24 de julho de 20 Autor: Julia Cardoso
Review: Taylor Swift é uma contadora de histórias

Review do álbum Folklore, feito pela musicOMH e traduzido pela Equipe TSBR.

Quase parece um sonho febril que Taylor Swift, uma devota do longo ciclo de divulgação de um álbum, tenha anunciado um álbum menos de 24 horas antes de seu lançamento. Com poucas oportunidades para os seus fãs (às vezes preocupantes) observadores, caçarem “easter eggs” nos últimos dias, as dezesseis faixas completas de folklore foram lançadas sem singles promocionais, muitas vibrações de florestas em tons de cinza e uma lista de faixas charmosas. Lançando o álbum porque “se você faz algo que ama, deve divulgar isso ao mundo”, assim como o título “folclore” – escrito em em letras minúsculas – sugerindo uma Taylor mais livre e uma troca de gênero mais do que entregue. Swift se uniu aos ícones do indie, Aaron Dessner do The National e Bon Iver, para nos dar um álbum conceitual cheio de romances agridoces e narrativas de filmes, firmemente em território indie-folk. Essa é Swift no seu sentido mais experimental, nostálgico e criativo; as histórias de foliões, adolescentes apaixonados e o mês de agosto passando rápido como uma garrafa de vinho, quase exigem ser tocados, e de preferência em vinil.

A música de abertura, The 1, é uma faixa finamente calibrada e habilmente escrita, que dá o tom para o resto do álbum: uma batida vibrante que lembra a suave faixa de jazz False God, misturada com piano suave e letras poéticas comoventes: “nunca pintamos por números, baby, mas estávamos fazendo valer a pena” “você sabe que os maiores amores de todos os tempos não existem mais”, “persisto e resisto à tentação de perguntar para você se uma coisa tinha sido diferente… tudo seria diferente?”. Os vocais de Swift são enigmáticos, suaves e a produção é fresca, permitindo que as imagens e a narrativa te hipnotizem. A produção segue o exemplo do resto do álbum, em que o Folklore é sonoramente e razoavelmente acústico, comparado a grande parte da discografia recente de Swift, mas completamente cheio de imaginação e maravilha.

Exile, com Bon Iver, é a irmã mais velha e madura de The Last Time, do álbum Red; A voz de Justin Vernon é caracteristicamente forte, e a ponte é um verdadeiro destaque – melhorando a cada verso ao observarmos tragicamente duas pessoas que não conseguem seguir o mesmo caminho. Esse é um tema predominante em grande parte de folklore: Swift explora a extravagância caprichosa da vida e do amor. Inspirada pelo fato de os tempos atuais terem mostrado a todos que “nada está garantido”, esse tema aparece nos personagens que ela criou e faz você querer chama-los de amores perdidos.

Parece emocionante – com o tema assombroso de My Tears Ricochet (sobre um fantasma assistindo seu atormentador aparecer no funeral) e Epiphany, uma peça teatral e expansiva com trombetas de marechal que refletem o assunto de batalha. Betty é mais otimista – perfeita para quem amava Taylor antes de se tornar uma sensação pop, brilhando com uma gaita funky, que explora um garoto de 17 anos um pouco inconstante que ainda está aprendendo a se desculpar. Invisible String é um confronto quase caótico de folk, blues e pop; simultaneamente calmante e muito divertido – o sucessor lírico do titular Lover, essa mostra Swift usando sua estrutura de música country nativa e aplicando-a esse som mais adulto.

Folklore é liricamente e musicalmente complexo, um fluxo de consciência criado em grande escala. Cheio da sagacidade característica de Swift (como The Last Great American Dynasty), seu amor pelas melhores memórias feitas em momentos simples (Invisible Strings e Cardigan) e um toque de sua nova voz política em Mad Woman. É lamentável, no entanto, que esse álbum não abranja mais esse escopo político, já que Miss Americana e The Heartbreak Prince no álbum Lover, do ano passado, foi super necessário.

Taylor Swift é conhecida por defender o formato de álbum como um corpo de trabalho célebre, pressionando esse modelo contra a forma mais popular no mundo artístico (de se concentrar em vendas de singles). Ela também é conhecida por seu meticuloso planejamento de álbuns, inicialmente lançando seu trabalho a cada dois anos (durante 7 álbuns). Essa surpresa surpreendente, então, desmorona ou invalida o castelo que Taylor construiu muito delicadamente nos últimos 14 anos? De modo nenhum. No geral, Folklore é um sucesso inesperado – uma trajetória tão diferente do Lover de 2019, que você pode sofrer chicotadas se você pular de Cruel Summer direto para Hoax.

O que o Folklore finalmente alcança em sua narrativa de escapismo, é a noção de que Swift não é uma das maiores artistas do século XXI somente porque seu trabalho é autobiográfico ou porque ela deixa pistas habilmente elaboradas que antecederam seus álbuns (embora todas sejam elementos interessantes), mas porque ela é, antes de tudo, uma contadora de histórias. Folklore é triste, bonito, um pouco trágico, um pouco fora do comum, mas acima de tudo, parece livre. Parece que Swift se tornou aquele disco indie muito mais legal que o dela, de We Are Never Ever Getting Back Together.





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