“Rainha de Tudo”: Entrevista de Taylor para a NME


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  • Publicado em 09 de outubro de 2015

Taylor estampa a capa da edição de novembro da revista britânica NME. Na prévia, já tinha sido adiantado que Taylor falava sobre Kanye, o desentendimento com Nicki Minaj e o que mais ressoou entre os fãs: a folga que pretende tirar após a 1989 World Tour. Confira agora a entrevista na íntegra:

Rainha de Tudo

Como é mandar no universo pop, ser dona de empresas e vender álbuns em números que quebram recordes enquanto a internet analisa todos seus passos? Dan Stubbs conheceu a maior — e mais educada — superestrela do mundo para descobrir.

O camarim de Taylor Swift cheira a Madonna. Graças a uma vela perfumada que a antiga rainha do pop deu para a mais nova, depois que Swift comentou do aroma dos aposentos de Madge. “Mas no dela tem um tom de orvalho de eucalipto também”, diz Taylor. “Eu não tenho a habilidade de fazer um umidificador funcionar — parece muito complexo”.

Enquanto conversamos, um ramo de flores roxas que se parecem alienígenas chegam, uma cortesia de Mary J Blige. Também foi entregue nesta manhã uma caixa personalizada de M&M’s com a cara das duas gatas de Swift.

“Estou louca por elas”, ela diz indo até o outro lado do cômodo. “Mandei fotos para todos meus amigos”. Ela senta de volta no sofá. “Então é assim que é a vibe do meu camarim!”

Estamos nos bastidores da 1989 Tour, uma arrasa quarteirões de arenas que suporta o álbum de sucesso que possui o mesmo nome. Esse é o quarto de cinco shows lotados e sem precedentes no Staples Center em LA e Swift está curtindo cada minuto. “Estava pensando nisso ontem e eu percebi: não quero que essa turnê acabe. Nunca”, ela diz. “E isso nunca aconteceu comigo antes.”

Parte da diversão da 1989 Tour é o seu diverso elenco de convidados musicais surpresa. Ontem à noite, Alanis Morissette se juntou a ela para cantar o hit angustiante de 1995, “You Oughta Know” e a humorista Ellen DeGeneres desfilou pela passarela vestida do que Swift descreve como “uma bailarina nos tempos da brilhantina”. Os convidados mantêm as coisas novas quando o nervosismo não atrapalha mais. “Só fico nervosa para a TV ou em alguma situação na qual eu sinto que tem gente na plateia que me odeia”, ela diz abraçando suas pernas contra seu peito. “Se existe um número considerável de pessoas nas primeiras fileiras que eu sei que estão desejando que eu tropece e caia no palco, isso me afeta. Então isso não acontece nos meus shows. Talvez em alguma premiação ou algo assim…”

Swift teve, como ela mesma coloca, “muitas coisas… imprevisíveis acontecendo” em premiações, seja voltando para casa com vários troféus ou se sentindo envergonhada pelos outros artistas ou sendo interrompida no palco dos VMAs em 2009, quando Kanye West decidiu que a vitória de Swift no Melhor Vídeo Feminino era um insulto a Beyoncé. “Sou uma das poucas que já passou por isso — e o outro está no camarim ao lado”, ela diz, apontando para a parede. “Sabia que o Beck está aqui?”

O cantor e compositor Beck, o alvo da ira de West nos Grammys deste ano, é o convidado desta noite. Então isso é algum tipo de clube dos sobreviventes? “Não, Kanye e eu estamos de boa agora, seis anos depois”, diz Swift. “Demorou um pouco… Mas eu tive que contar esta história para o Beck mais cedo. Estava jantando com o Kanye uma semana depois dos Grammys, ele pára de falar e diz: ‘Que música é essa? Preciso ouvir isso todos os dias‘. Eu digo: ‘É o Beck, está em um álbum chamado ‘Morning Phase’, eu acho que você já ouviu falar nele…’ Nós nos matamos de rir. E ele disse: ‘Ei, algumas vezes eu estou errado!'”.

Marcado para o final de semana, o VMAs desse ano possui uma ameaça própria, depois de uma discussão com a rapper Nicki Minaj. Ofendida por não ter sido indicada com seu vídeo para “Anaconda”, Minaj twittou: “Se o seu vídeo celebra mulheres com corpos magros, você será indicada para vídeo do ano”. Swift tomou esta declaração como uma indireta para o seu vídeo recheado de modelos para “Bad Blood” e respondeu, dando inicio a uma loucura que durou dois dias na imprensa em que todo mundo desde Katy Perry (Team Nicki) até Ed Sheeran (Team Taylor) deram seu pitaco e, no final, Swift pediu desculpas verdadeiras para Minaj.

Então vai ser estranho, certo? Swift exala profundamente. “Não é nenhuma pessoa em particular ou nenhuma situação que me faz me sentir nervosa para o VMA, é que eu não sei sobre o que eu devo ficar nervosa”. Como ela se sentiu quando tudo isso explodiu? “Não quero falar sobre isso”, ela diz. “Mas eu mando mensagens de texto agora. Se tiver alguma coisa que pareça um mal entendido, eu procuro o empresário da pessoa, peço o número dela e mando uma mensagem. É uma lição importante que todos aprendam em 2015”.

Taylor Swift está experimentando um tipo de fama diferente. Seu álbum “1989” é um marco cultural, a resposta da nova geração para o “Thriller”. Enquanto o mega-sucesso daquele álbum colocou a vida de Michael Jackson no rumo de uma vida peculiar, ele teve, discutivelmente, um caminho mais fácil que Swift. Ela vive em um mundo em que todas as palavras, movimentos, roupas e post no Instagram é dissecado em tempo real. “Estou no noticiário todos os dias por diferentes motivos”, ela diz. “E posso sentir, às vezes, que, se você se deixar tomar pela ansiedade, como se todo mundo estivesse esperando para que você faça algo de muito errado — então você estará condenado. Muitas vezes eu preciso ligar para a minha mãe e conversar por um tempão, apenas para me relembrar de todas as coisas que são ótimas e das coisas que importam. Se você faz algo que defina seu caráter de maneira diferente daquele que o público achou que era, esse é o maior risco”.

A pergunta é: o que o público pensa de Taylor Swift? O single brilhante e divertido de 2014, “Shake it Off”, fala de desaprovação múltipla — “Dizem que eu saio até tarde e vou a muitos encontros” — mas Swift é o oposto. A tentação da atenção pública já fez estrelas do pop irem cada vez mais longe para chocar: fumar maconha, mostrar partes do corpo — nada disso importa mais. Taylor é o oposto. Ela tem um grupo invejável de amigas bem sucedidas, entre elas modelos, escritoras, cantoras e atrizes. Ela se veste impecavelmente. Ela não fala nenhum palavrão em uma conversa de uma hora. Ela vende a perfeição e esse é o traço mais dificil de manter. Miley e Rihanna não se julgam modelos a serem seguidos. Taylor, sim.

“Não é sobre tentar ser perfeita”, ela insiste. “Sem tentar parecer a bruxa boa do O Mágico de Oz ou qualquer coisa, mas eu realmente quero fazer coisas boas com o que eu tenho e é isso. Não sei se meu cerebro consegue pensar em coisas chocantes apenas para serem chocantes”.

Recentemente, Swift tem treinado o seu músculo dos negócios, pessoalmente se posicionando contra o Spotify e então a Apple, da qual ela chamou a atenção por não pagar os royalties aos artistas no período de testes do Apple Music. Surpreendentemente, o vice-presidente da Apple, Eddy Cue, respondeu ao desejo de Swift no dia seguinte. Você poderia chamar isso da batalha de Davi e Golias, mas antes você teria que decidir quem é quem. Swift é o arquétipo de quem se destaca, mas as marteladas já estão chegando, desde sites de fofoca questionando a hierarquia do seu “time” de amigas até um vídeo viral da comediante Lara Marie Schoenhals interpretando Swift de forma afetada, em que ela chama as bruxas de Salem e as “51 vítimas fabulosas de Bill Cosby” para o palco.

Se existe alguma forma de repressão sendo fermentada, Swift pretende — bem — deixar para lá. “Não tem nada que eu possa fazer sobre isso, porque estou vivendo a vida da maneira que quero”,ela diz. “Se você quer ser maldoso sobre eu dividir meu palco com outros artistas e oferecer aos fãs — que pagaram seu próprio dinheiro para ver o show — mais do que eles esperavam ver naquela noite, se você quer ser maldoso sobre isso, então vá em frente”.

Swift parece prematuramente bem centrada para uma pessoa de 25 anos vivendo sob intensa vigilância, mas ela está longe de sua primeira experiência com sucesso. Tendo se mudado com toda sua família da Pensilvânia para Nashville, ela assinou com a RCA Records aos 14 anos e entrou em um mercado negligenciado de fãs adolescentes de música country. “Em 10 anos de turnês e compor álbuns, tendo minha escrita confessional sendo mal compreendida, mal interpretada, parafraseada e investigada, eu nunca vacilei. É assim que quero viver minha vida”,ela diz. Ela pensa nas coisas que perdeu ao buscar uma carreira na música? Ela olha para traz, incrédula. “Eu não mudaria nada na minha vida!”

Você não desejaria andar na rua sem ser reconhecida?

“Nah! Quero tocar em estádios”. Ela estende as duas mãos como se tivesse pesando suas opções. “Tocar em estádios… andar pela rua… escolheria tocar em estádios. É uma troca. Não tem como andar nos dois caminhos ao mesmo tempo. Você escolhe um. E, se você não gosta do caminho em que está, você muda de direção. Você não quer sentar e dizer: ‘Oh, queria ter todas as coisas boas no mundo e nenhuma ruim’. Não funciona assim”.

Se Swift tem um lado sombrio, ele não aparece durante as oito horas que a NME passou no Staples Center. Primeiro ela está brincando na passagem de som com Beck e St Vincent, de quem ela curte tanto a maneira com que ela toca guitarra que ela urra. “Quero mais disso na minha vida!” Logo depois, Swift já está uniformizada — salto alto, vestido justo e lábios vermelhos — para a primeira sessão de meet-and-greet, que acontece dentro de um mini museu em que figurinos estão dentro de redomas de vidro. No caminho, Swift se anima com uma atualização. “Acabei de saber que o John Legend está vindo, então liguei para a Chrissy [Teigen, esposa de Legend] para ver se ele queria cantar ‘All of Me’ comigo”, ela diz ofegante. “Ele vai cantar. Sem ensaio! Sem pressão!” Ela faz uma cara de preocupação exagerada e animada.

O show por si só é fantástico. Existem músicas ótimas. Trocas de figurinos. Uma passarela que sobe e gira para que Swift possa cantar para todos na plateia. Os fãs, por sua vez, mostrando devoção absoluta. Um deles levanta uma cartolina que diz: “Taylor é Vida”. Quando John Legend aparece, #AllOfMe passa a ser assunto do momento no Twitter.

De volta ao camarim, Swift fala sobre o desafio de substituir o grande “1989”. Essa ideia a assusta? “Nãããããão. Como o próximo poderia ser tão grandioso? Talvez o próximo álbum será uma ponte para outro lugar. Ou talvez eu vá e mude tudo”. Peço uma dica de algumas músicas que ela já escreveu e ela responde com uma bufada. “Não! Por que eu faria isso? Deus!” A 1989 Tour acaba em dezembro. Depois disso, Swift diz, “acho que preciso de uma folga. Acho que as pessoas precisam de um tempo de mim. Eu vou… Não sei. Sair com minhas amigas. Escrever novas músicas. Talvez não escreva novas músicas. Não sei”. Ela realmente parece que ainda não pensou sobre isso.

A próxima noite traz mais convidados especiais (Justin Timberlake, a amiga Selena Gomez e Lisa Kudrow de Friends) e o final da série de LA. Naquele final de semana no VMA, Swift canta com Nicki Minaj, Minaj muda seu foco para Miley Cyrus, o mamilo fujão de Cyrus lota as manchetes e o novo clipe de Taylor é acusado de ser uma “fantasia colonialista” em diversos artigos. Swift não comenta; um silêncio digno muitas vezes é a melhor resposta. Sua vida parace exaustiva, como um longo jogo de xadrez. Mas ela foi feita para isso. Depois do show, o pai de Taylor está por ali. Digo a ele o quanto gostei do show. “Claro”, ele diz, “Mas quem está se divertindo mais ainda? Taylor está. Como sempre”. Papai provavelmente sabe melhor.

O que eles dizem sobre Tay
Madonna: “Acho que ela escreve músicas que são pegajosas. Não consigo tirá-las da cabeça”.
Ryan Adams: “De compositor para compositor, acho que ela é extraordinária. Admiro ela imensamente”.
Ed Sheeran: “Taylor tem uma alma linda e é muito, muito adorável”.
Selena Gomez: “Todos os problemas que eu tenho são curáveis por Taylor Swift!”
Morrissey: [sobre sua apresentação no Brit Awards] “Taylor Swift não tem nada a ver com Convetry ou Wrexham”.
Katy Perry: “Regina George na pele de cordeiro”.
Noel Gallagher: “Ela parece ser uma boa garota”.

A revista também postou dois vídeos dos bastidores do ensaio fotográfico, em um deles ela explica como criou seu hit “Blank Space”:

Confira em nossa galeria os scans da revista e as fotos do ensaio fotográfico:


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