Pitchfork: 5 pontos principais do novo álbum de Taylor Swift, Lover


Taylor Swift deu início ao seu último álbum, Reputation, em 2017, com uma dramática queda de microfone: “Desculpe, a antiga Taylor não pode atender agora”, ela canta no primeiro single “Look what you made me do”. “Por que? Oh, porque ela está morta”. Colocada como mentirosa por Kim e Kanye e criticada por não se posicionar politicamente na época de Trump, Swift não foi mais o amorzinho da América; em vez disso, ela foi a cobra do pop e sua vítima perpétua. Reputation falou dessa narrativa com músicas ousadas que compararam sua vergonha pública com a queima de bruxas.

Com seu desvio de garota má, aparentemente atrás dela, mais cedo nesse ano Swift anunciou seu sétimo álbum, Lover, com um gigante mural de borboletas e suas asas cheias de corações, arco-íris e gatos. “Há tantas maneiras diferentes com as quais esse álbum parece com um novo começo”, ela disse na Vogue. “Esse álbum é uma carta de amor para o amor, em toda sua loucura, paixão, excitação, encantamento, horror, tragédia e maravilhosa glória”. Sem surpresa, Lover é um retorno da vulnerabilidade e romance. Aqui está o que você precisa saber sobre o álbum de 18 faixas.

O som

Swift tem o hábito de dar prévias de seus novos álbuns com músicas que não são necessariamente indicativas da melhor vibe, e com o Lover não foi diferente. O chiclete de Kidz Bop de seus singles anteriores “ME!” e “You Need to Calm Down” são, sem dúvida, os momentos mais fracos do álbum (pelo menos o “hey kids, sleeping is fun” foi cortado). Deixando isso de lado, Lover é abeçoadamente coeso, convergindo com o pop colossal de escapismo do 1989 e a super específica intimidade do Red com fragmentos suficientes do electro pop do Reputation, que mantêm as coisas surpreendentes. Enquanto algumas músicas acenam para as raízes country de Swift(“Soon You’ll Get Better”, “Lover”), Lover pega as suas explorações sonoras mais recentes e as leva adiante.

Os Créditos

Falando de 1989 e Reputation, o produtor e compositor Jack Antonoff é uma grande presença mais uma vez, trazendo seu sonhador estilo synth-pop para 11 das 18 músicas. Ele juntou-se com Annie Clark de St. Vicent em “Cruel Summer”, uma das músicas mais eufóricas e explosivas do Lover.Dixie Chicks faz uma sutil mas movimentada aparição, harmonizando em “Soon You’ll Get Better”, que fala sobre a batalha da mãe de Swift com o câncer. E claro, Panic! at the disco aparece numa infeliz nuvem de algodão doce em “ME!”.

Swift escreveu e co-escreveu, como também co-produziu todas músicas no álbum. Max Martin e Shellback, que trabalharam com Swift consistentemente desde 2012, com o Red (indiscutivelmente o início da sua era pop), estão notavelmente fora dos créditos.  Uma colaboração particular no Lover parece ser um borbulhante momento de amor pela Inglaterra, “London Boy”, a qual os créditos incluem o cantor soul em ascensão (e compositor/produtor para contratar) Cautious Clay como também Sounwave, um dos produtores de TDE. A faixa também começa com Idris Elba casualmente sugerindo um passeio com sua scooter, tirada da aparição do ator britânico em 2017 no Corden.

Acontece que a antiga Taylor pode atender o telefone

Se os comentários imaturos sobre celebridades em seu último álbum pareceram um pouco cansativos para você, o Lover pode ser um alívio. Apesar de o álbum começar com um início estilo Reputation era (“I Forgot That You Existed”), Swift retorna principalmente para sua específica, observadora e coração na manga estilo de escrita. Em “Soon You’ll Get Better”, ela reza para as garrafas laranja de remédio de sua mãe e se pergunta como sobreviver sem sua confidente principal. Em “Cornelia Street”, ela decora o início de um novo romance por meio dos detalhes de sua vida no inconfundível corredor de Manhattan. No geral, o tom do álbum é auto consciente e esperançoso. “Eu quero ser definida pelas coisas que eu amo, não pelas coisas que eu odeio, não pelas coisas que eu tenho medo, as coisas que me assombram no meio da noite”, ela conclui na última faixa “Daylight”.

De pé por si só

Desde que Lena Dunham ensinou Taylor sobre feminismo em 2014, a música emoldurou suas experiências de atenção à desigualdade de gênero. Isso foi  mostrado de novo recentemente com Swift protestando a venda de seus masters gravados para o gerente de música Scooter Braun, o qual chamou Swift de “pior cenário”, devido ao bullying do passado de Braun (ele gerenciou Kanye) . “Ele sabia o que estava fazendo; eles dois sabiam”, Swift escreveu no Tumblr, se referindo a Braun e Scott Borchetta da Big Machine, o ex presidente da sua antiga gravadora. “Controlando uma mulher que não queria ser associada a eles. Na perpetuidade. Isso significa para sempre”. Essa semana, em um esforço para contorná-los, Swift anunciou que planeja regravar sua discografia inteira.

Esse é o pano de fundo do lançamento de Lover. O álbum por si mesmo fala mais abertamente de problemas relacionados  ao sexismo do que os álbuns anteriores de Swift. Como Beyoncé fez anteriormente com “If I Were a Boy”, “The Man” imagina a vida de sua protagonista como se fosse homem. Essencialmente, ela seria percebida como complexa, descolada, indiferente, imponente e respeitada. “Quando todo mundo acredita em você/Como é?”, ela pergunta com uma batida titubeante. Depois, em “Miss Americana & the Heartbreak Prince”, Swift usa seu “adorado” ensino médio  para mostrar uma masculinidade tóxica e um patriotismo desiludido. “Histórias americanas, queimando antes de mim/ Eu me sinto perdida, as donzelas estão deprimidas/Garotos serão garotos então/Onde estão os homens sábios?/Querido, eu estou com medo”, ela canta, em meio a líderes de torcida que cantam sobre lutar e vencer.

Frases cotáveis de Swift

“Não é amor, não é ódio, é apenas indiferença”- “I Forgot That You Existed”

“Ele está tão obcecado por mim e, garoto, eu entendo”- “I Think He Knows”

“Você disse que era um ótimo amor/ Um para a vida/Mas se a história está acabada, por que eu continuo escrevendo páginas?”- “Death By a Thousand Cuts”.

“Eu amo minha cidade natal tanto quanto amo Motown/ Eu amo So-Cal/E você sabe que eu amo Springsteen, jeans azul desbotado, whiskey do Tennessee”- “London Boy”

“Eu acreditei uma vez que o amor poderia ser vermelho ardente/ Mas ele é dourado”- “Daylight”.

Matéria publicada pela Pitchfork e traduzida pela equipe TSBR.


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