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Aparentemente, depois de Taylor anunciar que seu mais novo trabalho — “1989” — seria totalmente pop, ela acabou causando um grande problema para a música country. Ao menos, essa é a opinião do periódico The New Yorker, o mesmo que ano passado cravou Taylor como a maior superestrela pop do mundo.  Leia o artigo que eles publicaram hoje em seu site:

Na tarde de segunda-feira, a Associação de Música Country publicou um tweet direcionado ao meio milhão de seus seguidores, perguntando: “O que vocês acham que @taylorswift13 tem guardando em sua manga?” Taylor Swift, uma das maiores estrelas que a música country já produziu, tinha reservado um horário nas plataformas online do Yahoo! e da ABC News para fazer un anúncio, mesmo que ela não tivesse anunciado o que o seu anúncio anunciaria. Uma hora depois, na medida em que a antecipação crescia, o CMA ecoou a impaciência dos fãs de Swift, twittando, “Um novo álbum? Nova turnê? Nova receita de cookie? O QUE SERÁ!?”

Uma vez que a transmissão começou, Swift se sentou na frente de uma plateia animada, como a apresentadora de um talk show sem nenhum convidado. Ela fez o que chamou de “confissão”: “Eu estive trabalhando em um novo álbum por dois anos”, ela disse. Os fãs mais astutos já haviam adivinhado, dado o profissionalismo e precisão de Swift. (Ela vem lançando um álbum a cada dois anos desde 2006) Ela prometeu aos fãs que esse seria o “álbum mais coerente sonoramente que eu já fiz,” e ela tocou, pela primeira vez, uma nova música chamada, “Shake It Off”, escrita com e produzida pelos dois maiores criadores de hits da Suécia, Max Martin e Shellback.

De cara, “Shake It Off” pode não soar muito confusa. A música é instaneamente um retorno retrô ao cenário pop de uma década atrás, fazendo referências animadas à “Hey Ya!” do Outkast e “Hollaback Girl” de Gwen Stefani, assim como a própria “Shake It Off” de Mariah Carey, que foi um grande hit (e uma música completamente diferente) de 2005 que já foi substituída nos resultados da busca no Youtube por “shake it off”. No clipe, o qual Swift também divulgou, ela experimenta diversas roupas e passos de dança. “Eu adoro a ideia de que você pode dizer quem alguém é pela maneira com que dançam”, ela disse, e parte do charme do vídeo é no prazer que ela tem com a habilidade dos dançarinos profissionais e o entusiasmo com os dançarinos amadores que estão a sua volta. (Mesmo que nem todos tenham ficado encantados)

Um grupo de pessoas acharam a revelação de Swift particularmente confusa: executivos do mundo da música country, o gênero que fez de Swift uma estrela em primeiro lugar. Em entrevista para o USA Today, Gregg Swedberg, da estação de música country de Minneapolis K102, classificou “Shake It Off” como uma quebra definitiva com o gênero. “Espero que ela encontre sua musa country mais uma vez, e nós iremos a receber de volta de braços abertos quando isso acontecer”, ela disse. De qualquer maneira, parece que a sua estação de rádio não consegue ignorar Swift e atenção que ela gera: no dia seguinte da revelação de “Shake It Off”, K102 twittou um link para um slideshow das “25 Coisas Que Você Não Sabia Sobre Taylor Swift”.

Uma reação parecida veio do CMA. Ano passado, na sua cerimônia de premiação anual, a Associação fez de Swift a segunda vencedora na história do Pinnacle Award, que é entregue para honrar uma estrela que tenha “alcançado proeminência nacional e internacional através de shows e vendas de álbuns que sejam únicas na música country”, assim como é o “maior grau de reconhecimento dentro da expansão da música mundialmente”. (O último vencedor tinha sido Garth Brooks). Mas depois da estreia de “Shake It Off”, CMA postou um educado, porém, ambíguo tweet: “Boa sorte em sua nova investida @taylorswift13! Nós AMAMOS assistir você crescer!” Para muitos leitores, “Boa sorte” soou como “adeus”: palavras rancorosas de um genêro desprezado.

CMA não tem nada a ganhar ofendendo Swift e seus fãs, e depois disso deu uma série de esclarecimentos. O tweet de “Boa sorte” foi deletado após horas, e na terça-feira a Associação twittou: “Nós não vamos nunca, mesmo, mesmo dizer adeus para @taylorswift13. Nós AINDA estamos dançando! #ShakeItOff” Mais tarde naquele dia, quando perguntada, a Associação respondeu com uma declaração mais formal de Damon Whiteside, o vice-presidente senior, explicando o que havia acontecido. “CMA removeu o tweet congratulatório para Taylor Swift quando ficou aparente que nossas melhores intenções foram mal interpretadas”, disse Whiteside, adicionando: “CMA apoia totalmente a Taylor enquanto ela expande o seu alcance como uma superestrela internacional.” Parte da diversão de ser um fã de Taylor Swift é assistir a todo mundo — ou quase todo mundo — se desdobrando para continuar de bem com ela.

Swift tem expandido o seu alcance musical há anos, tendo maior presença em todos os lugares menos nas rádios country. Os dois maiores sucessos de seu álbum de 2012, Red, foram “We Are Never Ever Getting Back Together”, uma música emotiva para se cantar junto, e “I Knew You Were Trouble”, que tem um refrão berrante de dubstep: elas alcançaram a primeira e segunda colocação, respectivamente, do Hot 100 da Billboard, a principal tabela da música pop, mas nenhuma das duas entraram no top 10 da tabela de Country Airplay (“Trouble” teve seu auge na 55ª posição). Os experts da Billboard preveem que “Shake It Off” será outro sucesso pop — ela dizem que “parece estar indo para o topo da tabela”. Mas os executivos das rádios country vão ter que fazer, mais uma vez, um cáculo complicado, pesando o carinho de sua audiência por Taylor Swift contra o desejo deles de ouvirem uma sequência initerrupta de músicas que soam, mais ou menos, como música country.

Mas então, ninguém consegue dizer exatamente como a música country deve soar em 2014. E é tão fácil desdenhar dos paladinos do gênero que se recusam em abrir espaço para uma estrela pop que diz estar determinada em ser guiada por sua curiosidade musical. Mas como a critica pop Lindsay Zoladz observou recentemente, o desdém pelas fronteiras genéricas pode ser um tipo de ortodoxia também. “Recentemente eu passei a suspeitar que contar vantagem de puridade cultural se tornou uma forma de esnobismo”, ela escreveu, “e que a nova cara da elite musical nerd não é o cara do High Fidelity, mas sim o usuário do Twitter que quer muito que você o aplauda por escutar a Kesha, Sun O))), Florida Georgia Line e Gucci Mane e…” Igualmente, talvez a nova face da sofisticação pós-Nashville seja Swift, na tarde de segunda-feira, dizendo, com um traço de admiração, “eu tenho escutado bastante o pop do final dos anos 80?”

Nesse contexto, é mais fácil de ver o por quê os puristas do gênero podem soar um tanto defensivos. E, talvez, seja também mais fácil de ver o por quê gêneros são úteis. Em uma cultura misturada, é refrescante, e de alguma forma, milagroso, que a música country ainda exista como gênero, formato de rádio e uma cultura, que consegue estimular uma promissora adolescente que é cantora e compositora que tem o dom para músicas impossivelmente memoráveis de amor. Uma música country que pode fazer isso, também pode ser uma música country forte o suficiente, e teimosa o suficiente, para escutar um hit infalível de uma das maiores estrelas do pop no mundo e a dizer adeus, por enquanto.

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