Escrito por Aline em 27 de agosto de 2018

Sem contrato, Taylor Swift poderá fazer história

A partir de novembro a superestrela estará live para assinar um novo contrato desde que ela tinha 15 anos. E com certeza será grande.

Vamos falar de espaços em branco: Taylor Swift está prestes a ter um no lugar em que a sua ligação com uma gravadora fica. Em menos de três meses ela estará livre, enquanto o primeiro aniversário do lançamento de seu sexto álbum, “reputation”, marca a data final de suas obrigações com a Big Machine Records e seu fundador/CEO Scott Borchetta, que contratou Swift quando ela apareceu para ele como uma pequena cantora de country aos 15 anos.

Agora com 28, e entre as artistas femininas de mais sucesso na história moderna da música — sem nem dizer que é uma grande empresária por si só — Swift ja está livre para negociar com companhias rivais, ainda que não possa assinar um novo compromisso antes de novembro. É sabido que seus representantes já conversaram com as maiores gravadoras, junto com conversas para continuar com a Big Machine, o selo independente distribuído pela Universal Music Group e com sua base em Nashville que se tornou uma grande força com Swift como principal artista.

Ela não poderia estar em uma melhor posição para atrair pretendentes: Swift ainda vende álbuns em uma época pós-CD (antes do 3x platina, “reputation”, os primeiros cinco álbuns dela foram todos certificados pela RIAA por venderem entre 6 a 10 milhões de cópias, começando uma sequência que nenhum outro artista pode reivindicar). Ela já abraçou com tudo o streaming, depois de uma briga em que ela foi a face da resistência contra o gratuito. A Pollstar divulga que 100% dos ingressos foram vendidos para as 18 primeiras cidades em sua turnê de 2018 — rendendo entre $5 e $9 milhões por noite em espaços que tem capacidade entre 47000 e 62000 — rendendo certa redenção depois de a mídia ter desconfiado do modelo de preços variáveis.

Mas a chave para o futuro dos negócios da Taylor Swift Ltda é a posse do original das gravações dela. Swift muito provavelmente vai manter os direitos para os seus originais em seu próximo contrato mas não é segredo que, como muitas grandes estrelas, ela gostaria de negociar a posse de seus álbuns anteriores, que ainda estão nas mãos da Big Machine. Cerca de 80% do lucro da gravadora é derivado da música de Swift, segundo uma pessoa que possui conhecimento da indústria. (A Big Machine não quis comentar, assim como a equipe de Swift)

Leilões em potencial não acontecem todos os anos e os números podem ser históricos. Muitas fontes da indústria da música notam que não está fora de cogitação a possibilidade de que Swift possa negociar a ordem de $20 milhões por álbum.

“Não existe um precedente para se basear no que condiz a uma artista campeã de vendas na era digital ficando sem contrato”, diz Doug Davis da The David Firm’s, um dos grandes advogados da indústria da música. “Taylor Swift está em um ponto extraordinário de sua carreira em que ela pode assinar o seu próprio cheque nos termos comerciais e na estrutura do acordo. Se ela quiser quebrar recordes financeiros e continuar com uma das grandes, ela poderia ser a artista com o melhor negócio do século até aqui. Se ela quiser ser criativa e escolher uma maneira alternativa de capitalização, ela poderia criar o seu próprio modelo de negócios. É bem animador.”

A Variety conversou com diversas fontes do alto escalão da indústria sobre como as coisas podem desenrolar para a cantora de “Shake It Off” e chegou em quatro cenários:

O modelo faça-você-mesmo pós-grandes gravadoras: Ela precisa mesmo de uma gravadora de verdade? “Na verdade, o único papel das gravadoras é lidar com a rádio e internacional”, diz um ex-chefe de uma grande gravadora, “o resto é tudo bobagem se eles não estão desenvolvendo um artista. Ela pode até querer a rede de proteção de uma gravadora. Mas ela poderia fechar um ótimo acordo de distribuição em qualquer lugar, contratar algumas pessoas e pagar por alguns serviços que as plataformas de streaming logo vão ter, mas ainda não tem”. Pode ser difícil de resistir se aventurar por este caminho para alguém que já lida com a maior parte das obrigações que uma gravadora teria — desde a parte de artistas e repertório para o design do álbum para a publicidade da maioria de seus vídeos — com a seu equipe própria.

Assinar com uma das grandes que não é da Universal: Qualquer um das grandes gravadoras pularia na oportunidade de contratar alguém que indiscutivelmente é uma das três ou quatro grandes artistas do mundo. As complicações só viriam quando as diversas ramificações são consideradas. Uma fonte da Sony nota que seria arriscado assinar com ela na Columbia, em que ela teria que dividir o oxigênio com duas das outras peso-pesado: Beyoncé e Adele… mas ela seria a indiscutível campeã nos outros selos da Sony, sem nem mencionar a Warner Music Group. Uma fonte de alto escalão da Sony gostaria de ver ela fechando um acordo com a sua companhia, mas acredita que as probabilidades deles dependem realmente no que Borchetta está disposto a fazer, dizendo que “não podemos nem negociar” se a Big Machine decidir abrir mão dos originais.

Sair da Big Machine mas continuar dentro do ecosistema da Universal Music: Muitos veem neste o cenário mais provável, já que existe certa tensão com a Big Machine mas a Universal tem muito mais a perder do que os direitos de se metidar ao não fazer mais parte dos negócios de Taylor Swift. “O presidente da Universal Music Group, Lucian Grainge, vai fazer tudo que estiver em seu poder para se certificar que ela não vá embora”, diz uma fonte da gravadora. “Tenha em mente que a UMG quer vender 50% da companhia. Se alguém oferecer $100 milhões para ela, ele oferecerá $120 milhões”. E o sela da Republic seria o lugar óbvio para ela ir dentro da UMG, já que eles tem um relacionamento bem frutífero desde que ela foi para o pop e precisava de uma ajudinha do departamento de promoções nas rádios Top 40, coisa que a Big Machine não tinha. “Essa é a equipe que tem parte do crédito de ter te feito uma das maiores estrelas do mundo”, diz uma fonte da UMG. “É um risco mudar isso no meio do jogo”.

Bem-vinda (de volta) para a Máquina: Borchetta já sinalizou no passado que ele não vai desistir o que provavelmente é o maior ativo da companhia: os originais de Swift. Aparentemente não existe nenhum avanço em vista entre as partes que sugira que alguém vai desistir… o que pode deixar a Big Machine na posição de abrir mão de uma parte do futuro de Swift para garantir um pedaço maior de seu passado. “O ônus está no Borchetta”, diz uma fonte bem posicionada. “Ele quer estar nos negócios de Taylor Swift no futuro? Se ele quiser, vai ter que fazer alguma coisa”.

O quão valioso são os originais dos álbuns passados de Swift se eles garantirem eles? “O catálogo para o streaming está no pico — uma bolha no pico, talvez, mas ainda é um pico”, diz o analista da indústria Mark Mulligan. “Então qualquer gravadora colocaria prioridade em manter a posse dos direitos de álbuns de grande sucesso como prioridade”. Mas os direitos de licenciamento para a sincronização das suas músicas antigas não seriam possíveis sem Swift permitir o seu uso, o que estaria dentro de seus direitos como compositora, bloqueando a capacidade da Big Machine em fazer qualquer outra coisa com as músicas além de colocarem em stream.

Swift e Borchetta vão chegar em um acordo? As chances disso dependem com quem você conversa: uma fonte da gravadora acredita que as diferenças são realmente irreconciliáveis, mas outra próxima dos dois lados diz “é como família” — uma família tensa — em que os laços sanguíneos podem se provar mais fortes que a competição.

Fonte: Variety