The Independent: Crítica do Lover – O som de uma cantora empenhada em ser sincera novamente
23/08/2019
The Independent: Crítica do Lover – O som de uma cantora empenhada em ser sincera novamente

O sétimo álbum de Swift parece uma ressurreição parcial da antiga Taylor Swift: com romance sonhador e sinceridade.

Faz dois anos desde que Taylor Swift anunciou sua própria morte. Reputation, o ótimo sexto álbum da cantora e compositora, é melodramático, matando a “antiga Taylor” e anunciando guerra contra todos que se atreveram a criticá-la. É sinceramente velado como uma paródia de si mesma, insegurança velada de serenidade – e tudo do melhor que podemos tirar desse difícil paradoxo. Mas o Lover, seu sétimo álbum, parece uma ressurreição parcial da antiga Taylor Swift: com romance sonhador e sinceridade.

Swift tem o hábito de dar um péssimo primeiro passo. O lead single do álbum, “Me!”, é errado em várias formas, um sorriso escancarado de algo que soa oco. Graças a Deus que o resto do álbum não é nada parecido com isso. A alegre abertura “Forgot That You Existed” é uma música em que Taylor fala sobre antigos ressentimentos e como se sente aliviada em fazer isso. “Algo mágico aconteceu uma noite”, ela canta. “Eu esqueci que você existia e achei que isso fosse me matar, mas não matou”. O título da música, entretanto, é pungente e sem compromisso, um lembrete da habilidade de Taylor de colocar suas experiências em algo específico e universal.

Na longa introdução do álbum, Taylor escreveu que ele é uma “carta de amor para o amor”. É um sentimento deliciosamente vago e parcialmente preciso – de outra forma, não poderia ressurgir. “The Man” – que tem uma dívida musical com o trio emo-pop MUNA – fala sobre os padrões da sociedade. “Estou tão cansada de correr o mais rápido que posso. Fico me perguntando, se eu fosse um homem já teria chegado lá?”, ela canta com uma harmonia chamativa e um sintetizador obscuro. É a maior declaração feminista que ela já deu e uma das músicas que mais se destacam no álbum. Se fosse um homem, ela declara, seria como o “Leo in St Tropez” – uma referência a Leonardo DiCaprio namorar modelos jovens e ninguém ligar. A vida amorosa de Taylor sempre é colocada em pauta: Até Tina Fey falou para ela ficar “longe do filho do ator Michael J Fox” algum tempo atrás. Complicado, né?

Taylor está em um relacionamento com o ator Joe Alwyn há três anos e “London Boy” é uma grande homenagem nerd ao lugar onde ele nasceu. Provavelmente será ridicularizado mas é pura alegria. “Eu gosto de caminhar na Camden Market de tarde” Taylor canta, antes de citar os nomes: Highgate, Hampstead Heath, Brixton, Shoreditch, Hackney, Bond Street e West End, referenciando os pubs, rugby e chás. Você já pode até ouvir os fãs ingleses gritando com seus pulmões “Eles dizem que casa é onde seu coração está, mas Deus eu amo o inglês”.

“Soon You’ll Get Better” continua e muda de forma abrupta o tom do álbum. Um tributo a mãe de Taylor, que voltou a ter câncer esse ano. É a música mais simples do álbum. The Dixie Chicks, aparentemente a banda favorita de sua mãe, oferece instrumentos de apoio, já que Swift admite suas próprias ilusões sobre guitarras country. “Pessoas desesperadas encontram fé então eu também rezo para Jesus”.

“The Archer” está longe de ser uma boa música, ela se constrói mas não pega vôo, como um avião sempre na mesma – mas “I Think He Knows” é excelente, com seu baixo canalizando o funk do Prince, mais 1999 do que 1989.
Em “Paper Rings”, os vocais são abafados e diminutos – como quando você gravava sua música favorita no rádio e ouvia em repetição.

Por volta da faixa 14, Lover começa a ficar bagunçado. Há um álbum brilhante entre as 18 músicas, se tivesse sido um pouco podado. Mas Swift nunca foi de reter, e é difícil se ressentir por isso. Este é o som de uma cantora animada para ser sincera novamente. Taylor Swift está morta. Viva a Taylor Swift.

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