A volátil sensação do pop escolhe focar no amor ao invés de mesquinhez em seu novo disco.

Taylor Swift completará 30 anos no final deste ano, o que significa que ela tem sido uma musicista popular por quase metade de sua vida. Desde sua estreia em 2006, os álbuns de country alternativo tornaram-se marcadores de sua crescente maturidade, embora essa maturidade nem sempre tenha crescido a uma taxa constante. Ela começou sua carreira escrevendo canções sábias que pareciam ter sido escritas por pessoas com idade muito superior, mas ao mesmo tempo sendo tomada por valentões da escola, líderes de torcida e contos de fadas. Mesmo se transformando e eloquentemente escrevendo sobre colapsos de relacionamentos passados, ela muitas vezes se atrapalhava quando tentava derrubar amigos e outras mulheres. Ela cantou que a namorada de um ex era “mais conhecida pelas coisas que fazia na cama” em “Better Than Revenge” e dedicou “Bad Blood” a uma briga alimentada pela mídia com uma ex-amiga famosa. Todo mundo ama odiar ou odeia amar a Tay mesquinha, mas como ela se tornou adulta atrás de câmeras e cabines de voz, devemos nos perguntar onde a amargura termina e um caminho começa.

Swift escolheu abrir o Lover da forma mais madura que ela já fez, reagindo não com mesquinhez, mas com indiferença. O título “I Forgot That You Existed” diz tudo o que você precisa saber: “Não é amor, não é ódio, é apenas indiferença”. Como em “Welcome to New York” do 1989 e “Look What You Made Me Do” do Reputation, os singles iniciais que Swift lançou antes do lançamento oficial do Lover, “ME! e “You Need To Calm Down”, não refletem o resto do Lover e são as faixas menos interessantes do álbum. Essa primeira faixa serve como uma introdução ideal para o primeiro álbum que Taylor Swift possui inteiramente os direitos, declarando que ela não vai ficar no seu próprio caminho neste momento.

Mesmo que a produção de Lover (fortemente acompanhada por Jack Antonoff) e o marketing visual (pense em pastéis e borboletas) sejam os mais brilhantes da carreira de Swift, o conteúdo de suas músicas mostram a compositora em alguns de seus momentos mais sombrios. Com os sintetizadores de “Time After Time” de Cyndi Lauper, Swift é auto-crítica em “The Archer”. “Eu nunca cresci / Está ficando tão velho”, ela suspira. Ela compara a morte de um relacionamento a uma morte lenta em “Death by a Thousand Cuts”, de modo introspectivo, tomando o caminho para casa, com pensamentos existenciais passando pelas luzes da rua, e “tentando encontrar uma parte de mim que você não tocou”. Ela nunca ataca a inspiração da música, apenas reflete: “Deu muito, mas não foi o suficiente”.

A maturidade através da carreira de Taylor Swift também mostrou que ela reage a mudança pessoal em tempo real. A cantora comentou silenciosamente que o câncer de sua mãe voltou no início deste ano, o que serviu de inspiração para “Soon You’ll Get Better”, apresentando os Dixie Chicks em sua primeira música nova em 16 anos. A música é desprovida da pesada produção pop que Swift escolheu em seus últimos três álbuns, com um violão, um violino e as mais celestiais harmonias de sua carreira. Traz de volta memórias de Swift compondo para sua mãe em “The Best Day” do Fearless ou sobre ter sido deixada no cinema em “Never Grow Up” “Mas não faça ela te deixar no quarteirão / Lembre-se que ela está envelhecendo também ”, Swift cantou na faixa do Speak Now.

Em Reputation, Swift finalmente cantou sobre o amor verdadeiro, ao invés de fantasiar sobre ele através de príncipes e princesas e “Romeu e Julieta”. Esse amor (com o ator Joe Alwyn) está surpreendentemente muito vivo em Lover. “Paper Rings”, que agradavelmente parece ter sido tocada por uma banda fictícia no baile do colégio em um filme original do Disney Channel, faz Swift relembrar de quando ela stalkeou seu namorado pela Internet antes de dizer que ela se casaria com ele em anéis de papel. A faixa título inspirada no Mazzy Star traz de volta os pequenos detalhes que Swift incorporou tão engenhosamente no passado, como a fantasia de que “poderíamos deixar as luzes de Natal até janeiro”, mesmo que seja um momento muito apropriado para retirar as decorações do feriado.

Muitas das novas músicas de amor de Swift são menos alegres e otimistas. Em “Cornelia Street”, Swift lembra momentos em que ela pensou que seu relacionamento não duraria. É um medo que ela evocou em “New Years Day” do Reputation, agora usando sua casa alugada em Nova York como um símbolo de seu relacionamento vulnerável: “Espero nunca perder você / espero que nunca acabe / eu nunca andaria na rua Cornelia novo.” “Cruel Summer” que também conta com a co-composição de St. Vicent, é uma das canções pop mais perfeitas de 2019, que ao mesmo tempo se considera um intenso e doloroso romance de verão que envolve Swift se esgueirando por portões e chorando bêbada na parte de trás de um carro. O jeito que Swift grita espontâneamente, “Ele olha para cima, sorrindo como um demônio” é ao mesmo tempo engraçado, angustiante e emocionante, e precisa ser colocado em um loop do YouTube imediatamente.

Com 18 faixas de duração, há músicas que facilmente escorregam pelas rachaduras no Lover entre tantas faixas pop brilhantes. Swift segue os caminhos de “If I Were A Boy” da Beyoncé, “Like a Boy”, da Ciara, e até mesmo “Man-Size” da PJ Harvey em sua própria faixa “The Man”. “London Boy” apresenta um extenso itinerário para a cidade britânica com uma aparição surpresa de Idris Elba, e a suave e sexy “False God” é cheia de imagens religiosas, com Swift comparando o altar aos seus quadris.

Mas apontar o que poderia ter sido melhor sobre o Lover derrota o propósito do sétimo álbum de Swift. Depois de passar anos se tornando associada (muitas vezes injustamente) com amargura e ganhando consciência sobre a reputação que ganhou, Swift simplesmente escolheu o amor. É uma conclusão que exigiu muitos erros, sacrifícios e letras mesquinhas. Na última faixa do álbum, “Daylight”, escrita exclusivamente por Swift, ela reflete: “Eu quero ser definida pelas coisas que eu amo / Não as coisas que eu odeio… Eu só acho que você é o que você ama.” Maturidade para Taylor Swift significa ignorar o que não vale a pena lutar, olhando para dentro ao invés de culpar os outros, e ser capaz de admitir quando você está errado. “Antes eu acreditava que o amor era da cor de um vermelho ardente, mas ele é ouro”, diz ela na ponte da música, olhando para o passado e para o futuro com igual devoção.

Músicas essenciais: “Cruel Summer”, “Soon You’ll Get Better”, “Death by a Thousand Cuts”, e “Lover”

Matéria publicada pelo Consequence Of Sound e traduzida pela equipe TSBR.





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