A garota má domesticada?

Depois de seu álbum batalhador e do retiro dos holofotes em 2017, Swift está pronta para revelar seu novo projeto na sexta-feira. Discutimos o que podemos esperar.

O inverno está chegando — não, espera, saga errada. Se julgarmos pela contagem regressiva cheia de glitter em seu website, Taylor Swift está pronta para lançar algo nesta sexta-feira — provavelmente o primeiro single do seu sétimo álbum, conhecido por enquanto como TS7. E se formos levar em conta as dicas misteriosas em tons pastéis que ela tem revelado diariamente, o seu descontentamento com o inverno acabou.

O que isso vai significar para a sua, digamos, reputação — e dominação pop — fica para o futuro. Tudo será revelado na sexta-feira.

O The Guardian chamou 6 críticos para discutir o que essa nova era significa para a carreira de Swift.


Ela pode manter o pé em todos os gêneros ou ela deve renunciar à sua tentativa ao hip-hop?


Peter Robinson, Popjustice: As vendas relativamente decepcionantes do reputation levariam alguns artistas ao salva-vidas mais próximo: parceria com algum grande DJ, um hit latino que conquista grandes números ou uma parceria não muito convincente com um artista do k-pop. Seria desapontador ver Swift com um pé atrás e ela seria boba de se jogar tanto como se a sua fase imperial não tenha sido há quase meia década, mas tem um recuo que faria sentido sem parecer defensivo: se as referências ao hip-hop do reputation foram a conclusão lógica ao pop-para-estádio que Swift fez perfeitamente no 1989, um retorno às raízes de Nashville seria um recomeço em partes que seria crível e dentro da tendência. Também desviaria da competição direta com artistas que debandaram para o trono de ferro do pop nos últimos anos.


Ela voltará ao country?


Brittany Spanos, Rolling Stone: Mesmo quando ela se mudou para o pop de sintetizadores do 1989 ou no sombrio reputation, Swift nunca abandonou realmente suas raízes em Nashville. Por dentro, ela é uma contadora de histórias de Nashville com uma queda por hinos country, o que ela deixa bem claro em músicas como Style, do 1989, e Getaway Car.

Sempre a admirei por ter evoluído o quanto foi possível artisticamente. Depois do seu álbum autointitulado, seus três outros álbuns tiveram grandes evoluções para novos gêneros e ela mostrou que poderia reinventar as suas músicas sobre coração partido que são sua marca registada em uma forma de arte. E ela fez tudo isso nem alienar seu público-alvo, que estava crescendo com ela. Voltar para o country totalmente no TS7 seria uma regressão depois de correr tantos riscos — e abandonar sem pena o sotaque! — para descobrir do que ela capaz fora de lá.


Mesmo assim, posso ver ela incluindo alguns elementos de seu passado. Mas não imagino que ela vá referenciar sons mais antigos do que àqueles do Red. Esse foi o álbum que trouxe ela para a fase adulta e ajudou a estabelecê-la como uma estrela do pop capaz de simplificar os sentimentos e momentos indescritíveis do amor.


A sua visão política aparecerá na música?


Elle Hunt, the Guardian: Finalmente, Swift vem revelando sua preferência política, apoiando os Democratas nas eleições locais dos EUA e aparecendo para criticar a “retórica nojenta” de Donald Trump. Mas, sendo sincera, eu suspeito que isso vai continuar sendo em sua página do Instagram e não em sua música. Como compositora, Swift brilha quando suas letras estão focadas no amor e na sua perda — especialmente os pequenos momentos que capturam a dinâmica do relacionamento.

Os piores momentos do reputation são oblíquos e genéricos: compare “Eles estão queimando todas as bruxas, mesmo que você não seja uma” com “E você me liga de novo só para me quebrar como uma promessa/Tão casualmente cruel jurando ser honesto” de sua obra prima, All Too Well, do Red. Se ela vai se tornar mais ativa politicamente, ficaremos no aguardo. Mas pelo bem de suas músicas — o que ela provavelmente prefira que julguemos — esperamos que o seu foco permaneça restrito.


Ela precisa provar mais alguma coisa com o TS7?


Anna Leszkiewicz, New Statesman: Em 2016, a reputação de Taylor Swift era um problema. Depois que a briga pública com Kanye West e Kim Kardashian fez com que muitos tivessem a conclusão de que ela era uma mentirosa manipuladora que se escondia na narrativa de vítima, foi difícil de saber qual a direção que ela tomaria no sexto álbum que não seria ridícula. Então o reputation foi menos que uma curva e mais um arrasa quarteirões — ela deitou na imagem de menina má, ela passou pro cima disso.


Não acho que vamos ver outro álbum vingativo de Swift tão cedo. Nem acho que ela possa retornar para as histórias de inocência que fez com que ganhasse vários jovens fãs. A única coisa que ela tem a provar é das críticas que ela sofreu por ser uma estrela do pop não politizada em uma época em que a cultura pop é hiper-politizada. Mas não acho que seu próxima álbum será super-político. Acho que Swift pode confiar na felicidade doméstica que ela tem dado dicas que conquistou com seu namorado, o ator Joe Alwyn. No final das contas, dizem que a felicidade é a melhor vingança.


A sua estratégia de não dar entrevistas deve mudar?


Chris Mandle, escritor: Mesmo que sejam estrelas do pop diferentes em diversas maneiras, eu assisti ao documentário da Beyoncé no Netflix, Homecoming, com toda a sua intimidade falsa, controlada e chique imaginando se Swift estava sentada em seu sofá fazendo anotações. Ela fez um documentário para o Netflix ano passado — um filme ao vivo da reputation Tour — mas levando em conta que a Beyoncé fechou um acordo de três peças com o serviço de streaming, me surpreenderia se Swift não tivesse mais um engavetado. Tiveram manchetes criadas das falas de Beyoncé, mas elas estavam dentro dos termos dela. E teve uma espiadinha por trás da cortina, mas só uma espiadinha.

Swift não precisa abrir seu coração em entrevistas nessa altura da carreira, e ela não está sozinha: Rihanna está na capa da Harpers Bazaar deste mês sem entrevista. E tem a recente cada da Elle com Swift, que é um artigo escrito por ela sobre as Trinta Coisas que Aprendi Antes de Fazer Trinta. Dito isso, Swift tem um papel no remake em live-action de Cats que está chegando, então não me surpreenderia se ela achasse que a imprensa de Hollywood como a Vanity Fair e o Hollywood Reporter sejam os lugares para ela contar sua história. Ainda assim, ela precisa fazer algo para lançar este misteriosos álbum — uma capa marcante na Billboard, uma sessão de fotos que quebre a internet com a Paper. O fato de que é impossível prever é estranhamente animador.


A marca clássica de Swift consegue se manter nessa era de gêneros fluídos sem fronteiras?


Laura Snapes, the Guardian: Os rumores da ruína do pop são muito exagerados. É fantástico (e necessário há tempos) que o topo do pop tenha se aberto para acolher artistas ao redor do mundo, e tão rápido alguém como a Rosalía se torne uma estrela global, melhor. Mas enquanto artistas como ela e a banda de K-pop BTS estabeleceram uma forma de dominação mundial, eles não são nomes consagrados.


Esse tipo de supremacia vem com hits incontestáveis, algo que você imagina que, competitiva como Swift é, ela estará determinada a manter após ter o seu primeiro número 1 no Reino Unido com Look What You Made Me Do. Mesmo que a música não tenha sido feita para ser cantada junto como 22 foi, a quebra da tradição de lançamentos no último quarto do ano significa o desejo por um trunfo cultural: ver o seu retorno declarado como a música do verão.

Por mais trivial que a campanha do seu álbum seja — números escondidos em declarações ou imagens que rementem ao 26 de abril e roupas que refletem ao imaginário de cores pastel — está dominando as manchetes de entretenimento. Se ela voltar com um hit forte, ela poderá facilmente se encontrar no começo de uma segunda fase imperial.

Fonte: The Guardian.com





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