Taylor Swift larga o drama dos tablóides em álbum mais intimista até agora
Sexto álbum mostra o lado mais sombrio e profundo da maior mente do pop

“Eu juro que não amo o drama — é ele que me ama!” Isso que é um credo que resume a Taylor Swift do reputation. Então descanse em paz, Velha Taylor, e pelo visto também a Nova Taylor, porque reputation é a Nova Nova Taylor. Swift passou a maior parte do ano passado fora do radar, se retirando da atividade da mídia — um grande desafio para uma estrela que compartilha tão constantemente seus sentimentos, isso sem falar nos sentimentos de seus gatos. Taylor desligar seu telefone era o equivalente a Leonard Cohen se mudar para um monastério Zen por cinco anos.

Pelo som de seu excelente sexto álbum, Swift passou esse tempo em lugares mais profundos, sombrios e introspectivos. reputation é seu álbum mais íntimo –um ciclo de canções sobre o sentimento de parar de correr atrás de romance e começar a deixar a vida acontecer. Como uma das maiores mentes do pop de todos os tempos, ela está tentando algo novo, como sempre faz. Mas, porque ela é Taylor Swift, ela não pode deixar de ser turbulentamente, excessivamente, exaustivamente, gloriosamente, unicamente ela mesma. Não se engane, o caso dessa garota com o drama está vivo e bem.

O mundo estava esperando que o reputation fosse uma festa de auto-piedade de celebridade depois de seu single “Look What You Made Me Do”, lançado em setembro, expressar toda a mágoa que ela tinha de ser maltratada por outros famosos. Mesmo que você ache que as reclamações dela foram completamente justificadas, elas pareceram um triste desperdício do tempo criativo dela, e muitos fãs temiam a ideia de todo um álbum cheio delas. Mas sinto muito, mundo –essa foi apenas uma manobra Swiftiana pra desviar a atenção, porque não tem mais nada como aquela música no reputation. (Ufa.) Em vez disso, ela está jogando com riscos emocionais maiores –este é um álbum cheio de canções de amor adultas e pessoais. É uma mudança de direção ousada para uma compositora que conseguiu tantos sucessos brilhantes sobre a caça da próxima emoção romântica. Taylor pode amar os jogadores, mas nunca tanto quanto ama o jogo.

Todos conhecemos a Taylor bem o suficiente pra não tratar suas músicas diretamente como uma autobiografia, mas, depois de um ano de relacionamento com o ator Joe Alwyn, ela definitivamente não está fazendo canções de término. Pérolas como “Dancing With Our Hands Tied” e “New Year’s Day” são histórias de um amor a longo prazo que não acaba com um cachecol escondido em uma gaveta. Como ela canta em “Call It What You Want”, “Ninguém tem notícias minhas há meses/Estou melhor que nunca”. As músicas são cheias de detalhes do dia a dia — derrubar vinho na banheira, construir fortes com cobertores. Mas elas também exploram uma questão oportuna: o que acontece com a sua identidade quando você dá um passo pra trás e pára de se definir pelo jeito que os outros veem você?

Há uma quantidade surpreendente de sexo (“arranhões nas suas costas” é uma novidade pras letras da Tay) e sua primeira gravação com um palavrão, na parte em que zomba de seus ex-namorados na superba “I Did Something Bad”: “Se um cara fala bosta, então eu não lhe devo nada“. “Dress” se constrói no refrão “Só comprei esse vestido pra que você pudesse tirá-lo”. Mas, mesmo quando a Sra. Cavalo Branco está sendo indecente e xingando, ela não resiste a rir de si mesma. Até o título é é uma esperta piada interna, já que Taylor sempre gostou de cantar sobre seus vestidos –é como se Bruce Springsteen chamar uma canção de “Car”. “End Game” é sua colaboração R&B altamente estranha e divertida com Future e Ed Sheeran –esse sim é um trio que ninguém imaginava. Enquanto os dois pretendentes juram sua devoção, Tay se faz de recatada (“Você não tem caído em nenhum dos meus truques/Então aqui vai a verdade dos meus lábios vermelhos”) e confessa, “Eu enterro os machados de guerra, mas guardo mapas de onde os enterrei”.

reputation constrói em cima do synth-pop do 1989 –ganchos geniais explodindo em sons bombásticos, com a produção dividida entre o time de Max Martin e Shellback (“2 suecos e 1 Swift”) e Jack Antonoff. A delirante “Getaway Car” registra um triângulo amoroso que começa em um lugar chique (“as gravatas eram pretas, as mentiras eram brancas”) só pra virar cinza em um motel barato com a compreensão de que “nada de bom começa em um carro de fuga”. E, caso você temesse que ela poderia aposentar a Taylor Implicante, “This Is Why We Can’t Have Nice Things” manda beijos pra uma amizade elegante que a acompanhava em festas (“se sentindo tão Gatsby aquele ano inteiro”), como uma “Better Than Revenge” de super alto orçamento.

A palavra “reputação” aparece em algumas das músicas –não em referência à sua imagem pública, mas ao dilema de como renunciamos nossa identidade ao contar as curtidas que acumulamos todos os dias, um dilema muito mais fácil de se identificar. De certa forma, esse sempre foi o tema das composições dela, desde o ambiente de ensino médio presente em seus primeiros álbuns –ela sempre cantou sobre garotas lutando para não internalizar a misoginia ao seu redor, desde “Fifteen” até “New Romantics”. Como ela descobriu, essa luta não acaba quando você cresce. (Por isso que ela passou o verão em um tribunal quando poderia estar na praia.) Para esse toque de luxo de auto-expressão, Tay recorre aos impressos com as aguardadas revistas do reputation. As duas edições de 72 páginas estão cheias de letras de música escritas à mão, fotos, poesia (“May your heart be breakable/but never by the same hand twice”, “Que seu coração possa sempre se partir outra vez/mas nunca duas vezes pela mesma mão”) e pinturas em aquarela, embrulhadas por manchetes falsas que vão de “Gatitude: Meredith está fora de controle!” a “Quem é o pai verdadeiro de Olivia?”.

Swift não muda para o modo de balada com frequência no reputation, o que é uma pena de verdade –se você é um fã dos épicos dos lencinhos como “All Too Well”, “Clean” e “Last Kiss”, pode imaginar o violão dela sozinho no canto, pigarreando impacientemente. Mas ela guardou a mágica para o encerramento matador, “New Year’s Day”, que continua uma sequência de terminar cada álbum com uma balada arrebatadora que faz explodir em lágrimas. É o momento mais calmo do reputation, mas é o mais poderoso –ela acorda depois de uma festa glamorosa de Ano-Novo (“Glitter no chão depois da festa/Garotas carregando seus sapatos no lobby lá embaixo”) e reflete no que tem para chamar de seu, que é o não-tão-glamoroso parceiro com quem vai passar esse dia não-tão-glamoroso. É um pequeno momento entre duas pessoas, um momento que o resto do mundo nunca vai notar. E, ao longo de todo o reputation, Swift faz esses momentos soarem colossais, da forma que apenas ela pode.

–Rob Sheffield
4/5 estrelas

(Texto original)





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