Taylor Swift não parece uma pessoa má. Mas ela está tentando de verdade.

Na segunda data de sua “Reputation Stadium Tour”, e a primeira de duas no Levi’s Stadium em Santa Clara nesta sexta-feira (11), ela emergiu pronta para a batalha.

Sob as chamas que foram lançadas acima do palco e os holofotes que piscavam, levantada por um exército de dançarinos usando armaduras estilosas que brilhavam com a luz vermelha, Swift apareceu ao som de “…Ready for It?” e seus gritos de “Let the games begin! Let the games begin!”.

Depois de um período particularmente difícil em que uma série de brigas bem públicas com popstars, ex-namorados e toda uma indústria (todas revividas vagamente em um teaser antes do show) a fez cair em desgraça, ela não quer mais deixar pra lá –quer quebrar tudo.

É um papel que ela parece estar aproveitando.

Com batom vermelho como sangue, botas de cano altíssimo e um macaquinho preto brilhante, ela parecia a femme fatale de um filme de James Bond passando por músicas como “I Did Something Bad” (“It just felt so good!”) e “Look What You Made Me Do” (“I don’t trust nobody and nobody trusts me!”), ambas de seu álbum mais recente, o 3x platinado “Reputation”, lançado em 2017.

Mas não demorou muito para que as rachaduras da armadura de sua nova persona aparecessem.

Começou com alguns agrados no começo da noite, logo depois de ela comentar sobre o tempo quase perfeito.

“Eu já fiz vários shows na Bay Arena nos últimos 15 anos”, disse Swift para a plateia lotada de 55 mil pessoas. “Vocês são sempre tão incrivelmente acolhedores… vocês são de outro nível.”

No fundo, ela continua sendo alguém que gosta de agradar, e nenhuma mudança de postura é capaz de esconder isto. Então, mesmo quando o palco estava tomado por cobras virtuais, infláveis e mecânicas de todos os tamanhos –uma resposta a ser chamada de cobra por Kim Kardashian (uma longa história)–, Swift abandonou a carranca piegas e abraçou o momento por completo.

Além do mais, seria impossível não se sentir abençoado por um medley de “Style”, “Love Story” e “You Belong With Me”.

Swift fez bom uso do estádio, indo a dois palcos menores no meio da pista para um set acústico, uma versão completamente maluca de “Shake It Off” em que Camila Cabello e Charli XCX se juntaram a ela e “Blank Space”.

Ela também não desperdiçou um segundo do set de mais de duas horas, garantindo –com o uso de pulseiras iluminadas que eram entregues à plateia antes do show– que mesmo aqueles nos cantos mais distantes do estádio se sentissem parte do show na balada exuberante “End Game” e em uma versão insana de “Bad Blood”.

Com a nêmesis Katy Perry fazendo uma oferta de paz através de, literalmente, um galho de oliveira no dia de abertura da turnê, e Kanye West mais uma vez fazendo papel de imbecil por conta própria, muito do efeito das músicas feitas para derrubá-los foi perdido. Swift não foi uma antagonista muito convincente, mas conseguiu se manter real com os fãs.

“Eu decidi tirar um tempo para descobrir como seria minha vida sem os holofotes em mim o tempo todo”, ela disse, explicando a breve pausa que fez antes de lançar o “Reputation”. “Obrigada por entenderem que eu precisava daquilo. E um milhão de vezes obrigada por estarem aqui quando eu voltei.”

Fonte: SF Gate