19 de maio de 18 Autor: Erika Barros
[REVIEW]: Taylor Swift no Rose Bowl pelo Daily Bruin

A reputation tour de Taylor Swift cristalizou a sua transformação de queridinha enjoativa para uma superestrela endiabrada.

Mas a sua apresentação sugere que a sua metamorfose aconteceu totalmente do seu jeito.

Swift radiava uma autoconfiança sem expressar nenhum remorso na primeira noite da sequência de shows em Los Angeles da “reputation” tour. O set list, que continha principalmente as músicas atrevidas do álbum homônimo lançado em 2017, com toques suficientes das favoritas dos fãs dos álbum anteriores e momentos de conexão sinceras que lembravam a quem escutava que a antiga Taylor está longe de estar morta: ela só cultivou algumas presas.

O show começa com uma montagem em vídeo de narrações e clipes antigos de críticos acabando com Swift por ter construído uma reputação de guardar mágoas, agir de maneira pouco autêntica e se fazer de vítima. Enquanto o caos audiovisual acelerava para o seu pico, Swift aparecia no palco em meio a uma nuvem de fumaça, imediatamente eletrizando o lotado Rose Bowl.

Os dois números que fizeram parte do ato de abertura, “… Ready for It?” e “I Did Something Bad” comandaram o público enquanto os dançarinos em figurinos totalmente pretos levantavam a estrela do pop e a giravam reverencialmente no centro do palco. O ato de abertura, completo com pirotecnia e um fundo de luzes vermelho sangue, capturavam a intensidade endiabrada da descendência de Swift a uma camada de inferno.

Swift se distanciou da direção purgatória da apresentação ao conversar com a plateia. Encarando de olhos arregalados e impressionados para as 60.000 caras e celulares que estavam virados para ela, lembrou que esta era sua primeira apresentação solo no Rose Bowl, mas uma de várias no sul da Califórnia. A sua primeira na região, ela disse, tinha sido há mais de uma década para uma plateia menor que 40 pessoas.

Mesmo que esta apresentação fosse a estreia de Swift no local, poderia muito bem ter sido o seu 500º show no gigante estádio. Swift desfilou perfeitamente pelo palco, exalando um magnetismo que segurou a atenção total do público entre os diversos dançarinos e designs de palco elaborados.

Mas um show dela estaria incompleto sem as enormes cenografias que ajudaram a encher o enorme estádio. A maioria seguia uma temática reptiliana — uma cobra-rei gigantesca saía do meio do palco durante “Look What You Made Me Do”, e motivos de pele de cobra apareciam em macacões, acessórios e vídeos durante o show.

Entre os motivos de cobras e batidas eletrônicas das suas músicas mais recentes, grande parte do show foi dominado por uma vibe agressiva. No entanto, as apresentações de Swift estavam longe de ser unidimensionais: A cantora amenizou a sua personalidade durona da abertura ao ressuscitar as músicas dos seus álbuns menos abrasivos, deixando claro que ela não se livrou totalmente do seu lado mais doce.

Corações rosas tomaram conta do telão do palco durante “Love Story” do álbum de 2008, Fearless, e imagens de fãs em molduras de polaroid encheram as telas durante “You Belong With Me”. Ela cantou o single de 2014, “Shake It Off”, com as cantoras Charli XCX e Camila Cabello, que abriram a apresentação principal de Swift. Mais tarde, Sift também convidou o cantor pop de 19 anos, Shawn Mendes, como convidado especial para cantar o seu single “There’s Nothing Holdin’ Me Back”. A energia jovial de Mendes lembrava ao espírito adolescente que Swift não tem demonstrado tanto desde as músicas de seu álbum de 2012, “Red”.

Taylor deixou de lado os instrumentais carregados na guitarra que acompanharam a maior parte dos números animados para dar lugar a algumas músicas acústicas, incluindo uma versão de “New Year’s Day”, a qual ela se apresentou em um piano de cauda. Ela também tocou uma versão acústica de “Dancing With Our Hands Tied” — que ela cantou em um dos dois palcos menores e alternativos que ficavam bem no meio do Rose Bowl.

“Eu quero que esse show pareça o menor e mais íntimo o possível”, ela disse enquanto sorria para os dois lados do vale que era o Rose Bowl desde a sua ilha improvisada.

Swift incluiu uma dimensão de intimidade em sua apresentação com monólogos esporádicos, nos quais ela contava com um carisma perfeito e o tom seguro de quem declama uma poesia. Eles serviam de instrumentos de transição — ela terminou o primeiro ao dizer que a audiência estava em “um nível acima de beleza” para suavemente entrar em sua música “Gorgeous” — assim como as suas auto reflexões que amarravam o show com uma temática recorrente de superar o medo da vulnerabilidade.

Swift flutuou do palco menor para o palco principal através de um tipo de teleférico que tinha o formato de um esqueleto de cobra — um símbolo visual que indicava que o show estava prestes de sair das recordações bonitinhas para as suas músicas mais duras. Ela cantou um medley vingativo de “Bad Blood” e “Should’ve Said No” enquanto o seu palco se reconfigurava em um parque industrial de barras, com dançarinos se jogando entre os andaimes de metal

 

Na última transição do palco, ele foi transformado em uma mansão enorme, com um fonte de água que realmente funcionava bem no meio do palco. Swift cantou na frente daquela que poderia ser a sua própria casa as últimas frases da sua última música, “This Is Why We Can’t Have Nice Things”, com confete e fogos explodindo do palco. A sua celebração final foi um ponto de exclamação no final de um show extravagante e de tirar o fôlego, que serve como uma poderosa resposta para seus detratores de que ela é — e continuará sendo — um sucesso do entretenimento

Fonte: DailyBruin





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