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Taylor Swift foi capa e destaque da revista Wonderland de Abril. A publicação traz uma matéria muito interessante, na qual Taylor se mostrou muito honesta e sensata. Leia abaixo, traduzida por nossa equipe:

Coração a coração com Taylor Swift

Parece que cerca de 30 por cento de toda comunicação humana está atualmente devota à Taylor Swift, o prodígio country-pop que conquistou a América enquanto ainda era adolescente, e que, nós últimos seis meses, ganhou o resto do mundo com seus odes grudentos e irresistivelmente identificáveis a desastres românticos e namorados horríveis. Você pensaria que com todos os rumores de compras de casa, exs raivosos, zombarias públicas e fãs fanáticas da One Direction atualmente cercando-a, ela estaria inclinada a estar um pouco no lado quieto. Mas, ao contrário, Wonderland a encontra aberta, expansiva, honesta, e mais do que pronta para elaborar sobre seus sentimentos, pensamentos, emoções, sonhos e e a incerteza despreocupada que atualmente define seu intrigante universo pessoal.

Como você se prepara para uma audiência com a namoradinha da América, a semi-deusa da cultura pop que é Taylor Swift? Clicando nas indecentes notícias online, que sim, são mais para entreter do que para informar, mas quem consegue não fazer isso? Imprimindo pilhas de artigos, nos quais ela responde perguntas quase banais sobre sua vida amorosa várias e várias vezes. (“Você namorou fulano?” “A música tal é para o fulano?”) Assistindo vídeos dela sendo torturada sobre ex-namorados no Ellen Degeneres Show. Até mesmo passar um tempo lendo alguns dos terrivelmente escritos, porém charmosos livros dela disponíveis no Reino Unido, como Taylor Swift: A Subida da Adolescente de Nashville, ou Taylor Swift: 87 Razões Porque Ela É Um Bom Exemplo. (Nenhum deles é um candidato para o prêmio Nobel, mas eles oferecem uma boa indicação da adoração fervente da sua imagem boa, limpa e de seus valores americanos).

Mas fazer as coisas regulares (incluindo ouvir os CDs, é claro, que não importa se você é fã do country-pop ou não, você deve admitir que são merecedores de todos os méritos que eles conseguiram) quase parece que não é bom o suficiente. Ao começar a ver a imensidão da fama de Swift, sua riqueza, seu impecável escrúpulo que os pais adoram e a seu poder musical indiscutível, você começa a sentir que suas abluções deveriam incluir também algum tipo de ritual de penitência ou purificação, para escapar dos legados não tão amáveis de todos os erros bêbados e amores imprudentes que a vida te jogou. Ou para consertar o fato de que, quando você era adolescente, você sentava no seu quarto vendo os reprises de Sabrina, claramente não lançando álbuns multi-platina (O primeiro álbum de Swift, Taylor Swift, lançado pouco antes de seu aniversário de 17 anos, já vendeu mais de cinco milhões de cópias). Você precisa se arrumar um pouco? Será que ela vai sair da entrevista se eu mencionar Harry Styles? Essencialmente, você precisa se preocupar?

Agradecidamente, Swift é bem mais relaxada e acessível do que você esperaria de uma pessoa que faturou 57 milhões de dólares ano passado, que as músicas escritas por ela mesma já conseguiram múltiplos Grammys, que ganhou uma legião de fãs e que no processo deram a oportunidade para ela ter vinganças bem públicas das pessoas (não só dos seus namorados, mas bullies de infância, blogueiros céticos e, bom, Kanye West), que zombaram, criticaram, terminaram ou envergonharam ela. Ela chega na sua sessão de fotos da Wonderland sem estardalhaço e sem segurança visível (porém mais tarde descobrimos que tem uma quantidade modesta de guarda-costas no exterior). Ela se apresenta para todo mundo e aperta mãos, como uma pessoa de verdade, não famosa e silenciosamente desaparece para fazer o cabelo e maquiagem. Ela está usando um tipo de acanhado, mas estiloso look que ela ocasionalmente é vista em: uma camisa xadrez, jeans azuis skinny e oxfords masculinos. Quando ela aparece no set, nós estamos cautelosamente tocando Bruce Springsteen, porque lemos em algum lugar que ela gosta. Para nossa surpresa, ela pega seu próprio Ipod e imediatamente coloca “Bad Girls”, da M.I.A. Ela está tentando nos mandar uma mensagem?

Negativo. Não parece haver nada particularmente astuto, velado ou misterioso sobre Swift. É meio o que é bom sobre ela. Quando nos sentamos para a entrevista, ela é muito como os personagens dos seus álbuns, exuberante com a conversa, puramente emocional, franca e determinadamente comunicativa. Ela frequentemente me disse como estava se sentindo a qualquer momento. É realmente simpática. “Sério? Isso me deixa tão feliz!” ela diz quando falamos sobre sua recente ubiquidade no Reino Unido, sobre ouvirem suas músicas na rádio na barbearia, ou ser arrastada por um velho bêbado em pubs na costa de Londres. “Você não tem ideia, está fazendo maravilhas para minha auto-estima.” diz ela depois, quando eu digo que até meus amigos mais geeks tendem a pensar que “We Are Never Ever Getting Back Together” foi uma das melhores músicas de 2012. Ela parece entusiasmada, de guarda baixa e genuinamente emocionada com o sucesso de seu quarto álbum “Red”, apesar do fato de que seus últimos três álbuns já a tornaram uma das celebridades mais idolatradas da América.

“Eu tendo a ficar surpresa por qualquer tipo de sucesso,” ela diz, sentando com as pernas cruzadas no sofá, como se estivéssemos na sala de alguém, ao invés de, como é neste caso, num espaço de concreto de um estúdio. “Acho que a presunção leva para qualquer tipo de desapontamento quando se trata de fazer as coisas bem, ou as pessoas gostarem do que você faz, ou as pessoas gostarem de você em geral. Quando escrevi ‘We Are Never Ever Getting Back Together’, primeiramente eu pensei que este era o maior título já escrito. Eu pensei ‘Não sei bem como é que isto vai acabar.”

A música em questão, foi algo como um single ultrapassador de barreiras para Swift internacionalmente, apesar das dúvidas. É fácil saber o porquê. Num ambiente pop cheio de batidas pesadas, músicas dançantes liricamente iluminada e legais, grandiosas e baladas muito emotivas, a música de Swift com o título extenso e espirituosa se destacou de uma maneira muito boa. Por mais longo e pesado que seja o título ‘We Are Never Ever Getting Back Together’, ele está na linguagem do dia a dia e focado nas tediosas frustações mundanas, que na realidade, constituem relacionamentos difíceis. Mas a música ainda está subindo de forma épica. Todos podem se identificar com ela, seja um adolescente ‘Swiftie’ (como seus fãs se autonomeiam) ou não. Então, qual é exatamente seu segredo?

“Acho que minha fórmula de composição é escrever sobre o que você sabe,” ela diz. “Crescer ouvindo James Taylor, Joni Mitchell, Carly Simon, Carole King… eles só escreviam sobre o que conheciam. Eles contaram histórias sobre o que passaram, experiências em primeira mão. Eles compartilharam isso com seus fãs e, portanto, sem querer criar este vínculo, e é isso o que meio que aconteceu comigo. Eu não sabia o que iria acontecer quando contasse histórias sobre minha vida, e quando acabei trabalhando eu entendi. ‘Por que mudar a razão pela qual eu componho?'”

Pessoalmente, assim como nos seus álbuns, Swift parece ser uma contadora de histórias muito natural. Quando ela descreve algo, ela realmente acerta isso. Aqui está o que ela acha sobre coração partido, por exemplo: “É muito complexo; você nunca está se sentindo apenas triste. Talvez você acorde e se sinta triste, mas então você fica com raiva, e depois se sente como “Eu estou bem”, e então você se sente confiante, depois com sensação de dúvida, então está insegura, depois com ciúmes, e então você está de volta à tristeza – e então se sente bem de novo.”

Ela é igualmente boa em escrever músicas, “Sabe quando você escreve um e-mail muito bom? Talvez seja um e-mail de despedida ou um de saudação, e você apenas sabe que você disse exatamente o que queria dizer naquela hora, e talvez você volte e o leia novamente, porque você está tão pasma pelo modo que você disse exatamente aquilo? Escrever uma música que você se orgulha é exatamente assim, mas então todas pessoas do mundo irão ter a chance de ler aquele e-mail.”

Existem muitos outros pensamentos vívidos como esse, uma série de explicações eloquentes que parecem surgir para Swift naquela hora. “Eu preciso de analogias em ordem para lidar com a vida.” ela ironiza num certo ponto. E elas continuam vindo. Celebridades paranoicas são como cachorros que mordem quando estão assustados. Relacionamentos são como semáforos. “E eu tenho essa teoria de que que só posso ficar em um relacionamento se a luz for verde.”

Esta parece minha deixa para tentar perguntar questões mais difíceis. Então, há algo corroendo Taylor Swift? Certamente não está sendo uma suave navegação para elas nesses últimos meses, nos quais seus percalços românticos (com outras celebridades de alto perfil como Conor Kennedy, e sim, Styles, o cabeludo da mega banda de pop One Direction) foram se tornando uma fonte de fofoca dos tabloides. Ela tem sido criticada por alguns blogs de celebridades e jornais por sua alegada loucura por meninos. Ela foi até mesmo desafiada por celebridades incluindo Amy Poehler e Tina Fey (que provocaram Swift no Globo de Ouro, uma semana antes da entrevista) e, de maneira revoltante, Robbie Williams (que, no Brit Awards 2013 disse que Swift estava “muito em forma”, antes de acrescentar que “Ela será minha em breve.”). A Women’s Weeklies que eu li (totalmente para fins jornalísticos) no meu trajeto para nossa entrevista diz que as emoções de Swift estão em pedaços, e que seu término com Styles está realmente afetando ela. Isso é verdade? Como ela está lidando com as coisas?

“Bem, eu acho que a única coisa que eu tento fazer o máximo possível é não me importar tanto com o que falam a todo momento”, ela disse, escapando com louvor do assunto Poehler/Fey, com uma diplomacia que se tornou sua marca registrada nas entrevistas. “Quando eu saio em público, ou vou ao mercado, se alguém me pergunta algo, eu sei que é algo grande. Se o caixa me diz: ‘Eu ouvi que você comprou uma casa na Inglaterra’ eu respondo: ‘Não, eu não comprei’.”

Ela diz que a maioria do que lemos sobre ela na mídia é um “personagem fictício”. Mas ela é impressionantemente calma, apesar de tudo.

“Sempre vai ter gente que escolhe uma coisa que você disse, inverte tudo e adiciona quatro pontos de exclamação depois, fazem uma citação e colocam isso como o título de uma matéria”, ela disse “Isso vai acontecer, mas no fim do dia eu tento me lembrar que isso é uma coisa que eu queria tanto, eu daria tudo pra tocar e compor músicas nesse nível e ter tantas pessoas assim ouvindo-as. O que vem a mais, honestamente, pode te dar dor de cabeça, mas é só uma dor de cabeça, sabe?”

Com o lançamento de Red, Swift revelou um lado muito mais cheio de questionamentos próprios e auto-depreciação em sua personalidade. No novo single ’22’, por exemplo, tem uma parte em que ela fala “Quem é Taylor Swift mesmo? ewww”. Em “I Knew You Were Trouble” ela admite, provavelmente pela primeira vez, que ela também é culpada pelo desastre romântico (“Se você viver a vida precisando se sentir como o cara bonzinho sempre, você está delirando”, ela explica). Em “We Are Never Ever…” onde ela fala sobre “CDs indie que são muito melhores que o meu”, ela admite, o que é raro para um popstar, que há gente por aí que não a considera “tudo isso”. Será que ela acredita que todas esses auto-depreciações fizeram com que ficasse mais fácil de se relacionar com suas músicas?
“Isso é sobre etiqueta, não é?” ela diz, pensativa. “Uma pessoa pode ter baixa autoestima, mas se você a provoca, está entrando em um território maldoso. Eu tento rir de coisas que acho engraçadas, mas se algo não é divertido, eu não vou rir disso, eu vou ficar magoada com isso.”

Caso você não tenha percebido, Swift se magoa. Muito. Crescendo em Wyomissing, Pennsylvania, ela sofreu bullying na escola, onde sua fixação por música country e sua aparente rigidez sobre ir cantar em noites de karaokê, partidas de futebol e no teatro jovem local – sem mencionar seu hábito de ir escondida para o banheiro durante as aulas para gravar pedaços ainda não terminados de músicas em seu telefone para ouvir depois – a afastaram dos outros. Depois de convencer seus pais a se mudar pra Nashville, com 14 anos, ela deixou pra trás o bullying no colégio, conseguiu um contrato numa gravadora e começou a ganhar muito dinheiro. Mas ainda parece ser algum tipo de alvo, para a imprensa, para os homens que ela ataca (como John Mayer, que disse a Rolling Stone ano passado que a música “Dear John” da Taylor era pobre em composição), mas também para pessoas como Kanye West (que a interrompeu no VMA 2009 durante seu discurso de agradecimento), ou o blogger da indústria musical Bob Lefsetz (que criticou sua performance no Grammy 2010, dando origem à música “Mean”, do álbum Speak now, terceiro da carreira de Taylor). O que há por trás do entusiasmo, da abertura e sinceridade da Taylor Swift é o fato dela ser um alvo fácil. Será que ela pensa que em algum momento isso poderá ser insuportável e influenciar na honestidade de suas composições? Eu menciono um comentário recente de Kat Stoeffel:”Eu estou preocupada com os jornalistas insistindo nas perguntas sobre como os ex-namorados da Taylor se sentem quando ela compõe músicas sobre eles (em vez de perguntarem o que acontece com ela) que ela pode acabar parando de fazer isso…”

A resposta de Swift é instantânea. “Se eu pensasse sobre blogs quando escrevesse minhas músicas eu seria muito reprimida”, ela afirma. “Eu estou tentando apenas viver uma vida. Esse é o objetivo principal: poder ser feliz – não ser feliz, quero dizer, estar satisfeita. Sabe, eu estou satisfeita com as incertezas da vida nos seus 20 anos. Há bolas curvas sendo atiradas em você constantemente, você não sabe exatamente sobre o que pensar a respeito de tudo, você não sabe necessariamente em que você realmente acredita – tudo paira no ar. Mas eu gosto disso. É emocionante.”

Agora, rapidamente, alguma coisa sobre namorados, certo? (Swift não gosta de falar sobre seus relacionamentos diretamente, ainda é sobre isso que todos querem saber – é uma grande perda para uma entrevista.). Eu trouxe alguns horóscopos de 2013 que rapidamente surgiram na internet que alguns videntes desenharam para Swift. Um diz que ela encontrará amor em terras estrangeiras (isso poderia significar Harry Styles?). Outro diz que ela terá um relacionamento com um lindo cowboy, ‘uma mistura de trabalho e romance’. ‘Er’, ela diz, rindo. ‘Eu estou interessada em ver como isso vai funcionar. Até agora, nada disso aconteceu.’ (Vocês ouviram aqui primeiro). Enquanto estamos ficando supersticiosos, nós falamos sobre 2013 num geral e se ela tem um sentimento assustador sobre isso – 13 é, acima de tudo, seu número da sorte, desenhado pelo seu aniversário em 13 de dezembro, e imortalizado para sempre em seu usuário do Twitter (@taylorswift13). Aparentemente ela vem sido seguida pelo número 13 a semana toda: em ‘endereços, números, placas, olhando as horas.’ Isso é suspeito, ela explica.

‘Eu tive [o número 13] bombardeado em mim em certos momentos quando eu tive a melhor noite e a pior noite ao mesmo tempo. Talvez eu tenha ganhado um ótimo prêmio mas eu fui muito criticada pela performance ou alguma outra coisa. Mas então eu escrevi uma música sobre essa performance e ganhei 2 Grammys por ela no outro ano. [Isso quer dizer que] as coisas estão se alinhando do jeito que deve ser. Isso, eu espero, tudo que está acontecendo ultimamente seja para o melhor. Então mesmo se, você sabe, você está atravessando tempos difíceis, coisas difíceis, coisas inesperadas que fazem você querer desistir por um segundo, eu acho que no ano de 2013, todas as coisas estão acontecendo por um motivo, certo?’

Os 40 minutos que passamos foram, bem, rápidos (“swift” em inglês significa rápido). Teve muitas coisas que só pudemos conversar superficialmente – o fato que ela já está em estúdio, escrevendo novo material, sua participação especial em CSI: Las Vegas (demais), a razão pela qual ela coloca mensagens em forma de códigos secretos (via letras maiúsculas  nas letras no encarte do seu cd (‘Eu tinha 14 anos quando decidi fazer isso. Eu pensei ‘Oh, não seria legal que as letras fossem como quebra-cabeças…e eu segui fazendo…os fãs gostaram tanto disso que sempre falam ‘Não deixe de fazer isso no próximo CD’). Mas o que fica comigo é a abertura à experiência e o entusiasmo sem constrangimento para o que ela faz, apesar dos altos e baixos que isso traz. Ela age mais como uma artista que se tornou famosa recentemente, do que uma que está prestes a embarcar numa enorme turnê norte-americana, cantando músicas do seu quarto álbum. Em tempo, seus olhos fixos firmemente, animada pelo presente, o qual, qualquer espectador tem que admitir, está parecendo muito bom para ela. O futuro, na sua natureza, é cheio de incertezas. Mas, obviamente, para uma pessoa com o copo quase cheio de água, ela está lidando em aproveitar esse prospecto também. ‘Eu meio que me dei conta que não tenho idéia de onde estarei no próximo ano, ou em seis meses, ou em dois meses’, ela diz, ‘Quer dizer, eu sei que vou estar em turnê em dois meses, mas não faço idéia de onde estarei mentalmente, emocionalmente, sonhos a buscar, desejos, esperanças. Eu não tenho idéia se eu vou me casar ou ficar sozinha para sempre ou ter uma família ou ficar sozinha. Você sabe, sozinha pintando em uma casa de campo perto do oceano. Eu apenas não tenho idéia e eu estou tipo dentro disso. Você pode fazer um quadro com todas as metas que você quer na sua vida com fotos nele, e isso é ótimo, sonhar acordado é maravilhoso, mas você nunca pode planejar o futuro.”

Tradução e Adaptação: Ana Luiza, Lívia, Patrícia, Érika e Eduardo

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