Resenha: “1989 Tour Live”


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  • Publicado em 22 de dezembro de 2015

Atendendo pedidos, o TSBR encomendou uma resenha fresquinha do “1989 Tour Live” que foi disponibilizado no Apple Music (e que a gente ensinou aqui como acessar) neste último domingo (20). E, para começar, já deixo claro que ela foi escrita na medida em que eu ia assistindo tudo pela primeira vez — antes disso, só tinha lido comentários.

Logo no começo, temos Taylor explicando em um voice over sobre como ela sempre imaginou cantar para 70 mil pessoas, e como todas elas estariam iluminadas. Como ela imaginava o que aconteceria se ela convidasse as pessoas mais incríveis do mundo para se juntar à ela no palco. Tudo isso combinado com a sensação de se perder toda noite e não querer que algo acabe é o que faz a “The 1989 World Tour”, o que é um resumo bem consistente com aquilo que era a premissa inicial: o show, gravado em Sydney na Austrália, combinado com alguns convidados especiais.

As imagens aéreas do estádio logo no comecinho, ainda em preto e branco, são beeem bacanas, principalmente como na edição conseguiram casar isso muito bem com as imagens do cenário de “Welcome To New York“, que abre o show (e que, convenhamos, parece que foi feita com a turnê em mente uma vez que, de todas as músicas do álbum, é aquela que mais tem a vibe de “começo de show”). A interação com as imagens do telão continua durante a música, junto com os cortes rápidos que são quase que uma marca do diretor Jonas Akerlund, que se aproveita dos inúmeros ângulos para dar destaque em alguns movimentos da coreografia de Taylor e dos dançarinos e gosta (bastante) dos takes em slow motion.

Assim como no álbum, Taylor diz começar a “história” do show em New York. E logo que finaliza a música que abre o show, New Romantics já começa no embalo em um cenário com postes e bancos de praça. Diferentemente daquilo que vimos no show da “Speak Now World Tour” — que também ganhou a sua versão gravada — nessa turnê tivemos uma Taylor bem mais “performática” no lugar de algo um pouco mais “teatral”. Eu explico: agora, ela literalmente não para no lugar! Mesmo que a coreografia não seja o seu forte, ela sempre tá arriscando uns passinhos e indo de um lado pro outro no palco e abusando da enorme passarela dessa turnê. É no finalzinho da segunda música que ela escolhe fazer um interlúdio para se apresentar e, naturalmente, elogiar as 76 mil pessoas que lotaram o Estádio Olímpico de Sydney, além de deixar avisado que todos ali presentes deveriam saber de uma coisa antes de começar: ela nasceu em 1989.

Como ao final de Romantics Taylor desce pelo elevador para trocar de roupa e no vídeo logo aparece ela contando como Blank Space é uma de suas músicas favoritas que ela canta na turnê. Isso porque ela é sobre uma garota charmosa e sedutora que “leva” as pessoas para dentro do mundo dela, e então se transforma numa psicopata. Explica, ainda, como a temática da apresentação é inspirada no clipe e que mostra todos os ex-namorados morrendo de medo e arruinados e como a inspiração da música veio da maneira com que a mídia construiu uma imagem dela de ser “namoradeira”, e que essa se transformou na maior música de sua carreira até agora.

Talvez por ter feito apresentações semelhantes de Blank Space antes da turnê, e ter incorporado a “personagem”, aqui Taylor já se mostra mais confortável do que nas duas primeiras músicas. O ponto alto da apresentação, certamente, é quando ela pega o taco de golf e interage com a plateia enquanto um loop de “Sydney” toca ao fundo.

Mais uma vez, as luzes se apagam e o vídeo corta para o depoimento de Taylor falando em como as pessoas já chegam no show sabendo a setlist, as roupas e todo o resto se quiserem. Uma das maneiras com que ela encontrou pra driblar isso, foram os convidados especiais que, para a surpresa de Taylor, aceitaram participar de maneira muito mais fácil do que ela imaginava. Aqui, nós vemos imagens de Wiz Khalifa, Steven Tyler, Jason Derulo e Nick Jonas chegando ao estádio, cumprimentando Taylor e ensaiando, e vemos trechos de “Jealous” com Nick Jonas e “Trap Queen” com Fetty Wap. Um dos momentos mais bacanas é o que mostra a chegada de Idina Menzel, que emprestou a voz para a Rainha Elsa em “Frozen”, chegando e cumprimentando Taylor já de cara agradecendo por a ter convidado. Eu, pessoalmente, acho que não perdoaria nem Taylor e nem Akerlund se não tivessem colocado ao menos um trecho com ela vestida de Olaf. Felizmente, ganhamos isso. E, com as imagens dos convidados especiais eu descobri a necessidade de que a quantidade de conteúdo de bastidores fosse maior. Isso porque agora eu vou ficar querendo as imagens de todo o ensaio de Taylor e Selena Gomez no Staples Center e sei que isso nunca vai acontecer. Assim, como a apresentação de “Royals” com a Lorde. E, desde que eu li aquela entrevista do The Weeknd que ele falou que a Taylor, bêbada, numa after party, ficou acariciando o cabelo dele, eu nunca mais olhei pra ele sem imaginar a cena, pior ainda se os dois estão dividindo o mesmo espaço da minha tela. Fiquei feliz que tenha aparecido, mesmo que por uma fração de segundos, a apresentação com o Sam Hunt.

I Knew You Were Trouble foi uma das músicas “antigas” que eu mais fiquei feliz de saber que estava na nova turnê. E que ela tinha sido reinventada e acabou ficando mais incrível ainda, principalmente porque em apresentações anteriores tinha sido uma das músicas do repertório de Taylor que ela realmente “dominou” no quesito vocal. Aqui, ela não decepciona. O arranjo está completamente diferente, saí o dubstep que dá lugar a, principalmente, a bateria e a guitarra dando um ar ainda mais sombrio à música (e com direito a paradinha!). Adoro a entrega da Taylor aqui, com ela se jogando no chão e fazendo a dramática com encaradas para a câmera.

Mais um corte e aqui Taylor explica como o “Red” ter perdido o Grammy de Álbum do Ano pra “Random Acess Memories” do Daft Punk, com a maneira que foi anunciado que fez com que parecesse bastante com o álbum dela por alguns instantes a impactou na hora de pensar no próximo álbum. De volta para o show, Taylor conversa um pouco com a plateia, os agradecendo por estarem no show e por terem se importado com o “1989”.

I Wish You Would é uma das minhas músicas favoritas do 1989. E mesmo que aquelas figuras da silhueta da Taylor em neon pulando na minha tela tenham ficado meio bizarras, eu gosto de como ela, no meio da música — que também é o ponto de virada dela — fala sobre ser o momento em que “aquela” pessoa aparece na hora perfeita (senti falta do discurso sobre ser inspirada nos filmes do John Hughes que ela fazia antes na turnê, que meio que “completa” tudo).

Em How You Get The Girl você tem de tudo e mais um pouco: chuva e guarda-chuvas, ternos e saias e crop tops luminosos nos dançarinos, um poste que voa e uma explosão de luzes rosa. Logo depois, outro corte, e Taylor começa a falar de como Mick Jagger foi parar no show dela: depois do pai dela a mandar uma mensagem falando que um amigo dele jurava que Jagger estava em Nashville, Taylor mandou uma mensagem para o líder dos Stones. Um dos momentos mais legais (e é por isso que eu digo que esses bastidores não deveriam estar perdidos no meio do show) é quando Jagger sai do ensaio e Taylor e sua banda estão literalmente incrédulos com o que acabou de acontecer.

I Know Places tem exatamente o cenário, a vibe e o pacote completo daquilo que a gente meio que imagina da música: aquela sensação de perseguição, ansiedade e algo “secreto” tudo misturado. O simbolismo com as portas é bem forte e próximo daquilo que ela fala no voice memo do álbum: a música é sobre um relacionamento que convive com todas essas coisas e mais um monte de gente em cima e, por isso, tem que acontecer meio que atrás de portas fechadas. O verso final é uma das minhas coisas favoritas que a Taylor já escreveu e ela não me decepciona ao cantar ele cheio de significado e profundidade.

Hora de mais convidados. Vemos os ensaios, com direito a Taylor mandando Alanis Morrissette mandar a ver no tapa na cara dela (“roxos desaparecem”, é o que ela diz). E a curiosidade da vez é que, antes do show, eles podem programar as pulseiras brilhantes pra qualquer cor. Então, antes, ela pergunta pros convidados que cor eles querem que a plateia “seja” durante da música deles. Os convidados ainda podem escolher qual elevador vão pegar até o palco — o da frente ou o de trás –, se querem alguma coisa no palco (um banco, por exemplo), pirotecnia é outra opção.

De volta para o show, All You Had to Do Was Stay reaparece no setlist depois de ter sido retirada dele por uma boa parte da turnê nos Estados Unidos. Só pelo cenário maravilhoso com os olhos da Taylor já foi um ganho enorme pro pessoal de Sydney que teve ela de volta no finalzinho da turnê. Um dos momentos mais legais é quando Taylor interage com o Paul (guitarrista que a acompanha desde o começo de sua carreira). No show inteiro até agora você tem ela interagindo bastante com os dançarinos, mas é bem legal ver a (enorme) química que ela tem com a banda.

Eu gosto bastante do formato com depoimentos, mas preciso confessar que vai ficando cansativo quando você tem uma música e corta pra mais depoimento. Enquanto isso, no show, Taylor se posiciona no b-stage (que é, na verdade, o final da passarela que é “levantado”) para a parte acústica, em que ela canta You Are In Love. Assim como New Romantics, ela é uma música que eu não acreditava que estaria na turnê — mesmo quando Taylor garantiu que cantaria todas do “1989”. No final das contas, ela rende uma das partes mais legais de interação com o público quando Taylor pede para que eles façam o “eco” do refrão. Também é bem legal ver a Taylor um pouco mais parada depois de estar em todos os lugares o tempo todo, não só ela descansa, mas quem tá assistindo também dá uma descansada do ritmo frenético dela.

Ao invés de ganharmos o cover de alguma das músicas dos álbuns anteriores (que, na verdade, foi Fifteen na maioria das vezes), vemos uma montagem sobre os fãs e Taylor falando de como eles se dedicam com fantasias e tudo mais. Para eles, o discurso que é feito antes de Clean é um dos momentos mais especiais do show também. Taylor fala sobre como ser feliz é melhor do que ser “legal” e como palavras podem te marcar, mas que no momento em que você percebe que não é a opinião dos outros que te define, é aí que você está “limpo”. O destaque em Clean, além do discurso, são as imagens que compõe o cenário. Elas lembram bastante a temática do clipe de Style, e mesmo que as duas músicas não possam ser mais diferentes, nos dois casos elas combinam bastante.

Mais convidados. Dessa vez, mostram a participação do Nelly (que já é figurinha carimbada nas turnês de Taylor) que contou ainda com as HAIM (e foi uma das minhas favoritas, diga-se de passagem), além de Taylor e Lisa Kudrow ensaiando “Smelly Cat“.

Corta pro show.

Nova versão de Love Story. Essa a gente conhece desde o iHeart Radio Music Festival no ano passado, mas ainda a acho incrível até hoje, principalmente porque Taylor deu uma repaginada total em uma música que, talvez, muitos (e até ela) nem aguentasse mais. Cheia de batidas, foi um prato cheio pra edição fazer cortes ritmados com as batidas.

O vídeo das amigas! <3 E as gatas! <3 O Karlie Kam é sensacional! Quero uma versão do show inteiro narrado pela Karlie pra ontem na minha mesa. E, aí sim, em Style eu nem me importaria se não fosse o show lá em Sydney, mas se ela colocasse todo o povo que ela chamou no palco. Eu não posso com Style também mesmo que ache que, no geral, no show ela ficou meio apagadinha. Acho que os dançarinos em tênis de rodinha em total sincronia são sensacionais, mas a apresentação não tem nada “a mais” que realmente a destaque no show.

Eu ainda não entendi como enfiaram a Taylor no figurino da Camila do Fifth Harmony e fiquei agradecida quando essa foi uma questão levantada no depoimento da Taylor (que foi um jabázão pras meninas, que ganharam um bloco inteiro só pra elas).

This Love foi outra música que voltou para nós na Austrália! Não me conformei quando Taylor tirou ela do setlist nos shows dos Estados Unidos na surdina. Até porque a parte que ela canta com as backing vocals perto dela com uma coreografia toda ensaiadinha é maravilhosa (principalmente agora que tô me familiarizando mais com as backing vocals “novas”. Só levou 4 anos para eu aceitar a saída da Liz).

O bloco dedicado pra banda! Como já disse aqui, uma das coisas mais bacanas de toda a carreira da Taylor é o relacionamento próximo que ela tem com o pessoal da banda, e ver ela rasgando elogios pra eles e falando sobre eles é bem especial. E não deixou de ser irônico dela falar em dançarinos logo antes de Bad Blood, mas muito provavelmente foi só coincidência.

A explosão do estádio no comecinho da música é demais! Ela é, com certeza, outro ponto alto do show. A animação da plateia e toda a coreografia que envolve fazem ela se destacar.

E assim como Taylor deu uma nova cara pra Love Story, ela transformou completamente We Are Never Ever Getting Back Together. Confesso que nunca esperaria que ela ganhasse uma versão bem puxada pro rock. O resultado é demais, chega até a ser um tanto engraçado todos os gritos que Taylor dá, mas certamente manteve o pessoal animado depois de Bad Blood.

Adivinhem? Mais convidados! Mary J. Blige também ganhou um bloco inteirinho para ele em que a Taylor explica o significado de “Doubt“, que elas cantaram juntas, para ela.

Na volta do show, temos Wildest Dreams no piano. Ao invés do piano de cauda que Taylor normalmente tem nos shows, dessa vez ela está com um teclado “estilizado” e, no comecinho, faz um breve mashup com Enchanted, do Speak Now. Wildest Dreams é, basicamente, dividida em três momentos: o mashup com Enchanted, uma parte apenas no piano e, finalmente, quando as batidas do coração de Taylor tomam conta do clima. E como não podia faltar, Taylor no piano é praticamente sinônimo de bateção de cabelo. No finalzinho, Taylor arranca a “saia” e levanta do piano. Ali, eu sabia o que me esperava.

Eu nunca vi o show. Mas vi alguns vídeos pela Internet. E Out of the Woods sempre foi um tiro. E eu tava ok, porque os tiros eram em doses homeopáticas de uns 30 segundos. O cenário é maravilhoso (os dois lobos correndo! A floresta!), o clima é diferente de tudo (os aviões de papel!), a seriedade com que a Taylor canta ela é desconcertante (principalmente quando ela solta uns sorrisos no meio de alguma frase). O verso final, quando você acha que acabou, não acabou não e Taylor ver destruindo tudo ainda mais depois. A apresentação é tão boa que até dá aquela sensação de “acabou”.

E como se não fosse destruição o suficiente, Taylor aparece para falar de Justin Timberlake, e ele manda Taylor não acabar queimando ele com os efeitos pirotécnicos. A apresentação dos dois de Mirrors era uma que eu não me importaria nem um pouco de ter disponível em HD pra ficar assistindo sempre.

E ainda temos Shake It Off. Que é tão frenética quanto se pode imaginar. Mesmo que Taylor e os dançarinos estejam de cinto, já que a passarela sobe, sobe, sobe… até que começa a girar. E “andar”. Como não poderia faltar, tem fogos e tudo mais que tem direito (como se todo o resto não fosse o suficiente para te fazer ficar animado). Se não bastasse todo mundo indo a loucura, as pulseiras brilhantes acompanham, brilhando em cores diferentes.

Para finalizar, a mensagem secreta de “Clean”:

She lost him but she found herself and somehow that was everything

(Ela o perdeu, mas encontrou a si mesma e isso, de alguma forma, significou tudo)

No final das contas, o “The 1989 World Tour Live” é um registro bem válido da turnê. Temos o show base completo disponível, depois de uma turnê que foi marcada pelas restrições nas postagens de vídeo nas redes sociais (o que, diga-se de passagem, não impediu que ao mesmo tempo que eu soubesse coisas especificas do show, também me surpreendesse com outras). É, inclusive, um tanto mais completo que o DVD da “Speak Now World Tour” em quesitos de imagens e informações de bastidores. A “marca” do diretor Jonas Akerlund fica evidente nos diversos cortes e nas sobreposições com as imagens cenográficas.

No entanto, também fiquei com a sensação de que tudo foi feito “em cima da hora”. Explico: o intervalo entre o show de Sydney e o lançamento foi de uma semana. Enquanto em termos de edição não exista nenhum tipo de problema grave (fora os closes que em diversos momentos é evidente que foram capturados antes do show, com o estádio vazio), penso que poderiam ter aproveitado mais momentos da turnê inteira. Os momentos de bastidores foram os que mais me animaram, e eu gostaria de ver mais disso. Assim como eu gostaria de ver mais das apresentações com os convidados especiais. Tem tanta coisa bacana que “faz o show” acontecer que eu queria ver como surgiu, os ensaios da banda (que é algo que a Taylor já enfatizou algumas vezes, de como eles mesmos fizeram o arranjo das músicas), que fiquei sentindo falta. Foram tantas pausas pra falar dos convidados especiais que fiquei com aquele sentimento de que, talvez, eles podiam ter ficado em um vídeo “extra”, separado e que isso poderia nos garantir mais um pouquinho de imagens.

De qualquer maneira, depois de ter ficado sem registro nenhum da “Red Tour” e, até pouco tempo atrás, não ter nenhuma esperança que algo semelhante acontecesse com a turnê do “1989”, ganhar o show assim foi uma grata surpresa de final de ano.


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