Que comecem os jogos políticos!

Nessa semana, com o encerramento do período de elegibilidade do Grammy, a indústria musical está voltando sua atenção para quem conseguirá entrar na lista de indicados à cerimônia que reconhece álbuns e músicas lançadas entre 1 de Setembro de 2009 e 32 de agosto de 2020.

Como sempre, a competição envolve uma mistura de super estrelas conhecidas (como Taylor Swift e The Weeknd) e estrelas em ascensão (como Roddy Ricch e Megan the Stallion); as gravadoras e acionistas correm para garantir um lugar de seus artistas nos olhos dos membros da Academia, que iniciarão a primeira rodada de votações em 30 de Setembro.

Ainda assim, os 63 Grammys – que serão entregues em 31 de Janeiro – estão sendo moldados de forma específica devido à pandemia do COVID-19, que tem derrubado a indústria da música. Outro fator também são os protestos que trouxeram novas interrogações sobre como a indústria lida com questões de raça.

Também há uma histórica eleição presidencial por vir, com resultados que certamente influenciarão nas indicações deste ano (A academia não disse quando divulgará os indicados, embora no ano anterior tenha sido em 20 de Novembro).

Assim como as eleições, algumas pessoas também expressaram preocupação pela integridade do processo de eleição do Grammy, depois que a ex-CEO da Academia, Deborah Dugan, que foi afastada em março, afirmou que a votação era manipulada por um comitê secreto de troca de favores. Em junho, a Academia disse que estaria implantando novos protocolos, a fim de que todos os membros revelassem quaisquer conflitos de interesse que pudessem ter com artistas com potencial de indicação – e que qualquer um que escondesse essa relação poderia ser banido de participar no futuro.

A maior categoria da noite “álbum do ano” será observada de perto pelo possível retorno de Taylor Swift depois que seus dois últimos álbuns, incluindo Lover, de 2019, foram deixados de fora da categoria que ela já venceu duas vezes. O tradicional “folklore”, que a cantora fez na quarentena e lançou em Julho com apenas um dia de aviso prévio, garantiu ótimas avaliações e está em sua quinta semana seguida no topo da Billboard 200. Fontes internas dizem que as declarações recentes de Taylor sobre o Presidente Trump e o Black Lives Matter – uma grande mudança dos dias que ela se afastava da discussão de assuntos de cunho politico – muito provavelmente melhoraram sua imagem aos olhos dos votantes de visão liberal.

Ainda assim, muitos membros da academia reconhecem que uma vitória para Taylor Swift poderia se mostrar como um problema de ótica em um momento definido por lutas e justiça racial. O que complica esse argumento é que não há candidato perfeito para álbum do ano – leia-se, não há álbum do Kendrick Lamar possível de receber essa indicação – para que os votantes escolham (e sejam vistos escolhendo) como forma de uma grande expressão de protesto.

Não importa quem sejam os indicados, os especialistas concordam que as campanhas para a premiação vão ser muito diferentes devido ao COVID – sem shows, sem festas e sem conversas após apresentações íntimas no Museu do Grammy.

Matéria publicada pela LA Times e traduzida pela Equipe TSBR.





Twitter do site

Facebook do site

Scroll Up