbosa
5 destaques do “folklore”, novo álbum de Taylor Swift

A cantora e compositora se juntou à Bon Iver e alguns membros do The National para seu calmo e íntimo oitavo álbum

Como a própria Taylor Swift contou, folklore surgiu em uma onda de inspiração. “Tudo começou com imagens”, ela escreveu no Instagram. “Imagens que surgiram em minha mente e atiçaram minha curiosidade”. Menos de um ano após Lover, de 2019, o novo disco marca um afastamento do pop afiado criado para rádios que Swift passou a última década e meia construindo. É um álbum quieto, melancólico e pessoal que figura entre seus mais marcantes trabalhos. E se soa como uma surpresa, é porque foi.

O álbum de 16 músicas foi anunciado sem muito rodeio, apenas um dia antes de seu lançamento. “A maioria das coisas que eu tinha planejado para esse verão não aconteceram”, ela escreveu em um comunicado, “mas há algo que eu não planejei e acabou acontecendo”. Criado (relativamente) em isolamento, os créditos incluem nomes familiares como o de Jack Antonoff e da diretora de gravação e mixagem Laura Sisk. Mas Swift também trouxe mais vozes, como foco no cenário indie. Entre seus novos colaboradores estão três membros da banda The National: o baterista Bryan Devendorf e os multi-instrumentistas Bryce e Aaron Dessner, com este último co-escrevendo ou produzindo 11 músicas. Justin Vernon, do Bon Iver, também aparece, co-escrevendo e emprestando seus vocais para a balada “exile”. O resultado é meditativo, diferente de tudo o que Swift já fez enquanto destaca as características que a definem como compositora. Aqui estão alguns pontos que se destacam.

Já saímos dos anos 80? (Are We Out Of The ‘80s?)

Antes do lançamento de 1989, em 2014, Taylor Swift contou que estava revisitando músicas pop do seu ano de nascimento para se inspirar. Isso representou algumas grandes mudanças do seu trabalho até então acústico e voltado para o country: se afastou da narrativa mais intimista e se aproximou de temas mais universais acompanhados de glitter e arranjos pensados para arenas. Esse fascínio a acompanhou no reputation, de 2017, e no Lover, de 2019. Mas o folklore é sutil e complexamente orquestrado, com letras que parecem refinadas de um jeito novo. Em “seven”, ela canta sobre memórias passadas adiante “como uma música folk”, e a comparação faz sentido. Seu tom é escasso e direto, mas irrestrito ao que aprendemos a esperar do lado quieto de Taylor. 

Miss Americana

Embora folklore pareça uma virada atípica de Swift, tanto no seu tom ‘sombrio’ quanto na falta de uma grande estratégia de preparação de lançamento (sem um primeiro single divisor de opiniões! sem parceria com uma grande marca!), também parece ser uma continuação de um dos seus lados como compositora. Das baladas lentamente construídas do Speak Now à trilha sonora de Cats indicada ao Globo de Ouro no ano passado, “Beautiful Ghosts”, Swift sempre se interessou em capturar as realizações explosivas do calor do momento, assim como o desconforto persistente que surge em seguida. A música aqui é puída e sutil, acompanhando seus pensamentos até esses cantos solitários e acrescentando uma nova profundidade: Em “mirrorball”, uma melodia pop sinuosa é combinada com uma batida tamborilada, tão silenciosa na mistura que soa quase como um segredo.

Lágrimas no Piano (Teardrops On My Piano)

Folklore é um álbum longo — 16 músicas em pouco mais de 1 hora — mas também é profundamente focado. A maioria é cantada ao piano, com silêncios profundos entre uma nota e outra. O instrumento é ocasionalmente tocado por Aaron Dessner, do The National, e a vibe sugere que, da banda, Swift prefere as baladas sombrias estilo “Pink Rabbits” em vez das que são feitas para cantar junto, como “Mr. November”. E enquanto o grande destaque de suas baladas anteriores no piano usava o instrumento como clímax — veja a performance de All Too Well no Grammys de 2014, por exemplo –, ela está menos interessada em catarse aqui, e mais focada no clima como um todo. Em “peace”, em que ela entrega um dos melhores vocais de sua carreira, ela canta por cima de fitas sutis de guitarra e notas cintilantes sobre “o silêncio que surge quando duas pessoas se entendem”. Um senso de intuição parecido guia essas músicas.

Casos Bonitos, Tristes e Trágicos (Sad Beautiful Tragic Love Affairs)

Enquanto reputation foi baseado em um relacionamento saudável que protegeu Taylor de um “cancelamento” público e Lover explorou o conforto de um compromisso de longo prazo, folklore é menos específico ao retratar casais. As músicas vem de muitos pontos de vista, da raiva justificada de um ex e sua nova parceira em “mad woman” (“Cada vez que você me chama de louca / Eu fico mais louca”) aos amantes secretos e provavelmente condenados em “illicit affairs”. “Nasce de um único olhar”, ela canta “mas morre, e morre, e morre um milhão de pequenas vezes”. Ela até mencionou uma trilogia de músicas no álbum que explora a mesma história sob a perspectiva de cada um dos envolvidos; ela chamou de “triângulo amoroso adolescente”, um tópico comum em seus trabalhos anteriores mas o tratamento que ela dá ao tema agora mostra uma grande evolução.

As histórias de Taylor (The Stories of Taylor)

“Eu sabia de tudo quando era jovem”, Swift canta no primeiro single, “cardigan”. De algumas maneiras, as letras em folklore lembram a narrativa de seus antigos lançamentos como Fearless e Speak Now. Na época, os objetos de afeição (e o contrário) tinham nomes e histórias: Dear Johns, Hey Stephens. A aparente narrativa autobiográfica da dona da mansão de “the last great american dinasty” e a retrospecção infantil de “betty” parecem ser farinha do mesmo saco. Em “invisible string” ela reflete sobre todos os homens que partiram seu coração e inspiraram canções: “Agora eu envio presentes para seus bebês”, ela ri. “Eu criei arcos de personagens e temas recorrentes que mapeiam quem está cantando sobre quem”, Swift disse aos seus fãs, e o álbum provavelmente vai estar entre os mais analisados em seu -profundo, auto-referencial e sempre em evolução- livro de canções

Matéria publicada pela Pitchfork e traduzida pela Equipe TSBR.





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